Matéria DN 22/3 :: Sociedade quer o Potengi vivo

Sociedade quer o Potengi vivo

Repórter: Viktor Vidal

O Rio Potengi está eternizado em músicas, cartões postais e na memória de cada admirador que já teve a oportunidade de contemplar a beleza terna do sol se escondendo por trás das margens no finalzinho de tarde. Mas também não é novidade a batalha travada pela natureza para manter vivo o maior estuário do estado diante de tantos maus tratos que acabam passando despercebidos nos mistérios que envolvem o ambiente submerso das águas.

Talvez por falta da chamada consciência ecológica – pensamento em alta apenas no século 21 – ou mesmo por achar que a sobrevivência do rio não tem nenhuma relação com as condições de vida humana, por muito tempo a sociedade não deu muita bola para a agonia do Potengi. Mas parece que agora tudo vai mudando. Atitudes governamentais e iniciativas isoladas da sociedade estão aos poucos devolvendo a vida ao gigante Potengi.

Pode até ser uma gota d’àgua no oceano. Mas só o fato de falar para um amigo que não jogue lixo no rio já é um importante passo. Esse é o pensamento idealizado pelo programa Potengi Vivo, que envolve ações práticas e educacionais para a preservação do rio. ‘‘Queremos que cada um venha a desenvolver o olha crítico sobre o rio’’ resume o biólogo Paulo Gerson Lima, coordenador do projeto Barco-escola, uma das vertentes do programa.

BARCO

Desenvolvido pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (Idema), o Barco-escola promove passeios no estuário do Potengi, com aulas sobre a história, geografia e biologia do rio. Outra ação é a limpeza diária das águas e mangues que envolvem o rio. Para se ter uma idéia, por dia são recolhidos 500 quilos de lixo. Nos mutirões mensais, o trabalho chega a acumular nada menos que 5 toneladas de dejetos.

‘‘A situação era bem pior no final da década de 90’’, conta Paulo Gerson, informando que a partir da próxima semana o projeto começa a divulgar a balneabilidade da água verificada através de amostras coletadas durante o passeio. ‘‘O rio está ressuscitando, voltando a respirar. Mas não é de uma hora para outra que tudo vai estar resolvido’’, observa. Os passeios são oferecidos para estudantes e professores do ensino fundamental e médio.

Em cerca de uma hora e meia, a aula a bordo de um catamarã conta um pouco da história desenvolvida pelo homem ao redor do rio, revelando belezas desconhecidas para a maioria dos alunos, mas também mostra a triste realidade do bombardeio diário de impurezas jogadas no Potengi. É lamentável ver na comunidade do Paço da Pátria dois enormes canos despejando esgoto sanitário de diversos bairros nas águas do Potengi.

Mais triste ainda é observar moradores da comunidade, alheios ao problema, tranqüilos, pescando em pequenas embarcações. Ao mesmo tempo, o passeio revela um cenário de beleza sobre as águas. Frondosos barcos de passeio se preparam em frente ao Iate Clube para iniciar novas incursões. No cais do Porto de Natal, é empolgante observar a engrenagem da nossa economia em pleno vapor. ‘‘O olhar de cada um sobre o rio não é o mesmo de antes do passeio’’, garante Paulo Gerson.

Matéria DN 22/3 :: Sinduscom defende uma flexibilização de áreas

Sinduscom defende uma flexibilização de áreas

Dentro das reuniões programadas na Câmara Municipal para discutir o novo Plano Diretor de Natal, o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) apresentou ontem sua visão sobre o documento. A entidade sugeriu uma ‘‘flexibilização’’ nas limitações para construir em Mãe Luíza, Zona Norte e Ponta Negra. Alguns representantes do movimento ambiental e de comunidades reagiram às sugestões, argumentando que novas edificações trazem prejuízos aos menos favorecidos.

Para a Zona Norte, o presidente do Sinduscon, Sílvio Bezerra, defende que a região volte a ser adensável. ‘‘Não estamos pedindo o adensamento máximo, mas acredito que seja consenso que há muito o que se desenvolver na Zona Norte. Só se determina uma área de adensamento básico quando ela realmente carece de infra-estrutura’’, diz Bezerra contrapondo-se à proposta do novo plano de tornar toda e qualquer área da Zona Norte como não-adensável.

Contra o argumento de que a Zona Norte não tem saneamento para suportar o crescimento imobiliário, Sílvio Bezerra, declara que ‘‘mais de metade de Natal também não tem’’ e que existem soluções criadas pelo próprio empreendimento para suprir essa falta.

‘‘Não pode ser negada a continuidade do desenvolvimento na Zona Norte quando surge a possibilidade dele acontecer efetivamente, com a conclusão da ponte Forte-Redinha’’, acrescenta Bezerra.

Sobre Mãe Luíza ele questiona, não exatamente a proibição da verticalização do bairro, mas impossibilidade de se juntar dois lotes para aumentar uma área construída. ‘‘Isso significa que se uma cabeleleira morar numa casa conjugada com o seu salão e quiser aumentar o seu comércio, ela está proibida. Ou seja, os próprios moradores do bairro estão impedidos de crescer’’, conclui.

O novo plano prevê uma limitação de altura dos prédios para 65 metros nas áreas de controle de gabarito e de 90 metros para as áreas adensáveis.

O consultor ambiental e geógrafo Gustavo Szilagyi lembrou que o Plano Diretor não é feito só pela Prefeitura, nem só pelo Sinduscom. ‘‘Ele tem que ser aprovado pela Conferencia das Cidades, prevista pelo Estatuto das Cidades, ou seja uma discussão oriunda de um debate amplo, nas instâncias apropriadas’’, afirma Szilagyi.

O padre Bianor Francisco de Lima Júnior, representante da comunidade de Mãe Luíza, teceu comentários sobre a discussão.‘‘Emiti uma opinião baseada no que a comunidade pensa. A alteração da lei causa prejuízo aos moradores de Mãe Luíza’’.

Ele lembra que foram ressaltadas as limitações para os prédios, estes não podendo ultrapassar os 200 metros quadrados de construção e uma altura de 7,5 metros. ‘‘Edifícios e casas grandes aumentarão o padrão de vida no bairro, o IPTU poderá subir e os atuais habitantes terão de se deslocar para outros bairros’’, argumenta o padre.

As reuniões sobre o Plano Diretor ocorrem às quartas e quintas-feiras, às 9h, na Câmara Municipal de Natal.

Matéria DN 22/3 :: Programação do dia mundial da água é ampla

Programação do dia mundial da água é ampla

Repórter: Ana Paula Costa

A comemoração do dia mundial da água começou no dia de ontem quando todas as escolas públicas da cidade receberam um kit educativo sobre a preservação do meio ambiente e principalmente do líquido essencial à vida. Hoje, a partir das 10h haverá um evento comemorativo no Parque da Dunas que contará com a presença da governadora Wilma de Faria em que haverá explanações importantes sobre os mananciais do estado e sua preservação.

No kit entregue ontem aos alunos da rede pública de ensino havia um cd com informações sobre todo a bacia hidrográfica do estado, sua composição e a necessidade da preservação dos mananciais. Além disso, vários panfletos com informações sobre as matas siliares, conservação do meio ambiente e outros temas ligados à água completavam o curso.

Hoje, a programação conta com três atividades importantes. Duas delas acontecem no evento que ocorre no Parque das Dunas: o lançamento do livros Águas Potiguares e a apresentação do estudo técnico da Área de Preservação Ambiental do Jiqui. No livro, o leitor poderá encontrar informações completas sobre todos os reservatórios do estado que possuam mais de cinco milhões de metros cúbicos de água. Desde o perfil dos reservatórios, localização e construção, até a população que é beneficiada por cada um.

A terceira atividade, mas não menos importante é a publicação no Diário Oficial do Estado de um grupo de estudo formado por representantes do Instituto Gestor de Águas do RN (Igarn), da Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern), do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (Idema) e da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), que terá como objetivo unificar os procedimentos para que as soluções para os problemas enfrentados sejam mais rápidas.

Para o secretário de recursos hidrícos, Iberê Ferreira de Souza, a intenção da secretaria é aproveitar o dia de comemoração para incentivar a educação das futuras gerações para que entendam a importância da conservação desse bem. ‘‘O grande problema que enfrentamos hoje com relação à água é a falta de consciência das pessoas, além é claro da falta de saneamento básico enfrentada pelo nosso estado’’, afirmou.

A falta de saneamento é apontada por ele como o maior desafio a enfrentar, uma vez que apenas 30% da capital é saneada e apenas 10% recebe tratamento. ‘‘Não podemos mais adiar a solução desses problemas, já estamos sentindo os problemas causados pela falta de saneamento quando, por exemplo, vemos os poços da capital tendo que ser diluídos devido a alta presença de nitrato’’, explicitou.

Além das comemorações do Dia Mundial da Água o governo do estado preparou outros três eventos para comemorar a data. Na próxima segunda-feira no auditório da Semarh acontece o Seminário ‘‘Cenário de Gestão Integrada de Recursos Hídricos nos Estados do Rio Grande do Norte e Ceará’’. Na quarta e quinta-feira seguintes, no mesmo local, haverá a apresentação do Programa Água Doce com a participação de representantes do Ministério do Meio Ambiente e núcleo estadual do programa e na sexta acontece a inauguração da primeira Unidade Demonstrativa do Programa Água Doce com a presença da Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, em São José do Seridó.

AUDIÊNCIA

Além da programação oficial uma audiência pública, proposta pela deputada estadual Micarla de Sousa, acontecerá à tarde na Assembléia Legislativa. A proposta é discutir os problemas enfrentados, principalmente na capital, e apontar soluções a curto prazo para que a população não sofra com a possibilidade de escassez hídrica, uma vez que o Rio Grande do Norte é um dos seis estados do brasileiros que se aproximam do sinal de alerta.

Na ocasião, a promotora do meio ambiente, Gilka da Mata fará uma exposição sobre o assunto e os demais convidados poderão fazer suas interpelações. Foram convidados representantes da Caern, do Igarn, da UFRN e os engenheiros Kalazans Bezerra e Rivaldo Fernandes e os professores Elias Nunes e Laércio Cunha. A discussão começas às 15h, no Plenário Robinson Faria da Assembléia.

Matéria DN 22/3 :: Muita gente em Natal consome água imprópria

‘‘Muita gente em Natal consome água imprópria’’

Repórter: Bruno Vasconcelos
Foto: Ana Amaral/DN

Conhecida e reconhecida por ter o ar mais puro das Américas, Natal também se orgulhou por muitos anos da qualidade de sua água, potencialmente potável. Mas na última década, o crescimento imobiliário desordenado, somado à falta de esgotamento sanitário, causaram a contaminação do aquífero – principal fonte de abastecimento da cidade – por nitrato, o que está fazendo com que muitos natalenses tenham que beber água imprópria para o consumo humano.

A promotora Gilka da Mata (foto) classifica a contaminação da água de Natal como sendo o maior desafio para a sociedade e para o Ministério Público, que já enfrentou várias lutas para defender uma água de qualidade para a ‘Cidade do Sol’.

Uma das novidades sobre o assunto, segundo a promotora, é a denuncia de que o Hospital Giselda Trigueiro, que é administrado pelo estado, estaria jogando resíduos hospitalares em uma fossa, o que é proibido e pode contaminar o lençol freático. ‘‘Existe uma regulamentação própria para o destino de resíduos hospitalares’’, ressalta Gilka da Mata, que já pediu uma vistoria no hospital para constatar possíveis irregularidades.

Diário de Natal: Qual o principal problema hoje relacionado a água de Natal?

Gilka da Mata: Hoje temos um fator que influencia diretamente a população, que é a questão da contaminação da água. Em razão disso, a água que é distribuída para a população deixa de ser potável, o que afeta diretamente a saúde da população. A causa da contaminação é basicamente a falta de infra-estrutura de saneamento na cidade. Esse é o nosso maior problema.

Esse seria também o maior desafio?

O grande desafio é saber de onde a gente vai tirar a água para abastecer a população da cidade. Hoje, o abastecimento é predominantemente realizado através de aquíferos (lençóis freáticos). A solução encontrada pela Caern foi fazer a diluição da água contaminada do aquífero com água de manancial superficial. Na Zona Sul, da Lagoa do Jiqui e na Zona Norte, da Lagoa de Extremoz. Mas temos um grave problema porque a cada dia, com o crescimento da cidade, a demanda aumenta e as duas lagoas já estão no máximo de suas capacidades. Com isso, a água das lagoas não está chegando mais em quantidade suficiente para garantir a diluição. Então essa água está chegando em vários pontos da cidade, contaminada, imprópria para o consumo humano.

A situação é ruim em toda a cidade?

Dos oito reservatórios de abastecimento de água da Caern, três estão contaminados e os outros estão próximos ao nível de contaminação. O que é muito grave. E estes reservatórios abastecem os bairros mais populosos de Natal, como Lagoa Nova, Quintas e Felipe Camarão. Além disso temos problemas sérios de contaminação nos poços nos bairros de Pirangí, Gramoré e Pajuçara, onde a água vai para os reservatórios e não é diluída. Com isso, a contaminação chega à níveis altíssimos e a água deixa de ser potável, imprópria para o consumo humano. E muita gente em Natal consome água imprópria.

O que o Ministério Público está fazendo em relação a esse problema da contaminação?

As soluções a longo prazo e médio prazo envolvem necessariamente um sistema de esgotamento sanitário. Mas enquanto esse sistema não vem, nós não podemos deixar que a população continue tomando água imprópria para consumo. Aí vem aquele questão: ‘De onde vamos captar água?’. Tem que ser de mananciais que tenham qualidade e quantidade. Para Zona Norte, a Caern pensa na região do Rio Doce, onde já foram perfurados alguns poços e foi constatado que tem condições para abastecer a região. Na Zona Sul, a região da Lagoa do Jique também tem potencial de abastecimento por poços. Só que nestes casos é preciso construir adutoras. O que o Ministério Público fez foi entrar no ano passado com uma ação judicial contra a Caern exigindo essas medidas emergenciais, mas que ainda não foi apreciado pelo juizo.

O Poder Judiciário tem dado a mesma importância ao assunto ‘‘água’’, como é dado pelo Ministério Público?

Nós enfrentamos um problema com o Poder Judiciário, principalmente nas demandas que envolvem estado e municípios, porque entram na mesma vala comum da Vara da Fazenda Pública. E os juizes não são especializados na matéria. Hoje em dia, a questão ambiental tem que ser priorizada em todas as esferas: Nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Hoje, o Ministério Público em Natal tem uma promotoria específica do Meio Ambiente, com quatro promotores. Já o judiciário tem uma vara que não é totalmente especializada, que é a 18ªVara Cível, mas que envolve falências e meio ambiente, duas coisas que não têm nenhuma relação. A gente precisaria ter uma vara especializada na questão ambiental.

E como a população pode contribuir para garantir uma água de qualidade em Natal?

A sociedade precisa se conscientizar que também pode e deve ajudar. Coisas simples, como o racionamento de água e cuidados com a limpeza da fossa de casa são fundamentais para garantir que Natal possa ter sempre uma água potável de qualidade. O Ministério Público lança amanhã (hoje) uma cartilha (encartada hoje no Diário de Natal) que traz dicas de como proceder em relação ao esgoto de casa e a importância desses cuidados para a saúde da família.

Matéria DN 22/3 :: Muita gente em Natal consome água imprópria

‘‘Muita gente em Natal consome água imprópria’’

Repórter: Bruno Vasconcelos
Foto: Ana Amaral/DN

Conhecida e reconhecida por ter o ar mais puro das Américas, Natal também se orgulhou por muitos anos da qualidade de sua água, potencialmente potável. Mas na última década, o crescimento imobiliário desordenado, somado à falta de esgotamento sanitário, causaram a contaminação do aquífero – principal fonte de abastecimento da cidade – por nitrato, o que está fazendo com que muitos natalenses tenham que beber água imprópria para o consumo humano.

A promotora Gilka da Mata (foto) classifica a contaminação da água de Natal como sendo o maior desafio para a sociedade e para o Ministério Público, que já enfrentou várias lutas para defender uma água de qualidade para a ‘Cidade do Sol’.

Uma das novidades sobre o assunto, segundo a promotora, é a denuncia de que o Hospital Giselda Trigueiro, que é administrado pelo estado, estaria jogando resíduos hospitalares em uma fossa, o que é proibido e pode contaminar o lençol freático. ‘‘Existe uma regulamentação própria para o destino de resíduos hospitalares’’, ressalta Gilka da Mata, que já pediu uma vistoria no hospital para constatar possíveis irregularidades.

Diário de Natal: Qual o principal problema hoje relacionado a água de Natal?

Gilka da Mata: Hoje temos um fator que influencia diretamente a população, que é a questão da contaminação da água. Em razão disso, a água que é distribuída para a população deixa de ser potável, o que afeta diretamente a saúde da população. A causa da contaminação é basicamente a falta de infra-estrutura de saneamento na cidade. Esse é o nosso maior problema.

Esse seria também o maior desafio?

O grande desafio é saber de onde a gente vai tirar a água para abastecer a população da cidade. Hoje, o abastecimento é predominantemente realizado através de aquíferos (lençóis freáticos). A solução encontrada pela Caern foi fazer a diluição da água contaminada do aquífero com água de manancial superficial. Na Zona Sul, da Lagoa do Jiqui e na Zona Norte, da Lagoa de Extremoz. Mas temos um grave problema porque a cada dia, com o crescimento da cidade, a demanda aumenta e as duas lagoas já estão no máximo de suas capacidades. Com isso, a água das lagoas não está chegando mais em quantidade suficiente para garantir a diluição. Então essa água está chegando em vários pontos da cidade, contaminada, imprópria para o consumo humano.

A situação é ruim em toda a cidade?

Dos oito reservatórios de abastecimento de água da Caern, três estão contaminados e os outros estão próximos ao nível de contaminação. O que é muito grave. E estes reservatórios abastecem os bairros mais populosos de Natal, como Lagoa Nova, Quintas e Felipe Camarão. Além disso temos problemas sérios de contaminação nos poços nos bairros de Pirangí, Gramoré e Pajuçara, onde a água vai para os reservatórios e não é diluída. Com isso, a contaminação chega à níveis altíssimos e a água deixa de ser potável, imprópria para o consumo humano. E muita gente em Natal consome água imprópria.

O que o Ministério Público está fazendo em relação a esse problema da contaminação?

As soluções a longo prazo e médio prazo envolvem necessariamente um sistema de esgotamento sanitário. Mas enquanto esse sistema não vem, nós não podemos deixar que a população continue tomando água imprópria para consumo. Aí vem aquele questão: ‘De onde vamos captar água?’. Tem que ser de mananciais que tenham qualidade e quantidade. Para Zona Norte, a Caern pensa na região do Rio Doce, onde já foram perfurados alguns poços e foi constatado que tem condições para abastecer a região. Na Zona Sul, a região da Lagoa do Jique também tem potencial de abastecimento por poços. Só que nestes casos é preciso construir adutoras. O que o Ministério Público fez foi entrar no ano passado com uma ação judicial contra a Caern exigindo essas medidas emergenciais, mas que ainda não foi apreciado pelo juizo.

O Poder Judiciário tem dado a mesma importância ao assunto ‘‘água’’, como é dado pelo Ministério Público?

Nós enfrentamos um problema com o Poder Judiciário, principalmente nas demandas que envolvem estado e municípios, porque entram na mesma vala comum da Vara da Fazenda Pública. E os juizes não são especializados na matéria. Hoje em dia, a questão ambiental tem que ser priorizada em todas as esferas: Nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Hoje, o Ministério Público em Natal tem uma promotoria específica do Meio Ambiente, com quatro promotores. Já o judiciário tem uma vara que não é totalmente especializada, que é a 18ªVara Cível, mas que envolve falências e meio ambiente, duas coisas que não têm nenhuma relação. A gente precisaria ter uma vara especializada na questão ambiental.

E como a população pode contribuir para garantir uma água de qualidade em Natal?

A sociedade precisa se conscientizar que também pode e deve ajudar. Coisas simples, como o racionamento de água e cuidados com a limpeza da fossa de casa são fundamentais para garantir que Natal possa ter sempre uma água potável de qualidade. O Ministério Público lança amanhã (hoje) uma cartilha (encartada hoje no Diário de Natal) que traz dicas de como proceder em relação ao esgoto de casa e a importância desses cuidados para a saúde da família.

Matéria DN 22/3 :: Natalense destrói aqüífero

Natalense destrói aqüífero

Repórter: Ana Paula Costa
Foto:
Divulgação

Gerente de hidrogeologiae perfuração de poços da Caern, Marcelo Queiroz

São 18,66% dos 150 poços gerenciados pela Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), em Natal, que já foram fechados por terem atingido índices muito elevados de contaminação por nitrato. E 45% dos poços em funcionamento já estão contaminados, ou seja, com mais de 10 miligramas de nitrato por litro de água, mas mesmo assim continuam sendo usados para abastecimento da população através da diluição desses teores em águas não contaminadas.

A situação do aqüífero da capital há muito é tema de diversos alertas por parte de especialistas mas segundo o gerente de hidrogeologia e perfuração de poços da Caern, Marcelo Augusto Queiroz, a qualidade da água servida à população ainda é considerada muito boa. De acordo com ele, a concessionária vem tomando todas as medidas necessárias para garantir essa qualidade.

Caern busca água não contaminada

Como a diluição é a principal delas, o foco agora é encontrar novas áreas que possam ser usadas como água não contaminada nesse processo. Hoje três já são usadas: os oito poços existentes na região do San Vale, a Lagoa do Jiqui e a Lagoa de Extremoz, no entanto eles já enfrentam outros problemas, como a ocupação urbana que pode vir a contaminá-los e o assoreamento dos rios que os servem. As opções agora a margem esquerda do rio Doce, próximo a Extremoz, a perfuração de poços nas margens da Lagoa do Jiqui e de novos poços no San Vale.

A perfuração de novos poços ao redor da Lagoa do Jiqui possibilitará ainda uma modernização no sistema de abastecimento, já que será possível enfim trocar as duas adutoras que levam a água captada lá aos reservatórios. O novo cano utilizado terá quase um metro de diâmetro e modernizará o abastecimento.

Os 28 poços fechados (18,66%) não se encontram em nenhuma região específica da cidade. De acordo com Marcelo, essa contaminação já está bastante espalhada por toda a cidade. O que causou o fechamento de tantos poços foi o monitoramento que está sendo feito do ano 2000. A cada três meses, a água de todos os poços de Natal, Parnamirim e Macaíba é coletada e passa por testes físico-químicos.

Matéria DN 22/3 :: Natalense destrói aqüífero

Natalense destrói aqüífero

Repórter: Ana Paula Costa
Foto:
Divulgação

Gerente de hidrogeologiae perfuração de poços da Caern, Marcelo Queiroz

São 18,66% dos 150 poços gerenciados pela Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), em Natal, que já foram fechados por terem atingido índices muito elevados de contaminação por nitrato. E 45% dos poços em funcionamento já estão contaminados, ou seja, com mais de 10 miligramas de nitrato por litro de água, mas mesmo assim continuam sendo usados para abastecimento da população através da diluição desses teores em águas não contaminadas.

A situação do aqüífero da capital há muito é tema de diversos alertas por parte de especialistas mas segundo o gerente de hidrogeologia e perfuração de poços da Caern, Marcelo Augusto Queiroz, a qualidade da água servida à população ainda é considerada muito boa. De acordo com ele, a concessionária vem tomando todas as medidas necessárias para garantir essa qualidade.

Caern busca água não contaminada

Como a diluição é a principal delas, o foco agora é encontrar novas áreas que possam ser usadas como água não contaminada nesse processo. Hoje três já são usadas: os oito poços existentes na região do San Vale, a Lagoa do Jiqui e a Lagoa de Extremoz, no entanto eles já enfrentam outros problemas, como a ocupação urbana que pode vir a contaminá-los e o assoreamento dos rios que os servem. As opções agora a margem esquerda do rio Doce, próximo a Extremoz, a perfuração de poços nas margens da Lagoa do Jiqui e de novos poços no San Vale.

A perfuração de novos poços ao redor da Lagoa do Jiqui possibilitará ainda uma modernização no sistema de abastecimento, já que será possível enfim trocar as duas adutoras que levam a água captada lá aos reservatórios. O novo cano utilizado terá quase um metro de diâmetro e modernizará o abastecimento.

Os 28 poços fechados (18,66%) não se encontram em nenhuma região específica da cidade. De acordo com Marcelo, essa contaminação já está bastante espalhada por toda a cidade. O que causou o fechamento de tantos poços foi o monitoramento que está sendo feito do ano 2000. A cada três meses, a água de todos os poços de Natal, Parnamirim e Macaíba é coletada e passa por testes físico-químicos.