.: Matéria publicada no Correio da Tarde (sábado, 23)

É errado, mas está permitido

Karla Larissa – Repórter
Foto: montagem Blog SOS Ponta Negra sobre imagem de Alex Fernandes

Prédios escondem a visão do cartão postal. População protesta

As belezas naturais, praias, o clima e a atmosfera de cidade pequena com o povo acolhedor fizeram de Natal um dos maiores destinos turísticos do País. A fama ganhou o mundo e a capital vivencia uma verdadeira “invasão” estrangeira. Ponta Negra é o mais expressivo retrato disso. Apesar de aspectos positivos, como a geração de empregos e renda, tem marcas negativas sociais, com o crescimento da criminalidade, drogas e prostituição.

Dessa vez, o alvo é a Vila, em uma área vizinha ao Morro do Careca, onde serão construídos cinco prédios com cerca de 14 andares cada, algo que será possível apenas porque a nova legislação, que poderia proibir a ação, só deve entrar em vigor no final do ano. “Peguei uma revista dessas de imóveis para folhear, quando me deparei com um anúncio de um grande prédio ao lado do Morro do Careca”, conta o jornalista Yuno Silva.

Ao descobrir que a obra foi autorizada pela Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), por estar condizente com a legislação atual, Yuno resolveu lutar pela causa criando o Blog SOS Ponta Negra, onde constam as informações sobre as construções. Para ele, isso é “um tiro no pé do turismo”. “Vai tirar a imagem de uma praia paradisíaca, além de ser voltado para os estrangeiros, que terão uma segunda casa, ao invés de se hospedarem em hotéis”, avalia.

O diretor da Bezerra Imóveis, uma das imobiliárias que está com empreendimentos no local, Vladimir Bezerra, explica que o Residencial Sinai – prédio que fica mais próximo do Morro – ainda está passando por aprovação, mas o Solares, mais distante, já está com as obras e vendas iniciadas. “O plano diretor, que é o instrumento máximo que define essas regras, com muito cuidado, principalmente em Ponta Negra, está sendo respeitado”, explica. Ele acrescenta que a área não é definida nem como Zona de Proteção Ambiental (ZPA), nem como Zona Especial Turística (ZET) e por isso não trará prejuízos.

Porém, segundo o assessor técnico da Semurb, Edílson Bezerra, construções desse tipo e nesta área não serão autorizadas pelo novo Plano Diretor. De acordo com ele, a autorização foi dada, mesmo estando próximo das mudanças, porque as liberações de obras são baseadas na legislação atual. “Os empreendimentos estão na chamada Zona Adensável, que com as novas normas não serão mais possíveis”, esclarece, mas justifica que eles não podem ir de encontro à lei.

Para Yuno, dar essa liberação, sabendo que daqui a pouco tempo não seria permitido, é um absurdo. De acordo com o representante da Semurb “O público alvo serão os estrangeiros que desejam ter uma segunda casa”. O secretário de Turismo de Natal, Fernando Bezerril, diz que estimular uma segunda residência para os estrangeiros é preocupante.

“Natal já tem 25 mil leitos e o dobro está em construção. Eu vejo os hoteleiros preocupados. Acredito que é preciso repensar sobre o assunto”, opina. Sobre a cobertura do Morro pelos edifícios, ele vai torcer para não dar certo. “É meio que irresponsável autorizar uma coisa que daqui a pouco vai ser proibida. Como secretário, procuraria uma solução no jurídico. Como natalense, penso no amanhã dos meus filhos e netos”.

Os moradores da Vila têm opinião unânime sobre as mudanças causadas com a presença do estrangeiro e das novas obras. Jailde Melo, moradora há 40 anos, conta que com a vinda dos turistas surgiram problemas como aumento da criminalidade, drogas e prostituição. “Até um prédio histórico, o Patrionato, que hospedou os americanos na 2ª Guerra mundial foi derrubado para se construir hotéis. A Vila esta se acabando”, lamenta. Já Etelvina Barbosa, moradora há 21 anos, declara: “Vai ter mais crescimento, mas a estrutura não acompanha. Teremos problemas de saneamento, por exemplo”, teme.

O SOS Ponta Negra vai realizar neste domingo o ato de protesto “Eu não sou palhaço”, distribuindo panfletos nos coletivos.

Opinião do Povo

Etelvina Barbosa
Moradora há 21 anos
Vai acabar com a imagem da Vila. O crescimento chega, mas a estrutura não acompanha.

Estevam Pascoal
Morador há 31 anos
Vai adiantar por uma parte e atrasar por outra. A segurança vai ser pior e vamos perder também a brisa.

Janilde Melo
Moradora há 40 anos
A Vila está acabando com a chegada dos estrangeiros. Vinheram os lucros, mas também problemas, com criminalidade, drogas e prostituição.

José Lúcio Santos
Morador há 30 anos
Os assassinatos também cresceram por causa do tráfico de drogas, foram onze, desde dezembro. Os prédios estão espremendo os nativos. Não vamos conseguir ver mais o Morro do Careca.

Matéria publicada no Correio da Tarde (sábado, 23)

É errado, mas está permitido

Karla Larissa – Repórter
Foto: montagem Blog SOS Ponta Negra sobre imagem de Alex Fernandes

Prédios escondem a visão do cartão postal. População protesta

As belezas naturais, praias, o clima e a atmosfera de cidade pequena com o povo acolhedor fizeram de Natal um dos maiores destinos turísticos do País. A fama ganhou o mundo e a capital vivencia uma verdadeira “invasão” estrangeira. Ponta Negra é o mais expressivo retrato disso. Apesar de aspectos positivos, como a geração de empregos e renda, tem marcas negativas sociais, com o crescimento da criminalidade, drogas e prostituição.

Dessa vez, o alvo é a Vila, em uma área vizinha ao Morro do Careca, onde serão construídos cinco prédios com cerca de 14 andares cada, algo que será possível apenas porque a nova legislação, que poderia proibir a ação, só deve entrar em vigor no final do ano. “Peguei uma revista dessas de imóveis para folhear, quando me deparei com um anúncio de um grande prédio ao lado do Morro do Careca”, conta o jornalista Yuno Silva.

Ao descobrir que a obra foi autorizada pela Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), por estar condizente com a legislação atual, Yuno resolveu lutar pela causa criando o Blog SOS Ponta Negra, onde constam as informações sobre as construções. Para ele, isso é “um tiro no pé do turismo”. “Vai tirar a imagem de uma praia paradisíaca, além de ser voltado para os estrangeiros, que terão uma segunda casa, ao invés de se hospedarem em hotéis”, avalia.

O diretor da Bezerra Imóveis, uma das imobiliárias que está com empreendimentos no local, Vladimir Bezerra, explica que o Residencial Sinai – prédio que fica mais próximo do Morro – ainda está passando por aprovação, mas o Solares, mais distante, já está com as obras e vendas iniciadas. “O plano diretor, que é o instrumento máximo que define essas regras, com muito cuidado, principalmente em Ponta Negra, está sendo respeitado”, explica. Ele acrescenta que a área não é definida nem como Zona de Proteção Ambiental (ZPA), nem como Zona Especial Turística (ZET) e por isso não trará prejuízos.

Porém, segundo o assessor técnico da Semurb, Edílson Bezerra, construções desse tipo e nesta área não serão autorizadas pelo novo Plano Diretor. De acordo com ele, a autorização foi dada, mesmo estando próximo das mudanças, porque as liberações de obras são baseadas na legislação atual. “Os empreendimentos estão na chamada Zona Adensável, que com as novas normas não serão mais possíveis”, esclarece, mas justifica que eles não podem ir de encontro à lei.

Para Yuno, dar essa liberação, sabendo que daqui a pouco tempo não seria permitido, é um absurdo. De acordo com o representante da Semurb “O público alvo serão os estrangeiros que desejam ter uma segunda casa”. O secretário de Turismo de Natal, Fernando Bezerril, diz que estimular uma segunda residência para os estrangeiros é preocupante.

“Natal já tem 25 mil leitos e o dobro está em construção. Eu vejo os hoteleiros preocupados. Acredito que é preciso repensar sobre o assunto”, opina. Sobre a cobertura do Morro pelos edifícios, ele vai torcer para não dar certo. “É meio que irresponsável autorizar uma coisa que daqui a pouco vai ser proibida. Como secretário, procuraria uma solução no jurídico. Como natalense, penso no amanhã dos meus filhos e netos”.

Os moradores da Vila têm opinião unânime sobre as mudanças causadas com a presença do estrangeiro e das novas obras. Jailde Melo, moradora há 40 anos, conta que com a vinda dos turistas surgiram problemas como aumento da criminalidade, drogas e prostituição. “Até um prédio histórico, o Patrionato, que hospedou os americanos na 2ª Guerra mundial foi derrubado para se construir hotéis. A Vila esta se acabando”, lamenta. Já Etelvina Barbosa, moradora há 21 anos, declara: “Vai ter mais crescimento, mas a estrutura não acompanha. Teremos problemas de saneamento, por exemplo”, teme.

O SOS Ponta Negra vai realizar neste domingo o ato de protesto “Eu não sou palhaço”, distribuindo panfletos nos coletivos.

Opinião do Povo

Etelvina Barbosa
Moradora há 21 anos
Vai acabar com a imagem da Vila. O crescimento chega, mas a estrutura não acompanha.

Estevam Pascoal
Morador há 31 anos
Vai adiantar por uma parte e atrasar por outra. A segurança vai ser pior e vamos perder também a brisa.

Janilde Melo
Moradora há 40 anos
A Vila está acabando com a chegada dos estrangeiros. Vinheram os lucros, mas também problemas, com criminalidade, drogas e prostituição.

José Lúcio Santos
Morador há 30 anos
Os assassinatos também cresceram por causa do tráfico de drogas, foram onze, desde dezembro. Os prédios estão espremendo os nativos. Não vamos conseguir ver mais o Morro do Careca.

.: Cadê o PARAÍSO?? [projeção 2015]


Se o negócio deslanchar ninguém vai segurar mais!
O tiro no pé que Natal poderá dar no turismo vai infeccionar, e feio!!!
Lembrando que a faixa amarela representa o limite determinado pela Prefeitura: pra trás pode construir prédios de até 15 andares, pra frente… quem sabe onde vai parar!?

Como dizem: QUEM AMIGA AVISO É!!!!!
Não estou aqui de brincadeira, o lance é muito sério.

Leia atentamente todo o BLOG, tudo o que foi postado aqui está legalmente registrado na Prefeitura de Natal, então não é nenhuma novidade. Não é spam, não é corrente, não é hoax, não é piada, não tem links suspeitos, não estou contra imobiliárias nem construtoras, não estou contra empreiteiros nem turistas estrangeiros, também não quero mal aos corretores de imóveis nem aos donos de terrenos.

Sou a favor de um única coisa: nossa paisagem máxima: a praia de Ponta Negra com o Morro do Careca. É nosso simbolo maior, nosso orgulho, nosso cartão postal.

Nós moradores, os maiores interessados, fomos (eu pelo menos) os últimos a saber (vi o anúncio do prédio em uma revista local, no início de setembro) que, potencialmente, NADA está protegido pelo Plano Diretor da Cidade.

Porque ninguém divulga coisas do tipo: “se o tal Plano Piloto for aprovado assim ou assado a cidade pode crescer até aqui e tal”. Porque não há um debate franco sobre o assunto. Porque a grana não pode ceder pelo menos uma vez. Não houve isso, tudo foi feito na surdina, tudo carimbado, avaliado e rorulado por uma Lei ineficiente que não saber proteger o maior bem que a cidade possui: sua NATUREZA.

Empresários construtores, sejam vistos heróis com a sábia decisão de recuar. Construam prédios melhores com menos apartamentos, de alto luxo, em vez de ‘kitnets’ de um quarto e 50 metros quadrados de área útil. Uma aberração. Nos salvem com o bom senso de vocês.

Não nos façam sentir vergonha da cidade pelo resto de nossas vidas quando olharmos Ponta Negra ao longe. Que as pessoas que estão lendo essas linhas comprovem as informações e se mobilizem antes do início do fim. Agradeço de coração e a sorte está lançada.

Montagem ilustrativa sobre foto de Alex Fernandes

Cadê o PARAÍSO?? [projeção 2015]


Se o negócio deslanchar ninguém vai segurar mais!
O tiro no pé que Natal poderá dar no turismo vai infeccionar, e feio!!!
Lembrando que a faixa amarela representa o limite determinado pela Prefeitura: pra trás pode construir prédios de até 15 andares, pra frente… quem sabe onde vai parar!?

Como dizem: QUEM AMIGA AVISO É!!!!!
Não estou aqui de brincadeira, o lance é muito sério.

Leia atentamente todo o BLOG, tudo o que foi postado aqui está legalmente registrado na Prefeitura de Natal, então não é nenhuma novidade. Não é spam, não é corrente, não é hoax, não é piada, não tem links suspeitos, não estou contra imobiliárias nem construtoras, não estou contra empreiteiros nem turistas estrangeiros, também não quero mal aos corretores de imóveis nem aos donos de terrenos.

Sou a favor de um única coisa: nossa paisagem máxima: a praia de Ponta Negra com o Morro do Careca. É nosso simbolo maior, nosso orgulho, nosso cartão postal.

Nós moradores, os maiores interessados, fomos (eu pelo menos) os últimos a saber (vi o anúncio do prédio em uma revista local, no início de setembro) que, potencialmente, NADA está protegido pelo Plano Diretor da Cidade.

Porque ninguém divulga coisas do tipo: “se o tal Plano Piloto for aprovado assim ou assado a cidade pode crescer até aqui e tal”. Porque não há um debate franco sobre o assunto. Porque a grana não pode ceder pelo menos uma vez. Não houve isso, tudo foi feito na surdina, tudo carimbado, avaliado e rorulado por uma Lei ineficiente que não saber proteger o maior bem que a cidade possui: sua NATUREZA.

Empresários construtores, sejam vistos heróis com a sábia decisão de recuar. Construam prédios melhores com menos apartamentos, de alto luxo, em vez de ‘kitnets’ de um quarto e 50 metros quadrados de área útil. Uma aberração. Nos salvem com o bom senso de vocês.

Não nos façam sentir vergonha da cidade pelo resto de nossas vidas quando olharmos Ponta Negra ao longe. Que as pessoas que estão lendo essas linhas comprovem as informações e se mobilizem antes do início do fim. Agradeço de coração e a sorte está lançada.

Montagem ilustrativa sobre foto de Alex Fernandes

.: Montagem 01 [2008] – projeção

Esses dois aí são só o começo se ficarmos de braços cruzados.

Se não tem jeito, se o empresário já vendeu tudo e não tem com voltar atrás (pois acredito que ele tenha ficado triste com essa projeção do futuro tanto quanto nós), se a construtura vai mesmo levantar pilares desse tamanho, então que uma ação social da mesma magnitude (maior de preferência!) seja posta em prática no bairro com recursos próprios – pelo menos é uma contra-partida mínima diante do desserviço.

Não dá para desfigar um lugar desses sem propor uma compensação social.

Montagem 01 [2008]


Esses dois aí são só o começo se ficarmos de braços cruzados.

Se não tem jeito, se o empresário já vendeu tudo e não tem com voltar atrás (pois acredito que ele tenha ficado triste com essa projeção do futuro tanto quanto nós), se a construtura vai mesmo levantar pilares desse tamanho, então que uma ação social da mesma magnitude (maior de preferência!) seja posta em prática no bairro com recursos próprios – pelo menos é uma contra-partida mínima diante do desserviço.

Não dá para desfigar um lugar desses sem propor uma compensação social.

Outro detalhe anúncio 2.2


O ponto vermelho mostra onde vai ficar um dos prédios.
A vista será maravilhosa, mas para bem poucos.

Então que se construa um super-condomínio com padrão A+++ de 5 andares, e que se lucre o mesmo tanto.

Vale salientar que a partir do dia 1º de outubro, o tamanho dos novos prédios não poderão ultrapassar 60 metros (cerca de 15 andares). O fato gerou um mutirão daqueles que ainda tinham terreno na área e não queriam ‘perder’ nem um ‘tiquinho’ da nota preta do valor de um terreno desse. Um disparate!

.: Outro detalhe anúncio 2.2

O ponto vermelho mostra onde vai ficar um dos prédios.
A vista será maravilhosa, mas para bem poucos.

Então que se construa um super-condomínio com padrão A+++ de 5 andares, e que se lucre o mesmo tanto.

Vale salientar que a partir do dia 1º de outubro, o tamanho dos novos prédios não poderão ultrapassar 60 metros (cerca de 15 andares). O fato gerou um mutirão daqueles que ainda tinham terreno na área e não queriam ‘perder’ nem um ‘tiquinho’ da nota preta do valor de um terreno desse. Um disparate!

Detalhe anúncio 2


Anúncio real publicado por uma imobiliária de Natal.
Caro empresário, pense no futuro antes de não ter mais volta. Ainda dá tempo de não construir.

Como disse antes: não importa o nome da construtora ou imobiliária, a luta é pela preservação do visual da praia.

.: Detalhe anúncio 2

Anúncio real publicado por uma imobiliária de Natal.
Caro empresário, pense no futuro antes de não ter mais volta. Ainda dá tempo de não construir.

Como disse antes: não importa o nome da construtora ou imobiliária, a luta é pela preservação do visual da praia.