Diário de Natal – 27/03/08 :: CONSTRUTORES ESTÃO ALIVIADOS || SÓ SE FOR COM A CONTINUIDADE DOS LUCROS$$$!!!

Repórter: Viktor Vidal
Foto: Fábio Cortez/DN

Waldemir Bezerra comemorou a decisão do Conplan de liberar as licenças

O setor da construção civil recebeu com alívio a aprovação pelo Conselho Municipal de Planejamento Urbano e Meio Ambiente (Conplan) da resolução que libera a Prefeitura de Natal a expedir o alvará de construção a cerca de 139 empreendimentos em Ponta Negra paralisados em função da falta de esgotamento sanitário do bairro.

A paralisação das obras, que já dura cerca de oito meses, trouxe uma série de prejuízos aos empreendedores. ‘‘Foi muito justa essa decisão do Conplan, pois as empresas planejaram, gastaram com projeto e não puderam construir por inoperância do poder público’’, avaliou o diretor do sindicato das empresas de construção civil (Sinduscon), Luiz Carlos Cavalcanti.

Na decisão do Conplan, a Prefeitura poderá expedir os alvarás a partir da conclusão de uma obra emergencial da Companhia de Águas e Esgotos do Estado (Caern) que está ampliando a rede de esgotos do bairro. A previsão é que o serviço seja concluído no dia 15 de abril. De acordo com a resolução, a obra vai atender pelo menos mais 2.500 unidades habitacionais.

>>> Como se o problema em Ponta Negra fosse só o saneamento básico!! Antes de tais construções, o bairro precisa de muita mais infra-estrutura para não comprometer a qualidade de vida de seus moradores [e dos futuros moradores também!]. As investidas contra a brisa, a paisagem e a tranqüilidade continuam… Vamos ficar atentos.

Segundo Luiz Carlos Cavalcanti, o maior problema das construtoras foi não poder retornar o capital investido nas obras. ‘‘Esse prejuízo foi muito grande e difícil de quantificar’’. Ele reforçou o interesse do setor em firmar uma parceria público-privada para solucionar os problemas do sistema de esgotamento sanitário de Ponta Negra.

O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), Waldemir Bezerra, comemorou a decisão, mas também fez algumas ressalvas quanto aos prejuízos. ‘‘Ficar parado é correr riscos. Já perdemos investidores e podemos perder mais’’, disse. ‘‘Foi uma boa notícia, apesar de atrasada. Mas antes tarde do que nunca’’, acrescentou.

Outro prejuízo apontado por Bezerra diz respeito à geração de empregos. Levando em conta a contratação de 100 operários por obra, ele calcula que em 100 empreendimentos deixaram de ser gerados 10 mil empregos diretos. A paralisação atingiu ao todo cerca de 139 obras.

O outro lado

A reportagem tentou repercutir a aprovação da resolução com a promotora Gilka da Mata, na manhã de ontem, mas ela não atendeu aos chamados do telefone celular. A assessoria de comunicação do Ministério Público informou que também não conseguiu contato com a promotora.

SAIBA MAIS

A suspensão de alvarás ocorreu depois de uma recomendação do Ministério Público em julho de 2007. A promotora Gilka da Mata sugeriu que a companhia deveria priorizar, em regime de urgência, as obras necessárias à solução dos picos de saturação do sistema para evitar a continuidade de ‘‘extravasamentos detectados’’.

# Diário de Natal – 26/3 :: Conplam libera obras em Ponta Negra

Diário de Natal – 27/03/08 :: CONSTRUTORES ESTÃO ALIVIADOS || SÓ SE FOR COM A CONTINUIDADE DOS LUCROS$$$!!!

Repórter: Viktor Vidal
Foto: Fábio Cortez/DN

Waldemir Bezerra comemorou a decisão do Conplan de liberar as licenças

O setor da construção civil recebeu com alívio a aprovação pelo Conselho Municipal de Planejamento Urbano e Meio Ambiente (Conplan) da resolução que libera a Prefeitura de Natal a expedir o alvará de construção a cerca de 139 empreendimentos em Ponta Negra paralisados em função da falta de esgotamento sanitário do bairro.

A paralisação das obras, que já dura cerca de oito meses, trouxe uma série de prejuízos aos empreendedores. ‘‘Foi muito justa essa decisão do Conplan, pois as empresas planejaram, gastaram com projeto e não puderam construir por inoperância do poder público’’, avaliou o diretor do sindicato das empresas de construção civil (Sinduscon), Luiz Carlos Cavalcanti.

Na decisão do Conplan, a Prefeitura poderá expedir os alvarás a partir da conclusão de uma obra emergencial da Companhia de Águas e Esgotos do Estado (Caern) que está ampliando a rede de esgotos do bairro. A previsão é que o serviço seja concluído no dia 15 de abril. De acordo com a resolução, a obra vai atender pelo menos mais 2.500 unidades habitacionais.

>>> Como se o problema em Ponta Negra fosse só o saneamento básico!! Antes de tais construções, o bairro precisa de muita mais infra-estrutura para não comprometer a qualidade de vida de seus moradores [e dos futuros moradores também!]. As investidas contra a brisa, a paisagem e a tranqüilidade continuam… Vamos ficar atentos.

Segundo Luiz Carlos Cavalcanti, o maior problema das construtoras foi não poder retornar o capital investido nas obras. ‘‘Esse prejuízo foi muito grande e difícil de quantificar’’. Ele reforçou o interesse do setor em firmar uma parceria público-privada para solucionar os problemas do sistema de esgotamento sanitário de Ponta Negra.

O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), Waldemir Bezerra, comemorou a decisão, mas também fez algumas ressalvas quanto aos prejuízos. ‘‘Ficar parado é correr riscos. Já perdemos investidores e podemos perder mais’’, disse. ‘‘Foi uma boa notícia, apesar de atrasada. Mas antes tarde do que nunca’’, acrescentou.

Outro prejuízo apontado por Bezerra diz respeito à geração de empregos. Levando em conta a contratação de 100 operários por obra, ele calcula que em 100 empreendimentos deixaram de ser gerados 10 mil empregos diretos. A paralisação atingiu ao todo cerca de 139 obras.

O outro lado

A reportagem tentou repercutir a aprovação da resolução com a promotora Gilka da Mata, na manhã de ontem, mas ela não atendeu aos chamados do telefone celular. A assessoria de comunicação do Ministério Público informou que também não conseguiu contato com a promotora.

SAIBA MAIS

A suspensão de alvarás ocorreu depois de uma recomendação do Ministério Público em julho de 2007. A promotora Gilka da Mata sugeriu que a companhia deveria priorizar, em regime de urgência, as obras necessárias à solução dos picos de saturação do sistema para evitar a continuidade de ‘‘extravasamentos detectados’’.

# Diário de Natal – 26/3 :: Conplam libera obras em Ponta Negra

Nominuto – 04/03/08 :: SEMURB APONTA CONTRADIÇÕES DE EMPRESÁRIOS

Semurb vê contradição nas recentes declarações dos empresários da construção civil
Segundo titular da Semurb existem aproximadamente 500 processos em tramitação.


Reportagem e foto: Ana Paula Oliveira

Ana Míriam: “Nós temos critérios e, acima de tudo, responsabilidades”.

A secretária municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), Ana Míriam, vê uma contradição nas recentes declarações de empresários da construção civil, que reclamam prejuízos pela morosidade na liberação de alguns processos.

“Há uns 20 dias li uma reportagem na qual os empresários declaravam claramente que o setor imobiliário estava gerando muitos empregos e milhões de lucros”, informa.

Segundo a secretária, que também é presidente do Conselho Municipal de Planejamento Urbano e Meio Ambiente (Conplam), existem aproximadamente 500 processos em tramitação na Semurb. “Isso não significa dizer que eles estão parados”, comenta Míriam, rebatendo as notícias recentemente vinculadas nos meios de comunicação.

>> Comentário pertinente: É impressionante a gana pelo lucro rápido e fácil. Por todo o horizonte só o que vemos são guindastes erguendo prédios. Se por um lado há morosidade na análise dos processos, por outro há a necessidade de se averiguar todos os detalhes sem pressa. Querem continuar faturando em cima da cidade? Antes que tal respeitarmos os limites do bom senso!?

Ela explica que dentre esses processos existem os que estão efetivamente em análise e os que estão em diligências. “O processo de análise não é rápido. É preciso que ele seja muito bem analisado. Depois disso, emitimos um parecer e encaminhamos a expedição do documento”, declara.

Ela lembra que ainda existem os casos que precisam ser levados para a análise e aprovação do CONPLAM.

“Existem os trâmites legais. No Conselho, por exemplo, cada conselheiro analisa o processo e depois ele é submetido à votação. Podendo até um ou outro conselheiro pedir vistas ao processo e isso demorar ainda mais”, observa.

Ana Miram ressalta, no entanto, que é importante que a população saiba como se dá o processo de licenciamento. “O urbanístico, por exemplo, leva 30 dias úteis para uma possível aprovação. Já o ambiental leva em torna de 90 dias”, cita a secretária. Atualmente o processo é único, soma-se 120 dias para conclusão das análises. Se for para o Conplam, a demora é imprevisível.

No entanto, a secretária de Meio Ambiente e Urbanismo destaca que a secretaria está consciente do trabalho. “Nós temos critérios e, acima de tudo, responsabilidades. Não iremos liberar nenhum licenciamento sem uma prévia análise”, salienta.

Para a secretária, apesar dos processos em tramitação na Semurb, o “boom imobiliário” que a cidade está vivendo e as recentes mudanças no plano diretor estão causando uma demanda ainda maior, o que acaba ocasionado a morosidade na liberação dos processos.

ZPA 7

O Conselho Municipal de Planejamento Urbano e Meio Ambiente (Conplam) se reuniu na manhã desta terça-feira (4) para discutir sobre a Zona de Proteção Ambiental 7, que corresponde ao Forte dos Reis Magos e seu entorno.

Segundo a assessoria técnica da Semurb, a discussão gira em torno do uso e ocupação do solo na ZPA. “Todas as diretrizes do que poderá ser edificado na área serão discutidas e aprovadas ou não hoje”, diz Edílson Ribeiro, assessor técnico da Semurb.

Nominuto – 04/03/08 :: SEMURB APONTA CONTRADIÇÕES DE EMPRESÁRIOS

Semurb vê contradição nas recentes declarações dos empresários da construção civil
Segundo titular da Semurb existem aproximadamente 500 processos em tramitação.


Reportagem e foto: Ana Paula Oliveira

Ana Míriam: “Nós temos critérios e, acima de tudo, responsabilidades”.

A secretária municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), Ana Míriam, vê uma contradição nas recentes declarações de empresários da construção civil, que reclamam prejuízos pela morosidade na liberação de alguns processos.

“Há uns 20 dias li uma reportagem na qual os empresários declaravam claramente que o setor imobiliário estava gerando muitos empregos e milhões de lucros”, informa.

Segundo a secretária, que também é presidente do Conselho Municipal de Planejamento Urbano e Meio Ambiente (Conplam), existem aproximadamente 500 processos em tramitação na Semurb. “Isso não significa dizer que eles estão parados”, comenta Míriam, rebatendo as notícias recentemente vinculadas nos meios de comunicação.

>> Comentário pertinente: É impressionante a gana pelo lucro rápido e fácil. Por todo o horizonte só o que vemos são guindastes erguendo prédios. Se por um lado há morosidade na análise dos processos, por outro há a necessidade de se averiguar todos os detalhes sem pressa. Querem continuar faturando em cima da cidade? Antes que tal respeitarmos os limites do bom senso!?

Ela explica que dentre esses processos existem os que estão efetivamente em análise e os que estão em diligências. “O processo de análise não é rápido. É preciso que ele seja muito bem analisado. Depois disso, emitimos um parecer e encaminhamos a expedição do documento”, declara.

Ela lembra que ainda existem os casos que precisam ser levados para a análise e aprovação do CONPLAM.

“Existem os trâmites legais. No Conselho, por exemplo, cada conselheiro analisa o processo e depois ele é submetido à votação. Podendo até um ou outro conselheiro pedir vistas ao processo e isso demorar ainda mais”, observa.

Ana Miram ressalta, no entanto, que é importante que a população saiba como se dá o processo de licenciamento. “O urbanístico, por exemplo, leva 30 dias úteis para uma possível aprovação. Já o ambiental leva em torna de 90 dias”, cita a secretária. Atualmente o processo é único, soma-se 120 dias para conclusão das análises. Se for para o Conplam, a demora é imprevisível.

No entanto, a secretária de Meio Ambiente e Urbanismo destaca que a secretaria está consciente do trabalho. “Nós temos critérios e, acima de tudo, responsabilidades. Não iremos liberar nenhum licenciamento sem uma prévia análise”, salienta.

Para a secretária, apesar dos processos em tramitação na Semurb, o “boom imobiliário” que a cidade está vivendo e as recentes mudanças no plano diretor estão causando uma demanda ainda maior, o que acaba ocasionado a morosidade na liberação dos processos.

ZPA 7

O Conselho Municipal de Planejamento Urbano e Meio Ambiente (Conplam) se reuniu na manhã desta terça-feira (4) para discutir sobre a Zona de Proteção Ambiental 7, que corresponde ao Forte dos Reis Magos e seu entorno.

Segundo a assessoria técnica da Semurb, a discussão gira em torno do uso e ocupação do solo na ZPA. “Todas as diretrizes do que poderá ser edificado na área serão discutidas e aprovadas ou não hoje”, diz Edílson Ribeiro, assessor técnico da Semurb.

Matéria DN 20/5 :: Câmara barra nova ordem na Costeira

Câmara barra nova ordem na Costeira

A Prefeitura quer se valer do novo Plano Diretor de Natal (PDN) para impedir que novas construções na Via Costeira sejam erguidas acima do nível da pista. Apelidada na Câmara Municipal de ‘‘projeto-tatu’’, a proposta foi rejeitada ontem na Comissão de Justiça, Planejamento Urbano e Finanças, que analisa as alterações do texto original do PDN. O vereador Emilson Medeiros vai entrar hoje com uma nova emenda pedindo que o artigo seja suprimido do plano.

Atualmente, a lei municipal nº 4547, que trata da Via Costeira – Zona Especial Turística (ZET-2) – libera construções até 15 metros acima do nível da via. A Prefeitura havia incluído a proposta de limitar os gabaritos através do artigo 21 do texto original do PDN, mas ontem apresentou uma emenda substitutiva porque havia algumas incorreções no texto descrito no documento. A emenda foi rejeitada por unanimidade pelos vereadores da comissão.

Uma observação descrita na própria emenda enviada pela Prefeitura, apresentada pelo líder do prefeito na Câmara, Aluízio Machado, diz que a questão do gabarito na Via Costeira não foi tratada na Conferência do PDN nem no Conselho Municipal de Planejamento Ambiental e Urbano (Complan), tendo a Administração Municipal incluído o artigo depois das discussões. A justificativa foi que o PDN protege a visão pasagístiva da Via Costeira.

Para Emilson Medeiros, além de ter sido incluída de última hora no texto da revisão do plano, a proposta abre espaço para uma concorrência desleal na Via Costeira, uma vez que na área existem seis terrenos com permissão para erguer prédios. ‘‘Quem for construir nesses terrenos será prejudicado porque todas as construções atuais da Via Costeira ultrapassam o nível do meio-fio’’, observou o vereador, acrescentando a rejeição foi ‘‘unânime’’ nas comissões.

A intenção de suprimir o projeto do texto do PDN, disse Medeiros, será necessária para preservar a lei municipal que trata sobre o tema. ‘‘Se a Prefeitura quer mudar a lei atual, que discuta o tema no plenário da Câmara Municipal’’, afirmou ele. A emenda apresentada pela Prefeitura propõe que a limitação dos gabaritos na Via Costeira permaneça até que seja revista a lei municipal nº 4547, de 30 de junho de 1994.

Emilson Medeiros acrescentou que a proposta de suprimir o artigo do PDN não vai beneficiar o Hotel da BRA, obra embargada na Via Costeira, justamente porque o prédio não obedece a atual legislação, ultrapassando a altura permitida de 15 metros acima do meio-fio. O vereador acredita que vai conseguir retirar o artigo do PDN porque percebeu que a proposta não agradou a maioria dos colegas na Câmara.

REJEIÇÃO

Além da emenda que trata do artigo 21 do PDN, outras quatro das 10 propostas apresentadas pela Prefeitura foram rejeitadas pela comissão que analisa as alterações da revisão. Todas elas, no entanto, se referem a correções de texto ou datas que foram redigidos errados no documento ou então que têm o mesmo conteúdo de outras emendas apresentadas.

Matéria TN 4/4 – Plano Diretor: Emendas serão votadas em 10 dias

Plano Diretor: Emendas serão votadas em 10 dias

Repórteres: Anna Ruth Dantas e Jacson Damasceno
Foto: Divulgação

PLANO DIRETOR – Emilson Medeiros, presidente da Comissão de Justiça destaca que integrantes do Complan serão convidados para o debate

Antes da segunda e decisiva votação do Plano Diretor de Natal a Câmara Municipal ainda promoverá três audiências públicas. Na próxima semana, o legislativo da capital potiguar promoverá discussões sobre o projeto com o Conselho Municipal de Saneamento Básico. O debate está marcado para quarta-feira.

Depois, outra audiência contará com a representantes do Conselho Municipal de Planejamento (Complan) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo. “Como disseram que não houve uma discussão de Semurb e Complan juntos e, inclusive, o projeto que chegou não foi o aprovado pelo Complan, nós vamos fazer essa audiência com os dois órgãos”, explicou o vereador Emilson Medeiros, presidente da Comissão de Justiça da Câmara.

A terceira audiência pública acontecerá com todos os órgãos e entidades envolvidas com o Plano Diretor. Esse debate ainda não tem data marcada. “Nós entendemos que o projeto do Plano Diretor é sério e muito importante para a cidade. Não temos pressa. Sabemos que o projeto será bom para Natal”, comentou o presidente da Câmara, vereador Dickson Nasser.

Ele destacou ainda que, embora as emendas ainda não tenham sido apresentadas, há alguns pontos pacíficos entre os vereadores: os bairros de Ponta Negra e Mãe Luíza terão atenção especial dos legisladores. “Esses nós não vamos permitir mexer”, destacou Dickson Nasser.

Com as três audiências públicas que serão promovidas pela Câmara, a segunda e decisiva votação do Plano Diretor deverá acontecer no início da segunda quinzena do mês de abril. Os trabalhos do Plano Diretor estão sendo organizados pelo presidente da Comissão de Justiça, vereador Emilson Medeiros. É ele que está fazendo as vezes de “relator”, embora pelo regimento não seja necessário relator nessa fase da votação.

Emilson Medeiros explicou que as emendas dos vereadores deverão ser entregues até a próxima quarta-feira. A partir daí elas farão a tramitação nas comissões de Justiça, Planejamento Urbano e Finanças. As emendas ao projeto original do Plano Diretor poderão ser apresentadas pelos vereadores ou por uma iniciativa popular. Nesse último caso é necessário um projeto com assinatura de 3% do eleitorado, o que indica um abaixo assinado com 12 mil pessoas.

Alguns vereadores já fecharam com o projeto original enviado pela Prefeitura de Natal. “Vamos votar favorável ao projeto enviado pela prefeitura. Esse foi um projeto muito discutido com a sociedade, na Conferência das Cidades”, comentou o vereador Fernando Lucena. Hoje pela manhã, o presidente da Câmara, Dickson Nasser, fará uma reunião com todos os vereadores. “Em se tratando do Plano Diretor há um consenso entre todos os vereadores. O que vamos conversar hoje é informar sobre essas audiências e as novas deliberações”, destacou Dickson Nasser.

Construções limitadas a 30 andares

O novo Plano Diretor de Natal deve reparar equívocos do passado. A revisão de 1994 foi um divisor de águas, à medida em que foi marcada por importantes restrições nas áreas de características especiais, como as Zonas de Proteção Ambiental, mas que por outro lado, foi permissiva no que diz respeito ao resto da cidade. Um dos principais critérios a serem corrigidos, trata do estabelecimento de um gabarito para toda a extensão de terra considerada “adensável”. Em 1984, foi estabelecido que um prédio na capital não poderia ultrapassar o gabarito de 65m, o equivalente a 22 andares. Mas dez anos depois, o PDN passou por uma modificação, acabando com essa restrição. Portanto, com exceção de “áreas de controle de gabarito”, não há limites para altura de construções na capital.

Segundo a chefe do Departamento Urbanístico e Ambiental da Secretaria de Meio-Ambiente e Urbanismo (Semurb), Florésia Pessoa, na época da última revisão, os prédios de Natal tinham um gabarito médio de vinte pavimentos. “Os estudos e estimativas foram feitos, mas ninguém imaginava que a cidade fosse crescer numa velocidade tão espantosa”, explicou.

Já na revisão iniciada em 2005, e que deve finalmente se desfechar ainda este mês, um dos pontos observados em primeiro lugar foi o estabelecimento de um gabarito de 90m – aproximadamente trinta pavimentos – para as áreas que não tinham regulamentação. “Agora vemos que está na hora de recuar. Apesar de ainda achar que é uma regra branda”, informou Florésia Pessoa.

Outra modificação é a anulação da área adensável em Ponta Negra, que também não tinha limites. A regra se refere à margem da avenida Eng. Roberto Freire, oposta à área non aedificandi. Pelo que propõe o novo PDN, os espigões ali erguidos à margem da pista e que têm mais de 90m de gabarito, deverão ser os últimos. Em contrapartida, prédios com até 65m – 22 pavimentos – serão permitidos. Segundo Florésia, não houve proibição para isso também porque a comunidade não se manifestou. “Na época das discussões só houve uma proposta, que foi derrubada, por ter sido considerada muito radical”.

Outras medidas tomadas acabarão alterando os gabaritos de áreas específicas. A criação da Área Especial de Interesse Social na Vila de Ponta Negra é um exemplo, onde regras duras deverão ser criadas. A Zona de Interesse Turístico da praia, onde também há limitações, vai aumentar, chegando até a Vila. Será criada ainda outra área especial, na avenida João Medeiros Filho, em frente ao Carrefour.

“População demonstra que está preocupada”

Muita gente está incomodada. Boa parte da população não está nada, nada satisfeita com os gigantes de concreto que estão sendo erguidos na capital. Segundo o professor de Arquitetura da UFRN, Paulo Nóbrega, – que participou de toda a discussão como delegado da universidade – o que há de modificação no PDN sobre os gabaritos, é por causa da população.

“A população começou a se assustar com os prédios que estão aparecendo com 30, 40 andares”, disse o professor. Segundo Paulo, em uma das discussões entre os delegados, chegou a haver um comunicado informal de que os grandes prédios estavam atrapalhando a cobertura do tráfico aéreo na região. A informação teria sido dada por um técnico da Aeronáutica.

“É muito sintomático essa questão da população se manifestar. Realmente assusta a magnitude desses edifícios, muitas vezes em ruas estreitas. A gente não entende a necessidade desses edifícios numa cidade como Natal”, argumentou o professor. Para o professor, a cidade cresceu uma forma muito rápida, o que fez com que a população reclamasse nas reuinões do Plano Diretor de Natal.

Algumas propostas surgidas da população foram consideradas radicais e não foram parovadas na Conferência da Cidade. Um mililtar reformado pleiteou, por exemplo, que toda a área de Ponta Negra e Capim Macio fosse controlada e o gabarito não passasse de dois pavimentos. O objetivo do cidadão era proteger o corredor de ventilação. Porém, o militar foi voto vencido nas reuniões.

Corretor questiona critérios para definição dos limites

O corretor de imóveis Ricardo Abreu não vê a mudança nos padrões de gabaritos para Natal com grandes preocupações. Segundo ele, o que for decidido é lei e, portanto, deve ser cumprido. O que ele questiona são os meios pelos quais os novos parâmetros foram definidos: “Gostaria muito de saber como chegaram àqueles denominadores. Só isso. Não sei de onde saíram tais critérios”.

Ricardo se refere principalmente ao índice de aproveitamento dos terrenos na capital – em áreas tidas como comuns -, que deve mudar de 1,8% para 1,2%. O índice é o número que se multiplica pela área do terreno, chegando ao total do que se pode construir ali. O corretor não entende como se pode limitar a fração a 1,2%, objetivando fatores de infra-estrutura, em uma cidade que, em tese, estaria em franco desenvolvimento.

“A governadora acaba de anunciar o maior investimento na área de saneamento, no Estado e na capital, vemos o prefeito mostrar tantas obras nas propagandas – e acompanhamos a gestão dele, e exatamente por isso não entendemos porque esses limites para as construções”, explicou Ricardo Abreu.

Para ele, o estabelecimento do gabarito em 90m para quase toda a cidade, com exceção das zonas especiais não é problema. Ricardo explica que outros instrumentos acabam sendo mais importantes para uma rigorosidade, ficando o gabarito em função deles.

Bate-papo

Fernando José de Medeiros Costa – Chefe do Departamento de Arquitetura da UFRN

Fernando José de Medeiros Costa, chefe do departamento de Arquitetura da UFRN, é autor de uma tese de mestrado sobre a relação do recuo das construções e a ventilação do meio urbano. Neste entrevista, ele explica a importância do controle do gabarito.

Quais os critérios seguidos para se definir o gabarito?

Na verdade, cada área de um município vai ter um gabarito de acordo com suas necessidades. Os principais aspectos observados são o valor cênico paisagístico, como no caso de Ponta Negra, alguma fragilidade do subsolo ou do meio ambiente da região, além de fatores relativos a questões de infra-estrutura, como o sistema viário e saneamento. Nesse último caso, o gabarito é definido em função de outros parâmetros como a densidade demográfica da área.

Alguns profissionais falam da importância de restrições em Ponta Negra, por ali ser um corredor de vento para a cidade. Isso procede?

De fato, o vento, a grosso modo vem naquela direção, que é a direção sudeste. Realmente na hora que você constrói uma parede de edifícios, você vai ter um rebatimento para o conjunto, com influência muito grande. Por isso, a importância de se ter recuos grandes e alturas variantes nos edifícios.

Qual a importância de se ter alturas variantes?

Mesma altura é ruim para prédios altos ou baixos, porque o piso da ventilação passa a ser o teto dos edifícios e não teremos vento no nível da rua.

E qual é a situação de Ponta Negra hoje em dia?

Se você olhar agora, nesse momento, com aqueles grandes edifícios que tem lá, a coisa ainda não é tão drástica. Por que uma edificação ou outra, aumento a velocidade do ar no nível do solo. Mas se você tiver um número excessivo de prédios, isso pára de existir.

Saiba mais

1) Gabarito é o termo técnico utilizado para definir a altura de qualquer edificação. A medida é dada em metros ou em pavimentos.

2) Em 1984, o Plano Diretor de Natal definiu que o gabarito máximo para o município em geral seria de 65 metros, o equivalente a um edifício de 22 andares.

3) O principal ponto levado em conta para o limite estabelecido em 1984 foi a segurança das construções na cidade, no que diz respeito a aspectos como prevenção de incêndios, por exemplo.

4) Na revisão de 1994, foi extinto o gabarito máximo para toda a cidade. A exceção ficou para zonas especiais, como de interesse turístico, histórico, social ou ambiental.

5) Nesta revisão que está em debate na Câmara Municipal, o novo Plano Diretor volta atrás e passa a prever um gabarito máximo de 90 metros, o equivalente a um prédio de 30 andares, para as áreas que não tinham limites.

6) As medidas de recuo – espaço entre a edificação e os limites do terreno – também deverão ficar mais rigorosas. Com isso, a distância entre os prédios de Natal deve aumentar.

Matéria TN 4/4 – Plano Diretor: Emendas serão votadas em 10 dias

Plano Diretor: Emendas serão votadas em 10 dias

Repórteres: Anna Ruth Dantas e Jacson Damasceno
Foto: Divulgação

PLANO DIRETOR – Emilson Medeiros, presidente da Comissão de Justiça destaca que integrantes do Complan serão convidados para o debate

Antes da segunda e decisiva votação do Plano Diretor de Natal a Câmara Municipal ainda promoverá três audiências públicas. Na próxima semana, o legislativo da capital potiguar promoverá discussões sobre o projeto com o Conselho Municipal de Saneamento Básico. O debate está marcado para quarta-feira.

Depois, outra audiência contará com a representantes do Conselho Municipal de Planejamento (Complan) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo. “Como disseram que não houve uma discussão de Semurb e Complan juntos e, inclusive, o projeto que chegou não foi o aprovado pelo Complan, nós vamos fazer essa audiência com os dois órgãos”, explicou o vereador Emilson Medeiros, presidente da Comissão de Justiça da Câmara.

A terceira audiência pública acontecerá com todos os órgãos e entidades envolvidas com o Plano Diretor. Esse debate ainda não tem data marcada. “Nós entendemos que o projeto do Plano Diretor é sério e muito importante para a cidade. Não temos pressa. Sabemos que o projeto será bom para Natal”, comentou o presidente da Câmara, vereador Dickson Nasser.

Ele destacou ainda que, embora as emendas ainda não tenham sido apresentadas, há alguns pontos pacíficos entre os vereadores: os bairros de Ponta Negra e Mãe Luíza terão atenção especial dos legisladores. “Esses nós não vamos permitir mexer”, destacou Dickson Nasser.

Com as três audiências públicas que serão promovidas pela Câmara, a segunda e decisiva votação do Plano Diretor deverá acontecer no início da segunda quinzena do mês de abril. Os trabalhos do Plano Diretor estão sendo organizados pelo presidente da Comissão de Justiça, vereador Emilson Medeiros. É ele que está fazendo as vezes de “relator”, embora pelo regimento não seja necessário relator nessa fase da votação.

Emilson Medeiros explicou que as emendas dos vereadores deverão ser entregues até a próxima quarta-feira. A partir daí elas farão a tramitação nas comissões de Justiça, Planejamento Urbano e Finanças. As emendas ao projeto original do Plano Diretor poderão ser apresentadas pelos vereadores ou por uma iniciativa popular. Nesse último caso é necessário um projeto com assinatura de 3% do eleitorado, o que indica um abaixo assinado com 12 mil pessoas.

Alguns vereadores já fecharam com o projeto original enviado pela Prefeitura de Natal. “Vamos votar favorável ao projeto enviado pela prefeitura. Esse foi um projeto muito discutido com a sociedade, na Conferência das Cidades”, comentou o vereador Fernando Lucena. Hoje pela manhã, o presidente da Câmara, Dickson Nasser, fará uma reunião com todos os vereadores. “Em se tratando do Plano Diretor há um consenso entre todos os vereadores. O que vamos conversar hoje é informar sobre essas audiências e as novas deliberações”, destacou Dickson Nasser.

Construções limitadas a 30 andares

O novo Plano Diretor de Natal deve reparar equívocos do passado. A revisão de 1994 foi um divisor de águas, à medida em que foi marcada por importantes restrições nas áreas de características especiais, como as Zonas de Proteção Ambiental, mas que por outro lado, foi permissiva no que diz respeito ao resto da cidade. Um dos principais critérios a serem corrigidos, trata do estabelecimento de um gabarito para toda a extensão de terra considerada “adensável”. Em 1984, foi estabelecido que um prédio na capital não poderia ultrapassar o gabarito de 65m, o equivalente a 22 andares. Mas dez anos depois, o PDN passou por uma modificação, acabando com essa restrição. Portanto, com exceção de “áreas de controle de gabarito”, não há limites para altura de construções na capital.

Segundo a chefe do Departamento Urbanístico e Ambiental da Secretaria de Meio-Ambiente e Urbanismo (Semurb), Florésia Pessoa, na época da última revisão, os prédios de Natal tinham um gabarito médio de vinte pavimentos. “Os estudos e estimativas foram feitos, mas ninguém imaginava que a cidade fosse crescer numa velocidade tão espantosa”, explicou.

Já na revisão iniciada em 2005, e que deve finalmente se desfechar ainda este mês, um dos pontos observados em primeiro lugar foi o estabelecimento de um gabarito de 90m – aproximadamente trinta pavimentos – para as áreas que não tinham regulamentação. “Agora vemos que está na hora de recuar. Apesar de ainda achar que é uma regra branda”, informou Florésia Pessoa.

Outra modificação é a anulação da área adensável em Ponta Negra, que também não tinha limites. A regra se refere à margem da avenida Eng. Roberto Freire, oposta à área non aedificandi. Pelo que propõe o novo PDN, os espigões ali erguidos à margem da pista e que têm mais de 90m de gabarito, deverão ser os últimos. Em contrapartida, prédios com até 65m – 22 pavimentos – serão permitidos. Segundo Florésia, não houve proibição para isso também porque a comunidade não se manifestou. “Na época das discussões só houve uma proposta, que foi derrubada, por ter sido considerada muito radical”.

Outras medidas tomadas acabarão alterando os gabaritos de áreas específicas. A criação da Área Especial de Interesse Social na Vila de Ponta Negra é um exemplo, onde regras duras deverão ser criadas. A Zona de Interesse Turístico da praia, onde também há limitações, vai aumentar, chegando até a Vila. Será criada ainda outra área especial, na avenida João Medeiros Filho, em frente ao Carrefour.

“População demonstra que está preocupada”

Muita gente está incomodada. Boa parte da população não está nada, nada satisfeita com os gigantes de concreto que estão sendo erguidos na capital. Segundo o professor de Arquitetura da UFRN, Paulo Nóbrega, – que participou de toda a discussão como delegado da universidade – o que há de modificação no PDN sobre os gabaritos, é por causa da população.

“A população começou a se assustar com os prédios que estão aparecendo com 30, 40 andares”, disse o professor. Segundo Paulo, em uma das discussões entre os delegados, chegou a haver um comunicado informal de que os grandes prédios estavam atrapalhando a cobertura do tráfico aéreo na região. A informação teria sido dada por um técnico da Aeronáutica.

“É muito sintomático essa questão da população se manifestar. Realmente assusta a magnitude desses edifícios, muitas vezes em ruas estreitas. A gente não entende a necessidade desses edifícios numa cidade como Natal”, argumentou o professor. Para o professor, a cidade cresceu uma forma muito rápida, o que fez com que a população reclamasse nas reuinões do Plano Diretor de Natal.

Algumas propostas surgidas da população foram consideradas radicais e não foram parovadas na Conferência da Cidade. Um mililtar reformado pleiteou, por exemplo, que toda a área de Ponta Negra e Capim Macio fosse controlada e o gabarito não passasse de dois pavimentos. O objetivo do cidadão era proteger o corredor de ventilação. Porém, o militar foi voto vencido nas reuniões.

Corretor questiona critérios para definição dos limites

O corretor de imóveis Ricardo Abreu não vê a mudança nos padrões de gabaritos para Natal com grandes preocupações. Segundo ele, o que for decidido é lei e, portanto, deve ser cumprido. O que ele questiona são os meios pelos quais os novos parâmetros foram definidos: “Gostaria muito de saber como chegaram àqueles denominadores. Só isso. Não sei de onde saíram tais critérios”.

Ricardo se refere principalmente ao índice de aproveitamento dos terrenos na capital – em áreas tidas como comuns -, que deve mudar de 1,8% para 1,2%. O índice é o número que se multiplica pela área do terreno, chegando ao total do que se pode construir ali. O corretor não entende como se pode limitar a fração a 1,2%, objetivando fatores de infra-estrutura, em uma cidade que, em tese, estaria em franco desenvolvimento.

“A governadora acaba de anunciar o maior investimento na área de saneamento, no Estado e na capital, vemos o prefeito mostrar tantas obras nas propagandas – e acompanhamos a gestão dele, e exatamente por isso não entendemos porque esses limites para as construções”, explicou Ricardo Abreu.

Para ele, o estabelecimento do gabarito em 90m para quase toda a cidade, com exceção das zonas especiais não é problema. Ricardo explica que outros instrumentos acabam sendo mais importantes para uma rigorosidade, ficando o gabarito em função deles.

Bate-papo

Fernando José de Medeiros Costa – Chefe do Departamento de Arquitetura da UFRN

Fernando José de Medeiros Costa, chefe do departamento de Arquitetura da UFRN, é autor de uma tese de mestrado sobre a relação do recuo das construções e a ventilação do meio urbano. Neste entrevista, ele explica a importância do controle do gabarito.

Quais os critérios seguidos para se definir o gabarito?

Na verdade, cada área de um município vai ter um gabarito de acordo com suas necessidades. Os principais aspectos observados são o valor cênico paisagístico, como no caso de Ponta Negra, alguma fragilidade do subsolo ou do meio ambiente da região, além de fatores relativos a questões de infra-estrutura, como o sistema viário e saneamento. Nesse último caso, o gabarito é definido em função de outros parâmetros como a densidade demográfica da área.

Alguns profissionais falam da importância de restrições em Ponta Negra, por ali ser um corredor de vento para a cidade. Isso procede?

De fato, o vento, a grosso modo vem naquela direção, que é a direção sudeste. Realmente na hora que você constrói uma parede de edifícios, você vai ter um rebatimento para o conjunto, com influência muito grande. Por isso, a importância de se ter recuos grandes e alturas variantes nos edifícios.

Qual a importância de se ter alturas variantes?

Mesma altura é ruim para prédios altos ou baixos, porque o piso da ventilação passa a ser o teto dos edifícios e não teremos vento no nível da rua.

E qual é a situação de Ponta Negra hoje em dia?

Se você olhar agora, nesse momento, com aqueles grandes edifícios que tem lá, a coisa ainda não é tão drástica. Por que uma edificação ou outra, aumento a velocidade do ar no nível do solo. Mas se você tiver um número excessivo de prédios, isso pára de existir.

Saiba mais

1) Gabarito é o termo técnico utilizado para definir a altura de qualquer edificação. A medida é dada em metros ou em pavimentos.

2) Em 1984, o Plano Diretor de Natal definiu que o gabarito máximo para o município em geral seria de 65 metros, o equivalente a um edifício de 22 andares.

3) O principal ponto levado em conta para o limite estabelecido em 1984 foi a segurança das construções na cidade, no que diz respeito a aspectos como prevenção de incêndios, por exemplo.

4) Na revisão de 1994, foi extinto o gabarito máximo para toda a cidade. A exceção ficou para zonas especiais, como de interesse turístico, histórico, social ou ambiental.

5) Nesta revisão que está em debate na Câmara Municipal, o novo Plano Diretor volta atrás e passa a prever um gabarito máximo de 90 metros, o equivalente a um prédio de 30 andares, para as áreas que não tinham limites.

6) As medidas de recuo – espaço entre a edificação e os limites do terreno – também deverão ficar mais rigorosas. Com isso, a distância entre os prédios de Natal deve aumentar.

Semurb e Conplam discordam da altura máxima dos prédios

A chefe do Departamento de Planejamento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (SEMURB), Florésia Pessoa, admitiu que algumas das sugestões feitas pelo COMPLAM (Conselho Municipal de Planejamento) não foram acatadas pela Prefeitura.

“Oitenta por cento das propostas foram consensuais. Mas tiveram alguns pontos do COMPLAN que não concordamos”, disse.

Um dos pontos de discordância era que o Conselho defendia um gabarito (altura do prédios) de 90 metros, o equivalente à 30 andares, em todas as áreas. No entanto, no projeto enviado pela Prefeitura essa permissão é restrita apenas para as áreas centrais, como Tirol e Petrópolis. As demais áreas terão o gabarito de 65 metros, o equivalente à 23 andares.

O presidente da entidade, o empresário da construção civil Sílvio Bezerra, também defende a permanência do coeficiente de aproveitamento de Ponta Negra.Para ele, a possibilidade de exigir um sistema de esgotamento sanitário privado e fixar um observador fictício para preservar a questão cênico-paisagístico justifica a liberação da área.

* colaborou Dimirson Holanda

Carta de Dimirson Holanda sobre Conplam

Estou fixado naquela idéia do “exaustivamete debatido com todos os segmentos da sociedade organizada”. Sou descrente quanto a esta afirmação.

De certo modo aceito sim que as decisões de caráter social muito importantes são ignoradas pelas entidades representativas das comunidades por omissão dos seus dirigentes. Não posso criticar todas as associações comunitárias, mas posso criticar a nossa AMPA por aqui viver e observar que os dirigentes que por aqui passaram não possuíam visão do futuro.

Associações comunitárias, a meu ver, não podem mais ficar isoladas do que acontece nos fóruns sociais promovidos – seja pelo poder público ou entidades não governamentais. Os moradores que voluntariamente aceitam participar de uma diretoria devem trabalhar para levar a entidade ao patamar das grandes discussões de interesse coletivo.

Há uma pluralidade nesse contexto, pois não existe pensamento uniforme. Pensamos e agimos de conformidade com nossos interesses individuais, nossa visão de mundo, uns mais avançados, outros nem tanto, e muitos outros indiferentes a essa trama, a essa enigmática passagem humana no planeta.

Acredito, porém, que o conhecimento pode ser socializado. O conhecimento não deve estar voltado exclusivamente para as vertentes que conduzem ao “sucesso” profissional no sentido de ganhar mais e mais dinheiro. Esse modelo incutido em nossas cabeças quem sabe não seja a raiz de tantos males sociais.

Existem os SÁBIOS E OS SABIDOS.

Os primeiros dão magníficas contribuições às realizações humanas, não são astutos nem arrogantes, enquanto que os sabidos ou sabidões com a posse do saber tornam-se inimigos de todo o conjunto da sociedade.

Ocupam os espaços influentes nas esferas da camada social. Defendem quase sempre os interesses pessoais ou de grupos, e ainda iludem os simples e humildes fazendo-os acreditar que eles estão promovendo o bem estar deles. Esse, por exemplo, tem sido o discurso dos defensores e detentores da grande fatia do mercado imobiliário.

Não pode um cidadão que não é médico participar de um congresso de medicina, pois não acumulou conhecimentos acadêmicos para tal, mas pode levar sua contribuição como sujeito passivo desta ciência dizendo como está sua aplicação.

Não convém convidar um leigo para participar do CONPLAM, porque não tem conhecimento técnico desta ou daquela área, mas esse mesmo leigo sujeito passivo das decisões tomadas pode contribuir na elaboração de decisões porque ele é quem vive ou quem viverá na prática as boas ou más decisões tomadas.

Estas considerações quem sabe não servirão para abrirmos questionamentos neste momento favorável que estamos vivendo para discutir O BAIRRO QUE QUEREMOS, A PONTA NEGRA QUE QUEREMOS.

Atenciosamente,

Dimirson Holanda Cavalcante
Morador e membro da Associação de Moradores de Ponta Negra e Alagamar

Matéria TN 29/3 :: Entre a especulação e o ordenamento urbano

Entre a especulação e o ordenamento urbano

Repórter: Anna Ruth
Foto: Aléx Régis

ALAGAMAR – Moradores defendem a criação de um plano setorial

Depois de três anos de discussões e debates finalmente o projeto do novo Plano Diretor chega hoje ao plenário da Câmara Municipal de Natal. Na tarde dessa quinta-feira acontecerá a apreciação em primeira votação. Na prática, esse é apenas um trâmite burocrático. A polêmica acontecerá mesmo é na segunda votação, quando os vereadores apresentarão as emendas à proposta original enviada pela Prefeitura.

Valores da outorga onerosa (taxa cobrada pela Prefeitura para o construtor), área de construção em Ponta Negra, permissão para prédios na Zona Norte. Esses são alguns dos pontos mais polêmicos do projeto que será apreciado hoje pelos legisladores da capital potiguar.

A chefe do Departamento de Planejamento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, Florésia Pessoa, admitiu que algumas das sugestões feitas pelo COMPLAM (Conselho Municipal de Planejamento) não foram acatadas pela Prefeitura. “80% das propostas foram consensuais. Mas tiveram alguns pontos do COMPLAN que não concordamos”, disse.

Um dos pontos de discordância era que o Conselho defendia um gabarito (altura do prédios) de 90 metros, o equivalente a 30 andares, em todas as áreas. No entanto, no projeto enviado pela Prefeitura essa permissão é restrita apenas para as áreas centrais, como Tirol e Petrópolis. As demais áreas terão o gabarito de 65 metros, o equivalente a 23 andares.

No caso da outorga onerosa, a defesa dos empresários era manter o valor de 1% sobre o valor da construção. Mas a proposta enviada pela Prefeitura foi cobrar 3% no primeiro ano do Plano, 4% no segundo ano e 5% no terceiro ano. “E no quarto ano haverá a revisão do Plano Diretor”, detalhou Florésia.

Outra polêmica está na área de Ponta Negra. O projeto da Prefeitura prevê que nas áreas da Vila de Ponta Negra e na região especial turística daquele bairro, caracterizada como sendo a beira mar, serão permitidos apenas empreendimentos de até dois andares.

Construtores discordam de alguns pontos do PDN

Longe de ser consenso, o Plano Diretor é tema de uma grande discussão. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil, Sílvio Bezerra, criticou o fato de a Prefeitura ter enviado o projeto original, sem incluir as sugestões feitas pelo COMPLAN e pela Conferência das Cidades.

“Eu vejo a votação de amanhã (hoje) como uma etapa muito distante. Se na Câmara está o projeto original, então muitas serão as emendas que deverão ser feitas”, comentou.

Uma das propostas feitas pelo SINDUSCON é que o coeficiente de aproveitamento básico para toda cidade, independente de ser área residencial ou não residencial, seja de 1,4 vezes o tamanho da área. Atualmente, a legislação prevê que residencial é uma vez o tamanho da área e 1,8 vezes em caso de ser área não residencial.

Pelo novo projeto da Prefeitura, a área a ser erguida em caso de residencial e não residencial ficará fixada em 1,2 vezes o tamanho da área do terreno.

O presidente do Sindicato também questiona o porquê da Zona Norte não poder ser edificada como as outras regiões da cidade. Ele cita como argumento o fato de a área ter uma população crescente, carente de investimentos e que ganhará uma ponte para impulsionar o fluxo de pessoas.

O SINDUSCON defende excluir o parágrafo do Plano Diretor que limita o gabarito da área definida pelo perímetro estabelecido na margem esquerda do Rio Potengi, incluindo a Redinha. “Essa área e a Redinha terão uma regulamentação especial para o gabarito”, explicou a chefe do Departamento de Planejamento da Semurb, Florésia Pessoa.

O presidente da entidade, Sílvio Bezerra, também defende a permanência do coeficiente de aproveitamento de Ponta Negra. Para ele, a possibilidade de exigir um sistema de esgotamento sanitário privado e fixar um observador fictício para preservar a questão cênico-paisagístico justifica a liberação da área.

Aprovação é feita em duas votações

A votação do Plano Diretor acontecerá em duas sessões da Câmara Municipal. O processo de hoje será mais formal, já que ele precisa ser aprovado para poder ser deflagrado o processo de apresentação das emendas.

A segunda votação deverá ocorrer na próxima terça-feira. No entanto, o feriado da Semana Santa e a complexidade dos assuntos técnicos de que tratam o projeto poderão adiar a votação. Nesse caso, os vereadores apreciariam a matéria em segunda votação após o feriado da Páscoa.

Tanto na primeira quanto na segunda votação o projeto precisa ser aprovado por pelo menos dois terços dos 21 vereadores. Essa mesma votação é exigida para as emendas apresentadas.

Vereadores ainda estudam as emendas

O projeto do novo Plano Diretor será apresentado hoje na Câmara Municipal. Mas os legisladores da capital ainda não têm nenhuma emenda pronta para apresentar à proposta. De concreto mesmo surgiu apenas uma proposta feita pelos moradores de Ponta Negra e Alagamar

Eles defendem a criação de um plano setorial, que funcionaria como um “plano diretor especial” para aquela área. Os moradores defendem que a limitação de gabarito não fique restrita apenas à Vila de Ponta Negra. Ou seja, a permissão de construções até dois andares estaria estendida ao conjunto de Ponta Negra e Alagamar.

“Tem a questão da outorga onerosa, da liberação das ZPA (Zona de Proteção Ambiental), o remembramento de Mãe Luíza. Todas são questões a serem analisadas”, comentou o vereador e líder do PV, Edivan Martins. Ele ponderou que o projeto do Plano Diretor como um todo é bom e necessário.

O vereador Luís Carlos defendeu a necessidade de reduzir o valor da outorga onerosa. “Deveremos apresentar uma emenda para reduzir a outorga onerosa que está muito alta”, comentou o parlamentar.

Para o vereador Aquino Neto o Plano Diretor inclui discussões técnicas. “Vou esperar o projeto ser apresentado para analisar. Vamos ouvir os segmentos”, destacou.

Nem mesmo os integrantes da comissão especial do Plano Diretor, vereadores Aluísio Machado, Emilson Medeiros e Luís Carlos, definiram as emendas.

“Fizemos um acordo para apresentar as emendas da comissão. Ainda não temos nada definido até porque vamos ouvir o CONSAB (Conselho Municipal de Saneamento Básico)”, destacou Aluísio Machado.

Este será o oitavo PDN

O Plano Diretor que começa a ser votado hoje pela Câmara Municipal será o oitavo da capital potiguar. O último Plano entrou em vigor em 1994.

Os primeiros planos se chamavam “plano urbanístico” e funcionavam mais como um desenho, um traçado da cidade. Com o crescimento da cidade e, proporcionalmente das construções, o processo evoluiu e ganhou a denominação de Plano Diretor.

“O Plano Diretor nesse modelo vem desde a década de 70”, comentou a chefe do Departamento de Planejamento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semsur), Florésia Pessoa.

O novo Plano Diretor que será votado pela Câmara já entra em vigor com a determinação de ser revisado em quatro anos. “Nós vimos que a revisão a cada ano era impossível. Então a cada quatro anos é importante porque ficaria a cada nova gestão municipal”, detalhou Florésia Pessoa.