.: Que emissário é esse? – por Canindé Soares

[Fotos de Canindé Soares - clique nas imagens para ampliar]

CANINDESOARES.COM – 14/nov/2009

Sábado, dia 14, pela manhã na praia de Ponta Negra as Ongs AMEPONTANEGRA, SOS Ponta Negra, Filhos de Ponta, ASPOAN, Surfistas de Cristo, grupo de percussão Resistência da Lata, amigos, freqüentadores e moradores da Natal limpa, organizaram e participaram de um protesto contra a construção do emissário submarino da CAERN, obra que levará para o alto mar os dejetos orgânicos de Ponta Negra, Capim Macio e Parnamirim.

Enquanto uma faixa enorme era colocada no topo do morro do careca com a frase “Que emissário é esse?”, surfistas entravam no mar para um abraço simbólico.

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.: Desmatamento: Terraplanagem da Prudente deve começar no fim de semana

DIÁRIO DE NATAL – 4/nov/2009
Repórter: Gabriela Freire

Foto: Ana Amaral

Máquinas abrem caminho para o novo trecho, que ficará entre a Avenida dos Xavantes, na Cidade Satélite, e a Avenida Rio Jordão, em Parnamirim

Licenciamento ambiental foi renovado. Limpeza e desmatamento já começaram

As obras de extensão da Avenida Prudente de Morais estão “a pleno vapor”, afirma o diretor de obras do departamento de Estradas e Rodagens do Rio Grande do Norte (DER/RN), Caio Pascoal. Os funcionários da empresa contratada estão trabalhando na limpeza e desmatamento da região que abrigará o novo trecho da via. A expectativa, segundo Caio Pascoal, é que os trabalhos de terraplanagem iniciem ainda no final dessa semana.

O diretor de obras do DER/RN informou também que o impedimento legal da obra, relativo ao vencimento da licença ambiental para execução do serviço, já foi liberado. “A licença venceu em 3 de outubro mas já foi renovada”, afirmou Caio Pascoal. Com isso, permanece inalterado o cronograma de obras, que prevê a conclusão do serviço de extensão da Avenida Prudente de Morais em 18 meses a contar de setembro passado. A partir de março de 2011 os natalenses terão uma nova opção para sair e entrar da capital potiguar.

O novo trecho do prolongamento da avenida ficará entre a Avenida dos Xavantes, na Cidade Satélite (Zona Sul de Natal), e a Avenida Rio Jordão, em Parnamirim. A nova via será duplicada e receberá canteiro central, iluminação, calçada, retornos, ciclovia e ponte – que cruzará o rio Pitimbú, em uma obra estimada em R$ 28 milhões.

De acordo com Caio Pascoal cada faixa da avenida terá 3,5m de largura que, somado ao acostamento, totaliza 10m. O trecho terá 4,3km, cruzando a Avenida dos Xavantes, rua Rio Tamanduateí, Rua dos Pitassilgos, Avenida dos Caiapós e o Rio Pitimbu, até chegar à Parnamirim, na Avenida Rio Jordão.

Ainda de acordo com Pascoal, a obra será dividida em duas fases e contará ainda com um viaduto passando sobre a BR-101. “A primeira fase iniciou em setembro e compreende a implantação e pavimentação da via duplicada de Natal até Parnamirim, com investimento de R$ 18 milhões. Na segunda fase instalaremos os acessos, retornos e viadutos, trabalhos que custarão cerca de R$ 10 milhões”, informou. Para ele, a obra é importantepara o desenvolvimento da cidade porque irá proporcionar um novo acesso à BR-101.

.: Patrimônio Natural precisa ser preservado [jul/08]

Praia de Ponta Negra [clique na imagem para ampliar]

TRIBUNA DO NORTE – 15/jul/2008

O bancário paulista Fernando Cruz veio a Natal pela primeira vez esta semana e logo detectou uma grande diferença em relação ao cotidiano da cidade de São Paulo. “Lá, quando o dia nasce e você abre a janela, só vê prédios para todos os lados, aqui não, por isso que vocês têm mesmo de preservar a paisagem local”, ressalta. A observação do turista vai ao encontro da preocupação de ambientalistas e do poder público, mas certamente também terá de estar entre as prioridades do próximo prefeito da capital.

Isso porque o Plano Diretor de Natal já prevê diversos mecanismos de proteção do chamado “patrimônio cênico-paisagístico” da cidade, porém o futuro administrador da capital precisará fazer valer esses instrumentos e ainda detalhar as regras das áreas de controle de “gabarito” (altura máxima permitida para construções), através de regulamentação. Dentre essas áreas estão a orla que vai do Forte dos Reis Magos ao Morro do Careca, as Zonas de Proteção Ambiental (ZPAs), a margem esquerda do rio Potengi e o entorno do Parque das Dunas.

Na maioria desses pontos, o gabarito máximo se mantém em 7,5 m até uma nova legislação ser aprovada (há exceções como a Via Costeira, onde a altura máxima deve ser equivalente ao nível da pista) e a licença ambiental para qualquer novo projeto só poderá ser concedida pela Semurb após apresentação de “relatório de impacto paisagístico”, por parte do empreendedor. A regulamentação dessas áreas deve ocorrer até junho de 2009, quando se encerra o convênio da Prefeitura com a empresa contratada para elaborar esses estudos.

No entender de visitantes como Fernando Cruz, a possibilidade de Natal manter preservada a vista dos “cartões-postais” da cidade não é algo importante apenas para quem vem de fora, pois a multiplicação de “espigões” pode acabar prejudicando também a qualidade de vida dos moradores locais. “Não vejo necessidade de se estar construído prédios altos à beira-mar”, defende, se referindo principalmente à região da praia de Ponta Negra e ressaltando a beleza da visão do mar e do morro do Careca.

Para a secretária de Meio Ambiente e Urbanismo, Ana Míriam Machado, a legislação atual é “rica” em ferramentas de controle dessas ameaças. “O Plano Diretor contempla a preservação dos nossos monumentos naturais e não é só Ponta Negra. Temos locais como na zona Norte (margem esquerda do rio Potengi), ou mesmo áreas da Salgado Filho e Hermes da Fonseca, no entorno do Parque das Dunas, que precisam ser preservados”, aponta.

Ela entende que a manutenção de todo o patrimônio ambiental da capital norte-rio-grandense é fundamental à qualidade de vida na cidade e as paisagens fazem parte desse patrimônio maior. A proteção ao chamado “valor cênico-paisagístico” está prevista nas normas que determinarão as regras para ocupação e uso não só das ZPAs e das ZETs, mas também no artigo 20 da Plano Diretor, que permite à Prefeitura “instituir novas áreas non aedificandi” com o objetivo de ampliar os espaços a serem protegidos.

Ambientalista critica o poder público

Natal seria a mesma cidade se não houvesse a vista do Morro do Careca? A pergunta feita pelo presidente da Associação Potiguar Amigos da Natureza (Aspoan), Francisco Iglesias, dá uma noção da importância de se preservar as paisagens da cidade. Ele lembra, contudo, que essa preocupação deve ir muito além do cartão-postal de Ponta Negra. “O entorno do Parque das Dunas, o rio Potengi, nossas áreas verdes, entre outros, são todos patrimônios paisagísticos que precisam ser mantidos”, cita.

O ambientalista critica a legislação atual, considerada por ele insuficiente para assegurar a manutenção desse patrimônio e lembra que a preservação dessas áreas é fundamental. “Natal tem algumas das paisagens mais belas do Brasil e somente esses espaços podem diminuir o impacto de todo esse concreto que vem sendo erguido, de toda essa destruição dos mangues, áreas verdes, a retirada das árvores”, exemplifica.

Ele lamenta que o próprio poder público, muitas vezes, acabe “contribuindo” para a criação de “ruídos visuais”, como no caso da manutenção dos postes de energia ao longo da Via Costeira, que atrapalham a vista do Parque das Dunas. “O poder público é o pior empreendedor que se tem. Acha que tudo pode”, reclama o presidente da Aspoan.

Francisco Iglesias afirma ainda que o interesse maior dos construtores é no lucro, independente da questão ambiental, portanto cabe aos governos e à população equilibrar essa balança, defendendo o patrimônio paisagístico da capital potiguar. “Esse é um grande desafio para o próximo prefeito”, considera.

“Natal está na contramão do mundo”

Em termos de preservação paisagística, Natal vem seguindo na contramão do restante do mundo. Essa é a opinião do professor do curso de Ecologia da UFRN, Aristotelino Monteiro. Ele considera que enquanto na cidade se convive com uma visão de desenvolvimento baseado na chegada de grandes construções, em detrimento dos recursos naturais, o restante do mundo já começou a se preocupar com o equilíbrio entre esse crescimento e a preservação do meio ambiente.

“Infelizmente, quase não temos mais áreas verdes e não há, por exemplo, incentivo a obras ‘ecoeficientes’, nem privilégios para as que já respeitam a natureza”, lamenta o ambientalista. Ele cita inclusive o novo Parque da Cidade, onde os prédios existentes “abrem mão” de aproveitar a iluminação e a ventilação natural, enquanto vivem “à base de ar-condicionados.”

>>> Comentário pertinente: A cada novidade uma decepção, a cada decepção renova-se a certeza de que ainda temos muito o que fazer por essa cidade, a cada certeza novas constatações óbvias: como continuar sendo um lugar aprazível e turístico se os detentores do poder econômico e político não contribuem para assegurar a Qualidade de Vida que ainda nos resta?!

.: Amigos da natureza se unem pelo bem estar do meio ambiente [dez/08]

CORREIO DA TARDE – 27/dez/2008
Repórter: Ramilla Souza

No último dia 14 de novembro, os jornais de Natal veicularam a notícia de cidadãos comuns tentando impedir o corte de árvores em um bosque no bairro de Capim Macio. O assunto chamou a atenção, principalmente, pelas imagens que mostravam uma garota agarrada a um tronco de Ipê Roxo, no momento em que o Disk Motoserra contratado pela Prefeitura tentava derrubá-lo.

Desse protesto nasceu o SOS Capim Macio, inspirado no formato de um movimento anterior, o SOS Ponta Negra, fundado pelo jornalista Yuno Silva.

O ato isolado pode até parecer engraçado, mas o que se há de notar é o aparecimento, em Natal, dessas pessoas que se “dão ao trabalho” de abraçar árvores, participar de audiências públicas e reunir centenas de pessoas para protestar em prol de um bem coletivo como o é o meio ambiente. Não se trata mais de uma “discussão romântica”, como exemplifica o fundador do pioneiro Pró-Pitimbú, o engenheiro civil Kalazans Bezerra.

O tempo dos “ecochatos” já passou. O que se vê hoje em dia, aqui mesmo na capital potiguar, são pessoas que não tem qualquer relação com a política tentando impedir que a cidade se esqueça do meio ambiente e fazendo propostas plausíveis para o crescimento urbano, sim, mas ecologicamente sustentável.

É claro que esse não é um movimento que começou ontem. A ONG Amigos da Natureza, da qual faz parte o arquiteto urbanista, Francisco Iglesias, existe em Natal desde 1985. Já nessa época seus 46 fundadores levantaram a questão da praia de Galinhos, que teve dois mil e 400 hectares de mangue destruído (o equivalente a dois Parques das Dunas).

Foram feitos panfletos, denúncias, protestos e enviadas cartas a autoridades. O problema era a repercussão. A atenção dada ao que era feito pelo ambientalistas era mínima por parte da imprensa, da população e, que dirá, das autoridades. O marco da mudança (ainda pequena) dessa atitude foi, sem dúvida, o SOS Ponta Negra.

Visão diferenciada

Foi prestando atenção que Yuno Silva ajudou a impedir a construção de prédios na região do Morro do Careca, em 2006. O jornalista lia uma revista de imóveis de baixa veiculação quando se deparou com o anúncio de uma futura construção ao lado do ponto turístico, já licenciada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb).

Apesar de existir uma lei que impedisse um projeto como esse naquela área, segundo o próprio Yuno, ela não era muito clara: “Existe espécie de linha imaginária que corta a Vila de Ponta Negra e deveria encostar no Morro mas, em vez disso, ela atravessava ele”, explica.

Depois da descoberta, foram 20 dias pesquisando para montar um blog e decidindo se comprava ou não aquela briga. “O poder econômico tem muita influência nos meios de comunicação. Eu sabia que ia acabar ficando sem propostas de emprego”, revela Yuno. Ele trabalhava como jornalista e produtor free-lancer. A decisão foi tomada e o www.sospontanegra.blogspot.com está no ar até hoje, colocando em pauta assuntos como a Operação Impacto ou seminários que discutam a sustentabilidade.

A primeira reunião do SOS contou com seis pessoas. Na segunda já foram 30; na terceira, 80; na quarta, 300 e na quinta, 2000, esta última já com o apoio da Prefeitura do Natal. Da Internet o movimento pulou para as páginas dos jornais e para o conhecimento da população em geral e do próprio prefeito da cidade, que, segundo Silva, não sabia do empreendimento colado ao Morro do Careca. “Fizemos uma enquete com as pessoas conhecidas e constatamos que ninguém tinha ouvido falar desse projeto”, revela Yuno.

Como resultado, hoje não se vê prédio nenhum ao lado do Morro e a população e imprensa também passaram a ficar mais atentas em relação ao depredamento ambiental. É claro que o SOS veio num momento propício, em que a consciência em relação à natureza está “na moda”. “A partir disso as pessoas começaram a ficar mais atentas à área não edificante de Natal. Mesmo com o movimento tendo saído da mídia nós ficamos atentos em receber denúncias pelo telefone”, conta Silva. E recebem mesmo. Segundo ele, até denúncia de cachorros sendo maltratados são feitas ao SOS Ponta Negra.

Os novos guardiões

Da idéia lançada em agosto de 2006 vieram novas sementes. Dois anos depois surgia o SOS Capim Macio, nascido de súbito e questionando o projeto da obra que é um dos carros-chefe da administração do atual prefeito de Natal. A jovem que se abraçada ao Ipê era Joanisa Prates, 23 anos, que junto a outros moradores do bairro colocou em pauta a drenagem sustentável.

“Eu também moro em Capim Macio e sei o quanto é difícil quando as ruas ficam alagadas, mas fazer essa drenagem de qualquer jeito não vale a pena. Nós não somos contra, somos a favor de um desenvolvimento sustentável”, argumenta a estudante.

Diário de Natal :: MURO DO HOTEL IMIRÁ TEM PRAZO PARA SER DERRUBADO

Construção foi sendo erguida ao longo dos anos e tapando a paisagem

Repórter: Gabriela Freire
Foto: Ana Amaral

O muro construído pelo Hotel Imirá Plaza, na Via Costeira, será derrubado em até 15 dias. A decisão foi tomada após audiência realizada na manhã de ontem com a Promotoria do Meio Ambiente, Semurb, representantes do hotel e sociedade civil organizada – representada por organizações não governamentais.

Na reunião, os presentes acordaram com um termo de ajustamento de conduta que prevê, além da derrubada do muro, a construção de uma cerca provisória até a definição do fechamento do terreno. Caso o hotel descumpra o acordo, uma multa diária de R$ 10 mil será aplicada.

A promotora do meio ambiente Rossana Sudário destacou que o prazo para o muro ser derrubado expira no próximo dia 27. ‘‘Discutimos cada padrão da cerca e os prazos. Depois, eles vão ter que se adequar a regulamentação do artigo 21, contido no Novo Plano Diretor de Natal, derrubar a cerca e então, constroem do jeito que a Semurb vai determinar’’.

A cerca provisória deverá ter altura máxima de dois metros, espaçamento de três metros entre os pilares e espessura máxima de 10 centímetros cada. A estrutura protetora deverá ser de aço galvanizado, fixado somente na lateral.

A assessoria de imprensa do hotel comunicou que esde o princípio, a direção do Hotel Imirá procurou, junto com o Ministério Público e entidades de defesa do meio ambiente, ‘‘uma posição de consenso que finalmente foi encontrada. O hotel vai fazer sua parte no acordo e isso não representa prejuízo nenhum para o hotel, pelo contrário, buscou uma solução de consenso. Observando no entanto que o projeto original não estava pautado pela ilegalidade’’.

Diário de Natal :: MURO DO HOTEL IMIRÁ TEM PRAZO PARA SER DERRUBADO

Construção foi sendo erguida ao longo dos anos e tapando a paisagem

Repórter: Gabriela Freire
Foto: Ana Amaral

O muro construído pelo Hotel Imirá Plaza, na Via Costeira, será derrubado em até 15 dias. A decisão foi tomada após audiência realizada na manhã de ontem com a Promotoria do Meio Ambiente, Semurb, representantes do hotel e sociedade civil organizada – representada por organizações não governamentais.

Na reunião, os presentes acordaram com um termo de ajustamento de conduta que prevê, além da derrubada do muro, a construção de uma cerca provisória até a definição do fechamento do terreno. Caso o hotel descumpra o acordo, uma multa diária de R$ 10 mil será aplicada.

A promotora do meio ambiente Rossana Sudário destacou que o prazo para o muro ser derrubado expira no próximo dia 27. ‘‘Discutimos cada padrão da cerca e os prazos. Depois, eles vão ter que se adequar a regulamentação do artigo 21, contido no Novo Plano Diretor de Natal, derrubar a cerca e então, constroem do jeito que a Semurb vai determinar’’.

A cerca provisória deverá ter altura máxima de dois metros, espaçamento de três metros entre os pilares e espessura máxima de 10 centímetros cada. A estrutura protetora deverá ser de aço galvanizado, fixado somente na lateral.

A assessoria de imprensa do hotel comunicou que esde o princípio, a direção do Hotel Imirá procurou, junto com o Ministério Público e entidades de defesa do meio ambiente, ‘‘uma posição de consenso que finalmente foi encontrada. O hotel vai fazer sua parte no acordo e isso não representa prejuízo nenhum para o hotel, pelo contrário, buscou uma solução de consenso. Observando no entanto que o projeto original não estava pautado pela ilegalidade’’.

TERCEIRA AUDIÊNCIA NO MP SOBRE CONSTRUÇÃO IRREGULAR DE MURO ALTO NA VIA COSTEIRA

Processo do caso do Muro da Via Costeira
por Heitor Andrade, em 27/05/08

O debate sobre o problema do muro erguido pelo Hotel Imirá Plaza, Avenida Dinarte Mariz (Via Costeira), em Natal, iniciou a aproximados dois meses. Gerou indignação na sociedade, que se organizou e provocou instituições públicas competentes (a Secretaria Especial de Meio Ambiente e Urbanismo – SEMURB, bem como o Ministério Público) a averiguarem a questão e encontrar uma solução.

O muro do Imirá fere o princípio do artigo 21 da Lei Complementar nº 82/2007, que dispõe sobre o Plano Diretor de Natal (PDN), o qual limita os edifícios da Via Costeira ao nível do meio fio com o propósito de preservar as paisagens de valor cênico-paisagístico em nossa orla marítima. Vale acrescentar que o referido artigo consiste numa árdua conquista da população de Natal.

Entendemos que o caso do muro do Hotel é emblemático, pois servirá de referência para outros empreendimentos que pretendam cercar suas propriedades. Certamente a solução que for adotada subsidiará determinações legais a serem incorporadas na Lei nº 4.547/94, que dispõe sobre a Zona Especial de Interesse Turístico 2 (ZET-2), em processo de revisão. Isso revela a importância da discussão.

No último dia 07.05.08, aconteceu no Ministério Público a primeira Audiência sobre o assunto, que contou com a participação de representantes da SEMURB, da UFRN (PPGAU), de entidades ambientalistas e do proprietário do Hotel.

Neste momento foram ouvidas as partes e ficou acertado que se buscaria uma solução que atenda aos interesses envolvidos – segurança, adequação do espaço para realização de eventos (shows), respeito a Lei (PDN) e, sobretudo, preservação da paisagem – a ser apresentada, também, em Audiência no dia 21 do mesmo mês.

Os técnicos que representam cada seguimento citado se reuniram e, na quarta-feira (21.05), apresentaram as propostas desenvolvidas até o momento. Como não se chegou a consenso, aprazou-se nova data para ser apresentada uma solução eficaz, no dia 12 de junho, às 11h, na 45º Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, localizada na Av. Floriano Peixoto, 550, Petrópolis (4º andar, na sala de audiências).

Os encontros ocorridos revelam, no nosso olhar, o interesse conjunto de se chegar a uma alternativa coerente aos propósitos, aqui, elencados.

Contudo, alertamos para a importância do envolvimento da sociedade nesse processo. Afinal, trata-se de discussão sobre a preservação de um dos nossos bens mais preciosos: as paisagens naturais da cidade.

TERCEIRA AUDIÊNCIA NO MP SOBRE CONSTRUÇÃO IRREGULAR DE MURO ALTO NA VIA COSTEIRA

Processo do caso do Muro da Via Costeira
por Heitor Andrade, em 27/05/08

O debate sobre o problema do muro erguido pelo Hotel Imirá Plaza, Avenida Dinarte Mariz (Via Costeira), em Natal, iniciou a aproximados dois meses. Gerou indignação na sociedade, que se organizou e provocou instituições públicas competentes (a Secretaria Especial de Meio Ambiente e Urbanismo – SEMURB, bem como o Ministério Público) a averiguarem a questão e encontrar uma solução.

O muro do Imirá fere o princípio do artigo 21 da Lei Complementar nº 82/2007, que dispõe sobre o Plano Diretor de Natal (PDN), o qual limita os edifícios da Via Costeira ao nível do meio fio com o propósito de preservar as paisagens de valor cênico-paisagístico em nossa orla marítima. Vale acrescentar que o referido artigo consiste numa árdua conquista da população de Natal.

Entendemos que o caso do muro do Hotel é emblemático, pois servirá de referência para outros empreendimentos que pretendam cercar suas propriedades. Certamente a solução que for adotada subsidiará determinações legais a serem incorporadas na Lei nº 4.547/94, que dispõe sobre a Zona Especial de Interesse Turístico 2 (ZET-2), em processo de revisão. Isso revela a importância da discussão.

No último dia 07.05.08, aconteceu no Ministério Público a primeira Audiência sobre o assunto, que contou com a participação de representantes da SEMURB, da UFRN (PPGAU), de entidades ambientalistas e do proprietário do Hotel.

Neste momento foram ouvidas as partes e ficou acertado que se buscaria uma solução que atenda aos interesses envolvidos – segurança, adequação do espaço para realização de eventos (shows), respeito a Lei (PDN) e, sobretudo, preservação da paisagem – a ser apresentada, também, em Audiência no dia 21 do mesmo mês.

Os técnicos que representam cada seguimento citado se reuniram e, na quarta-feira (21.05), apresentaram as propostas desenvolvidas até o momento. Como não se chegou a consenso, aprazou-se nova data para ser apresentada uma solução eficaz, no dia 12 de junho, às 11h, na 45º Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, localizada na Av. Floriano Peixoto, 550, Petrópolis (4º andar, na sala de audiências).

Os encontros ocorridos revelam, no nosso olhar, o interesse conjunto de se chegar a uma alternativa coerente aos propósitos, aqui, elencados.

Contudo, alertamos para a importância do envolvimento da sociedade nesse processo. Afinal, trata-se de discussão sobre a preservação de um dos nossos bens mais preciosos: as paisagens naturais da cidade.

Jornal de Hoje :: AMBIENTALISTAS FAZEM PROTESTO CONTRA MURO ERGUIDO NA VIA COSTEIRA

da Redação

Obra com mais de 2 metros de altura impede vista para o mar e, segundo manifestantes, não está de acordo com o Plano Diretor

Ambientalistas e lideranças de Conselhos de moradores promoveram na manhã de hoje, na Via Costeira, uma manifestação de repúdio contra um muro de quase 200 metros, que foi erguido, recentemente, pelo Imirá Plaza Hotel, para cercar o anexo onde funciona a arena de shows do empreendimento. Segundo os manifestantes, a obra impede a visão do mar e desrespeita o próprio Plano Diretor do município.

Diante disso, o grupo distribuiu panfletos a pedestres e motoristas que trafegavam pela avenida Dinarte Mariz (Via Costeira). Enquanto funcionários do hotel davam os últimos retoques na obra, faixas eram erguidas pelos ambientalistas, com a frase: “Queremos ver o mar!”. Apesar disso, o gerente do Imirá não quis se pronunciar à imprensa, mas disse à reportagem do JH que não entendia o motivo da polêmica.

• ABAIXO-ASSINADO CONTRA MUROS ALTOS NA VIA COSTEIRA
>> até dia 10 de maio

No entanto, para o arquiteto e urbanista Heitor Andrade, a construção do muro é ilegal, já que não estaria em conformidade com o artigo 21 da Lei Complementar nº 82, de 2007, que corresponde ao próprio Plano Diretor da cidade, que está em vigência, em relação à Zona Especial Turística (ZET2). Segundo ele, a própria legislação não permite construções civis na Via Costeira, com obras que ultrapassem o nível do meio fio da pista. “Cadê a lei? Essa obra não condiz com o que está firmado no Plano Diretor. Não faz qualquer sentido esse muro erguido acima do nível permitido”, disse Heitor.

Quem garante também a irregularidade é o presidente da Associação Potiguar “Amigos da Natureza”, Francisco Iglesias, que questiona a legalidade da obra e adverte para a construção de novos muros. “Se um hotel faz isso, depois outros irão copiar a mesma idéia, pois não estão nem aí para o impacto que estão provocando”, alertou.

De acordo com Iglesias, o grupo de ambientalistas já enviou ofício à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), cobrando explicações sobre a suposta autorização para a execução da obra, e solicitando, paralelo a isso, o imediato embargo.

Na Via Costeira existem 13 acessos livres aos cerca de 10 quilômetros de praia, mas para a presidente da Associação dos Conjuntos Ponta Negra e Alagamar (AMPA), Vera Almeida, falta urbanização no local, que garanta a mínima estrutura à banhistas e turistas. “Como se isso não bastasse, ainda querem nos privar de contemplar um dos mais belos visuais do mundo, que serve como verdadeiro cartão-postal. Não concordamos, portanto, com a privatização feita pelos hoteleiros do nosso patrimônio”, observou Vera.

A paisagem também foi defendida pelo economista Rodrigo Câmara, que trafegava pela Via Costeira e resolver aderir ao movimento. “Moro em Ponta Negra e passo por aqui todos os dias, quando vou trabalhar. Se a Prefeitura permitir esse muro eu tenho certeza que haverá um grande protesto na cidade. Ninguém está de acordo com isso, a não ser por motivos financeiros”, criticou.

Diante disso, os manifestantes resolveram, também, fazer um abaixo-assinado com assinaturas que qualquer cidadão que não concorde com obras que tirem a visão do mar, em toda a extensão da Via Costeira. No documento, que será entregue às autoridades, o grupo pede a demolição imediata do muro.

Jornal de Hoje :: AMBIENTALISTAS FAZEM PROTESTO CONTRA MURO ERGUIDO NA VIA COSTEIRA

da Redação

Obra com mais de 2 metros de altura impede vista para o mar e, segundo manifestantes, não está de acordo com o Plano Diretor

Ambientalistas e lideranças de Conselhos de moradores promoveram na manhã de hoje, na Via Costeira, uma manifestação de repúdio contra um muro de quase 200 metros, que foi erguido, recentemente, pelo Imirá Plaza Hotel, para cercar o anexo onde funciona a arena de shows do empreendimento. Segundo os manifestantes, a obra impede a visão do mar e desrespeita o próprio Plano Diretor do município.

Diante disso, o grupo distribuiu panfletos a pedestres e motoristas que trafegavam pela avenida Dinarte Mariz (Via Costeira). Enquanto funcionários do hotel davam os últimos retoques na obra, faixas eram erguidas pelos ambientalistas, com a frase: “Queremos ver o mar!”. Apesar disso, o gerente do Imirá não quis se pronunciar à imprensa, mas disse à reportagem do JH que não entendia o motivo da polêmica.

• ABAIXO-ASSINADO CONTRA MUROS ALTOS NA VIA COSTEIRA
>> até dia 10 de maio

No entanto, para o arquiteto e urbanista Heitor Andrade, a construção do muro é ilegal, já que não estaria em conformidade com o artigo 21 da Lei Complementar nº 82, de 2007, que corresponde ao próprio Plano Diretor da cidade, que está em vigência, em relação à Zona Especial Turística (ZET2). Segundo ele, a própria legislação não permite construções civis na Via Costeira, com obras que ultrapassem o nível do meio fio da pista. “Cadê a lei? Essa obra não condiz com o que está firmado no Plano Diretor. Não faz qualquer sentido esse muro erguido acima do nível permitido”, disse Heitor.

Quem garante também a irregularidade é o presidente da Associação Potiguar “Amigos da Natureza”, Francisco Iglesias, que questiona a legalidade da obra e adverte para a construção de novos muros. “Se um hotel faz isso, depois outros irão copiar a mesma idéia, pois não estão nem aí para o impacto que estão provocando”, alertou.

De acordo com Iglesias, o grupo de ambientalistas já enviou ofício à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), cobrando explicações sobre a suposta autorização para a execução da obra, e solicitando, paralelo a isso, o imediato embargo.

Na Via Costeira existem 13 acessos livres aos cerca de 10 quilômetros de praia, mas para a presidente da Associação dos Conjuntos Ponta Negra e Alagamar (AMPA), Vera Almeida, falta urbanização no local, que garanta a mínima estrutura à banhistas e turistas. “Como se isso não bastasse, ainda querem nos privar de contemplar um dos mais belos visuais do mundo, que serve como verdadeiro cartão-postal. Não concordamos, portanto, com a privatização feita pelos hoteleiros do nosso patrimônio”, observou Vera.

A paisagem também foi defendida pelo economista Rodrigo Câmara, que trafegava pela Via Costeira e resolver aderir ao movimento. “Moro em Ponta Negra e passo por aqui todos os dias, quando vou trabalhar. Se a Prefeitura permitir esse muro eu tenho certeza que haverá um grande protesto na cidade. Ninguém está de acordo com isso, a não ser por motivos financeiros”, criticou.

Diante disso, os manifestantes resolveram, também, fazer um abaixo-assinado com assinaturas que qualquer cidadão que não concorde com obras que tirem a visão do mar, em toda a extensão da Via Costeira. No documento, que será entregue às autoridades, o grupo pede a demolição imediata do muro.