Correio da Tarde - 18/06/08 :: MINISTÉRIO PÚBLICO TENTA IMPEDIR CONSTRUÇÃO DE IMÓVEIS NAS MARGENS DO RIO POTENGI

Foto: Alberto Leandro

MP está preocupado com construções na zona de proteção ambiental
O Ministério Público do Rio Grande do Norte ajuizou Ação Civil Pública junto à 5ª Vara da Fazenda Pública para tentar suspender obras, já iniciadas, e futuros empreendimentos previstos para a Zona de Proteção Ambiental nº 8 (ZPA-8), situada na margem esquerda do Rio Potengi, abrangendo áreas próximas aos manguezais até a praia da Redinha.

Na Ação, o Ministério Público (MP) pede que o Município de Natal seja obrigado a suspender todas as licenças concedidas para construções na ZPA-8 e que não sejam emitidos novos licenciamentos para essa área da cidade.

Para o 12° Promotor de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, Márcio Luiz Diógenes, “a instalação de edifícios previstos para aquela região poderá criar um cordão de concreto na margem esquerda do Potengi, causando elevação da temperatura nos bairros Potengi e Redinha, devido às barreiras à ventilação natural”. Ele também justifica que os empreendimentos podem elevar os riscos de poluição ao rio e áreas de manguezais, devido à disposição de lixo e infiltração de esgotos no local.

De acordo com a legislação ambiental, as construções em zonas de proteção só podem ser autorizadas após uma regulamentação especial. O que ainda não existe para a ZPA-8. No entanto, os construtores se apóiam no artigo 112 do novo Plano Diretor de Natal, que permite o licenciamento urbanístico e ambiental com base na legislação anterior para projetos protocolados até 90 dias após a publicação da Lei n° 249/07 (PDN). Essa Lei editou as emendas ao Plano, vetadas pelo prefeito em um processo legislativo marcado pela suspeita de ter sido baseado em esquema de propinas para atender os interesses de alguns setores imobiliários da cidade.

Em relação ao artigo 112, o Promotor de Justiça lembra que com a permissão, aproximadamente quinze grandes e médios empreendimentos serão construídos na região, sem que sejam observadas as diretrizes para o reordenamento urbano e ambiental do novo Plano Diretor.

Um dos empreendimentos previstos para aquela área, que está na preparação das fundações, vem sendo executado pela Zeta, e o projeto contempla a construção de sete torres de apartamentos, com quinze andares cada uma. Além desse residencial, outros dois empreendimentos, ainda em fase de licenciamento, são questionados pelo MP, sendo um deles pertencente à Ecocil, também inserido na margem esquerda do Rio Potengi, e outro empreendimento com licença solicitada pelo engenheiro civil José Alvamar, a ser instalado na Zona Especial de Interesse Turístico nº. 4 (ZET 4).

O representante do MP ressalta que “não é de se admitir que interesses de grupos empresariais prevaleçam sobre as pretensões ambientais legítimas da coletividade. Mesmo sob a justificativa de que serão construídas unidades residenciais para milhares de pessoas, com movimentação da economia e geração de empregos”.

Jornal de Hoje :: ZONA NORTE COMEÇA A ATRAIR CONSTRUTORES

E pela falta de espaço físico em alguns bairros mais valorizados da cidade como Lagoa Nova, Tirol, Petrópolis, Capim Macio e Ponta Negra, algumas construtoras começam a lançar no mercado empreendimentos na Zona Norte

De acordo com o presidente da Cooperativa Norte-Riograndense de Habitação (CNH), Renato Fernandes, que lançou recentemente um empreendimento com sete torres de 15 andares e 420 apartamentos, a região Norte da cidade “deve atrair daqui pra frente” muitos investimentos, principalmente no setor imobiliário. Ele disse acreditar que o empreendimento lançado pela CNH será o pioneiro de uma série de investimentos que devem fortalecer e valorizar a região, principalmente no que se refere à infra-estrutura de habitação.

>>> Primeiro saturam Ponta Negra: trânsito, saneamento, aumento de IPTU, transporte público insuficiente, praia poluída, sexo turismo… agora o alvo é a Redinha. Estamos de olho e sei de atividades locais que também querem um crescimento responsável e organizado para aquela área. Enquanto isso a bolha imobiliária incha e o prejuízo no futuro é de todos: sem mangues, sem rio, sem praias limpas, sem brisa, sem paisagem…

Nominuto - 28/04/08 :: AUDIÊNCIA PÚBLICA DISCUTE IMPACTO AMBIENTAL DOS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS

Audiência realizada na Câmara Municipal de Natal reúne representantes de sindicatos, Secretaria de Turismo e UFRN
Repórteres: Ana Paula Oliveira e Júlio Pinheiro
Foto:Elpídio Júnior
Licenciamento de empreendimentos é discutido na CMN

Com ausência do Ministério Público e do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (Idema), está sendo realizada nesse momento, no plenário da Câmara Municipal de Natal, uma audiência pública para discutir o impacto socioambiental dos empreendimentos imobiliários e turísticos do Estado.

O encontro foi proposto pelo vereador Edivan Martins (PV).

Alguns bugueiros relataram o medo de que os turistas se ausentem da capital potiguar. Segundo eles, se a paisagem for bruscamente modificada com a construção de empreendimentos, os turistas deixariam de vir a Natal para fazer os passeios.

O chefe do departamento de Ecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Aristotelino Monteiro Ferreira, fez apresentação de slides, mostrando fotos e os pontos onde grandes empreendimentos estão sendo ou serão construídos.

Durante a audiência, ele falou também sobre a necessidade de que ocorram estudos mais aprofundados sobre os impactos, antes mesmo das concessões de licenças, que de acordo com ele, são conseguidas muito facilmente, sem que haja, na maioria das vezes, o real conhecimento do impacto ambiental.

Todos os participantes ressaltaram que não são contra os investimentos no Estado, nem tampouco a construção de empreendimentos, mas disseram que é necessário que haja o estudo quanto aos impactos antes da concessão de qualquer licença.

Participam também da audiência pública representantes do Sindicato dos Bugueiros, Secretaria Municipal de Turismo e do Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes.

Jornal de Hoje :: SUPERVALORIZAÇÃO AMEAÇA SETOR IMOBILIÁRIO NO RN

Preços no mercado está acima do real

Repórter: Riccelli Araújo
Foto: Wellington Rocha

Especialistas alertam: pode existir “bolha imobiliária” em Natal

É cada vez mais comum encontrar pessoas distribuindo, nos sinais de trânsito, panfletos anunciando lançamentos de prédios e condomínios residenciais, o que demonstra o constante crescimento no setor da construção civil. No entanto, uma questão desperta interesse quando se coloca em pauta o crescimento no valor dos imóveis comercializados no mercado local.

De acordo com a professora do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Márcia Bezerra, que realiza estudos e pesquisas no setor, “esse fenômeno de valorização não aconteceu somente em Natal, mas em lugares com economia em desenvolvimento”. No entanto, em função do crescimento do turismo, Natal passou a ser vista como um mercado promissor, tendo atraído a atenção de estrangeiros em investir no imóvel de segunda residência, fator esse que colabora para a valorização do setor imobiliário na capital do RN.

A professora Márcia Bezerra ressalta que o interesse das construtoras em oferecer aos clientes imóveis com alto padrão de qualidade e valores acrescidos, é em virtude do seu próprio interesse em alcançar resultados positivos e uma maior margem de lucro, respondendo então pela grande quantidade de oferta de imóveis de luxo. Esses, na sua maioria, são localizados em bairros de interesse das classes média e média alta, com condições de adquirir tais produtos.

Um dado interessante citado pela professora Márcia Bezerra, e que também contribui para a supervalorização do imóvel, é o fato de que embora seja grande a quantidade de oferta no mercado, o setor da construção civil ainda não consegue suprir a demanda.

Importante também destacar que a valorização ocorre em virtude de um ponto chave para a construção: o terreno. A área territorial da capital não tem grandes dimensões e os espaços disponíveis já não são tantos, gerando uma especulação financeira inicial no terreno. Márcia Bezerra ressalta a necessidade da vigilância do poder público em monitorar espaços considerados de proteção ambiental para que, futuramente, a população não venha a sofrer danos em decorrência de um “boom imobiliário”.

De acordo com a professora, a UFRN vem desenvolvendo um trabalho de pesquisa para identificar a possível existência de uma “bolha imobiliária” na capital, como ocorreu nos Estados Unidos, o que historicamente não é sustentável em nenhuma economia. Segundo ela, professores e pesquisadores de vários departamentos estão levantando informações e analisando dados estatísticos que possam comprovar esse fenômeno na capital do RN.

É importante destacar que o fenômeno “bolha imobiliária” representa a constatação de que os preços no mercado imobiliário estão bem acima de seu real valor. Entretanto, os compradores continuam dispostos a pagar ainda mais, o que contribui para a geração de um ciclo especulativo difícil de estabelecer um fim. Esse ciclo tem como ameaça uma queda rápida e geral, fazendo dessa forma uma analogia ao estouro de uma bolha de sabão.

Nominuto - 01/04/08 :: GRUPO SÁNCHEZ DEMITE CERCA DE 40% DOS FUNCIONÁRIOS NO RN

Empresa parceira afirmou que empreendimento potiguar não seria afetado com a concordata na Espanha, mas a redução da equipe já começou

Repórter: Gabriela Barreto

Cerca de 40% dos funcionários da parte técnica e comercial do Grupo Sánchez no Rio Grande do Norte foram demitidos durante uma reunião realizada nesta segunda-feira (31) no escritório do grupo.

Um ex-funcionário, que não quis se identificar, afirmou que os presidentes da empresa argumentaram que trabalharão com o número mínimo de funcionários na implantação do empreendimento Grand Golf Natal, na praia de Pitangui.

Ele disse ainda que a demissão pegou os funcionários de surpresa, pois desde que a empresa pediu concordata na cidade de Manresa, na Espanha, ficou claro para os funcionários potiguares que os trabalhos no Estado não seriam afetados, apesar da falta de informações.

No entanto, não foi o Grupo Sánchez que assegurou a continuidade normal dos trabalhos e sim a Spel, uma empresa parceira no empreendimento, através de seu proprietário, o empresário Paulo de Paula.

“Eles disseram que nada iria acontecer em Natal. Na Espanha, eles só ficaram com 20% dos funcionários. Por aqui, já demitiram 40%”, contou.

[Leia matéria completa no portal Nominuto]

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Sánchez nega demissões em escritório de Natal
Tribuna do Norte - 02/04/2008
[Leia matéria completa aqui]

Assessor de marketing e comunicação do Grupo Sánchez no RN, jornalista João Maria Medeiros nega que o grupo espanhol esteja promovendo demissões em seu escritório de Natal. João Maria Medeiros disse ontem, que como qualquer empresa, o escritório do Grupo Sánchez está passando por uma adequação funcional, se tem sete pessoas trabalhando no escritórioem Petrópolis, “vai ficar com quatro ou cinco funcionários”.

Medeiros explicou que essa adequação não tem nenhuma relação com concordata preventiva que foi pedida na Espanha pelo Grupo Sánchez, embora seja claro “que ninguém quer perder o seu emprego”. Segundo Medeiros, essa concordata preventiva envolveu apenas duas empresas do grupo, a imobiliária e a administradora por causa da crise que começou nos Estados Unidos.

Jornal de Hoje / Coluna Hoje na Economia :: ATRASOS NA SEMURB E AS IRONIAS DA VIDA || 02

Colunista: Marcos Aurélio de Sá

O prefeito Carlos Eduardo e “a excepcional qualidade de vida” que os natalenses ostentam

* Conforme está declarado textualmente numa nota oficial da Assessoria de Comunicação do prefeito Carlos Eduardo Alves encaminhada a esta coluna na sexta-feira passada e publicada na edição de sábado, a Semurb (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo) demora meses - e até anos - para analisar e licenciar a construção de novos empreendimentos imobiliários em Natal apenas com um objetivo: garantir aos natalenses “a excepcional qualidade de vida que hoje ostentamos”.

* Creio que só alguém que viva fora da realidade, um autista talvez, teria a ousadia de desmentir os fatos lamentáveis que se sucedem diariamente aos nossos olhos, para dar a declaração estapafúrdia de que goza de “excepcional qualidade de vida” uma população de quase um milhão de pessoas submetidas a consumir água contaminada com coliformes fecais e substâncias cancerígenas, sem direito a serviços de saúde pública minimamente dignos, e com escolas (caso, no dia de hoje, da Escola Municipal Otto de Brito Guerra, localizada entre os bairros de Candelária e Planalto) impossibilitadas de funcionar porque gangues juvenis ameaçam e agridem professores e alunos, além de depredarem e roubarem o patrimônio público sem serem incomodadas.

* Não compreendo como “excepcional qualidade de vida” a cidade ter os canteiros de suas ruas e avenidas, a cada sinal de trânsito, tomados por bandos de crianças e adultos de mãos estiradas, pedindo esmolas ou forçando a barra para “lavar” os parabrisas dos automóveis e arrancar uns trocados dos motoristas.

* Não vejo como “excepcional qualidade de vida” convivermos com dezenas de homicídios todas as semanas, com centenas de assaltos a mão armada, com as quadrilhas de traficantes de drogas dominando a periferia urbana, sem que os cidadãos possam depositar o mínimo de confiança na proteção que lhe é devida pelo aparato da segurança pública do Estado.

* Não quero nem falar nos esgotos a céu aberto, nas “línguas pretas” que poluem as praias da cidade, no trânsito caótico, nas legiões de camelôs invadindo as calçadas dos bairros comerciais, da iluminação pública deficiente…

* Mas para justificar a procrastinação da análise e do licenciamento de médios e grandes empreendimentos imobiliários em Natal, a nota do porta-voz do prefeito Carlos Eduardo Alves afirma que ele, o prefeito, “jamais será conivente com crimes ambientais, doa a quem doer”, como se a construção de modernos edifícios e condomínios residenciais para atender à demanda do mercado fosse algo criminoso. Não faz referência, porém, à total omissão da Prefeitura diante das constantes invasões de áreas de preservação permanente por novas e numerosas favelas, fato corriqueiro no dia-a-dia da cidade.

* Hoje em dia o mundo inteiro está correndo em busca de investidores. Há um consenso internacional (partilhado até por países ainda submetidos ao autoritarismo dos antigos regimes comunistas, tipo China, Coréia do Norte, Vietnam e Cuba) de que só através da ampliação da oferta de empregos produtivos e do aumento da renda para a população via estímulos à iniciativa privada se conseguirá vencer o subdesenvolvimento econômico e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.

* Estranhamente, aqui em Natal, parcela ponderável da nossa elite dirigente — o prefeito Carlos Eduardo aí incluído — parece ver a chegada espontânea, crescente e alvissareira dos investimentos privados como uma grave ameaça à “excepcional qualidade de vida que hoje ostentamos”, a ponto de simplesmente se repudiar empreendimentos que hoje poderiam estar oferecendo centenas de empregos diretos e permanentes (como o hotel do grupo BRA na Via Costeira, embargado pela Prefeitura porque impede, por alguns segundos, a visão do mar pelos transeuntes).

* Se “não há projetos engavetados na Semurb”, como alega a nota oficial da Assessoria de Comunicação do prefeito, como se justifica a existência de mais de 500 pedidos de licença de construção acumulados no órgão nos últimos três anos?

* O presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea/RN), Adalberto Pessoa — que também é secretário estadual de Infra-estrutura e fala com conhecimento de causa — diz que a estrutura da Semurb é a mesma de 20 anos atrás, quando a demanda pelos seus serviços eram infinitamente menores do que nos dias atuais.

* E, vendo o problema pela ótica de que é preciso resolvê-lo com urgência, Adalberto chega a sugerir que a Prefeitura recorra à terceirização para que as análises dos muitos projetos pendentes possam ser agilizadas, em benefício da própria arrecadação do município, já que a concessão de cada licença chega a representar o ingresso de quantias que variam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil nos cofres municipais, o que não é pouco dinheiro. Basta observar que as taxas devidas pela concessão de licenças aos mais de 500 projetos acumulados representam uma soma da ordem de R$ 200 milhões (o que daria para construir outra ponte da Redinha).

* Mas eis que a Prefeitura aponta o gesto cooperativo e bem intencionado do presidente do Crea/RN como “lobby de um grupo que quer terceirizar o licenciamento imobiliário”, como se por trás disso existissem interesses escusos.

* Outra visão absolutamente distorcida da realidade, usada como argumento para minimizar os efeitos sociais perversos da Operação Engavetamento dos processos de licenciamento na Semurb, surge quando a nota oficial do porta-voz do prefeito argumenta que “não há desemprego” na indústria da construção civil em Natal.

* Essa afirmação já foi desmentida na semana passada, quando em entrevista a este jornal o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil declarou que, pelos levantamentos do órgão de classe, passam de 30 mil os operários desse ramo de atividade à procura de trabalho em nossa região metropolitana.

* Se viesse a ocorrer a rápida liberação dos 500 processos acumulados na Semurb poderiam ser criados, de uma tacada, cerca de 25 mil empregos diretos. E levando-se em conta os dados que atestam a criação de mais sete empregos indiretos para cada emprego formal surgido na indústria da construção civil, aí sim, com a oferta de mais 187,5 mil oportunidades de trabalho, praticamente deixaria de existir desemprego em Natal.

* Qualquer cidadão com o mínimo de sensibilidade sabe que, com aumento da oferta de empregos — especialmente para atender pessoas de baixa escolaridade e menor nível de qualificação profissional — se conseguiria reduzir drasticamente o elevado índice de violência e criminalidade dentro de qualquer agrupamento humano.

* Portanto, impedir (ou dificultar) que a oferta de empregos cresça dentro de uma sociedade é um ato por si só criminoso, já que favorece ao desmantelamento da ordem pública e induz parcelas significativas da sociedade às atividades econômicas marginais, entre elas o furto, o roubo, o tráfico, a pistolagem, etc.

* Se o prefeito, que é bacharel em Direito, repudia a declaração deste colunista de que existe um “procedimento criminoso” na Semurb ao obstaculizar o desenvolvimento urbano legalmente ordenado, só resta sugerir-lhe que volte a consultar seus velhos manuais de ciências jurídicas para descobrir que qualificativo merece quem concorre, mesmo que indiretamente, para a consecução de crimes.

* Por último, uma sugestão: se a própria nota oficial da Assessoria de Comunicação reconhece que “é verdade que Natal está passando por um processo conhecido como ‘boom’ imobiliário” e que “a estrutura da Prefeitura não estava preparada para este aumento de demanda”, por que o prefeito, ao invés de se fantasiar de paladino quixotesco dessa “excepcional qualidade de vida” (que só ele parece ostentar), não toma as medidas racionais exigidas para que não percamos os empreendimentos capazes, aí sim, de assegurar um futuro melhor para os natalenses e de ampliar a arrecadação de impostos para que o município possa dotar a cidade de uma infra-estrutura condizente com a metrópole que já somos?

Jornal de Hoje / Coluna Hoje na Economia :: ATRASOS NA SEMURB E AS IRONIAS DA VIDA || 01

Colunista: Marcos Aurélio de Sá / Sylvia Sá – Interina

Semurb atrasa licenças de construção apenas para garantir aos natalenses “a excepcional qualidade de vida que hoje ostentamos”

* Da Assessoria de Comunicação do prefeito Carlos Eduardo Alves, a coluna recebeu no início da tarde de ontem o seguinte texto em resposta aos comentários aqui publicados nos últimos dias sobre a extrema morosidade com que a Semurb (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo) analisa e libera licenças para construção de médios e grandes empreendimentos imobiliários em Natal:

* “NÃO HÁ NADA ENGAVETADO NA SEMURB. O QUE HÁ SÃO CRITÉRIOS SÉRIOS A FAVOR DE NATAL.

* “É verdade que há uma grande demanda na Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo pela análise e licenciamento de empreendimentos imobiliários.

* “Também é verdade que tal análise, hoje, exige mais rigor, pois é feita à luz do novo Plano Diretor, que prevê a preservação do meio ambiente, a qualidade de vida e o desenvolvimento sustentável da cidade.

* “É por isto que a Prefeitura tem ampliado os quadros da Secretaria. Ano passado, por exemplo, 57 técnicos aprovados por concurso foram admitidos nos quadros da Semurb. E este ano estamos incorporando novos técnicos especificamente para o setor de análise e licença, porque é meta da administração municipal fortalecer a Secretaria, visando dar respostas mais ágeis às crescentes necessidades advindas com a nova legislação ambiental, a partir do novo Código de Obras e do novo Plano Diretor.

* “É verdade ainda que Natal está passando por um processo conhecido como ‘boom’ imobiliário. A estrutura da Prefeitura não estava preparada para este aumento de demanda, mas estamos, na medida das possibilidades, estruturando melhor os quadros da administração. O que não podemos é ‘inchar’ a Semurb. Assim, com os devidos critérios, os processos serão liberados paulatinamente e dentro de um trâmite normal de licenciamento.

* “Dados confiáveis, do Ministério do Trabalho e do IBGE, dão conta que é crescente o número de empregos no mercado natalense, pois a cidade nunca assistiu a um volume tão expressivo de obras, seja por parte do poder público como de parte da iniciativa privada.

* “Na verdade, no caso específico da indústria da construção civil o que falta mesmo, de acordo com sindicatos e empresários do setor, é mão-de-obra especializada. É aquele operário qualificado. Nessa área, há vagas, muitas vagas. O próprio presidente do Sindicato das Empresas da Construção Civil, Silvio Bezerra, em reportagem da Tribuna do Norte de 20 de fevereiro deste ano, diz que o setor da construção civil ‘continua em franca expansão’ e reconhece a escassez de mão-de-obra. Portanto, não há desemprego no setor, ao contrário, a construção civil continua gerando muitos empregos em Natal.

* “Agora, o que é verdade absoluta é que a Prefeitura de Natal jamais será conivente com crimes ambientais, doa a quem doer. Temos agido assim em diversas oportunidades e temos tido a compreensão que o importante é trabalhar em defesa da cidade, conciliando o desenvolvimento com a preservação da qualidade de vida. Essa é a nossa obrigação e dela não vamos abrir mão, como não abrimos mão no caso da área non aedificandi de Ponta Negra, no embargo do hotel da BRA na Via Costeira e na defesa do entorno do Morro do Careca, um cartão postal da cidade.

* “Repudiamos a declaração infeliz de que existe procedimento criminoso na Semurb. Confiamos no trabalho dos funcionários da Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo no cumprimento do que prega nossa legislação. Profissionais que não se desviam de sua função maior de zelar pela qualidade de vida de nosso povo, avaliando em minúcias o impacto advindo de cada novo empreendimento que surge na cidade, exigindo, quando é o caso, a justa contrapartida social dos grandes negócios, que podem muito bem contribuir para o bem-estar da população.

* “De tudo isso, resta que nossa gestão é tão somente preocupada em promover o desenvolvimento sustentável de Natal, dentro do que realizamos em termos de atualização da legislação urbanístico-ambiental, fazendo valer sob a égide da lei o crescimento ordenado da cidade, garantindo a excepcional qualidade de vida que hoje ostentamos.

* “Finalmente, o que se percebe claramente hoje é a existência de um ‘lobby’ de um grupo que quer porque quer terceirizar o licenciamento de projetos imobiliários em Natal. Mas isso não vai acontecer por mais ácidas que sejam as críticas, por mais virulentos que sejam os artigos, por mais provocativas que sejam as declarações, por mais apelativos que sejam os engodos, esquecidos que Natal não se vende nem se rende.

* “Por fim, o Prefeito de Natal tem pleno conhecimento do que se passa na Semurb, como também na cidade. Por isso se mantém atento e vigilante.”

N. da R. - O titular da coluna, que se encontra em viagem, solicitou à interina que não desse resposta à nota acima, deixando-lhe a tarefa para que ele a cumpra na coluna da próxima segunda-feira.

Tribuna do Norte - 29/03/08 :: ALERTA SOBRE INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS

Otimismo da construção civíl vai até 2010

Foto: Emanuel Amaral

INDÚSTRIA - Safady faz um alerta sobre os investimentos estrangeiros

O aquecimento do mercado imobiliário, o início das obras do Programa de Aceleração de Crescimento e o bom momento da economia do país deverão garantir pelo menos mais seis anos de prosperidade para a indústria da construção civil.

A avaliação é do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady, que esteve ontem em Natal. Ele proferiu a palestra “Construção Civil: situação Atual e Cenários Futuros” para empresários locais, durante um almoço ontem, na Federação das Indústrias do RN (Fiern).

Além do mercado de imóveis em ritmo acelerado, Safady ressalta que as obras públicas serão importantes impulsionadores. Em 2007, foi hora dos projetos e análises e, este ano, as obras do PAC começarão a ser executadas. A Copa do Mundo, cuja sede em 2014 será o Brasil, também vai gerar obras, já a partir de 2010, de acordo com suas previsões.

“Teremos pelo menos seis anos de prosperidade”, declarou. Dentro deste contexto, o presidente da CBIC prevê que o setor cresça no mínimo 6% este ano, acima dos 5% registrados em 2007. Ele não se mostra pessimista nem em relação à escassez de mão-de-obra, tão destacada por empresários locais como desafio para o setor. Segundo Safady, programas feitos em parceria com governo, sindicato e empresas vão permitir que haja pessoal suficiente para atender às obras.

Quando questionado sobre o aquecimento imobiliário em estados com vocação turística, como o RN, Safady demonstrou, contudo, preocupação em relação aos investimentos estrangeiros. “É preciso ter cuidado com o mau investidor e estar atento à preservação do meio ambiente. Aqui, como em outros pontos do Nordeste, temos algumas das maiores riquezas da natureza do país”, alertou.

EMPRESÁRIOS LOCAIS DA CONSTRUÇÃO CIVIL RECEBEM CONSELHO DO PRESIDENTE DA CBIC

“É preciso muito cuidado com os investimentos estrangeiros. Tem que ter cautela com o mau investidor, com maus projetos e com a degradação do meio ambiente”

Paulo Safady Simão
Presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), durante palestra em Natal na última sexta-feira (28).

[leia matéria completa no Correio da Tarde - 31/03/03]
:: Segmento deve fazer R$ 26 bi em negócios este ano no Brasil
Repórter: Louise Aguiar

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Paulo Safady disse que o crescimento sustentável faz parte dos princípios da CBIC: “A responsabilidade social e ambiental é prioridade para o setor”.

[leia matéria completa no Diário de Natal - 29/03/08]

PEDIDO DE CONCORDATA DO GRUPO SÁNCHEZ

“Precisamos entender qual é a real situação do Sánchez”

O pedido de concordata preventiva do Grupo Sánchez não terá impacto na continuidade do Grand Natal Golf, mas pode ter abalado a parceria entre o grupo espanhol e a Sociedade Potiguar de Empreendimentos Ltda (Spel), dona da área e das licenças aprovadas do mega-empreendimento turístico projetado para a praia de Pitangui (RN).

Em entrevista ao Diário de Natal, o diretor da Spel, Wagner Mello, pontuou que seria precipitado dizer neste momento se a parceria com os espanhóis, que começou a se configurar em 2005, será desfeita. ‘‘Primeiro temos que enteder o que está acontecendo para podermos encontrar o melhor caminho, tomar uma decisão’’, enfatizou ele, descartando, ainda, que a imagem do projeto fique manchada em decorrência do episódio e de problemas envolvendo o Ministério Público.
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[leia matéria completa no Diário de Natal]