Tribuna do Norte/Coluna Panorama Político – 28/04/08 :: OPERAÇÃO IMPACTO

Divulgação do relatório da Impacto acontecerá as vésperas das convenções partidárias

por Anna Ruth Dantas

O delegado do Patrimônio Público, Júlio Rocha, disse que não pedirá mais prorrogação do prazo para concluir o inquérito da Operação Impacto, onde vereadores são acusados de receberem propina para derrubar vetos ao projeto do Plano Diretor.

“Do final de maio não passa. Quando voltar do feriado começarei já a finalizar e com certeza entregaremos até o final de maio”, comentou o delegado.

O detalhe é que o prazo final estabelecido por ele coincide com as vésperas das convenções partidárias, responsáveis pelas homologações das candidaturas e que acontecerão em junho.

Júlio Rocha explicou que essa será apenas a primeira fase da Impacto. “Depois desse primeiro trabalho, iremos continuar apurando para entregar um segundo relatório”, destacou o delegado.

Tribuna do Norte/Coluna Panorama Político – 28/04/08 :: OPERAÇÃO IMPACTO

Divulgação do relatório da Impacto acontecerá as vésperas das convenções partidárias

por Anna Ruth Dantas

O delegado do Patrimônio Público, Júlio Rocha, disse que não pedirá mais prorrogação do prazo para concluir o inquérito da Operação Impacto, onde vereadores são acusados de receberem propina para derrubar vetos ao projeto do Plano Diretor.

“Do final de maio não passa. Quando voltar do feriado começarei já a finalizar e com certeza entregaremos até o final de maio”, comentou o delegado.

O detalhe é que o prazo final estabelecido por ele coincide com as vésperas das convenções partidárias, responsáveis pelas homologações das candidaturas e que acontecerão em junho.

Júlio Rocha explicou que essa será apenas a primeira fase da Impacto. “Depois desse primeiro trabalho, iremos continuar apurando para entregar um segundo relatório”, destacou o delegado.

Tribuna do Norte/Blog Panorama Político – 10/02/08 :: JORNAL INGLÊS DENUNCIA GRUPO NORUEGUÊS QUE FARÁ RESORT NO RN

por Anna Ruth Dantas

Sarah Fergusson: Duquesa de York investe em resort que será erguido em área preservada pela Unesco no RN

O Rio Grande do Norte, mais uma vez, volta às páginas da imprensa internacional. Dessa vez não há qualquer enfoque sobre o potencial turístico do Estado. A reportagem publicada no The Mail Sunday, jornal inglês, na edição desse domingo, denuncia que o empreendimento Cabo de São Roque, que será erguido pelo empresário norueguês Torben Frantzen, da Brazil Development, é um crime ambiental por estar instalado em uma área de preservação da Unesco.

A matéria do The Mail Sunday também faz referência ao namoro entre Sarah Fergusson e Torben Frantzen. Uma relação que teria evoluído também para os negócios, onde a duquesa de York seria uma das investidoras do complexo turístico que será erguido no litoral Norte do Estado.

“A duquesa está trabalhando com a empresa de Frantzen para a fundação de escolas para ajudar a população local. Apesar disso, protestos clamam que o desenvolvimento destruirá um das últimas áreas intactas da região. O resort está em uma área de reserva da Unesco, e é local de espécies raras de tartaruga”, diz a reportagem, assinada pela correspondente do jornal para a América Latina, Sharon Churcher.

A matéria traz uma entrevista com o cônsul da Inglaterra no Rio Grande do Norte, David Hassett. Ele critica o fato da duquesa está “encorajando os turistas a virem destruir o frágil ecossistema do local. “Eu argumentaria que a duquesa deveria olhar com novos olhos para área e não como uma diversão para os ricos da Europa. Mas como um belo lugar que deveria ser deixado para as futuras gerações e não substituir por toneladas de concreto, grama, futebol e campos de golfe”, diz o cônsul.

David Hassed disse que estava surpreso com o envolvimento da duquesa de York.

Namoro com Torben Frantzen

A reportagem do The Mail Sunday aborda a relação amorosa de Sarah Fergusson, que nos últimos meses esteve três vezes no Brasil, hospedada em uma “luxuosa casa”, de Torben Frantzen, em Natal. A relação da duquesa de York com os irmãos Torben e Geir Frantzen é estreita o suficiente para ela ser convidada para passar o Natal com a família e assistir ao show do grupo Spice Girl e a luta Ricky Hatton em Las Vegas.

O investimento de Sarah Fergusson no complexo turístico e o namoro com Torben foi negado pela porta-voz da família Frantzen, Simon Rees. Mas ele confirmou que há conversas entre os irmãos Frantzen e a duquesa sobre os negócios no Brasil, onde Fergusson seria uma espécie de conselheira.

Tribuna do Norte/Blog Panorama Político – 10/02/08 :: JORNAL INGLÊS DENUNCIA GRUPO NORUEGUÊS QUE FARÁ RESORT NO RN

por Anna Ruth Dantas

Sarah Fergusson: Duquesa de York investe em resort que será erguido em área preservada pela Unesco no RN

O Rio Grande do Norte, mais uma vez, volta às páginas da imprensa internacional. Dessa vez não há qualquer enfoque sobre o potencial turístico do Estado. A reportagem publicada no The Mail Sunday, jornal inglês, na edição desse domingo, denuncia que o empreendimento Cabo de São Roque, que será erguido pelo empresário norueguês Torben Frantzen, da Brazil Development, é um crime ambiental por estar instalado em uma área de preservação da Unesco.

A matéria do The Mail Sunday também faz referência ao namoro entre Sarah Fergusson e Torben Frantzen. Uma relação que teria evoluído também para os negócios, onde a duquesa de York seria uma das investidoras do complexo turístico que será erguido no litoral Norte do Estado.

“A duquesa está trabalhando com a empresa de Frantzen para a fundação de escolas para ajudar a população local. Apesar disso, protestos clamam que o desenvolvimento destruirá um das últimas áreas intactas da região. O resort está em uma área de reserva da Unesco, e é local de espécies raras de tartaruga”, diz a reportagem, assinada pela correspondente do jornal para a América Latina, Sharon Churcher.

A matéria traz uma entrevista com o cônsul da Inglaterra no Rio Grande do Norte, David Hassett. Ele critica o fato da duquesa está “encorajando os turistas a virem destruir o frágil ecossistema do local. “Eu argumentaria que a duquesa deveria olhar com novos olhos para área e não como uma diversão para os ricos da Europa. Mas como um belo lugar que deveria ser deixado para as futuras gerações e não substituir por toneladas de concreto, grama, futebol e campos de golfe”, diz o cônsul.

David Hassed disse que estava surpreso com o envolvimento da duquesa de York.

Namoro com Torben Frantzen

A reportagem do The Mail Sunday aborda a relação amorosa de Sarah Fergusson, que nos últimos meses esteve três vezes no Brasil, hospedada em uma “luxuosa casa”, de Torben Frantzen, em Natal. A relação da duquesa de York com os irmãos Torben e Geir Frantzen é estreita o suficiente para ela ser convidada para passar o Natal com a família e assistir ao show do grupo Spice Girl e a luta Ricky Hatton em Las Vegas.

O investimento de Sarah Fergusson no complexo turístico e o namoro com Torben foi negado pela porta-voz da família Frantzen, Simon Rees. Mas ele confirmou que há conversas entre os irmãos Frantzen e a duquesa sobre os negócios no Brasil, onde Fergusson seria uma espécie de conselheira.

Matéria TN 23/5 :: Câmara aprova novo PDN e Procuradoria sugere vetos

Câmara aprova novo PDN e Procuradoria sugere vetos

Repórter: Anna Ruth Dantas
Foto: Rodrigo Sena

PROTESTO EM VÃO – Estudante vaia vereadores durante a votação do PDN

O Plano Diretor de Natal foi aprovado ontem em segunda e última votação pela Câmara Municipal de Natal, com um placar de 17 votos favoráveis e quatro contra. O projeto com 119 artigos, tendo 24 emendas, será agora encaminhado ao prefeito Carlos Eduardo. No entanto, isso não significa o fim da polêmica sobre o Plano Diretor. A Procuradoria do Município avisou que orientará o prefeito a vetar três emendas. E o Ministério Público admite que estuda entrar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a emenda que prevê o aumento do coeficiente de área construída na zona Norte. Além disso, a maioria dos vereadores avisa que, caso o prefeito faça algum veto, esse será derrubado na Câmara.

Na próxima sexta-feira, o projeto aprovado ontem será encaminhado ao chefe do Executivo, que terá 30 dias para sancionar ou vetar algum artigo. A procuradora do Município Marise Costa adiantou que a orientação ao Executivo será para vetar três emendas: o aumento do coeficiente de construção na zona Norte, o crescimento do gabarito na área próxima ao Parque das Dunas e o prazo de 90 dias para a transição de um plano para o outro. A defesa da Prefeitura é que o período de transição do atual Plano para o novo seja de 60 dias.

“Essas emendas vão de encontro ao objetivo principal que é o crescimento sustentável e a qualidade de vida. Elas (as emendas) são totalmente contrárias ao objetivo principal do plano. Além disso, não tiveram justificativa técnica. E ainda foram de encontro as justificativas apresentadas pelo Executivo”, disse Marise Costa.

A promotora de Defesa do Meio Ambiente, Gilka da Mata, lamentou a aprovação do Plano com as emendas referentes ao Parque das Dunas e à zona Norte. “Agora vamos lutar pelo veto do prefeito Carlos Eduardo e para a Câmara tentar manter os vetos”, comentou a representante do Ministério Público.

Ela adiantou, no entanto, que paralela a toda discussão administrativa, já começou a estudar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a emenda que prevê o aumento do coeficiente de área aproveitada na zona Norte de Natal. “A zona Norte precisa de esgotamento em nível global e não localizado como essa emenda prevê. É inconcebível que sejam aprovados artigos poluidores como esses (da zona Norte e do Parque das Dunas)”, analisou Gilka da Mata.

Questionada sobre como pretendia convencer os vereadores a manterem a provável emenda do prefeito ao projeto da zona Norte. Gilka da Mata garantiu que tem um documento com, pelo menos, dez argumentos sobre essa emenda. “Essa emenda da zona Norte vai na contramão da política de diretriz da universalização dos serviços. Precisamos fazer uma melhoria proativa legal na zona Norte”, completou a promotora.

Secretário confirma que haverá vetos

A aprovação do Plano Diretor também foi vista com reservas pelo Executivo. O secretário chefe do Gabinete Civil, João Bosco Pinheiro, que acompanhou a votação de ontem, disse que respeitava a posição dos vereadores. “O prefeito respeita a posição dos vereadores, mas se reserva ao direito de vetar algumas coisas. Ele (o prefeito) aguardará as razões técnicas e jurídicas da Semurb e da Procuradoria para fazer os vetos”, disse.

Questionado sobre se o prefeito conseguiria manter o veto na Câmara de Vereadores, João Bosco Pinheiro afirmou: “Vamos fazer um esforço para manter o veto na Câmara”. Oficialmente, a bancada do prefeito é de 16 vereadores. No entanto, o Executivo não conseguiu manter unidade para as votações das emendas que discorda.

Antes mesmo do projeto do Plano Diretor chegar para o Executivo surge uma discussão jurídica sobre possíveis vetos do prefeito Carlos Eduardo. O vereador Emilson Medeiros analisa que na prática o prefeito só poderá vetar apenas uma emenda: a da zona Norte. O raciocínio do vereador é que das 24 emendas, apenas uma cria um artigo. As outras 23 emendam artigos já previstos pelo Executivo. “Se ele vetar algumas dessas 23 que foram emendadas irá sair o artigo completo, ou seja, o artigo que ele enviou”, explicou Emilson. O entendimento da procuradora do Município, Marise Costa, é diferente. Ela disse que quando vetadas as emendas, o artigo volta a ter a redação original, que foi enviada pelo Executivo.

Independente do entendimento, o vereador Emilson Medeiros destacou que espera contar com a sensibilidade do chefe do Executivo para não vetar nenhuma emenda. “As emendas refletem a discussão da sociedade civil organizada. Foram 90 dias de discussão com todas as entidades da sociedade civil”, observou o vereador.

Emilson Medeiros citou que dos 119 artigos apenas dois são polêmicos, a questão do aumento do gabarito próximo ao Parque das Dunas e o aumento do coeficiente de aproveitamento na zona Norte. Às instituições que ainda lamentam essas duas emendas, o vereador mandou o recado: “São entidades que não estão acostumados a discussão. A vida é feita de discussão, entre o 8 e o 80, existe uma infinidade de números. As pessoas precisam aprender a ser menos maniqueístas”, argumentou.

Estudante é expulso da galeria

Durante a votação do Plano Diretor, um episódio marcou a sessão. O estudante Gustavo Brant, que cursa Ecologia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, xingou os vereadores de “pilantra”. Imediatamente, o vereador Emilson Medeiros, que presidia a sessão, ordenou a guarda municipal a retirar o estudante da Casa. “Não admito que ninguém chame vereador de pilantra”, disse o legislador.

“Estou aqui, num protesto pacífico, em defesa da cidade de Natal. Eu não poderia ter sido expulso”, disse o estudante. Na galeria da Câmara, muitos universitários e representantes de órgãos não-governamentais protestaram com placas e cartazes criticando a votação das emendas do Parque das Dunas e da Zona Norte. Um dos cartazes chegava a acusar os vereadores do Partido Verde. Em outro panfleto estava a inscrição “Sim ao Parque das Dunas, Não a cortina de concreto”.“Viemos fazer o nosso protesto e vamos pressionar o prefeito para ele manter o veto nos projetos do Paque das Dunas, da outorga onerosa e da Zona Norte”, destacou o coordenador geral do Diretório Central dos Estudantes da UFRN.

Matéria TN 23/5 :: Câmara aprova novo PDN e Procuradoria sugere vetos

Câmara aprova novo PDN e Procuradoria sugere vetos

Repórter: Anna Ruth Dantas
Foto: Rodrigo Sena

PROTESTO EM VÃO – Estudante vaia vereadores durante a votação do PDN

O Plano Diretor de Natal foi aprovado ontem em segunda e última votação pela Câmara Municipal de Natal, com um placar de 17 votos favoráveis e quatro contra. O projeto com 119 artigos, tendo 24 emendas, será agora encaminhado ao prefeito Carlos Eduardo. No entanto, isso não significa o fim da polêmica sobre o Plano Diretor. A Procuradoria do Município avisou que orientará o prefeito a vetar três emendas. E o Ministério Público admite que estuda entrar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a emenda que prevê o aumento do coeficiente de área construída na zona Norte. Além disso, a maioria dos vereadores avisa que, caso o prefeito faça algum veto, esse será derrubado na Câmara.

Na próxima sexta-feira, o projeto aprovado ontem será encaminhado ao chefe do Executivo, que terá 30 dias para sancionar ou vetar algum artigo. A procuradora do Município Marise Costa adiantou que a orientação ao Executivo será para vetar três emendas: o aumento do coeficiente de construção na zona Norte, o crescimento do gabarito na área próxima ao Parque das Dunas e o prazo de 90 dias para a transição de um plano para o outro. A defesa da Prefeitura é que o período de transição do atual Plano para o novo seja de 60 dias.

“Essas emendas vão de encontro ao objetivo principal que é o crescimento sustentável e a qualidade de vida. Elas (as emendas) são totalmente contrárias ao objetivo principal do plano. Além disso, não tiveram justificativa técnica. E ainda foram de encontro as justificativas apresentadas pelo Executivo”, disse Marise Costa.

A promotora de Defesa do Meio Ambiente, Gilka da Mata, lamentou a aprovação do Plano com as emendas referentes ao Parque das Dunas e à zona Norte. “Agora vamos lutar pelo veto do prefeito Carlos Eduardo e para a Câmara tentar manter os vetos”, comentou a representante do Ministério Público.

Ela adiantou, no entanto, que paralela a toda discussão administrativa, já começou a estudar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a emenda que prevê o aumento do coeficiente de área aproveitada na zona Norte de Natal. “A zona Norte precisa de esgotamento em nível global e não localizado como essa emenda prevê. É inconcebível que sejam aprovados artigos poluidores como esses (da zona Norte e do Parque das Dunas)”, analisou Gilka da Mata.

Questionada sobre como pretendia convencer os vereadores a manterem a provável emenda do prefeito ao projeto da zona Norte. Gilka da Mata garantiu que tem um documento com, pelo menos, dez argumentos sobre essa emenda. “Essa emenda da zona Norte vai na contramão da política de diretriz da universalização dos serviços. Precisamos fazer uma melhoria proativa legal na zona Norte”, completou a promotora.

Secretário confirma que haverá vetos

A aprovação do Plano Diretor também foi vista com reservas pelo Executivo. O secretário chefe do Gabinete Civil, João Bosco Pinheiro, que acompanhou a votação de ontem, disse que respeitava a posição dos vereadores. “O prefeito respeita a posição dos vereadores, mas se reserva ao direito de vetar algumas coisas. Ele (o prefeito) aguardará as razões técnicas e jurídicas da Semurb e da Procuradoria para fazer os vetos”, disse.

Questionado sobre se o prefeito conseguiria manter o veto na Câmara de Vereadores, João Bosco Pinheiro afirmou: “Vamos fazer um esforço para manter o veto na Câmara”. Oficialmente, a bancada do prefeito é de 16 vereadores. No entanto, o Executivo não conseguiu manter unidade para as votações das emendas que discorda.

Antes mesmo do projeto do Plano Diretor chegar para o Executivo surge uma discussão jurídica sobre possíveis vetos do prefeito Carlos Eduardo. O vereador Emilson Medeiros analisa que na prática o prefeito só poderá vetar apenas uma emenda: a da zona Norte. O raciocínio do vereador é que das 24 emendas, apenas uma cria um artigo. As outras 23 emendam artigos já previstos pelo Executivo. “Se ele vetar algumas dessas 23 que foram emendadas irá sair o artigo completo, ou seja, o artigo que ele enviou”, explicou Emilson. O entendimento da procuradora do Município, Marise Costa, é diferente. Ela disse que quando vetadas as emendas, o artigo volta a ter a redação original, que foi enviada pelo Executivo.

Independente do entendimento, o vereador Emilson Medeiros destacou que espera contar com a sensibilidade do chefe do Executivo para não vetar nenhuma emenda. “As emendas refletem a discussão da sociedade civil organizada. Foram 90 dias de discussão com todas as entidades da sociedade civil”, observou o vereador.

Emilson Medeiros citou que dos 119 artigos apenas dois são polêmicos, a questão do aumento do gabarito próximo ao Parque das Dunas e o aumento do coeficiente de aproveitamento na zona Norte. Às instituições que ainda lamentam essas duas emendas, o vereador mandou o recado: “São entidades que não estão acostumados a discussão. A vida é feita de discussão, entre o 8 e o 80, existe uma infinidade de números. As pessoas precisam aprender a ser menos maniqueístas”, argumentou.

Estudante é expulso da galeria

Durante a votação do Plano Diretor, um episódio marcou a sessão. O estudante Gustavo Brant, que cursa Ecologia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, xingou os vereadores de “pilantra”. Imediatamente, o vereador Emilson Medeiros, que presidia a sessão, ordenou a guarda municipal a retirar o estudante da Casa. “Não admito que ninguém chame vereador de pilantra”, disse o legislador.

“Estou aqui, num protesto pacífico, em defesa da cidade de Natal. Eu não poderia ter sido expulso”, disse o estudante. Na galeria da Câmara, muitos universitários e representantes de órgãos não-governamentais protestaram com placas e cartazes criticando a votação das emendas do Parque das Dunas e da Zona Norte. Um dos cartazes chegava a acusar os vereadores do Partido Verde. Em outro panfleto estava a inscrição “Sim ao Parque das Dunas, Não a cortina de concreto”.“Viemos fazer o nosso protesto e vamos pressionar o prefeito para ele manter o veto nos projetos do Paque das Dunas, da outorga onerosa e da Zona Norte”, destacou o coordenador geral do Diretório Central dos Estudantes da UFRN.

BLOG TN :: Câmara Municipal aprova Plano Diretor

Câmara Municipal aprova Plano Diretor

Dia:22.05.07 | Hora: 18:01:11

Encerrada há poucos minutos a segunda e última votação do Plano Diretor de Natal. Por 17 votos favoráveis e quatro contra, o Plano com 119 artigos e 24 emendas encartadas foi aprovado.

Votaram contra os vereadores Fernando Lucena, Júnior Rodoviário, Franklin Capistrano e Osório Jácome. Esses parlamentares justificaram que com a aprovação das emendas do aumento do aproveitamento de solo na zona Norte e de gabarito na área no entorno do Parque das Dunas o Plano estava descaracterizado, por isso o voto “contra”.

Matéria TN 22/5 :: Vereadores votam hoje o Plano Diretor de Natal

Vereadores votam hoje o Plano Diretor de Natal

Repórter: Anna Ruth Dantas Foto: Marcelo Barroso

PLENÁRIO – Com a aprovação do PDN, os vereadores terão 15 dias para enviar o projeto ao Executivo

A Câmara Municipal vota hoje o projeto final do Plano Diretor, já com as 24 emendas encartadas. A votação será mais um trâmite processual, já que não poderão ser apresentadas novas emendas. O que os vereadores deverão decidir é “sim” pelo novo Plano Diretor, já incluídas as emendas, ou “não” contra o projeto. O detalhe é que, numa hipotética votação onde o “não venceria”, então continuaria valendo o Plano Diretor atual. Serão necessários 14 votos dos vereadores para aprovação do projeto.

Mesmo sem a discussão de emendas, a votação de hoje deverá ser demorada já que cada legislador, na hora de votar, deverá falar sobre o Plano.

Com a aprovação do PDN hoje, os vereadores terão 15 dias para enviar o projeto ao Executivo. O prefeito Carlos Eduardo terá outros 30 dias para sancionar ou vetar algumas emendas.

“Não acredito que o prefeito vete alguma emenda. Esse plano foi altamente discutido. O prefeito vetará o que? A emenda da Zona Norte, ele vai impedir a Zona Norte de ter o seu desenvolvimento sustentável”, comentou o vereador Emilson Medeiros, relator do projeto.

Na análise da tramitação do Plano Diretor, Emilson Medeiros destacou a publicidade que teve o projeto e as discussões realizadas. “O Plano Diretor não ficou fechado em uma discussão na Câmara. Ele foi amplamente discutido por toda a sociedade civil organizada.
Esse foi um trabalho muito bonito da Câmara Municipal”, observou Emilson Medeiros.

As emendas que foram encartadas no projeto do Plano Diretor trazem um perfil limitador para a Zona Sul e mais livre para as construções da Zona Norte e de Morro Branco.

Os conjuntos Ponta Negra e Alagamar ganharam uma restrição expressa de construção. No período de um ano só poderão ser erguidos naquela área prédios de até quatro pavimentos.
Os novos empreendimentos da Via Costeira terão sua altura limitada ao meio fio da avenida Dinarte Mariz.

Já na Zona Norte foi liberada para um aproveitamento de 2,5 (área construída de duas vezes e meia o tamanho do terreno), desde que os empreendimentos apresentem solução de esgotamento sanitário.

A tão discutida outorga onerosa (taxa paga sobre o valor da construção e cobrado para construções acima do limite básico) foi estabelecida em 2% para o primeiro ano de vigência do Plano Diretor, 3% no segundo ano e 4% no terceiro ano.

Gilka da Mata – Promotora

Como a senhora avalia o Plano Diretor que estará sendo aprovado hoje, já com as 24 emendas encartadas?

O Ministério Público entende que a revisão do Plano Diretor trouxe algumas melhorias para o planejamento e o desenvolvimento sustentável da cidade, mas também trouxe uma grande preocupação relativa aos impactos ambientais negativos que serão causados ao aqüífero da Zona Norte e aos possíveis impactos ambientais não estudados que poderão ser causados na área do entorno do Parque das Dunas. Como pontos positivos podemos citar a obrigação imposta às concessionárias, aos órgãos públicos responsáveis pelos serviços públicos essenciais e ao Município de realizar o monitoramento da infra-estrutura de cada bairro. Os dados relativos à infra-estrutura, à quantidade de edificações existentes e às licenças de novas construções expedidas para cada bairro da cidade devem ser publicados, anualmente pela SEMURB. Esse mecanismo possibilita o conhecimento e o controle social sobre o crescimento da cidade. A instituição de áreas especiais de interesse social, AEIS no próprio Plano Diretor também foi um ponto positivo. Outro ponto muito positivo do Plano foi a instituição de um sistema de áreas verdes e arborização urbana. O sistema inclui, inclusive, áreas particulares. Natal precisa, realmente de um Plano de Arborização Municipal e o Plano incluiu essa obrigação ao Município.

Na opinião da senhora, qual das emendas deveriam ser vetadas pelo Executivo?

As emendas 1 (permite maiores construções no Parque das Dunas) e 3 (aumenta o gabarito na zona Norte) devem ser vetadas. A emenda um diz respeito à diminuição da área de controle de gabarito no entorno da Unidade de Conservação do Parque das Dunas. O MP entende que não houve qualquer estudo sobre os impactos paisagísticos dessa alteração na unidade de conservação, nem qualquer estudo sobre o conforto ambiental relativo ao clima. Onde existiam edifícios de seis pavimentos, por exemplo, poderão existir edifícios de vinte pavimentos. Outra emenda que deve ser vetada é a emenda 3, que permitiu a construção na zona norte com o coeficiente de aproveitamento de 2.5, com estação tratamento de efluentes particular e individual. Para se ter uma idéia, Ponta Negra, que possui sistema de esgotamento, o coeficiente de aproveitamento é de 1.2.

Como se pode admitir se construir mais que o dobro em uma área que é de reconhecida fragilidade ambiental e não possui sistema de esgotamento?

Tecnicamente, existem pelo menos dez razões para justificar o veto do Prefeito. Podemos citar, por exemplo, os esgotos tratados nos sistemas instalados dentro dos lotes serão lançados no solo. Não existem padrões legais de lançamento desses esgotos no solo; aproximadamente 30% da água que abastece a população da Zona Norte é proveniente do aqüífero (água subterrânea). Dos 41 poços que abastecem a Zona Norte, 19 já apresentaram contaminação por nitrato.

Esse novo Plano Diretor facilita ou dificulta a ação de fiscalização do Ministério Público?

Facilita nos pontos arrolados como positivos e dificulta em demasia em caso da incorporação definitiva no Plano das emendas que deveriam ser vetadas. No caso da Zona Norte será extremamente difícil fiscalizar”.

Ana Miriam Machado – Secretária

Como a senhora avalia o Plano Diretor, encartado com as emendas aprovadas pelos vereadores?

As emendas da Zona Norte e do gabarito da área próxima ao Parque das Dunas tiveram um impacto no texto da proposta do Plano Diretor, onde nosso objetivo é o desenvolvimento sustentável.

Mas essas duas emendas comprometem a essência do Plano Diretor?

Realmente elas comprometem a essência do Plano Diretor. Todo Plano Diretor da forma como foi concebido busca crescimento com desenvolvimento sustentável.

A senhora irá recomendar ao prefeito Carlos Eduardo vetar as emendas da Zona Norte e do Parque das Dunas?

Antes nós estávamos centradas no estudo das seis emendas que terminaram sendo retiradas da votação. Desde sexta-feira estamos juntando os elementos técnicos dessas duas emendas para apresentar ao prefeito. Assim ele (o prefeito) poderá tomar uma decisão baseado no conhecimento técnico.

Que nota a senhora daria para esse Plano Diretor que será votado hoje pelos vereadores?

É muito difícil dar uma nota. A nota é algo muito geral. Não podemos dar uma nota com base apenas nessas emendas que foram contrárias à nossa proposta. Entendo que grande parte do Plano está dentro dos princípios dos objetivos básicos. Agora as duas emendas (do aumento de gabarito da Zona Norte e da liberação da construção na área próxima ao Parque das Dunas) podem causar grande dano à região onde essas áreas estão inseridas. Essas emendas divergem do documento.

E quem ganha ou quem perde com esse Plano Diretor?

Com o projeto que está dentro do documento original ganha toda a cidade. Com as emendas que estão em desacordo com o documento perde toda a cidade. Essa é uma avaliação macro e não podemos avaliar o ganhar e perder de forma pontual.

Matéria TN 22/5 :: Vereadores votam hoje o Plano Diretor de Natal

Vereadores votam hoje o Plano Diretor de Natal

Repórter: Anna Ruth Dantas Foto: Marcelo Barroso

PLENÁRIO – Com a aprovação do PDN, os vereadores terão 15 dias para enviar o projeto ao Executivo

A Câmara Municipal vota hoje o projeto final do Plano Diretor, já com as 24 emendas encartadas. A votação será mais um trâmite processual, já que não poderão ser apresentadas novas emendas. O que os vereadores deverão decidir é “sim” pelo novo Plano Diretor, já incluídas as emendas, ou “não” contra o projeto. O detalhe é que, numa hipotética votação onde o “não venceria”, então continuaria valendo o Plano Diretor atual. Serão necessários 14 votos dos vereadores para aprovação do projeto.

Mesmo sem a discussão de emendas, a votação de hoje deverá ser demorada já que cada legislador, na hora de votar, deverá falar sobre o Plano.

Com a aprovação do PDN hoje, os vereadores terão 15 dias para enviar o projeto ao Executivo. O prefeito Carlos Eduardo terá outros 30 dias para sancionar ou vetar algumas emendas.

“Não acredito que o prefeito vete alguma emenda. Esse plano foi altamente discutido. O prefeito vetará o que? A emenda da Zona Norte, ele vai impedir a Zona Norte de ter o seu desenvolvimento sustentável”, comentou o vereador Emilson Medeiros, relator do projeto.

Na análise da tramitação do Plano Diretor, Emilson Medeiros destacou a publicidade que teve o projeto e as discussões realizadas. “O Plano Diretor não ficou fechado em uma discussão na Câmara. Ele foi amplamente discutido por toda a sociedade civil organizada.
Esse foi um trabalho muito bonito da Câmara Municipal”, observou Emilson Medeiros.

As emendas que foram encartadas no projeto do Plano Diretor trazem um perfil limitador para a Zona Sul e mais livre para as construções da Zona Norte e de Morro Branco.

Os conjuntos Ponta Negra e Alagamar ganharam uma restrição expressa de construção. No período de um ano só poderão ser erguidos naquela área prédios de até quatro pavimentos.
Os novos empreendimentos da Via Costeira terão sua altura limitada ao meio fio da avenida Dinarte Mariz.

Já na Zona Norte foi liberada para um aproveitamento de 2,5 (área construída de duas vezes e meia o tamanho do terreno), desde que os empreendimentos apresentem solução de esgotamento sanitário.

A tão discutida outorga onerosa (taxa paga sobre o valor da construção e cobrado para construções acima do limite básico) foi estabelecida em 2% para o primeiro ano de vigência do Plano Diretor, 3% no segundo ano e 4% no terceiro ano.

Gilka da Mata – Promotora

Como a senhora avalia o Plano Diretor que estará sendo aprovado hoje, já com as 24 emendas encartadas?

O Ministério Público entende que a revisão do Plano Diretor trouxe algumas melhorias para o planejamento e o desenvolvimento sustentável da cidade, mas também trouxe uma grande preocupação relativa aos impactos ambientais negativos que serão causados ao aqüífero da Zona Norte e aos possíveis impactos ambientais não estudados que poderão ser causados na área do entorno do Parque das Dunas. Como pontos positivos podemos citar a obrigação imposta às concessionárias, aos órgãos públicos responsáveis pelos serviços públicos essenciais e ao Município de realizar o monitoramento da infra-estrutura de cada bairro. Os dados relativos à infra-estrutura, à quantidade de edificações existentes e às licenças de novas construções expedidas para cada bairro da cidade devem ser publicados, anualmente pela SEMURB. Esse mecanismo possibilita o conhecimento e o controle social sobre o crescimento da cidade. A instituição de áreas especiais de interesse social, AEIS no próprio Plano Diretor também foi um ponto positivo. Outro ponto muito positivo do Plano foi a instituição de um sistema de áreas verdes e arborização urbana. O sistema inclui, inclusive, áreas particulares. Natal precisa, realmente de um Plano de Arborização Municipal e o Plano incluiu essa obrigação ao Município.

Na opinião da senhora, qual das emendas deveriam ser vetadas pelo Executivo?

As emendas 1 (permite maiores construções no Parque das Dunas) e 3 (aumenta o gabarito na zona Norte) devem ser vetadas. A emenda um diz respeito à diminuição da área de controle de gabarito no entorno da Unidade de Conservação do Parque das Dunas. O MP entende que não houve qualquer estudo sobre os impactos paisagísticos dessa alteração na unidade de conservação, nem qualquer estudo sobre o conforto ambiental relativo ao clima. Onde existiam edifícios de seis pavimentos, por exemplo, poderão existir edifícios de vinte pavimentos. Outra emenda que deve ser vetada é a emenda 3, que permitiu a construção na zona norte com o coeficiente de aproveitamento de 2.5, com estação tratamento de efluentes particular e individual. Para se ter uma idéia, Ponta Negra, que possui sistema de esgotamento, o coeficiente de aproveitamento é de 1.2.

Como se pode admitir se construir mais que o dobro em uma área que é de reconhecida fragilidade ambiental e não possui sistema de esgotamento?

Tecnicamente, existem pelo menos dez razões para justificar o veto do Prefeito. Podemos citar, por exemplo, os esgotos tratados nos sistemas instalados dentro dos lotes serão lançados no solo. Não existem padrões legais de lançamento desses esgotos no solo; aproximadamente 30% da água que abastece a população da Zona Norte é proveniente do aqüífero (água subterrânea). Dos 41 poços que abastecem a Zona Norte, 19 já apresentaram contaminação por nitrato.

Esse novo Plano Diretor facilita ou dificulta a ação de fiscalização do Ministério Público?

Facilita nos pontos arrolados como positivos e dificulta em demasia em caso da incorporação definitiva no Plano das emendas que deveriam ser vetadas. No caso da Zona Norte será extremamente difícil fiscalizar”.

Ana Miriam Machado – Secretária

Como a senhora avalia o Plano Diretor, encartado com as emendas aprovadas pelos vereadores?

As emendas da Zona Norte e do gabarito da área próxima ao Parque das Dunas tiveram um impacto no texto da proposta do Plano Diretor, onde nosso objetivo é o desenvolvimento sustentável.

Mas essas duas emendas comprometem a essência do Plano Diretor?

Realmente elas comprometem a essência do Plano Diretor. Todo Plano Diretor da forma como foi concebido busca crescimento com desenvolvimento sustentável.

A senhora irá recomendar ao prefeito Carlos Eduardo vetar as emendas da Zona Norte e do Parque das Dunas?

Antes nós estávamos centradas no estudo das seis emendas que terminaram sendo retiradas da votação. Desde sexta-feira estamos juntando os elementos técnicos dessas duas emendas para apresentar ao prefeito. Assim ele (o prefeito) poderá tomar uma decisão baseado no conhecimento técnico.

Que nota a senhora daria para esse Plano Diretor que será votado hoje pelos vereadores?

É muito difícil dar uma nota. A nota é algo muito geral. Não podemos dar uma nota com base apenas nessas emendas que foram contrárias à nossa proposta. Entendo que grande parte do Plano está dentro dos princípios dos objetivos básicos. Agora as duas emendas (do aumento de gabarito da Zona Norte e da liberação da construção na área próxima ao Parque das Dunas) podem causar grande dano à região onde essas áreas estão inseridas. Essas emendas divergem do documento.

E quem ganha ou quem perde com esse Plano Diretor?

Com o projeto que está dentro do documento original ganha toda a cidade. Com as emendas que estão em desacordo com o documento perde toda a cidade. Essa é uma avaliação macro e não podemos avaliar o ganhar e perder de forma pontual.

Matéria TN 4/4 – Plano Diretor: Emendas serão votadas em 10 dias

Plano Diretor: Emendas serão votadas em 10 dias

Repórteres: Anna Ruth Dantas e Jacson Damasceno
Foto: Divulgação

PLANO DIRETOR – Emilson Medeiros, presidente da Comissão de Justiça destaca que integrantes do Complan serão convidados para o debate

Antes da segunda e decisiva votação do Plano Diretor de Natal a Câmara Municipal ainda promoverá três audiências públicas. Na próxima semana, o legislativo da capital potiguar promoverá discussões sobre o projeto com o Conselho Municipal de Saneamento Básico. O debate está marcado para quarta-feira.

Depois, outra audiência contará com a representantes do Conselho Municipal de Planejamento (Complan) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo. “Como disseram que não houve uma discussão de Semurb e Complan juntos e, inclusive, o projeto que chegou não foi o aprovado pelo Complan, nós vamos fazer essa audiência com os dois órgãos”, explicou o vereador Emilson Medeiros, presidente da Comissão de Justiça da Câmara.

A terceira audiência pública acontecerá com todos os órgãos e entidades envolvidas com o Plano Diretor. Esse debate ainda não tem data marcada. “Nós entendemos que o projeto do Plano Diretor é sério e muito importante para a cidade. Não temos pressa. Sabemos que o projeto será bom para Natal”, comentou o presidente da Câmara, vereador Dickson Nasser.

Ele destacou ainda que, embora as emendas ainda não tenham sido apresentadas, há alguns pontos pacíficos entre os vereadores: os bairros de Ponta Negra e Mãe Luíza terão atenção especial dos legisladores. “Esses nós não vamos permitir mexer”, destacou Dickson Nasser.

Com as três audiências públicas que serão promovidas pela Câmara, a segunda e decisiva votação do Plano Diretor deverá acontecer no início da segunda quinzena do mês de abril. Os trabalhos do Plano Diretor estão sendo organizados pelo presidente da Comissão de Justiça, vereador Emilson Medeiros. É ele que está fazendo as vezes de “relator”, embora pelo regimento não seja necessário relator nessa fase da votação.

Emilson Medeiros explicou que as emendas dos vereadores deverão ser entregues até a próxima quarta-feira. A partir daí elas farão a tramitação nas comissões de Justiça, Planejamento Urbano e Finanças. As emendas ao projeto original do Plano Diretor poderão ser apresentadas pelos vereadores ou por uma iniciativa popular. Nesse último caso é necessário um projeto com assinatura de 3% do eleitorado, o que indica um abaixo assinado com 12 mil pessoas.

Alguns vereadores já fecharam com o projeto original enviado pela Prefeitura de Natal. “Vamos votar favorável ao projeto enviado pela prefeitura. Esse foi um projeto muito discutido com a sociedade, na Conferência das Cidades”, comentou o vereador Fernando Lucena. Hoje pela manhã, o presidente da Câmara, Dickson Nasser, fará uma reunião com todos os vereadores. “Em se tratando do Plano Diretor há um consenso entre todos os vereadores. O que vamos conversar hoje é informar sobre essas audiências e as novas deliberações”, destacou Dickson Nasser.

Construções limitadas a 30 andares

O novo Plano Diretor de Natal deve reparar equívocos do passado. A revisão de 1994 foi um divisor de águas, à medida em que foi marcada por importantes restrições nas áreas de características especiais, como as Zonas de Proteção Ambiental, mas que por outro lado, foi permissiva no que diz respeito ao resto da cidade. Um dos principais critérios a serem corrigidos, trata do estabelecimento de um gabarito para toda a extensão de terra considerada “adensável”. Em 1984, foi estabelecido que um prédio na capital não poderia ultrapassar o gabarito de 65m, o equivalente a 22 andares. Mas dez anos depois, o PDN passou por uma modificação, acabando com essa restrição. Portanto, com exceção de “áreas de controle de gabarito”, não há limites para altura de construções na capital.

Segundo a chefe do Departamento Urbanístico e Ambiental da Secretaria de Meio-Ambiente e Urbanismo (Semurb), Florésia Pessoa, na época da última revisão, os prédios de Natal tinham um gabarito médio de vinte pavimentos. “Os estudos e estimativas foram feitos, mas ninguém imaginava que a cidade fosse crescer numa velocidade tão espantosa”, explicou.

Já na revisão iniciada em 2005, e que deve finalmente se desfechar ainda este mês, um dos pontos observados em primeiro lugar foi o estabelecimento de um gabarito de 90m – aproximadamente trinta pavimentos – para as áreas que não tinham regulamentação. “Agora vemos que está na hora de recuar. Apesar de ainda achar que é uma regra branda”, informou Florésia Pessoa.

Outra modificação é a anulação da área adensável em Ponta Negra, que também não tinha limites. A regra se refere à margem da avenida Eng. Roberto Freire, oposta à área non aedificandi. Pelo que propõe o novo PDN, os espigões ali erguidos à margem da pista e que têm mais de 90m de gabarito, deverão ser os últimos. Em contrapartida, prédios com até 65m – 22 pavimentos – serão permitidos. Segundo Florésia, não houve proibição para isso também porque a comunidade não se manifestou. “Na época das discussões só houve uma proposta, que foi derrubada, por ter sido considerada muito radical”.

Outras medidas tomadas acabarão alterando os gabaritos de áreas específicas. A criação da Área Especial de Interesse Social na Vila de Ponta Negra é um exemplo, onde regras duras deverão ser criadas. A Zona de Interesse Turístico da praia, onde também há limitações, vai aumentar, chegando até a Vila. Será criada ainda outra área especial, na avenida João Medeiros Filho, em frente ao Carrefour.

“População demonstra que está preocupada”

Muita gente está incomodada. Boa parte da população não está nada, nada satisfeita com os gigantes de concreto que estão sendo erguidos na capital. Segundo o professor de Arquitetura da UFRN, Paulo Nóbrega, – que participou de toda a discussão como delegado da universidade – o que há de modificação no PDN sobre os gabaritos, é por causa da população.

“A população começou a se assustar com os prédios que estão aparecendo com 30, 40 andares”, disse o professor. Segundo Paulo, em uma das discussões entre os delegados, chegou a haver um comunicado informal de que os grandes prédios estavam atrapalhando a cobertura do tráfico aéreo na região. A informação teria sido dada por um técnico da Aeronáutica.

“É muito sintomático essa questão da população se manifestar. Realmente assusta a magnitude desses edifícios, muitas vezes em ruas estreitas. A gente não entende a necessidade desses edifícios numa cidade como Natal”, argumentou o professor. Para o professor, a cidade cresceu uma forma muito rápida, o que fez com que a população reclamasse nas reuinões do Plano Diretor de Natal.

Algumas propostas surgidas da população foram consideradas radicais e não foram parovadas na Conferência da Cidade. Um mililtar reformado pleiteou, por exemplo, que toda a área de Ponta Negra e Capim Macio fosse controlada e o gabarito não passasse de dois pavimentos. O objetivo do cidadão era proteger o corredor de ventilação. Porém, o militar foi voto vencido nas reuniões.

Corretor questiona critérios para definição dos limites

O corretor de imóveis Ricardo Abreu não vê a mudança nos padrões de gabaritos para Natal com grandes preocupações. Segundo ele, o que for decidido é lei e, portanto, deve ser cumprido. O que ele questiona são os meios pelos quais os novos parâmetros foram definidos: “Gostaria muito de saber como chegaram àqueles denominadores. Só isso. Não sei de onde saíram tais critérios”.

Ricardo se refere principalmente ao índice de aproveitamento dos terrenos na capital – em áreas tidas como comuns -, que deve mudar de 1,8% para 1,2%. O índice é o número que se multiplica pela área do terreno, chegando ao total do que se pode construir ali. O corretor não entende como se pode limitar a fração a 1,2%, objetivando fatores de infra-estrutura, em uma cidade que, em tese, estaria em franco desenvolvimento.

“A governadora acaba de anunciar o maior investimento na área de saneamento, no Estado e na capital, vemos o prefeito mostrar tantas obras nas propagandas – e acompanhamos a gestão dele, e exatamente por isso não entendemos porque esses limites para as construções”, explicou Ricardo Abreu.

Para ele, o estabelecimento do gabarito em 90m para quase toda a cidade, com exceção das zonas especiais não é problema. Ricardo explica que outros instrumentos acabam sendo mais importantes para uma rigorosidade, ficando o gabarito em função deles.

Bate-papo

Fernando José de Medeiros Costa – Chefe do Departamento de Arquitetura da UFRN

Fernando José de Medeiros Costa, chefe do departamento de Arquitetura da UFRN, é autor de uma tese de mestrado sobre a relação do recuo das construções e a ventilação do meio urbano. Neste entrevista, ele explica a importância do controle do gabarito.

Quais os critérios seguidos para se definir o gabarito?

Na verdade, cada área de um município vai ter um gabarito de acordo com suas necessidades. Os principais aspectos observados são o valor cênico paisagístico, como no caso de Ponta Negra, alguma fragilidade do subsolo ou do meio ambiente da região, além de fatores relativos a questões de infra-estrutura, como o sistema viário e saneamento. Nesse último caso, o gabarito é definido em função de outros parâmetros como a densidade demográfica da área.

Alguns profissionais falam da importância de restrições em Ponta Negra, por ali ser um corredor de vento para a cidade. Isso procede?

De fato, o vento, a grosso modo vem naquela direção, que é a direção sudeste. Realmente na hora que você constrói uma parede de edifícios, você vai ter um rebatimento para o conjunto, com influência muito grande. Por isso, a importância de se ter recuos grandes e alturas variantes nos edifícios.

Qual a importância de se ter alturas variantes?

Mesma altura é ruim para prédios altos ou baixos, porque o piso da ventilação passa a ser o teto dos edifícios e não teremos vento no nível da rua.

E qual é a situação de Ponta Negra hoje em dia?

Se você olhar agora, nesse momento, com aqueles grandes edifícios que tem lá, a coisa ainda não é tão drástica. Por que uma edificação ou outra, aumento a velocidade do ar no nível do solo. Mas se você tiver um número excessivo de prédios, isso pára de existir.

Saiba mais

1) Gabarito é o termo técnico utilizado para definir a altura de qualquer edificação. A medida é dada em metros ou em pavimentos.

2) Em 1984, o Plano Diretor de Natal definiu que o gabarito máximo para o município em geral seria de 65 metros, o equivalente a um edifício de 22 andares.

3) O principal ponto levado em conta para o limite estabelecido em 1984 foi a segurança das construções na cidade, no que diz respeito a aspectos como prevenção de incêndios, por exemplo.

4) Na revisão de 1994, foi extinto o gabarito máximo para toda a cidade. A exceção ficou para zonas especiais, como de interesse turístico, histórico, social ou ambiental.

5) Nesta revisão que está em debate na Câmara Municipal, o novo Plano Diretor volta atrás e passa a prever um gabarito máximo de 90 metros, o equivalente a um prédio de 30 andares, para as áreas que não tinham limites.

6) As medidas de recuo – espaço entre a edificação e os limites do terreno – também deverão ficar mais rigorosas. Com isso, a distância entre os prédios de Natal deve aumentar.