INFORMAÇÃO PRECISA*

Reportagem da TV Tropical, dia 19/03/08 às 20h, um jovem Arquiteto é entrevistado sobre situação da Área Não Edificante de Ponta Negra:

Suas colocações são excelentes sobre o assunto. Disse o jovem arquiteto que seu projeto foi um contraponto ao Projeto da SEMURB. Um detalhe chamou minha atenção. Na fala do jovem Arquiteto ele afirma que seu projeto foi discutido com a Associação de Moradores de Ponta Negra. Nós desconhecemos esta discussão.

Ressalto que o projeto do Arquiteto pelo que foi mostrado é muito bom. Agora que foi discutido com a Associação de Moradores de Ponta Negra e Alagamar, isto nós desconhecemos.

* por Dimirson Holanda Cavalcante
Morador

VENDE-SE A MÃE :: OU TROCA-SE POR UMA GAMBIARRA NO SANEAMENTO BÁSICO

Não é de se estranhar que construtores, advogados e corretores imobiliários residentes em Ponta Negra manifestem-se contra o tombamento do Morro do Careca. Essa gente visa apenas ganhos, não têm sentimento coletivo. São agentes capitalistas, capazes de venderem “a própria mãe” para levar vantagem em transações comerciais – mesmo a um custo irreversível com a destruição do patrimônio de todos, a natureza.

Nesse projeto de saneamento do emissário submarino está aportado muito dinheiro, e em nosso país, sabemos, os corruptos estão entranhados nos dois lados, setor privado e governo.

Rezo e peço a Deus que apareçam líderes de verdade em quem possamos confiar.

* Dimirson Holanda
Morador do Conjunto Ponta Negra e ex-diretor da Associação de Moradores do Conjunto Ponta Negra a Alagamar (AMPA)

Atualizações dias 15 e 16 de abril

Matéria TN 3/4 – Novo Plano Diretor faz de Ponta Negra área de proteção

Novo Plano Diretor faz de Ponta Negra área de proteção

Repórter: Jacson Damasceno
Foto: Divulgação

VILA DE PONTA NEGRA – Deverá passar pelo mesmo processo que passou Mãe Luíza, tudo para preservar a área e evitar a expulsão dos moradores

Ponta Negra, no planejamento urbano da capital, é quase toda considerada como Zona de Adensamento Básico. Essa classificação significa que a área possui critérios para os tipos de construções que serão erguidas. Um deles é o coeficiente de aproveitamento de 1,8 (número pelo qual se multiplica a área do terreno), definindo a área do que se pode construir em cada espaço.

Em uma Zona Adensável, os critérios são bem mais abertos. O coeficiente de aproveitamento, por exemplo, é de 3,0. É exatamente a característica do polígono criado em 2000, entre o conjunto Ponta Negra e parte de Alagamar. Com isso, grandes prédios puderam ser erguidos na região. Mas os moradores da área não gostaram nada da situação e uma mudança está sendo planejada com o novo Plano Diretor.

Segundo a chefe do Departamento Urbanístico e Ambiental da Secretaria de Meio-Ambiente e Urbanismo (Semurb), Florésia Pessoa, o novo PDN deseja corrigir o que ela classifica de falhas. Pela nova proposta, toda a área de Ponta Negra se tornará de Adensamento Básico. Com exceção da Zona Especial de Interesse Turístico (ZET), que vai da avenida Engenheiro Roberto Freire até a beira-mar (e onde se encontra a área non aedificandi), das Zonas de Proteção Ambiental (ZPA-5 e ZPA-6) e da Vila de Ponta Negra, que deverá ser transformada em Área Especial de Interesse Social (AEIS).

“O plano diretor deseja rever algumas questões, no intuito de melhorar a urbanização de todo o bairro”, disse Florésia. Segundo ela, a ZET deverá ser ampliada até a Vila de Ponta Negra, corrigindo uma falha de planos anteriores que deixaram a área desprotegida. A ZET tem critérios rigorosos para edificações. A Vila de Ponta Negra deverá passar pelo mesmo processo por que passou Mãe Luíza e, com isso, espera-se conter a especulação imobiliária, mantendo os moradores originais na área. “É preciso se preservar as mesmas características. Queremos evitar que os moradores da Vila sejam expulsos”.

De acordo com a chefe de planejamento, é preciso rever também a situação de Lagoinha, cujos padrões foram alterados recentemente. “Temos seis meses para refazer tudo aquilo”.

Morador relata que o sossego na Vila já não existe mais

Dimirson Holanda, 65, militar reformado, mora no conjunto Ponta Negra desde 1978, quando chegaram os primeiros moradores. Na época, ele fez um esforço, juntou um dinheirinho e comprou uma casa na área que na época prometia ser um paraíso dentro da capital. E de fato, por muito tempo foi. Mas Dimirson conta que de uns anos para cá, o sossego foi embora. Pois o que era um conjunto habitacional está se tornando um centro empresarial.

“Antigamente nossos filhos iam à praia à vontade. Hoje nós não temos mais isso”, conta o militar reformado. Segundo ele, a construção de grandes prédios está tirando do conjunto suas características originais. Ele cita ainda os estudos que apontam que, os espigões que ainda podem ser construídos, servirão como um paredão, na região que funciona como um corredor de vento para toda a cidade. “Se isso acontecer, vai prejudicar não só o conjunto”.

Dimirson hoje é secretário da Associação dos Moradores de Ponta Negra e Alagamar (Ampa) e hoje está unido ao professor de capoeira Caio dos Anjos, 39, secretário do Conselho Comunitário do bairro. Caio mora na Vila de Ponta Negra há 16 anos e faz um trabalho social com os jovens carentes da comunidade. Hoje, o mestre também é contra a especulação imobiliária.

“São vários problemas que temos aqui. Já acontece, por exemplo, de moradores venderem suas casas por altos preços e saírem da vila. Só que, sem saber administrar o dinheiro, muitos voltam para cá e vão morar nas favelas”, explicou. Segundo Caio, a comunidade perde também porque nem mesmo a Prefeitura pode comprar um terreno na Vila para aumentar uma escola pública, por exemplo. “Tem um terreno aqui, que já aprovamos para a compra, para a ampliação de uma escola. Mas o lote vale no máximo, R$ 15 mil, e o dono está pedindo R$ 180 mil”, conta.

Construtores criticam a falta de infra estrutura

Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinducon-RN), Sílvio Bezerra, um ponto deveria ser visto antes de toda e qualquer discussão sobre construções em Ponta Negra: a falta de um adeqüado saneamento da área. Para os empresários, é um absurdo que uma região valorizada e viável como aquela ainda padeça com os problemas vistos com a incapacidade da rede de esgotos.

“O que limita o crescimento de Ponta Negra é a falta de saneamento básico. Isso limita a entrada de novos empreendimentos. Silvio se refere à capacidade da rede de esgotos, que seguiu as projeções da Companhia de Abastecimento de Água e Esgoto (Caern), mas que não previu o crescimento acelerado do bairro. “Essa é uma responsabilidade do poder público. Mas se o governo não tiver recurso, a iniciativa topa fazer uma Parceria Público-Privada para resolver o problema”.

Além da discussão sobre a adeqüação do saneamento da área, os construtores estão cobrando uma regulamentação clara e definitiva sobre as construções no bairro. Ele cita como exemplo a legislação na área da Ladeira do Sol, no Centro, onde deve-se respeitar a visualização de um observador, levando-se em conta a Fortaleza dos Reis Magos ao lado esquerdo, e o início da Via Costeira ao lado direito.

Claro que, em se tratando da criação de uma regulamentação, os construtores preferem que isso se dê no sentido das permissões. Para Silvio Bezerra, não há sentido em se proibir construções à esquerda da avenida Engenheiro Roberto Freire. “É importante se preservar a visão do Morro do Careca. Ele é um patrimônio nosso e importante até mesmo para o turismo. Mas não há sentido em se proibir que se construa ao lado direito e ali por trás (na região do conjunto)”, argumenta o empresário.

Bezerra criticou ainda a proposta existente para o novo Plano Diretor, que diz que, para que se construa na área, seja necessário obter autorizações do Idema e da Caern, além de se promover uma audiência pública com os moradores do bairro. “São três coisas descabidas. Quem tem que dar a licença é a Semurb e não o Idema. E quanto à Caern, ela tem que fazer o saneamento e pronto. Já sobre as audiências, é pior. Você compra um terreno, aí pra construir um prédio, tem que comunicar a todo mundo”.

Silvio Bezerra diz que as construções que poderiam ser instaladas ali, trariam um desenvolvimento da região, o que melhoraria a qualidade de vida dos moradores. Tudo isso com a vinda de grande empresas e mais empregos. Além disso, ele condena o que chama de retirada dos direitos do cidadão, em relação aos critérios para a venda de lotes. “A pessoa deve ter o direito de decidir sobre sua vida, se quer vender seu terreno ou não”.

Silvio Bezerra informou que pretende presenciar as discussões na Câmara Municipal, a fim de expor suas idéias. “Queremos encontrar um meio termo. Eu vou lá para argumentar. Não adianta discutir com a emoção”.

Entrevista: Maria Helena Correia, moradora

Dona Maria Helena Correia está na Vila de Ponta Negra desde que nasceu. Se criou entre os pescadores e agricultores daquela que era uma região praieira distante de tudo. Quando era menina, cansou de ir à pé para o Centro, nos tempos em que a condução era algo inimaginável. Hoje, aos 64 anos, está no mesmo lugar, na rua Manoel Coringa de Lemos, a principal da Vila.

Dona Helena atualmente é referência cultural da localidade. Faz renda de bilro, dança no pastoril, canta, representa e é admirada na comunidade. Para ela, não há dinheiro no mundo que valha à pena sair da Vila. E ela resiste, na mesma casa, apesar de já ter perdido a vista para o Morro do Careca. Hoje, restou-lhe alguns metros da vista do mar, que já é ameaçada pelo anúncio da construção de mais um prédio. Mas ainda assim, ela não sai.

Quando a senhora começou a perceber que a Vila já não seria a mesma?

Maria Helena: Ah, isso já faz é muito tempo. Já faz mais de quarenta anos. Na verdade, desde que chegou o conjunto, já começou mudar. Já foi chegando mais gente. Porque a gente nunca imaginou que a Vila fosse ficar desse jeito. É tanto que as casas eram tudo na beira da pista. As pessoas daquele tempo eram muito inocentes. Era um pouco quieto. Tendo o dinheiro pro pão de cada dia, tudo tava bom…

E qual o temor do pessoal, sobre o que pode acontecer daqui pra frente?

MH: Eu acho assim, que o maior temor da gente é eles tirarem mesmo. É eles tomarem conta de tudo. A “gringaiada” tá tomando conta de tudo. Aqui na rua a gente conta os nativos que tem. Muitos deles foram lá pro final das ruas ou pra outros bairros. O desenvolvimento até tem sido bom, mas aquela tranqüilidade acabou. Mas nem por isso eu deixo de gostar do meu ninho, não.

E desses nativos que vão embora, a senhora será mais uma?

MH: Não, senhor. Pelos meus planos eu vou ficar aqui. Meu esposo às vezes diz: “se eu arranjar um bom dinheiro, eu vou embora”, Eu digo, vou nada. Deixa fazer os prédios. Dinheiro pra mim é apenas um complemento da minha vida.

O Conjunto de Ponta Negra foi regulamentado pela lei 4.328/93

. 707, 16ha é a área do bairro de Ponta Negra
. 6.227 é o total de domicílios particulares
. 23.600 era o total da população, no ano de 2000
. 30.212 era a estimativa da população para 2005
. 42,72 hab/ha era a estimativa da densidade demográfica (2005).
. 3,76 é a média de moradores por domicílio
. 123 casas têm rede de esgoto
. 5.527 casas tem fossas séptica
. 794 residências tem fossas rudimentares
. 5.440 ligações de esgotos registradas
. 37.770 ligações de água pela Caern
. 9.574 são consumidores de energia elétrica (dados da Cosern)

Matéria TN 3/4 – Novo Plano Diretor faz de Ponta Negra área de proteção

Novo Plano Diretor faz de Ponta Negra área de proteção

Repórter: Jacson Damasceno
Foto: Divulgação

VILA DE PONTA NEGRA – Deverá passar pelo mesmo processo que passou Mãe Luíza, tudo para preservar a área e evitar a expulsão dos moradores

Ponta Negra, no planejamento urbano da capital, é quase toda considerada como Zona de Adensamento Básico. Essa classificação significa que a área possui critérios para os tipos de construções que serão erguidas. Um deles é o coeficiente de aproveitamento de 1,8 (número pelo qual se multiplica a área do terreno), definindo a área do que se pode construir em cada espaço.

Em uma Zona Adensável, os critérios são bem mais abertos. O coeficiente de aproveitamento, por exemplo, é de 3,0. É exatamente a característica do polígono criado em 2000, entre o conjunto Ponta Negra e parte de Alagamar. Com isso, grandes prédios puderam ser erguidos na região. Mas os moradores da área não gostaram nada da situação e uma mudança está sendo planejada com o novo Plano Diretor.

Segundo a chefe do Departamento Urbanístico e Ambiental da Secretaria de Meio-Ambiente e Urbanismo (Semurb), Florésia Pessoa, o novo PDN deseja corrigir o que ela classifica de falhas. Pela nova proposta, toda a área de Ponta Negra se tornará de Adensamento Básico. Com exceção da Zona Especial de Interesse Turístico (ZET), que vai da avenida Engenheiro Roberto Freire até a beira-mar (e onde se encontra a área non aedificandi), das Zonas de Proteção Ambiental (ZPA-5 e ZPA-6) e da Vila de Ponta Negra, que deverá ser transformada em Área Especial de Interesse Social (AEIS).

“O plano diretor deseja rever algumas questões, no intuito de melhorar a urbanização de todo o bairro”, disse Florésia. Segundo ela, a ZET deverá ser ampliada até a Vila de Ponta Negra, corrigindo uma falha de planos anteriores que deixaram a área desprotegida. A ZET tem critérios rigorosos para edificações. A Vila de Ponta Negra deverá passar pelo mesmo processo por que passou Mãe Luíza e, com isso, espera-se conter a especulação imobiliária, mantendo os moradores originais na área. “É preciso se preservar as mesmas características. Queremos evitar que os moradores da Vila sejam expulsos”.

De acordo com a chefe de planejamento, é preciso rever também a situação de Lagoinha, cujos padrões foram alterados recentemente. “Temos seis meses para refazer tudo aquilo”.

Morador relata que o sossego na Vila já não existe mais

Dimirson Holanda, 65, militar reformado, mora no conjunto Ponta Negra desde 1978, quando chegaram os primeiros moradores. Na época, ele fez um esforço, juntou um dinheirinho e comprou uma casa na área que na época prometia ser um paraíso dentro da capital. E de fato, por muito tempo foi. Mas Dimirson conta que de uns anos para cá, o sossego foi embora. Pois o que era um conjunto habitacional está se tornando um centro empresarial.

“Antigamente nossos filhos iam à praia à vontade. Hoje nós não temos mais isso”, conta o militar reformado. Segundo ele, a construção de grandes prédios está tirando do conjunto suas características originais. Ele cita ainda os estudos que apontam que, os espigões que ainda podem ser construídos, servirão como um paredão, na região que funciona como um corredor de vento para toda a cidade. “Se isso acontecer, vai prejudicar não só o conjunto”.

Dimirson hoje é secretário da Associação dos Moradores de Ponta Negra e Alagamar (Ampa) e hoje está unido ao professor de capoeira Caio dos Anjos, 39, secretário do Conselho Comunitário do bairro. Caio mora na Vila de Ponta Negra há 16 anos e faz um trabalho social com os jovens carentes da comunidade. Hoje, o mestre também é contra a especulação imobiliária.

“São vários problemas que temos aqui. Já acontece, por exemplo, de moradores venderem suas casas por altos preços e saírem da vila. Só que, sem saber administrar o dinheiro, muitos voltam para cá e vão morar nas favelas”, explicou. Segundo Caio, a comunidade perde também porque nem mesmo a Prefeitura pode comprar um terreno na Vila para aumentar uma escola pública, por exemplo. “Tem um terreno aqui, que já aprovamos para a compra, para a ampliação de uma escola. Mas o lote vale no máximo, R$ 15 mil, e o dono está pedindo R$ 180 mil”, conta.

Construtores criticam a falta de infra estrutura

Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinducon-RN), Sílvio Bezerra, um ponto deveria ser visto antes de toda e qualquer discussão sobre construções em Ponta Negra: a falta de um adeqüado saneamento da área. Para os empresários, é um absurdo que uma região valorizada e viável como aquela ainda padeça com os problemas vistos com a incapacidade da rede de esgotos.

“O que limita o crescimento de Ponta Negra é a falta de saneamento básico. Isso limita a entrada de novos empreendimentos. Silvio se refere à capacidade da rede de esgotos, que seguiu as projeções da Companhia de Abastecimento de Água e Esgoto (Caern), mas que não previu o crescimento acelerado do bairro. “Essa é uma responsabilidade do poder público. Mas se o governo não tiver recurso, a iniciativa topa fazer uma Parceria Público-Privada para resolver o problema”.

Além da discussão sobre a adeqüação do saneamento da área, os construtores estão cobrando uma regulamentação clara e definitiva sobre as construções no bairro. Ele cita como exemplo a legislação na área da Ladeira do Sol, no Centro, onde deve-se respeitar a visualização de um observador, levando-se em conta a Fortaleza dos Reis Magos ao lado esquerdo, e o início da Via Costeira ao lado direito.

Claro que, em se tratando da criação de uma regulamentação, os construtores preferem que isso se dê no sentido das permissões. Para Silvio Bezerra, não há sentido em se proibir construções à esquerda da avenida Engenheiro Roberto Freire. “É importante se preservar a visão do Morro do Careca. Ele é um patrimônio nosso e importante até mesmo para o turismo. Mas não há sentido em se proibir que se construa ao lado direito e ali por trás (na região do conjunto)”, argumenta o empresário.

Bezerra criticou ainda a proposta existente para o novo Plano Diretor, que diz que, para que se construa na área, seja necessário obter autorizações do Idema e da Caern, além de se promover uma audiência pública com os moradores do bairro. “São três coisas descabidas. Quem tem que dar a licença é a Semurb e não o Idema. E quanto à Caern, ela tem que fazer o saneamento e pronto. Já sobre as audiências, é pior. Você compra um terreno, aí pra construir um prédio, tem que comunicar a todo mundo”.

Silvio Bezerra diz que as construções que poderiam ser instaladas ali, trariam um desenvolvimento da região, o que melhoraria a qualidade de vida dos moradores. Tudo isso com a vinda de grande empresas e mais empregos. Além disso, ele condena o que chama de retirada dos direitos do cidadão, em relação aos critérios para a venda de lotes. “A pessoa deve ter o direito de decidir sobre sua vida, se quer vender seu terreno ou não”.

Silvio Bezerra informou que pretende presenciar as discussões na Câmara Municipal, a fim de expor suas idéias. “Queremos encontrar um meio termo. Eu vou lá para argumentar. Não adianta discutir com a emoção”.

Entrevista: Maria Helena Correia, moradora

Dona Maria Helena Correia está na Vila de Ponta Negra desde que nasceu. Se criou entre os pescadores e agricultores daquela que era uma região praieira distante de tudo. Quando era menina, cansou de ir à pé para o Centro, nos tempos em que a condução era algo inimaginável. Hoje, aos 64 anos, está no mesmo lugar, na rua Manoel Coringa de Lemos, a principal da Vila.

Dona Helena atualmente é referência cultural da localidade. Faz renda de bilro, dança no pastoril, canta, representa e é admirada na comunidade. Para ela, não há dinheiro no mundo que valha à pena sair da Vila. E ela resiste, na mesma casa, apesar de já ter perdido a vista para o Morro do Careca. Hoje, restou-lhe alguns metros da vista do mar, que já é ameaçada pelo anúncio da construção de mais um prédio. Mas ainda assim, ela não sai.

Quando a senhora começou a perceber que a Vila já não seria a mesma?

Maria Helena: Ah, isso já faz é muito tempo. Já faz mais de quarenta anos. Na verdade, desde que chegou o conjunto, já começou mudar. Já foi chegando mais gente. Porque a gente nunca imaginou que a Vila fosse ficar desse jeito. É tanto que as casas eram tudo na beira da pista. As pessoas daquele tempo eram muito inocentes. Era um pouco quieto. Tendo o dinheiro pro pão de cada dia, tudo tava bom…

E qual o temor do pessoal, sobre o que pode acontecer daqui pra frente?

MH: Eu acho assim, que o maior temor da gente é eles tirarem mesmo. É eles tomarem conta de tudo. A “gringaiada” tá tomando conta de tudo. Aqui na rua a gente conta os nativos que tem. Muitos deles foram lá pro final das ruas ou pra outros bairros. O desenvolvimento até tem sido bom, mas aquela tranqüilidade acabou. Mas nem por isso eu deixo de gostar do meu ninho, não.

E desses nativos que vão embora, a senhora será mais uma?

MH: Não, senhor. Pelos meus planos eu vou ficar aqui. Meu esposo às vezes diz: “se eu arranjar um bom dinheiro, eu vou embora”, Eu digo, vou nada. Deixa fazer os prédios. Dinheiro pra mim é apenas um complemento da minha vida.

O Conjunto de Ponta Negra foi regulamentado pela lei 4.328/93

. 707, 16ha é a área do bairro de Ponta Negra
. 6.227 é o total de domicílios particulares
. 23.600 era o total da população, no ano de 2000
. 30.212 era a estimativa da população para 2005
. 42,72 hab/ha era a estimativa da densidade demográfica (2005).
. 3,76 é a média de moradores por domicílio
. 123 casas têm rede de esgoto
. 5.527 casas tem fossas séptica
. 794 residências tem fossas rudimentares
. 5.440 ligações de esgotos registradas
. 37.770 ligações de água pela Caern
. 9.574 são consumidores de energia elétrica (dados da Cosern)

Semurb e Conplam discordam da altura máxima dos prédios

A chefe do Departamento de Planejamento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (SEMURB), Florésia Pessoa, admitiu que algumas das sugestões feitas pelo COMPLAM (Conselho Municipal de Planejamento) não foram acatadas pela Prefeitura.

“Oitenta por cento das propostas foram consensuais. Mas tiveram alguns pontos do COMPLAN que não concordamos”, disse.

Um dos pontos de discordância era que o Conselho defendia um gabarito (altura do prédios) de 90 metros, o equivalente à 30 andares, em todas as áreas. No entanto, no projeto enviado pela Prefeitura essa permissão é restrita apenas para as áreas centrais, como Tirol e Petrópolis. As demais áreas terão o gabarito de 65 metros, o equivalente à 23 andares.

O presidente da entidade, o empresário da construção civil Sílvio Bezerra, também defende a permanência do coeficiente de aproveitamento de Ponta Negra.Para ele, a possibilidade de exigir um sistema de esgotamento sanitário privado e fixar um observador fictício para preservar a questão cênico-paisagístico justifica a liberação da área.

* colaborou Dimirson Holanda

Carta de Dimirson Holanda ao Padre Alcimário

Caro Padre Alcimário,

Sabemos, nem sempre as lutas para conquistar justiça são do consentimento de todos. Não é assim com o Evangelho? A Boa Nova nunca vai deixar de ecoar nos quadrantes do mundo. Mas isto não significa que as injustiças serão banidas completamente do ambiente das relações humanas, assim como também não quer dizer que nos calemos e façamos de conta que tudo vai bem de que nada está acontecendo de negativo.

No tocante às questões ambientais, nós moradores dos parques residenciais de Ponta Negra e Alagamar estamos preocupados com o futuro dos nossos conjuntos. Não sou contra o desenvolvimento da cidade, mas contra o crescimento desordenado.

A Constituição do País prevê aos cidadãos o direito de escolha, isto é uma premissa básica num regime democrático. Aplicando este princípio ao direito de escolher qual tipo de moradia o cidadão deseja, porque então a mercado quer impor a seu bel prazer a forma de moradia que ele bem entende? Porque o mercado se acha no direito de argumentar que o direito de compra e venda é livre para forçar o cidadão que escolheu, (e muitos com sacrifício adquiriram sua casa no conjunto Ponta Negra e Alagamar), a deixar a casa que sonhou, o bairro que escolheu para viver?

O mais lamentável ainda nesse jogo, é a indiferença e o equívoco de alguns imaginando que vender sua casa aproveitando esse ataque especulativo do mercado imobiliário significará a realização dos seus sonhos e desejos de consumo.

Falta a essa gente o sentimento de pertencimento social, ou seja, o bem estar coletivo. E nossas raízes? Nossa cumplicidade com o bairro que amamos? Calar e aceitar que substituam as bonitas residências horizontais, com nossas ruas arborizadas e praças bem equipadas como começam a ser realidade agora, por espigões de concreto, transformados em condomínio para pessoas de alto poder aquisitivo, ou pousadas de fachadas para outros fins, é impor uma EXPULSÃO BRANCA aos moradores que amam e gostam do seu conjunto residencial!

Minha voz não vai calar contra essa agressão. Conclamo a todos moradores, todas as entidades existentes em nossos conjuntos a se unirem e que venham apoiar um pequeno grupo de moradores que a muito custo conseguiu apoio da Associação de Moradores de Ponta Negra e Alagamar, defender as emendas que eles estão propondo ao Plano Diretor de Natal na Audiência Pública no dia 28/03/07, realizada às 9 horas no Plenário da Câmara Municipal de Natal.

Atenciosamente,

Dimirson Holanda Cavalcante
Morador e membro da Associação de Moradores de Ponta Negra e Alagamar

Carta de Dimirson Holanda ao ex-vereador e líder George Câmara

Ao estimado George Câmara,

Nossa preocupação agora é como conseguir fazer nossos moradores comparecerem à Câmara no dia da Audiência Pública, para apoiar esse gigantesco desafio que um diminuto grupo de moradores vem enfrentando. A indiferença de muitos, penso que é um aspecto da nossa cultura, além do inexplicável desinteresse da diretoria da Associação de Moradores de Ponta Negra e Alagamar, com exceção apenas da Presidente e desse amigo seu que se preocupa com o futuro do nosso conjunto.

Aqui existe um expressivo número de moradores assalariados que com muito sacrifício conseguiram adquirir sua casa própria.

Será que morar em um espaço como Ponta Negra é exclusividade dos ricos?

Não vou calar!

Caro George você precisa voltar para a Câmara!

Dimirson Holanda Cavalcante

Carta de Dimirson Holanda sobre Conplam

Estou fixado naquela idéia do “exaustivamete debatido com todos os segmentos da sociedade organizada”. Sou descrente quanto a esta afirmação.

De certo modo aceito sim que as decisões de caráter social muito importantes são ignoradas pelas entidades representativas das comunidades por omissão dos seus dirigentes. Não posso criticar todas as associações comunitárias, mas posso criticar a nossa AMPA por aqui viver e observar que os dirigentes que por aqui passaram não possuíam visão do futuro.

Associações comunitárias, a meu ver, não podem mais ficar isoladas do que acontece nos fóruns sociais promovidos – seja pelo poder público ou entidades não governamentais. Os moradores que voluntariamente aceitam participar de uma diretoria devem trabalhar para levar a entidade ao patamar das grandes discussões de interesse coletivo.

Há uma pluralidade nesse contexto, pois não existe pensamento uniforme. Pensamos e agimos de conformidade com nossos interesses individuais, nossa visão de mundo, uns mais avançados, outros nem tanto, e muitos outros indiferentes a essa trama, a essa enigmática passagem humana no planeta.

Acredito, porém, que o conhecimento pode ser socializado. O conhecimento não deve estar voltado exclusivamente para as vertentes que conduzem ao “sucesso” profissional no sentido de ganhar mais e mais dinheiro. Esse modelo incutido em nossas cabeças quem sabe não seja a raiz de tantos males sociais.

Existem os SÁBIOS E OS SABIDOS.

Os primeiros dão magníficas contribuições às realizações humanas, não são astutos nem arrogantes, enquanto que os sabidos ou sabidões com a posse do saber tornam-se inimigos de todo o conjunto da sociedade.

Ocupam os espaços influentes nas esferas da camada social. Defendem quase sempre os interesses pessoais ou de grupos, e ainda iludem os simples e humildes fazendo-os acreditar que eles estão promovendo o bem estar deles. Esse, por exemplo, tem sido o discurso dos defensores e detentores da grande fatia do mercado imobiliário.

Não pode um cidadão que não é médico participar de um congresso de medicina, pois não acumulou conhecimentos acadêmicos para tal, mas pode levar sua contribuição como sujeito passivo desta ciência dizendo como está sua aplicação.

Não convém convidar um leigo para participar do CONPLAM, porque não tem conhecimento técnico desta ou daquela área, mas esse mesmo leigo sujeito passivo das decisões tomadas pode contribuir na elaboração de decisões porque ele é quem vive ou quem viverá na prática as boas ou más decisões tomadas.

Estas considerações quem sabe não servirão para abrirmos questionamentos neste momento favorável que estamos vivendo para discutir O BAIRRO QUE QUEREMOS, A PONTA NEGRA QUE QUEREMOS.

Atenciosamente,

Dimirson Holanda Cavalcante
Morador e membro da Associação de Moradores de Ponta Negra e Alagamar

Carta enviada por Dimirson Holanda às redações de jornais da cidade

Senhor Editor,

A sociedade natalense está diante de uma expectativa e preocupada também diante da investida feroz que os atores do mercado imobiliário fazem para expandir de qualquer forma seus milionários negócios sem se importarem com a qualidade de vida do cidadão.

De maneira preconceituosa afirmam que queremos preservar “um modelo urbanístico dos anos 70 e 80 que tem como padrão os precários conjuntos de habitação populares da antiga COHAB” (Jornal de Hoje, coluna Hoje na Economia 28/03/07, do senhor Marcos Aurélio de Sá, defensor defensor ferrenho dos empresários da construção civil).

Esse mesmo preconceito com certeza querem impor também a nós, moradores dos conjuntos Ponta Negra e Alagamar, cujas casas foram construídas nessa mesma política de habitação pelo antigo INOCOOP.

Esse cidadão preconceituoso deveria tomar conhecimento de uma pesquisa científica de opinião pública, recentemente realizada, onde os moradores obtiveram graças à generosidade do Sr. Paulo de Tarso da CONSULT PESQUISA. A pesquisa de campo foi efetuada por alunos do curso de Arquitetura da UnP, orientados pelo Professor Heitor Andrade, Arquiteto e docente da UFRN e UnP.

Essa pesquisa, que consultou um universo de 500 moradores obtendo resposta de 472, encontra-se à disposição na Comissão de Planejamento, Transporte e Meio Ambiente, cujo presidente é o senhor vereador Júlio Protásio. Nela, quem quiser poderá comprovar que os moradores não querem a substituição de suas casas horizontais por espigões.

Portando, o Sr. Marcos Aurélio não tem o direito de insultar – como vem fazendo – os defensores dessa forma de residência, rotulando pejorativamente a todos os moradores dos conjuntos de Ponta Negra e Alagamar de “ecologistas de araque interessados, isto sim, em criar dificuldades à livre iniciativa para, desta forma, traficar facilidades pela via da chantagem” (Jornal de Hoje, coluna Hoje na Economia, 28/03/07).

Sinto-me atingido de forma grosseira, pois sou apenas como muitos outros, um morador que com muito sacrifício adquiriu sua casa própria e que desde 1978 escolheu o bairro de Ponta Negra, não apenas para morar, mas viver e como cidadão contribuir para a qualidade de vida em nossos parques residenciais.

Nosso conjunto foi concebido para se tornar um parque residencial horizontal, agradável, ecologicamente sadio, e não esses monstrengos de concreto que estão agora querendo pela força do dinheiro anular nosso sagrado direito constitucional de escolha.

Agride ainda a liberdade de consciência dos parlamentares que vão votar o Plano Diretor de Natal, eleitos por nós, classificando-os com a possibilidade de se tornarem obtusos (“… Fazemos votos de que os vereadores de Natal, mesmo os que compõem a base de apoio ao prefeito, não sejam obtusos…” (Jornal de Hoje de 28/03/2007).

Os vereadores não devem aceitar essas imprecações desrespeitosas. Por muito menos fosse um cidadão comum que assim se pronunciasse, não estaria sendo ameaçado de processo.

O apelo, entretanto, democrático, elegante e bem elaborado que os moradores dos conjuntos de Ponta Negra e Alagamar fizeram e fazem aos nossos Vereadores é o de que votem com suas consciências e sejam sensíveis aos cidadãos que os respeitam como nossos legítimos representantes em defesa dos interesses da coletividade.

Atenciosamente,

Dimirson Holanda Cavalcante
Morador e membro da Associação de Moradores de Ponta Negra e Alagamar