Matéria TN 30/3 :: Mãe Luíza organiza a resistência

Mãe Luíza organiza a resistência

Repórter: Jacson Damasceno
Foto: Aléx Régis

HISTÓRIA – Mãe Luíza já sofreu discriminação e pode vir a sofrer com especulação imobiliária

Mãe Luíza sofreu com a discriminação. Seu conjunto de casas humildes, surgido na década de 40, logo foi batizado vulgarmente de favela e a área era desprezada comercialmente. Nascido como Mata do Bode e tendo se chamado Novo Mundo, o bairro criado oficialmente em 1958 era menosprezado até a década de 90. A partir daí, os olhos do capitalismo cresceram e veio a especulação imobiliária.

Resolveram descobrir de repente, toda a beleza da região próxima ao Centro da cidade, de frente para o oceano e vizinha ao campo de dunas e mata atlântica. Mas o povo que ali morava e já conhecia todos os encantos do bairro, reagiu ao primeiro empreendimento. Em 1994, o Plano Revisor de Natal foi revisado e foram criadas as Áreas Especiais de Interesse Social (AEIS), onde leis específicas regeriam a ocupação urbana, levando-se em conta aspectos ambientais e a atenção ao interesse social da população.

O dispositivo que regulamentou a AEIS de Mãe Luíza é de 1995, a lei 4.663. Ela dividiu o bairro em uma área de conservação – nas adjacências do farol, e que só poderia ser utilizada para fins de pesquisa históricos e turísticos – em áreas de ocupação, com critérios rigorosos para as construções, como a área máxima de 200m2 e a proibição do remembramento de lotes, assim como o gabarito máximo de 7,5m. A prefeitura não quer mexer nisso. E pelo menos boa parte do povo, também não.

Hoje a população teme que tais critérios sejam modificados durante a revisão do plano diretor, em votação na Câmara Municipal. A movimentação é intensa, mas os técnicos da Secretaria Municipal de Meio-Ambiente e Urbanismo (Semurb) garantem que isso não vai acontecer. Segundo eles, o nome do bairro sequer é citado e tudo continuará como está, já que o bairro tem lei própria para a ocupação urbana. Mãe Luíza continua existindo e resistindo.

Moradores não querem mudanças

Edilson Bezerra é um dos coordenadores da revisão do Plano Diretor de Natal. Como engenheiro civil, e técnico da Semurb, ele espera que absolutamente nada seja modificado na legislação da ocupação de Mãe Luíza. “O Plano Diretor propõe outras áreas como de interesse social, como Brasília Teimosa e V. de Ponta Negra. Mãe Luíza está regulamentada e a lei está dando certo”.

O engenheiro condena a sanha de alguns empresários em estabelecer grandes empreendimentos na região, e o argumento de que só assim haveria um desenvolvimento. “O que importa é o que a população quer. Se as grandes construções chegarem, os moradores sairão dali. Tudo foi feito com reivindicação deles”. Segundo ele, a revisão contempla a regulamentação das outras duas AEIS já existentes: o Passo da Pátria e o Jardim Progresso.

A professora Josélia Silva dos Santos nasceu em Mãe Luíza, no ano de 1968. Hoje, ela faz parte de uma das entidades sociais do bairro e conta que a lei 4.663/95 reflete a opinião da comunidade em massa. “Houve vários debates com a comunidade. Naquela época já estávamos sofrendo com a especulação”, argumenta. Segundo ela, a comunidade vê desenvolvimento diferente dos empresários. O serralheiro José de Arimatéia da Silva, 42, mora no bairro há 28 anos. Ele relata que a comunidade hoje é politizada, e lembrou do italiano que por tanto tempo cuidou daquele povo. “O padre Sabino Gentille se foi, mas deixou suas sementes. Hoje a gente sabe debater, discutir”, disse o líder comunitário.

Sinduscon defende plebiscito

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinducon-RN), Silvio Bezerra, batalha atualmente em duas frentes no tocante à comunidade de Mãe Luíza. Segundo ele, a classe tenta propor novos dispositivos que modifiquem alguns aspectos do Plano Diretor e provar perante à sociedade e à prefeitura que não é um inimigo do bairro.

“Esse assunto me deixa magoado porque a gente fica como se fosse o vilão da história”, disse Silvio. Segundo ele, as mudanças trariam desenvolvimento à comunidade e não prejudicariam a população, que não teria sido ouvida corretamente sobre as características do bairro. “Proponho um plebiscito para ouvir os moradores. O que nós vemos são meia-dúzia de gatos pingados que dizem representá-los”.

O presidente do Sinduscon condena a legislação vigente, porque de acordo com ele, os moradores perderam o arbítrio sobre suas propriedades. “É um absurdo. Se o morador de Mãe Luíza quer aumentar sua propriedade, seu negócio, não pode. Ninguém pode melhorar de vida. É o único bairro de Natal onde as pessoas não podem decidir sobre seu futuro”, argumentou.

Silvio defende que, dizer que a implantação de grandes empreendimentos expulsaria os moradores originais é subestimar a inteligência e a capacidade deles. “Se uma coisa hoje vale R$ 10 mil, pode ser vendido por outro preço maior lá adiante. Além disso, a pessoa tem o direito de decidir. Se alguém se propõe comprar o imóvel, o morador só vende se quiser. Isso que eles chamam de expulsão branca não existe”.

Bezerra diz que se os parâmetros fossem modificados, o bairro iria poder contar com novos tipos de empresas como academias, escolas, lojas, que trariam mais empregos e desenvolvimento. “Sabemos que há violência em todos os bairros. Mas este atraso possibilita que esse problema exista ali. Todo dia os jornais mostram isso”. Sobre a questão da supervalorização do IPTU, Silvio defende uma proposta. “Isso é fácil. É só estipular que o imposto só aumente para um imóvel se ele for vendido, não havendo assim a supervalorização por outros imóveis maiores”.

O presidente do Siduscon-RN põe em xeque também os estudos que basearam a lei 4.663, duvidando de que a população tenha participado, de fato, do processo. “Eu nunca vi nenhuma pesquisa. Pesquisa é uma coisa, enquete é outra. Então mostrem o que foi realizado”, desafia. Silvio Bezerra contou que foi à Câmara mostrar as propostas dos construtores, mas que não sabe dizer se alguma será transformada em emenda. “Não tenho a menor idéia do que vai acontecer. Mas fizemos nossa parte. Esta proposta que está aí não foi a que passou pela Conferência das Cidades e pelo Complan..

“O externo está incomodado”

A professora Dulce Bentes, do departamento de Arquitetura da UFRN participou do grupo de pesquisa que preparou os parâmetros técnicos da lei 4.663/05. Segundo ela, tudo começou em 1992, quando a comunidade não aprovou a construção de um grande empreendimento imobiliário nas adjacências do Farol de Mãe Luíza. As entidades sociais do bairro realizaram o seminário “Mãe Luíza existe e resiste”, que apontou fragilidades nas leis de ocupação daquele solo. A partir daí, a universidade passou a realizar os estudos técnicos com pesquisadores e alunos de Arquitetura.

TRIBUNA DO NORTE - Nos âmbitos da arquitetura e do meio-ambiente, como foram os estudos realizados por vocês?

Dulce Bentes – Na dimensão urbanística, fizemos um estudo sobre como era o parcelamento do solo, como era a tipologia das casas, os usos predominantes. Nos aspectos ambientais observamos onde está assentada aquela comunidade – em uma área dunar -, já que é uma porção do parque das dunas, a topografia e os recursos hídricos como recarga de mananciais, além dos estudos sócio econômicos. Trata-se de um assentamento informal e uma população com renda de até três salários .

De que forma a população interagiu no processo?

DB –
Foi tudo feito com a comunidade. Após ficar pronto, os representantes também participaram de todas as discussões na Prefeitura. Hoje nós continuamos com um monitoramento, passando nas casas, rodando o bairro e em 12 anos não uma só reclamação da comunidade. Quem está incomodado é o setor externo. Quem não mora lá.”

Nos aspectos sócio-econômicos, quais os principais prejuízos, caso a lei 4.663 seja derrubada?

DB –
É o que está acontecendo em Ponta Negra e em Brasília Teimosa. A população vai saindo rápido. Uma situação penosa, que nos preocupa, porque a população não resiste ao processo de valorização da área. Mãe Luíza é uma fração do Parque das Dunas. Ela está inserida na dinâmica daquele ecossistema dunar. Ela cumpre função ambiental tanto no seu caráter físico, como no ponto de vista do usufruto, do caráter público. O Estado tem responsabilidade tanto no direito da moradia como um bem ambiental.

* comentário pertinente: até parece que um plesbicito é a melhor forma de evitar o pior! Meu caro Sílvio Bezerra, o poder do dinheiro pode comprar votos mas não a dignidade de uma comunidade. NÓS e a cidade é que estamos magoados com essas aberrações que o setor da construção civil tenta impor à cidade empurrando goela abaixo prédios onde não deve. SOMOS POBRES PORÉM LIMPINHOS.

Matéria TN 30/3 :: Mãe Luíza organiza a resistência

Mãe Luíza organiza a resistência

Repórter: Jacson Damasceno
Foto: Aléx Régis

HISTÓRIA – Mãe Luíza já sofreu discriminação e pode vir a sofrer com especulação imobiliária

Mãe Luíza sofreu com a discriminação. Seu conjunto de casas humildes, surgido na década de 40, logo foi batizado vulgarmente de favela e a área era desprezada comercialmente. Nascido como Mata do Bode e tendo se chamado Novo Mundo, o bairro criado oficialmente em 1958 era menosprezado até a década de 90. A partir daí, os olhos do capitalismo cresceram e veio a especulação imobiliária.

Resolveram descobrir de repente, toda a beleza da região próxima ao Centro da cidade, de frente para o oceano e vizinha ao campo de dunas e mata atlântica. Mas o povo que ali morava e já conhecia todos os encantos do bairro, reagiu ao primeiro empreendimento. Em 1994, o Plano Revisor de Natal foi revisado e foram criadas as Áreas Especiais de Interesse Social (AEIS), onde leis específicas regeriam a ocupação urbana, levando-se em conta aspectos ambientais e a atenção ao interesse social da população.

O dispositivo que regulamentou a AEIS de Mãe Luíza é de 1995, a lei 4.663. Ela dividiu o bairro em uma área de conservação – nas adjacências do farol, e que só poderia ser utilizada para fins de pesquisa históricos e turísticos – em áreas de ocupação, com critérios rigorosos para as construções, como a área máxima de 200m2 e a proibição do remembramento de lotes, assim como o gabarito máximo de 7,5m. A prefeitura não quer mexer nisso. E pelo menos boa parte do povo, também não.

Hoje a população teme que tais critérios sejam modificados durante a revisão do plano diretor, em votação na Câmara Municipal. A movimentação é intensa, mas os técnicos da Secretaria Municipal de Meio-Ambiente e Urbanismo (Semurb) garantem que isso não vai acontecer. Segundo eles, o nome do bairro sequer é citado e tudo continuará como está, já que o bairro tem lei própria para a ocupação urbana. Mãe Luíza continua existindo e resistindo.

Moradores não querem mudanças

Edilson Bezerra é um dos coordenadores da revisão do Plano Diretor de Natal. Como engenheiro civil, e técnico da Semurb, ele espera que absolutamente nada seja modificado na legislação da ocupação de Mãe Luíza. “O Plano Diretor propõe outras áreas como de interesse social, como Brasília Teimosa e V. de Ponta Negra. Mãe Luíza está regulamentada e a lei está dando certo”.

O engenheiro condena a sanha de alguns empresários em estabelecer grandes empreendimentos na região, e o argumento de que só assim haveria um desenvolvimento. “O que importa é o que a população quer. Se as grandes construções chegarem, os moradores sairão dali. Tudo foi feito com reivindicação deles”. Segundo ele, a revisão contempla a regulamentação das outras duas AEIS já existentes: o Passo da Pátria e o Jardim Progresso.

A professora Josélia Silva dos Santos nasceu em Mãe Luíza, no ano de 1968. Hoje, ela faz parte de uma das entidades sociais do bairro e conta que a lei 4.663/95 reflete a opinião da comunidade em massa. “Houve vários debates com a comunidade. Naquela época já estávamos sofrendo com a especulação”, argumenta. Segundo ela, a comunidade vê desenvolvimento diferente dos empresários. O serralheiro José de Arimatéia da Silva, 42, mora no bairro há 28 anos. Ele relata que a comunidade hoje é politizada, e lembrou do italiano que por tanto tempo cuidou daquele povo. “O padre Sabino Gentille se foi, mas deixou suas sementes. Hoje a gente sabe debater, discutir”, disse o líder comunitário.

Sinduscon defende plebiscito

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinducon-RN), Silvio Bezerra, batalha atualmente em duas frentes no tocante à comunidade de Mãe Luíza. Segundo ele, a classe tenta propor novos dispositivos que modifiquem alguns aspectos do Plano Diretor e provar perante à sociedade e à prefeitura que não é um inimigo do bairro.

“Esse assunto me deixa magoado porque a gente fica como se fosse o vilão da história”, disse Silvio. Segundo ele, as mudanças trariam desenvolvimento à comunidade e não prejudicariam a população, que não teria sido ouvida corretamente sobre as características do bairro. “Proponho um plebiscito para ouvir os moradores. O que nós vemos são meia-dúzia de gatos pingados que dizem representá-los”.

O presidente do Sinduscon condena a legislação vigente, porque de acordo com ele, os moradores perderam o arbítrio sobre suas propriedades. “É um absurdo. Se o morador de Mãe Luíza quer aumentar sua propriedade, seu negócio, não pode. Ninguém pode melhorar de vida. É o único bairro de Natal onde as pessoas não podem decidir sobre seu futuro”, argumentou.

Silvio defende que, dizer que a implantação de grandes empreendimentos expulsaria os moradores originais é subestimar a inteligência e a capacidade deles. “Se uma coisa hoje vale R$ 10 mil, pode ser vendido por outro preço maior lá adiante. Além disso, a pessoa tem o direito de decidir. Se alguém se propõe comprar o imóvel, o morador só vende se quiser. Isso que eles chamam de expulsão branca não existe”.

Bezerra diz que se os parâmetros fossem modificados, o bairro iria poder contar com novos tipos de empresas como academias, escolas, lojas, que trariam mais empregos e desenvolvimento. “Sabemos que há violência em todos os bairros. Mas este atraso possibilita que esse problema exista ali. Todo dia os jornais mostram isso”. Sobre a questão da supervalorização do IPTU, Silvio defende uma proposta. “Isso é fácil. É só estipular que o imposto só aumente para um imóvel se ele for vendido, não havendo assim a supervalorização por outros imóveis maiores”.

O presidente do Siduscon-RN põe em xeque também os estudos que basearam a lei 4.663, duvidando de que a população tenha participado, de fato, do processo. “Eu nunca vi nenhuma pesquisa. Pesquisa é uma coisa, enquete é outra. Então mostrem o que foi realizado”, desafia. Silvio Bezerra contou que foi à Câmara mostrar as propostas dos construtores, mas que não sabe dizer se alguma será transformada em emenda. “Não tenho a menor idéia do que vai acontecer. Mas fizemos nossa parte. Esta proposta que está aí não foi a que passou pela Conferência das Cidades e pelo Complan..

“O externo está incomodado”

A professora Dulce Bentes, do departamento de Arquitetura da UFRN participou do grupo de pesquisa que preparou os parâmetros técnicos da lei 4.663/05. Segundo ela, tudo começou em 1992, quando a comunidade não aprovou a construção de um grande empreendimento imobiliário nas adjacências do Farol de Mãe Luíza. As entidades sociais do bairro realizaram o seminário “Mãe Luíza existe e resiste”, que apontou fragilidades nas leis de ocupação daquele solo. A partir daí, a universidade passou a realizar os estudos técnicos com pesquisadores e alunos de Arquitetura.

TRIBUNA DO NORTE - Nos âmbitos da arquitetura e do meio-ambiente, como foram os estudos realizados por vocês?

Dulce Bentes – Na dimensão urbanística, fizemos um estudo sobre como era o parcelamento do solo, como era a tipologia das casas, os usos predominantes. Nos aspectos ambientais observamos onde está assentada aquela comunidade – em uma área dunar -, já que é uma porção do parque das dunas, a topografia e os recursos hídricos como recarga de mananciais, além dos estudos sócio econômicos. Trata-se de um assentamento informal e uma população com renda de até três salários .

De que forma a população interagiu no processo?

DB –
Foi tudo feito com a comunidade. Após ficar pronto, os representantes também participaram de todas as discussões na Prefeitura. Hoje nós continuamos com um monitoramento, passando nas casas, rodando o bairro e em 12 anos não uma só reclamação da comunidade. Quem está incomodado é o setor externo. Quem não mora lá.”

Nos aspectos sócio-econômicos, quais os principais prejuízos, caso a lei 4.663 seja derrubada?

DB –
É o que está acontecendo em Ponta Negra e em Brasília Teimosa. A população vai saindo rápido. Uma situação penosa, que nos preocupa, porque a população não resiste ao processo de valorização da área. Mãe Luíza é uma fração do Parque das Dunas. Ela está inserida na dinâmica daquele ecossistema dunar. Ela cumpre função ambiental tanto no seu caráter físico, como no ponto de vista do usufruto, do caráter público. O Estado tem responsabilidade tanto no direito da moradia como um bem ambiental.

* comentário pertinente: até parece que um plesbicito é a melhor forma de evitar o pior! Meu caro Sílvio Bezerra, o poder do dinheiro pode comprar votos mas não a dignidade de uma comunidade. NÓS e a cidade é que estamos magoados com essas aberrações que o setor da construção civil tenta impor à cidade empurrando goela abaixo prédios onde não deve. SOMOS POBRES PORÉM LIMPINHOS.

BLOG do Magno 30/3 :: É preciso ficar de olho no Plano Diretor

É preciso ficar de olho no Plano Diretor
30/03/2007

Blog do Magno – Diário de Natal

# por Carlos Magno Araújo
cmagno@diariodenatal.com.br

É bom, e necessário, que a Câmara vote mesmo um novo plano diretor para a cidade, como começou a fazer ontem. E é bom que as entidades sociais acompanhem tudinho, para garantir transparência e para que resulte tudo numa cidade melhor para a gente viver – há sim uma queda-de-braço entre o setor da construção civil e o poder público, principalmente entre estes; um querendo construir mais e mais, o que é da natureza da sua atividade, outro tentando correr atrás do prejuízo, já que foram anos e anos de pouca preocupação com o crescimento sustentado da cidade.

O Ministério Público assiste de camarote, mas de arma em punho: exagerou, é termo de ajuste de conduta ou ação na Justiça. É preciso mesmo ficar de olho na votação do Plano Diretor. A aprovação de ontem foi uma espécie de praxe na Casa. O pau vai cantar mesmo na hora de votar as emendas depois da Semana Santa. Hora de ficar de olho em tudo.

BLOG do Magno 30/3 :: É preciso ficar de olho no Plano Diretor

É preciso ficar de olho no Plano Diretor
30/03/2007

Blog do Magno – Diário de Natal

# por Carlos Magno Araújo
cmagno@diariodenatal.com.br

É bom, e necessário, que a Câmara vote mesmo um novo plano diretor para a cidade, como começou a fazer ontem. E é bom que as entidades sociais acompanhem tudinho, para garantir transparência e para que resulte tudo numa cidade melhor para a gente viver – há sim uma queda-de-braço entre o setor da construção civil e o poder público, principalmente entre estes; um querendo construir mais e mais, o que é da natureza da sua atividade, outro tentando correr atrás do prejuízo, já que foram anos e anos de pouca preocupação com o crescimento sustentado da cidade.

O Ministério Público assiste de camarote, mas de arma em punho: exagerou, é termo de ajuste de conduta ou ação na Justiça. É preciso mesmo ficar de olho na votação do Plano Diretor. A aprovação de ontem foi uma espécie de praxe na Casa. O pau vai cantar mesmo na hora de votar as emendas depois da Semana Santa. Hora de ficar de olho em tudo.

Matéria DN 30/3 :: Plano é aprovado em 1ª votação

Plano é aprovado em 1ª votação

Repórter: Gabriela Freire

Foto: Frankie Marcone/DN

Mesmo com a aprovação de ontem o novo projeto pode sobrer alterações

O novo Plano Diretor de Natal foi aprovado por unanimidade, em primeira discussão, na Câmara dos Vereadores na tarde de ontem. A votação levou em consideração o texto original do projeto de lei. As emendas sugeridas pelos vereadores e entidades envolvidas no processo de revisão do projeto serão apreciadas após a Semana Santa.

O presidente da comissão especial criada para o Plano Diretor dentro do Câmara Municipal, Emilson Medeiros, declarou que pretende concluir o processo até o final da primeira quinzena do mês de abril. Representantes das comunidades de Ponta Negra e Mãe Luíza – duas das áreas de maior polêmica na cidade – estiveram presentes para assistir a sessão, assim como profissionais da Semurb, universidades e ambientalistas.

Emilson Medeiros disse ainda que há uma certa urgência para que o novo Plano Diretor entre em vigor. ‘‘Há interesse nisso porque já faz mais de dois anos que esse projeto está sendo discutido. O projeto original é de 1994 e dessa data para cá, a cidade cresceu muito. Já são 13 anos de defasagem’’, destacou.

A segunda etapa desse processo dentro da Câmara será a mais polêmica. Isso porque as opiniões de alguns vereadores é divergente das de algumas entidades envolvidas. Alguns defendem a aprovação do texto original do projeto, deixando de lado as emendas sugeridas. Para o vereador Fernando Lucena, a aprovação do texto na íntegra evita ‘‘qualquer tentativa de especulação imobiliária’’. Ele justifica que se aprovadas as emendas possibilitarão, aos construtores, a flexibilização de alguns pontos do projeto original. O vereador Hermano Morais destaca que as restrições previstas do projeto de lei são necessárias, apesar das reclamações do setor da construção civil.

CHUVAS

As chuvas que caíram em todo o estado entre terça-feira e quarta-feira modificaram a rotina dos vereadores de Natal. O teto do plenário da Casa e da área reservada para imprensa e autoridades desabou por causa das chuvas. A votação do Plano diretor foi transferida para o auditório da Escola do Legislativo. Essa mudança causou transtornos quando os representantes comunitários e dos órgãos envolvidos na revisão do projeto perceberam que não poderiam acompanhar o processo. Após uma série de reclamações o acesso ao auditório foi liberado.

O QUE MUDA

As principais modificações apresentadas no novo Plano Diretor são a colocação de um limite máximo de 65 metros de altura para construções em áreas não adensáveis e de 90 metros nas áreas adensáveis, mediante a aprovação e pagamento de uma outorga ao município, explicou a secretária. Outra mudança foi a diminuição do coeficiente de aprovação básica, de 1.8 para 1.2. ‘‘Por exemplo, se você possui um terreno de mil metros quadrados, só pode construir até 1,2 mil metros quadrados, de acordo com o novo Plano Diretor. Antes era permitida a construção de até 1,8 mil metros quadrados’’, explica.

Sobre a polêmica criada pelos moradores dos bairros de Mãe Luíza e Ponta Negra, Ana Miriam destacou que as duas regiões foram mantidas como área de interesse social, evitando assim a tão temida especulação imobiliária. ‘‘Esse plano foi um instrumento construído por toda a sociedade’’, citou.

As mudanças do Plano Diretor só serão sentidas pela população de fato no mínimo depois de cinco anos, garantiu Ana Miriam. Após a sanção do novo plano, a população de Natal terá 60 dias para se adequar as novas regras. Nesse período os pedidos de licença na Semurb serão avaliados dentro do plano de 1994.

EMENDAS

O professor universitário e arquiteto Heitor Andrade coordena um grupo de estudos sobre o Plano Diretor de Natal e sugere, caso as mais de 100 emendas – que segundo Ana Miriam Machado foram apresentadas – sejam incorporadas ao texto original, a criação de um Plano Setorial para os bairros de Ponta Negra, Capim Macio e Neópolis. ‘‘O ideal seria a aprovação do texto original. Estamos nos antecipando ao reivindicar um instrumento que já está posto no plano. Temos que parar, estudar e descobrir as melhores formas para esses bairros crescerem’’, disse.

O líder comunitário de Mãe Luíza, Paulo Sérgio Inácio da Silva, é contra a aprovação do plano. Para ele o bairro deve evoluir e perder a imagem da marginalidade impregnada pela sociedade. ‘‘Eu quero que Mãe Luíza tenha bancos e investimentos. Eu acho que se um morador quiser vender sua casinha de R$ 10 mil por R$ 30 mil, é uma bênção’’, declarou. Paulo Sérgio reclama da ‘‘inexistência de políticas públicas que disponibiliza edicação de qualidade, práticas esportivas e culturais’’ para os jovens.

Matéria DN 30/3 :: Plano é aprovado em 1ª votação

Plano é aprovado em 1ª votação

Repórter: Gabriela Freire

Foto: Frankie Marcone/DN

Mesmo com a aprovação de ontem o novo projeto pode sobrer alterações

O novo Plano Diretor de Natal foi aprovado por unanimidade, em primeira discussão, na Câmara dos Vereadores na tarde de ontem. A votação levou em consideração o texto original do projeto de lei. As emendas sugeridas pelos vereadores e entidades envolvidas no processo de revisão do projeto serão apreciadas após a Semana Santa.

O presidente da comissão especial criada para o Plano Diretor dentro do Câmara Municipal, Emilson Medeiros, declarou que pretende concluir o processo até o final da primeira quinzena do mês de abril. Representantes das comunidades de Ponta Negra e Mãe Luíza – duas das áreas de maior polêmica na cidade – estiveram presentes para assistir a sessão, assim como profissionais da Semurb, universidades e ambientalistas.

Emilson Medeiros disse ainda que há uma certa urgência para que o novo Plano Diretor entre em vigor. ‘‘Há interesse nisso porque já faz mais de dois anos que esse projeto está sendo discutido. O projeto original é de 1994 e dessa data para cá, a cidade cresceu muito. Já são 13 anos de defasagem’’, destacou.

A segunda etapa desse processo dentro da Câmara será a mais polêmica. Isso porque as opiniões de alguns vereadores é divergente das de algumas entidades envolvidas. Alguns defendem a aprovação do texto original do projeto, deixando de lado as emendas sugeridas. Para o vereador Fernando Lucena, a aprovação do texto na íntegra evita ‘‘qualquer tentativa de especulação imobiliária’’. Ele justifica que se aprovadas as emendas possibilitarão, aos construtores, a flexibilização de alguns pontos do projeto original. O vereador Hermano Morais destaca que as restrições previstas do projeto de lei são necessárias, apesar das reclamações do setor da construção civil.

CHUVAS

As chuvas que caíram em todo o estado entre terça-feira e quarta-feira modificaram a rotina dos vereadores de Natal. O teto do plenário da Casa e da área reservada para imprensa e autoridades desabou por causa das chuvas. A votação do Plano diretor foi transferida para o auditório da Escola do Legislativo. Essa mudança causou transtornos quando os representantes comunitários e dos órgãos envolvidos na revisão do projeto perceberam que não poderiam acompanhar o processo. Após uma série de reclamações o acesso ao auditório foi liberado.

O QUE MUDA

As principais modificações apresentadas no novo Plano Diretor são a colocação de um limite máximo de 65 metros de altura para construções em áreas não adensáveis e de 90 metros nas áreas adensáveis, mediante a aprovação e pagamento de uma outorga ao município, explicou a secretária. Outra mudança foi a diminuição do coeficiente de aprovação básica, de 1.8 para 1.2. ‘‘Por exemplo, se você possui um terreno de mil metros quadrados, só pode construir até 1,2 mil metros quadrados, de acordo com o novo Plano Diretor. Antes era permitida a construção de até 1,8 mil metros quadrados’’, explica.

Sobre a polêmica criada pelos moradores dos bairros de Mãe Luíza e Ponta Negra, Ana Miriam destacou que as duas regiões foram mantidas como área de interesse social, evitando assim a tão temida especulação imobiliária. ‘‘Esse plano foi um instrumento construído por toda a sociedade’’, citou.

As mudanças do Plano Diretor só serão sentidas pela população de fato no mínimo depois de cinco anos, garantiu Ana Miriam. Após a sanção do novo plano, a população de Natal terá 60 dias para se adequar as novas regras. Nesse período os pedidos de licença na Semurb serão avaliados dentro do plano de 1994.

EMENDAS

O professor universitário e arquiteto Heitor Andrade coordena um grupo de estudos sobre o Plano Diretor de Natal e sugere, caso as mais de 100 emendas – que segundo Ana Miriam Machado foram apresentadas – sejam incorporadas ao texto original, a criação de um Plano Setorial para os bairros de Ponta Negra, Capim Macio e Neópolis. ‘‘O ideal seria a aprovação do texto original. Estamos nos antecipando ao reivindicar um instrumento que já está posto no plano. Temos que parar, estudar e descobrir as melhores formas para esses bairros crescerem’’, disse.

O líder comunitário de Mãe Luíza, Paulo Sérgio Inácio da Silva, é contra a aprovação do plano. Para ele o bairro deve evoluir e perder a imagem da marginalidade impregnada pela sociedade. ‘‘Eu quero que Mãe Luíza tenha bancos e investimentos. Eu acho que se um morador quiser vender sua casinha de R$ 10 mil por R$ 30 mil, é uma bênção’’, declarou. Paulo Sérgio reclama da ‘‘inexistência de políticas públicas que disponibiliza edicação de qualidade, práticas esportivas e culturais’’ para os jovens.

Matéria DN 30/3 :: Saiba quais são as principais mudanças do novo Plano Diretor

Saiba quais são as principais mudanças do novo Plano Diretor

As principais modificações apresentadas no novo Plano Diretor são a colocação de um limite máximo de 65 metros de altura para construções em áreas não adensáveis e de 90 metros nas áreas adensáveis, mediante a aprovação e pagamento de uma outorga ao município, explicou a secretária Ana Míriam Machado, da Semurb.

Outra mudança foi a diminuição do coeficiente de aprovação básica, de 1.8 para 1.2. ‘‘Por exemplo, se você possui um terreno de mil metros quadrados, só pode construir até 1,2 mil metros quadrados, de acordo com o novo Plano Diretor. Antes era permitida a construção de até 1,8 mil metros quadrados’’, explica.

Sobre a polêmica criada pelos moradores dos bairros de Mãe Luíza e Ponta Negra, Ana Miriam destacou que as duas regiões foram mantidas como área de interesse social, evitando assim a tão temida especulação imobiliária. ‘‘Esse plano foi um instrumento construído por toda a sociedade’’, citou.

As mudanças do Plano Diretor só serão sentidas pela população de fato no mínimo depois de cinco anos, garantiu Ana Miriam. Após a sanção do novo plano, a população de Natal terá 60 dias para se adequar as novas regras. Nesse período os pedidos de licença na Semurb serão avaliados dentro do plano de 1994.

Emendas

O professor universitário e arquiteto Heitor Andrade coordena um grupo de estudos sobre o Plano Diretor de Natal e sugere, caso as mais de 100 emendas – que segundo Ana Miriam Machado foram apresentadas – sejam incorporadas ao texto original, a criação de um Plano Setorial para os bairros de Ponta Negra, Capim Macio e Neópolis. ‘‘O ideal seria a aprovação do texto original. Estamos nos antecipando ao reivindicar um instrumento que já está posto no plano. Temos que parar, estudar e descobrir as melhores formas para esses bairros crescerem’’, disse.

O líder comunitário de Mãe Luíza, Paulo Sérgio Inácio da Silva, é contra a aprovação do plano. Para ele o bairro deve evoluir e perder a imagem da marginalidade impregnada pela sociedade. ‘‘Eu quero que Mãe Luíza tenha bancos e investimentos. Eu acho que se um morador quiser vender sua casinha de R$ 10 mil por R$ 30 mil, é uma bênção’’, declarou. Paulo Sérgio reclama da ‘‘inexistência de políticas públicas que disponibiliza educação de qualidade, práticas esportivas e culturais’’ para os jovens.

* comentário pertinente: Paulo Sérgio, vamos trabalhar juntos para fazer com que esse mesmo morador não precise vender sua casinha. Vamos fazer com que ele possa se manter no bairro onde mora, e é com trabalho e participação da comunidade que podemos reinvidar melhorias na educação e nas opções de lazer. Ou você acha que R$ 30 mil resolve a vida (pelo resto da vida) de uma família? Você acha que essa família vai morar aonde? O que vejo é essa mesma família, depois de vender seu cantinho, vagando pelos canteiros centrais das avenidas.

Matéria TN 29/3 :: Entre a especulação e o ordenamento urbano

Entre a especulação e o ordenamento urbano

Repórter: Anna Ruth
Foto: Aléx Régis

ALAGAMAR – Moradores defendem a criação de um plano setorial

Depois de três anos de discussões e debates finalmente o projeto do novo Plano Diretor chega hoje ao plenário da Câmara Municipal de Natal. Na tarde dessa quinta-feira acontecerá a apreciação em primeira votação. Na prática, esse é apenas um trâmite burocrático. A polêmica acontecerá mesmo é na segunda votação, quando os vereadores apresentarão as emendas à proposta original enviada pela Prefeitura.

Valores da outorga onerosa (taxa cobrada pela Prefeitura para o construtor), área de construção em Ponta Negra, permissão para prédios na Zona Norte. Esses são alguns dos pontos mais polêmicos do projeto que será apreciado hoje pelos legisladores da capital potiguar.

A chefe do Departamento de Planejamento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, Florésia Pessoa, admitiu que algumas das sugestões feitas pelo COMPLAM (Conselho Municipal de Planejamento) não foram acatadas pela Prefeitura. “80% das propostas foram consensuais. Mas tiveram alguns pontos do COMPLAN que não concordamos”, disse.

Um dos pontos de discordância era que o Conselho defendia um gabarito (altura do prédios) de 90 metros, o equivalente a 30 andares, em todas as áreas. No entanto, no projeto enviado pela Prefeitura essa permissão é restrita apenas para as áreas centrais, como Tirol e Petrópolis. As demais áreas terão o gabarito de 65 metros, o equivalente a 23 andares.

No caso da outorga onerosa, a defesa dos empresários era manter o valor de 1% sobre o valor da construção. Mas a proposta enviada pela Prefeitura foi cobrar 3% no primeiro ano do Plano, 4% no segundo ano e 5% no terceiro ano. “E no quarto ano haverá a revisão do Plano Diretor”, detalhou Florésia.

Outra polêmica está na área de Ponta Negra. O projeto da Prefeitura prevê que nas áreas da Vila de Ponta Negra e na região especial turística daquele bairro, caracterizada como sendo a beira mar, serão permitidos apenas empreendimentos de até dois andares.

Construtores discordam de alguns pontos do PDN

Longe de ser consenso, o Plano Diretor é tema de uma grande discussão. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil, Sílvio Bezerra, criticou o fato de a Prefeitura ter enviado o projeto original, sem incluir as sugestões feitas pelo COMPLAN e pela Conferência das Cidades.

“Eu vejo a votação de amanhã (hoje) como uma etapa muito distante. Se na Câmara está o projeto original, então muitas serão as emendas que deverão ser feitas”, comentou.

Uma das propostas feitas pelo SINDUSCON é que o coeficiente de aproveitamento básico para toda cidade, independente de ser área residencial ou não residencial, seja de 1,4 vezes o tamanho da área. Atualmente, a legislação prevê que residencial é uma vez o tamanho da área e 1,8 vezes em caso de ser área não residencial.

Pelo novo projeto da Prefeitura, a área a ser erguida em caso de residencial e não residencial ficará fixada em 1,2 vezes o tamanho da área do terreno.

O presidente do Sindicato também questiona o porquê da Zona Norte não poder ser edificada como as outras regiões da cidade. Ele cita como argumento o fato de a área ter uma população crescente, carente de investimentos e que ganhará uma ponte para impulsionar o fluxo de pessoas.

O SINDUSCON defende excluir o parágrafo do Plano Diretor que limita o gabarito da área definida pelo perímetro estabelecido na margem esquerda do Rio Potengi, incluindo a Redinha. “Essa área e a Redinha terão uma regulamentação especial para o gabarito”, explicou a chefe do Departamento de Planejamento da Semurb, Florésia Pessoa.

O presidente da entidade, Sílvio Bezerra, também defende a permanência do coeficiente de aproveitamento de Ponta Negra. Para ele, a possibilidade de exigir um sistema de esgotamento sanitário privado e fixar um observador fictício para preservar a questão cênico-paisagístico justifica a liberação da área.

Aprovação é feita em duas votações

A votação do Plano Diretor acontecerá em duas sessões da Câmara Municipal. O processo de hoje será mais formal, já que ele precisa ser aprovado para poder ser deflagrado o processo de apresentação das emendas.

A segunda votação deverá ocorrer na próxima terça-feira. No entanto, o feriado da Semana Santa e a complexidade dos assuntos técnicos de que tratam o projeto poderão adiar a votação. Nesse caso, os vereadores apreciariam a matéria em segunda votação após o feriado da Páscoa.

Tanto na primeira quanto na segunda votação o projeto precisa ser aprovado por pelo menos dois terços dos 21 vereadores. Essa mesma votação é exigida para as emendas apresentadas.

Vereadores ainda estudam as emendas

O projeto do novo Plano Diretor será apresentado hoje na Câmara Municipal. Mas os legisladores da capital ainda não têm nenhuma emenda pronta para apresentar à proposta. De concreto mesmo surgiu apenas uma proposta feita pelos moradores de Ponta Negra e Alagamar

Eles defendem a criação de um plano setorial, que funcionaria como um “plano diretor especial” para aquela área. Os moradores defendem que a limitação de gabarito não fique restrita apenas à Vila de Ponta Negra. Ou seja, a permissão de construções até dois andares estaria estendida ao conjunto de Ponta Negra e Alagamar.

“Tem a questão da outorga onerosa, da liberação das ZPA (Zona de Proteção Ambiental), o remembramento de Mãe Luíza. Todas são questões a serem analisadas”, comentou o vereador e líder do PV, Edivan Martins. Ele ponderou que o projeto do Plano Diretor como um todo é bom e necessário.

O vereador Luís Carlos defendeu a necessidade de reduzir o valor da outorga onerosa. “Deveremos apresentar uma emenda para reduzir a outorga onerosa que está muito alta”, comentou o parlamentar.

Para o vereador Aquino Neto o Plano Diretor inclui discussões técnicas. “Vou esperar o projeto ser apresentado para analisar. Vamos ouvir os segmentos”, destacou.

Nem mesmo os integrantes da comissão especial do Plano Diretor, vereadores Aluísio Machado, Emilson Medeiros e Luís Carlos, definiram as emendas.

“Fizemos um acordo para apresentar as emendas da comissão. Ainda não temos nada definido até porque vamos ouvir o CONSAB (Conselho Municipal de Saneamento Básico)”, destacou Aluísio Machado.

Este será o oitavo PDN

O Plano Diretor que começa a ser votado hoje pela Câmara Municipal será o oitavo da capital potiguar. O último Plano entrou em vigor em 1994.

Os primeiros planos se chamavam “plano urbanístico” e funcionavam mais como um desenho, um traçado da cidade. Com o crescimento da cidade e, proporcionalmente das construções, o processo evoluiu e ganhou a denominação de Plano Diretor.

“O Plano Diretor nesse modelo vem desde a década de 70”, comentou a chefe do Departamento de Planejamento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semsur), Florésia Pessoa.

O novo Plano Diretor que será votado pela Câmara já entra em vigor com a determinação de ser revisado em quatro anos. “Nós vimos que a revisão a cada ano era impossível. Então a cada quatro anos é importante porque ficaria a cada nova gestão municipal”, detalhou Florésia Pessoa.

Matéria TN 29/3 :: Entre a especulação e o ordenamento urbano

Entre a especulação e o ordenamento urbano

Repórter: Anna Ruth
Foto: Aléx Régis

ALAGAMAR – Moradores defendem a criação de um plano setorial

Depois de três anos de discussões e debates finalmente o projeto do novo Plano Diretor chega hoje ao plenário da Câmara Municipal de Natal. Na tarde dessa quinta-feira acontecerá a apreciação em primeira votação. Na prática, esse é apenas um trâmite burocrático. A polêmica acontecerá mesmo é na segunda votação, quando os vereadores apresentarão as emendas à proposta original enviada pela Prefeitura.

Valores da outorga onerosa (taxa cobrada pela Prefeitura para o construtor), área de construção em Ponta Negra, permissão para prédios na Zona Norte. Esses são alguns dos pontos mais polêmicos do projeto que será apreciado hoje pelos legisladores da capital potiguar.

A chefe do Departamento de Planejamento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, Florésia Pessoa, admitiu que algumas das sugestões feitas pelo COMPLAM (Conselho Municipal de Planejamento) não foram acatadas pela Prefeitura. “80% das propostas foram consensuais. Mas tiveram alguns pontos do COMPLAN que não concordamos”, disse.

Um dos pontos de discordância era que o Conselho defendia um gabarito (altura do prédios) de 90 metros, o equivalente a 30 andares, em todas as áreas. No entanto, no projeto enviado pela Prefeitura essa permissão é restrita apenas para as áreas centrais, como Tirol e Petrópolis. As demais áreas terão o gabarito de 65 metros, o equivalente a 23 andares.

No caso da outorga onerosa, a defesa dos empresários era manter o valor de 1% sobre o valor da construção. Mas a proposta enviada pela Prefeitura foi cobrar 3% no primeiro ano do Plano, 4% no segundo ano e 5% no terceiro ano. “E no quarto ano haverá a revisão do Plano Diretor”, detalhou Florésia.

Outra polêmica está na área de Ponta Negra. O projeto da Prefeitura prevê que nas áreas da Vila de Ponta Negra e na região especial turística daquele bairro, caracterizada como sendo a beira mar, serão permitidos apenas empreendimentos de até dois andares.

Construtores discordam de alguns pontos do PDN

Longe de ser consenso, o Plano Diretor é tema de uma grande discussão. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil, Sílvio Bezerra, criticou o fato de a Prefeitura ter enviado o projeto original, sem incluir as sugestões feitas pelo COMPLAN e pela Conferência das Cidades.

“Eu vejo a votação de amanhã (hoje) como uma etapa muito distante. Se na Câmara está o projeto original, então muitas serão as emendas que deverão ser feitas”, comentou.

Uma das propostas feitas pelo SINDUSCON é que o coeficiente de aproveitamento básico para toda cidade, independente de ser área residencial ou não residencial, seja de 1,4 vezes o tamanho da área. Atualmente, a legislação prevê que residencial é uma vez o tamanho da área e 1,8 vezes em caso de ser área não residencial.

Pelo novo projeto da Prefeitura, a área a ser erguida em caso de residencial e não residencial ficará fixada em 1,2 vezes o tamanho da área do terreno.

O presidente do Sindicato também questiona o porquê da Zona Norte não poder ser edificada como as outras regiões da cidade. Ele cita como argumento o fato de a área ter uma população crescente, carente de investimentos e que ganhará uma ponte para impulsionar o fluxo de pessoas.

O SINDUSCON defende excluir o parágrafo do Plano Diretor que limita o gabarito da área definida pelo perímetro estabelecido na margem esquerda do Rio Potengi, incluindo a Redinha. “Essa área e a Redinha terão uma regulamentação especial para o gabarito”, explicou a chefe do Departamento de Planejamento da Semurb, Florésia Pessoa.

O presidente da entidade, Sílvio Bezerra, também defende a permanência do coeficiente de aproveitamento de Ponta Negra. Para ele, a possibilidade de exigir um sistema de esgotamento sanitário privado e fixar um observador fictício para preservar a questão cênico-paisagístico justifica a liberação da área.

Aprovação é feita em duas votações

A votação do Plano Diretor acontecerá em duas sessões da Câmara Municipal. O processo de hoje será mais formal, já que ele precisa ser aprovado para poder ser deflagrado o processo de apresentação das emendas.

A segunda votação deverá ocorrer na próxima terça-feira. No entanto, o feriado da Semana Santa e a complexidade dos assuntos técnicos de que tratam o projeto poderão adiar a votação. Nesse caso, os vereadores apreciariam a matéria em segunda votação após o feriado da Páscoa.

Tanto na primeira quanto na segunda votação o projeto precisa ser aprovado por pelo menos dois terços dos 21 vereadores. Essa mesma votação é exigida para as emendas apresentadas.

Vereadores ainda estudam as emendas

O projeto do novo Plano Diretor será apresentado hoje na Câmara Municipal. Mas os legisladores da capital ainda não têm nenhuma emenda pronta para apresentar à proposta. De concreto mesmo surgiu apenas uma proposta feita pelos moradores de Ponta Negra e Alagamar

Eles defendem a criação de um plano setorial, que funcionaria como um “plano diretor especial” para aquela área. Os moradores defendem que a limitação de gabarito não fique restrita apenas à Vila de Ponta Negra. Ou seja, a permissão de construções até dois andares estaria estendida ao conjunto de Ponta Negra e Alagamar.

“Tem a questão da outorga onerosa, da liberação das ZPA (Zona de Proteção Ambiental), o remembramento de Mãe Luíza. Todas são questões a serem analisadas”, comentou o vereador e líder do PV, Edivan Martins. Ele ponderou que o projeto do Plano Diretor como um todo é bom e necessário.

O vereador Luís Carlos defendeu a necessidade de reduzir o valor da outorga onerosa. “Deveremos apresentar uma emenda para reduzir a outorga onerosa que está muito alta”, comentou o parlamentar.

Para o vereador Aquino Neto o Plano Diretor inclui discussões técnicas. “Vou esperar o projeto ser apresentado para analisar. Vamos ouvir os segmentos”, destacou.

Nem mesmo os integrantes da comissão especial do Plano Diretor, vereadores Aluísio Machado, Emilson Medeiros e Luís Carlos, definiram as emendas.

“Fizemos um acordo para apresentar as emendas da comissão. Ainda não temos nada definido até porque vamos ouvir o CONSAB (Conselho Municipal de Saneamento Básico)”, destacou Aluísio Machado.

Este será o oitavo PDN

O Plano Diretor que começa a ser votado hoje pela Câmara Municipal será o oitavo da capital potiguar. O último Plano entrou em vigor em 1994.

Os primeiros planos se chamavam “plano urbanístico” e funcionavam mais como um desenho, um traçado da cidade. Com o crescimento da cidade e, proporcionalmente das construções, o processo evoluiu e ganhou a denominação de Plano Diretor.

“O Plano Diretor nesse modelo vem desde a década de 70”, comentou a chefe do Departamento de Planejamento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semsur), Florésia Pessoa.

O novo Plano Diretor que será votado pela Câmara já entra em vigor com a determinação de ser revisado em quatro anos. “Nós vimos que a revisão a cada ano era impossível. Então a cada quatro anos é importante porque ficaria a cada nova gestão municipal”, detalhou Florésia Pessoa.

Matéria TN 29/3 :: Um dia de tumulto e alagamentos em Natal

Um dia de tumulto e alagamentos em Natal

Foto: João Maria Alves

PONTA NEGRA – Chuvas derrubam árvores e assustam moradores

Novamente as chuvas tumultuaram o trânsito do natalense. As precipitações da madrugada de ontem causaram alagamento em vários pontos da Zona Sul da cidade. Na madrugada de quarta-feira, choveu em Natal 56,8 mm. Especialistas da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn) indicam que as chuvas já ultrapassaram a média prevista para março, de 206mm. Esse mês já choveu aproximadamente 250mm no Rio Grande do Norte. A previsão para os próximos dias para todo o Estado é de céu parcialmente nublado com pancadas de chuva.

Segundo o meteorologista da Emparn, Gilmar Bristot, as chuvas da madrugada de quarta-feira em Natal, são consideradas moderadas e normais para o período, apesar do número já ter ultrapassado o previsto. Para ele, uma chuva de 56 mm não é muito forte. Mas isso foi suficiente para causar o desmoronamento de duas árvores na obra da lagoa de captação, no conjunto Ponta Negra.

Na rua Maracajaú, no conjunto Ponta Negra, os moradores começaram o dia ontem, com um susto. Na obra da lagoa de captação na rua, houve um desmoronamento de terra, que derrubou duas árvores e já ameaça outras. Dentro do buraco formado, as marcas de pneus de tratores mostravam que as máquinas da obra também estiveram, mais cedo, em local de risco. A professora Francisca Miranda, disse que estava assustada com o desmoronamento, porque a areia não parava de ceder. “Cavaram muito perto da calçada. Daqui a pouco isso vai ceder também. Só falta mesmo chegar nas nossas casas”, afirmou.

Além desse trecho do conjunto Ponta Negra, outros pontos em Capim Macio e Potilândia ficaram alagados. O trânsito ficou tumultuado no início da manhã, próximo ao Complexo do IV Centenário. Em Nova Parnamirim, na cratera conhecida como Mahatma Gandhi, a terra continua cedendo e partes da avenida Deputado Gastão Mariz de Farias ficou debaixo da água, causando transtornos para motoristas que trafegavam pela rua.

O meteorologista Gilmar Bristot explicou que essas chuvas já indicam o início do inverno. “As chuvas são normais para o período, no Nordeste o período de chuvas já está em pleno desenvolvimento”, disse. Ele contou que as chuvas nessa época do não, são ocasionadas por áreas de instabilidade tropicais, alimentadas pela umidade vinda do oceano Atlântico.

Para ele, a média diária de chuvas em Natal e no interior está, em geral, dentro do esperado. “Superou um pouco, mas não é considerada demais”, afirmou. Gilmar Bristot disse que a previsão para os próximos dias é de céu nublado com pancadas de chuva, principalmente durante a madrugada e início da manhã, em Natal. Para o interior o céu se mantém nublado, mas as chuvas ocorrem durante a tarde e início da noite.

Motorista derrapa na pista e vira microônibus

A pista lisa é a má visibilidade serviram de fatores agravantes para um acidente que ocorreu ontem, por volta das dez horas da manhã, na BR101, no trecho que liga Natal à Nova Parnamirim. Um microônibus alternativo (particular), de placas MYI-9804 (Parnamirim/RN) derrapou na pista, invadiu o canteiro e virou. No momento do acidente, oito pessoas viajavam no alternativo. Os passageiros tiveram ferimentos leves e apenas uma moça precisou ser socorrida por uma ambulância.

Segundo o motorista do microônibus, Marcus Roberto Martins, ele seguia na faixa da direita em baixa velocidade – aproximadamente 40 quilômetros por hora, quando tentou mudar para a faixa da esquerda. “Quando fui mudar de pista vi um outro carro em alta velocidade. Para não bater tentei desviar e perdi o controle”, disse. O alternativo alcançou o canteiro direito da pista (sentido Natal para Nova Parnamirim) e tombou.

A psicóloga Suely de Sousa estava no alternativo no momento do acidente. “Não me lembro de nada, mas o motorista vinha com velocidade”, disse, contrariando a versão do motorista. Duas ambulâncias do Samu Metropolitano seguiram para o local, mas apenas a psicóloga precisou de atendimento – ela teve arranhões leves – para se acalmar.

A moça que foi socorrida pela ambulância deu entrada no Pronto Socorro Clóvis Sarinho, mas o serviço social do hospital não soube informar o nome e o estado de saúde da vítima.