.: Ponta Negra está suja e banguela – por Alexandro Gurgel

Foto: Alex Gurgel
www.grandeponto.blogspot.com

O mais conhecido cartão postal de Natal, a praia de Ponta Negra está imprópria para banho. A afirmação foi feita pelo IFRN (Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia do Rio Grande do Norte) e pelo IDEMA (Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente), de acordo com um estudo de balneabilidade.

O estudo identificou três locais impróprios para banho: Ponta Negra, nas proximidades do Morro do Careca; foz do Rio Potengi, na praia da Redinha; e o balneário do Rio Pium, em Parnamirim. As três praias contêm altos índices de coliformes fecais, que excedem o limite permitido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

No caso da praia próxima ao Morro do Careca, a explicação do professor e geólogo do IFRN, Ronaldo Fernandes Diniz, que coordena o estudo da balneabilidade, está no sistema de esgotamento sanitário. Ele disse que houve rompimento de instalações de esgoto em Ponta Negra, que contribuiu para tornar a praia do Morro do Careca impróprio para banho.

O rompimento nas instalações de esgotos se deu pelo excesso de “ligações clandestinas” na rede principal, o que ocasionou o acúmulo de dejetos nas tubulações. Não adianta ficar culpando o Poder Público pela má qualidade da água da praia porque os próprios empresários e moradores (tá certo, que nem todo mundo) de Ponta Negra estão contribuindo para poluir a praia.

.: Caern vai [tentar] explicar à população o emissário submarino no dia 28/dez

>>> Antes do dia 28/dez, a Caern irá TENTAR explicar o projeto do emissário submarino durante a Audiência Pública marcada para esta quinta, dia 19, às 9h30, na Assembléia Legislativa.

DIÁRIO DE NATAL – 17/nov/2009

A Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) vai desenvolver, a partir desta semana, uma campanha educativa com o objetivo de detalhar, para todos os segmentos da sociedade, o que é um emissário submarino, como funciona e onde já foi implantado com segurança comprovada. A campanha dará ênfase ao projeto do Emissário Submarino da Barreira do Inferno, indicado por estudos técnicos como a melhor solução para o destino final dos esgotos coletados e tratados da zona Sul de Natal e Nova Parnamirim.

Além de produzir panfletos educativos que serão distribuídos à população, a Caern vai realizar oficinas e palestras específicas, atingindo toda a população setorialmente, destacando as áreas diretamente envolvidas. Os públicos-alvos da campanha serão os empresários do turismo, pescadores, surfistas, banhistas, moradores dos bairros que serão beneficiados com a coleta e tratamento dos esgotos e os setores mais técnicos, como universidades e faculdades. Serão também considerados as entidades representativas do comércio, da indústria e classistas, como Fecomércio, Fiern, Crea e Ministério Público.

Estudos

Depois de realizar estudos de alternativas, que gradativamente foram se aprofundando, os técnicos chegaram à conclusão que o emissário submarino é a solução mais viável para destinação final dos esgotos tratados da zona Sul de Natal e parte de Parnamirim. Após a conclusão dos estudos, que foram realizados por alguns dos maiores especialistas da área de saneamento ambiental do país, a Caern expôs o projeto para representantes do Instituto de desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Ibama), Ministério Público e Agência Reguladora de Serviços de Saneamento Básico do Município de Natal (Arsban). O passo seguinte foi o envio do projeto para o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema).

“O Idema e o Ibama vão formar uma equipe multi-disciplinar para avaliar os estudos, desde a modelagem matemática até o impacto ambiental da obra”, explica o sub-coordenador de Licenciamento e Controle Ambiental do Idema, Hugo Alexandre Meneses Fonseca. Segundo ele, a audiência pública deverá ocorrer no dia 28 de dezembro, oportunidade em que a população, em todos os seus segmentos, poderá analisar e discutir minuciosamente todos os aspectos do projeto emissário submarino.

O diretor-presidente da Caern, engenheiro Walter Gasi, destaca que, embora a audiência pública só esteja marcada para o final do ano, a Companhia não vai esperar até lá para detalhar o projeto para a sociedade. Ele lembra que algumas audiências técnicas já foram realizadas para apresentar o projeto para órgãos ambientais, Prefeitura de Natal, Ministério Público e imprensa. “Nenhuma decisão será tomada sem consultar a população. A Caern vai dialogar com a sociedade e ouvir o Ministério Público, para tornar o processo transparente, sem nenhuma dúvida ou ponto questionável”, ressaltou Walter Gasi.

Após a avaliação do Idema, e em caso de aprovação dos estudos, a Caern terá 120 dias para fazer o projeto executivo, um prazo de três meses para licitação e dois anos para execução da obra, que tem assegurados recursos da ordem de R$ 81,4 milhões.

* Fonte: Assessoria de Comunicação da Caern

>>> Comentário pertinente: Espero que, mesmo com essa infeliz data agendada pela Caern para a tal explicação (uma segunda-feira, dia 28 de dezembro, em local ainda indefinido), possamos contar com a presença de um bom público interessado e interessante.

.: Emissário Submarino = 43,2 trilhões de coliformes por dia no mar | Audiência Pública sobre o assunto nesta quinta (19)

Se a informação estiver correta*, o projeto do Emissário Submarino apresentado pela Caern irá lançar – nada mais nada menos que – 43 trilhões, 243 bilhões e 200 milhões de coliformes fecais por dia no mar de Ponta Negra!!!!!

Para evitarmos o pior, sinta-se convidado a participar da Audiência Pública sobre o tema nesta quinta-feira (dia 19), às 9h30, na Assembléia Legislativa. Participe! Multiplique! O emissário é uma ameaça para toda a população – inclusive VOCÊ!!!

Os dados para o cálculo são os seguintes:

1. 70 mil coliformes a cada 100 ml de efluente lançado
2. 715 litros por segundo é a vazão prevista para o emissário
3. Com uma regrinha simples de 3 chegamos ao espantoso número de 700 mil coliformes por litro/segundo
4. A partir daí é só multiplicar por 60 e temos a quantidade por minuto
5. Nova multiplicação e teremos o valor por hora
6. Esse total ainda é multiplicado por 24 horas e teremos a quantidade por dia

= 43.243.200.000.000 de coliformes fecais por dia para ‘nos esbaldarmos’ no mar que banha a cidade.

Quero ver se o turista vai gostar dessa novidade ‘aromática’ e ’saudável’!? Quero ver se os vôos charters vão aumentar!? Quero ver se o Turismo será alavancado!? Quero ver o mercado imobiliário crescer!? Vamos prestar atenção, refletir e perceber que do jeito que está o emissário submarino será o tiro de misericórdia na vocação turística da capital do RN.

Pergunto: para quem os construtores/incorporadores/corretores/imobiliárias vão vender os imóveis depois que a coisa feder? Sim, eles são os grandes e principais interessados na implantação do emissário submarino, pois ‘resolvendo’ o problema do saneamento básico as construções serão totalmente liberadas.

E os empresários com atividades ligadas ao Turismo (hotéis/receptivos/restaurantes/locadoras de carro), vão fazer o que depois que a EME estiver feita? E os trabalhadores que tiram seu sustento da praia? E nós natalenses? Surfistas, pescadores, nadadores, banhistas… Se não agirmos com união e bom senso vamos ficar, literalmente, no meio da EME. E não é só em Ponta Negra, vai espalhar por todo o litoral da Grande Natal.

Lembro que em 2010 tem revisão do Plano Diretor. Alguém aí já parou para pensar nisso?! E o Plano Setorial de Ponta Negra? E a Área Especial de Interesse Social na Vila? Até agora nada, nem água – só coliforme!

* Informações divulgadas na imprensa

.: Esgoto joga dejetos na praia e irrita os turistas

TRIBUNA DO NORTE – 14/nov/2009

Os turistas e moradores de Natal que visitaram a praia de Ponta Negra na manhã de ontem não tiveram uma boa surpresa. Um bueiro entupido jorrava água de esgoto na avenida Erivan França, nas proximidades do Morro do Careca, que deixou o local com um mau-cheiro.
“É triste chegar aqui e ver que esse tipo de coisa acontece com o principal cartão postal. É um descaso com a população e com o turista que vem visitar a cidade”, disse o turista carioca Roberto Ferreira, que nunca tinha ido a Ponta Negra.
Roberto veio a Natal a convite do amigo Rômulo Mendes, que ficou envergonhado ao chegar em Ponta Negra. “Trouxe um convidado para conhecer Ponta Negra, mas não vamos ficar aqui. Cancelamos o almoço e vamos procurar outro lugar porque com esse fedor não dá para ficar aqui”, disse o aposentado Rômulo Mendes.
Segundo Cristiane Weber, gerente do hotel que fica em frente ao bueiro, o problema começou na manhã da última quinta-feira, mas até o final da manhã de ontem não havia sido resolvido.
“Eu liguei inúmeras vezes para a Caern, informei o problema e eles disseram que estariam mandando uma equipe, mas até agora nada. Isso não pode continuar assim, vamos perder clientes”, reclamou a gerente.
A assessoria de imprensa da Caern informou que uma equipe técnica foi enviada ao local no início da tarde de ontem para resolver o problema.
A companhia pede à população que quando ocorrer esse tipo de problema, é interessante ligar imediatamente para a ouvidoria do órgão e informar o ocorrido. Os telefones da Ouvidoria da Caern são 3232-4562 (das 7h30 às 11h30 e 13h30 às 17h30) ou o plantão 0800 840195.

.: Via Costeira: Carro bate e derruba poste novo

DIÁRIO DE NATAL – 16/nov/2009
Foto: Eduardo Maia/DN/D.A Press

Prejuízo: Fiat Uno subiu canteiro e levou ao chão poste implantado na reforma
Um acidente na Via Costeira ocorrido por volta das 13h30 de ontem (15) levou ao chão o primeiro poste implantado recentemente durante as obras que vêm acontecendo na avenida. Um Fiat Uno vinho, com placas MYM 4300, de Ceará-Mirim, teve um dos pneus dianteiros estourados. Perdendo por completo o controle da direção, o design gráfico Gileno Brandão, 31 anos, que estava acompanhado da esposa, Marileide Brandão, 26, subiu no canteiro central e colidiu com um poste.
Apesar dos estragos, os dois sofreram ferimentos leves, receberam atendimento do Samu no local e passam bem.

De acordo Gil Cleto, irmão de Gileno que estava no local, o casal havia saído de um encontro de casais que ocorreu pela manhã em um dos hoteis da Via. “Eles são evangélicos e a batida não foi motivada por bebida alcóolica, mas só não houve algo mais sério porque eles usavam cinto de segurança”, informou.

O trecho do acidente, próximo ao hotel Imirá Plaza, permaneceu congestionado por alguns instantes até a retirada do veículo. A reportagem não conseguiu informações sobre quem vai arcar com os prejuízos do poste.
>>> Comentário pertinente: Não precisa nem dizer que a obra de duplicação da Via Costeira é uma grande piada! Não há espaço para acostamento, não há espaço para os pontos de ônibus, não há espaço para calçadão nem ciclovia… sem falar que a duplicação ‘meia-boca’ só tornou a via ainda mais perigosa. Até quando vamos assistir a implantação de obras mal-feitas, remendos… tudo nas coxas! Sem comentários.

.: Associação não quer ‘emissário’

TRIBUNA DO NORTE – 15/nov/2009
Foto: Júnior Santos

Um abraço simbólico no mar. Essa foi a forma que a Associação dos Moradores, Empresários e Amigos de Ponta Negra (AME-Ponta Negra) encontrou para protestar contra o emissário submarino que a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte pretende implantar na praia mais famosa de Natal.
Surfistas e frequentadores da praia se reúnem para um abraço simbólico no marNa manhã de ontem, surfistas, empresários e frequentadores da praia se reuniram para mostrar a insatisfação com o projeto da Caern. “Esse tipo de obra é arcaica. Hoje em dia ninguém mais utiliza emissários. O correto seria a reutilização dessa água em uma série de setores como indústria e jardinagem, por exemplo”, disse o presidente da AME-Ponta Negra, Eduardo Bangoli.
Ainda segundo Eduardo, a Caern poderia construir um aqueduto, que seria uma espécie de submarino ao contrário. Ele explicou ainda, que o tipo de tratamento sugerido pela Caern não será suficiente para tirar todas as impurezas.
“Os dados apresentados pela Caern não são confiáveis. O emissário é totalmente inseguro porque o tratamento secundário não retira todas as impurezas, ou seja, vão jogar água suja no mar e acabar poluindo ainda mais o oceano”, justificou Bangnoli.
O bugueiro Atamir Trajano também é contra o emissário. “Nós temos exemplos concretos de que esse emissário não é viável. Boa parte das praias urbanas de Fortaleza e Maceió está imprópria para banho em virtude dos dejetos lançados pelos emissários. Não queremos que Natal fique assim”, disse o bugueiro.
Para o presidente da AME, o emissário submarino é o tiro de misericórdia que falta para acabar com o turismo em Natal.
Para finalizar a movimento, a Associação colocou uma faixa de 30 metros em cima do Morro do Careca, com a frese: ‘QUE EMISSÁRIO É ESSE?’. As crianças e os adolescentes do projeto Pau e Lata, da Vila de Ponta Negra também fizeram uma apresentação no local.

Emissário

Para a Caern, a melhor opção para resolver o problema de saneamento em Ponta Negra é o emissário submarino longo, de 2.732 metros, sendo 2.600 de emissário submarino e 132 metros de rede difusora. O tratamento denominado do tipo secundário terá lagoas de polimento e filtros para retenção de algas.
Somente após o tratamento, o esgoto será lançado no emissário que terá dois trechos distintos. A parte terrestre com 3.500 metros, será construída dentro da área da Barreira do Inferno e toda ela será enterrada. A parte marítima terá 2.732 metros a partir da zona da praia.
A promessa da Caern é de implantar o emissário depois de discutir todo o processo com a população e o Ministério Público. Para isso o projeto estará disponível no Idema e na própria Caern. A primeira audiência pública foi marcada para o dia 28 de dezembro (segunda-feira).
>>> Comentário pertinente: Antes Antes da Audiência marcada pela Caern, teremos no próximo dia 19/nov, às 9h30, na Assembléia Legislativa, uma Audiência Pública sobre o caso do Emissário Submarino. Participem!

.: Que emissário é esse? – por Canindé Soares

[Fotos de Canindé Soares - clique nas imagens para ampliar]

CANINDESOARES.COM – 14/nov/2009

Sábado, dia 14, pela manhã na praia de Ponta Negra as Ongs AMEPONTANEGRA, SOS Ponta Negra, Filhos de Ponta, ASPOAN, Surfistas de Cristo, grupo de percussão Resistência da Lata, amigos, freqüentadores e moradores da Natal limpa, organizaram e participaram de um protesto contra a construção do emissário submarino da CAERN, obra que levará para o alto mar os dejetos orgânicos de Ponta Negra, Capim Macio e Parnamirim.

Enquanto uma faixa enorme era colocada no topo do morro do careca com a frase “Que emissário é esse?”, surfistas entravam no mar para um abraço simbólico.

[Fotos de Canindé Soares - clique nas imagens para ampliar]

.: Querem apodrecer Ponta Negra!!!

[foto: Eduardo Bagnoli]

DeSaboya.com – 15/nov/2009

A cidade, ontem, assistiu a uma manifestação daquelas bem indignadas, responsáveis, gritos sem fim! Tem cabimento o governo querer fazer dos mares de Ponta Negra um esgoto?!
Sim! Sim!
E ontem, surfistas, batedores de lata, gente que ama Natal apareceu. Hum… eco-terroristas atacam o Morro do Careca?! Peraí! Não seriam eles os eco-conscientes? Na faixa que escorreu pelo tão sofrido Morro do Careca… “Que Emissário é esse?”.
Foi um dia de gritos e bastas. De amor por Natal!
Só senti falta de uns xiitas, que foram gritar contra a construção civil, certa vez, dali. Quer dizer que coco pode, prédios não!!
O que vale é que a população está se movimentando. Para um basta nessa ideia de jerico.
>>> Comentário pertinente: Primeiro queremos agradecer ao jornalista Chrystian de Saboya pela atenção e apoio à causa (que é de todos nós!); segundo que precisamos corrigir uma pequena informação: o mesmo grupo que lutou contra a construção dos cinco prédios de 15 andares ao lado do Morro do Careca também protagonizaram o Abraço deste sábado (14), e, diga-se de passagem, não nos consideramos xiitas por querermos garantir a paisagem do principal cartão postal da cidade e nossa própria qualidade de vida.

.: Blog Vida Surf: QUE EMISSÁRIO É ESSE ??


Com o intuito de chamar a atenção da população e buscar explicação dos responsáveis, no último sábado (14/11) foi realizada uma movimentação aos pés do Morro do Careca em Ponta Negra – com o mote QUE EMISSÁRIO É ESSE?

Esse tipo de movimentação é super importante, pois não se sabe a real necessidade de implantação do emissário, o formato de projeto apresentado pela CAERN e que impacto ambiental isso trará para Ponta Negra.

Nós estivemos na praia e conversamos com Aldemir Calunga [ver vídeo], um dos organizadores do movimento.

.: Caern se defende, mas não convence

ELIANA LIMA / ABELINHA / TRIBUNA DO NORTE – 28/out/2009

Ao contrário do que a referida carta diz, quem estava na reunião demonstrou muita preocupação, diante da precariedade da argumentação técnica apresentada, assim como a precariedade do material didático exibido de uma forma geral.

Para um observador atento, a cena parecia até ter sido feito de propósito, para deixar dúvidas no interlocutor – no caso elesrama platéia, que não entenderam bulhufas do que estava sendo – mal – apresentado.

O melhor exemplo disso foi quando a promotora Gilka da Mata perguntou se os pescadores de Ponta Negra haviam sido consultados sobre os efeitos da obra, ou se os estudos contratados pela CAERN levavam em consideração a biota marinha da região e os potenciais impactos sobre ela, decorrentes da obra.

A CAERN contra-argumentou dizendo que tinha sido considerado o pior cenário – ou seja – descarte dos efluentes em cima de uma barreira de corais.

“Pura balela! Só quem quis acreditou!”, diz Eduardo Bagnoli, presidente da Associação dos Moradores, Empresários e Amigos de Ponta Negra – AMEPONTANEGRA, que na ocasião representava a ABIH-RN.

Se Eduardo não entendeu, imagine a população leiga.

Para se ter idéia, Bagnoli é mestre em geologia, com especialização em dinâmica costeira, especialização em turismo e arqueologia, coordenador do Instituto de Ecoturismo do Brasil para o Rio Grande do Norte, com 32 anos de experiência em viagens por várias regiões do Globo, tendo visitado 45 países.

Voltando ao emissário, a quantidade de matéria orgânica declarada em alto e bom tom pela própria CAERN durante a reunião – 70 mil coliformes fecais por cada 100ml de efluente – quando despejada sobre os corais, entupiriam os mecanismos de filtração e alimentação destes organismos, matando-os em poucas semanas.

“Qualquer biólogo marinho, minimamente preparado, pode confirmar o que eu estou dizendo!”, explica Eduardo.

“Os estudos da dinâmica costeira não são consistentes, portanto esses dados não podem ser utilizados na simulação computadorizada criada pelo Dr. Rosman, e aplicado pela Dra. Ada. Mesmo sendo o Dr. Rosman uma assumidade, que reconhecidamente o é, a sua fórmula não funciona quando nela se inserem dados inconsistentes: garbage-in…..garbage-out dizem os sistematicos e sábios norte-americanos nesses casos, ou seja: entre com lixo (dados inconsistentes) e a fórmula – por melhor que seja – te devolve….lixo! (na forma de resultados não confiáveis). Isso, que estou teorizando, se aplica perfeitamente para desqualificar o estudo da simulação da “pluma” de efluentes, que, segundo a Dra. Ada aflorará diante dos olhos incrédulos dos frequentadores da Praia do Forte. Trata-se de um caso clássico e didático de garbage-in…..garbage-out! . A CAERN quer nos fazer crer que esse estudo é valido, mas o bom senso diz que NÃO É!”, afirma EB.

Continua – “Eu afirmo que não foram realizados, nem existem disponíveis, estudos com duração adequada, ou seja, que considerem as mudanças na velocidade e direção dos ventos; velocidade, intensidade e direção das correntes marítimas, da carga transportada por elas, etc. Isso, minimamente, deveria abranger um ciclo anual, ou seja, medidas que fossem feitas mês a mês até completar 12 meses e também – o que seria imperioso diante da importância dessa obra – ciclos naturais de longa duração: decenais ou seculares, capazes de detectar eventos – cíclicos ou não – com potencial catastrófico: marés anormalmente altas, efeitos de tsunamis que ocorrem vez por outra, ocasionados por movimentos da crosta terrestre na altura da Cadeia Meso-Atlântica (grande cicatriz aberta no meio do Atlântico, onde a atividade vulcânica e sísmica é freqüente), etc”.

Mais: “Eu, que acompanho por fotos aéreas e avaliações de campo, quase que diárias, da praia de Ponta Negra, posso afirmar que a elevação do nível do mar, alegadamente causada pelo derretimento das calotas polares, está causando sérios danos a nossa praia. Entre 1995 e 2008 a praia perdeu incríveis 15m de sua berma original (parte alta e vegetada da praia). O efeito foi notadamente catastrófico no ano passado, quando as marés anormalmente altas destruíram mais de 10 acessos (escadarias e rampas) construídos em 2000, por ocasião da reurbanização pela qual passou Ponta Negra”.

Desde a década de 50, época da inauguração da Usina de Paulo Afonso (BA), o Rio São Francisco deixou de levar a sua carga de sedimentos para o mar.

Esse rio, um dos mais importantes do Brasil, era o maior responsável pela alimentação (com o aporte de areia) das praias do Nordeste.

Desde aquele tempo outras barragens foram feitas nesse rio (Sobradinho, Xingó, etc), o que constitui um desastre para as comunidades situadas na costa do Nordeste, que perdem ano após ano seu território para o avanço do mar. As praias nessa condição são ditas “famintas” pelos especialistas em dinâmica costeira, pois perdem mais areia para o mar, do que o aporte natural de sedimentos pode compensar.

É por analogia ao exemplo supra-citado que se explica o porquê da construção dos gabiões (muros) de pedra da Praia de Areia Preta terem obtido, como resultado, o aprisionamento da carga de areia e o conseqüente engordamento daquela praia.

Essa areia, que antes alimentava as praias a jusante de Areia Preta, hoje lhes falta e é por essa razão que as praias do Meio, dos Artistas, e do Forte passaram a sofrer grandes erosões.

“Não acredito que os acadêmicos contratados pela CAERN tenham conhecimento desses fatos , ou que os tenham efetivamente levado em consideração em seus cálculos”, enfatiza EB.

- “A Dra. Ada, que acredito seja recém-chegada ao RN, pode e deve – efetivamente – ter trazido uma boa tese de doutorado para a UFRN, mas, provavelmente não possui nem conhecimento, nem experiência acumuladas sobre a dinâmica costeira do RN, que é o meu caso, que moro e estudo a variáveis de nosso litoral há 24 anos!”.

Para quem pensa que Eduardo Bagnoli é contra o Emissário, ledo engano.

Ele, conhecerdor profundo do assunto, quer apenas o que a população também: garantias para que não tenhamos um futuro de praias fecais.

E ele reafirma: – “A AMEPONTANEGRA não é contra a construção do Emissário, mas quer alertar a Sociedade para a necessidade de se fazerem estudos adicionais, aprofundados e de longa duração, antes de se fazer a opção por uma alternativa de engenharia que pode vir a prejudicar, de forma irreversível, o meio ambiente, e por conseqüência, toda a nossa Sociedade”.