.: Com falta de investimento estrangeiro, imobiliárias fecham em Ponta Negra [jan/09]

TRIBUNA DO NORTE – 29/jan/2009
Foto: Júnior Santos

PREJUÍZOS – Waldemir diz que desaceleração causou fechamento de imobiliárias

Com a fuga dos investimentos estrangeiros no Rio Grande do Norte, após o início da crise econômica mundial, o cenário do mercado de imóveis no bairro de Ponta Negra começa a mudar. Um dos locais preferidos para a instalação de escritórios de empresas do setor, a Avenida Erivan França hoje é exemplo de como as imobiliárias – que tinham como foco os investidores internacionais – sofrem com a recessão em outros países.

O presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci RN), Waldemir Bezerra, explica que não há números que demonstrem a dimensão dos baques que as imobiliárias estão sentindo. Porém, ele confirma que as empresas estão realmente baixando suas portas, saindo do mercado ou procurando outros pontos de comercialização.

“Uma vez que a crise tirou os investidores internacionais do estado, os escritórios perderam seus clientes. Os negócios em Ponta Negra diminuíram sensivelmente e, no ano passado, as imobiliárias com foco no mercado internacional amargaram um prejuízo muito grande”, declara.

A falta de dados sobre a quantidade de empresas fechadas nos últimos meses se deve ao fato de que muitas delas encerram suas atividades mas não dão baixa na documentação junto ao Creci. Bezerra acredita que somente em abril o órgão poderá estimar um número já que, até março, está sendo cobrada a anuidade do conselho. “Geralmente, descobrimos que as empresas realmente fecharam quando elas não pagam ou a correspondência para pagamento retorna”, explica.

Waldemir Bezerra avalia o cenário com preocupação já que o Rio Grande do Norte, em especial Natal, tem se tornado cada vez mais um destino de segunda residência. “Há quem faça uma leitura que este mercado vai voltar a crescer na Europa ainda este ano. Isso é muito importante para nós já que sabemos que a queda dos investimentos ocorreu porque outros países entraram em recessão e os estrangeiros ficaram mais cautelosos”.

Mudança

O empresário Fred Salsa era um dos sócios da imobiliária Euro que ficava localizada na orla da praia mais famosa de Natal. Porém, depois de aproximadamente cinco anos na área a sociedade terminou e ele, atualmente, se prepara para abrir um novo escritório em Petrópolis.

A imobiliária Imocapital, como será chamado o novo empreendimento de Salsa, foge do foco de Ponta Negra, mercado que já está fraco segundo o empresário. “O movimento estrangeiro caiu bastante nos últimos anos. Continuo com clientes naquela região, mas preferi abrir o escritório em Petrópolis”.

Segundo Fred Salsa, cerca de 60% das vendas realizadas pela Euro eram fruto de investimentos de estrangeiros. O público era variado incluindo espanhóis, noruegueses, italianos e portugueses. A imobiliária foi uma das primeiras a abrir na Erivan França e, de acordo com Fred, após o seu fechamento muitos negócios do mesmo segmento também começaram a deixar a região.

>>> Comentário pertinente: A atual situação [crítica] do mercado imobiliário e os [contínuos] baixos índices no fluxo turístico, refletem a estratégia depreciativa adotada pela especulação imobiliária e a maneira equivocada como foi direcionado o turismo na capital potiguar. A relação é de exploradores e explorados, em vez de parceiros! Formou-se uma bolha ilusória e frágil de prosperidade, comprovando a necessidade de um crescimento urbano responsável e antenado com as características culturais e históricas da cidade.

FIERN PROMOVE SEMINÁRIO PARA SENSIBILIZAR AMBIENTALMENTE EMPRESÁRIOS DO RN

Evento traz à Natal especialistas para debate desenvolvimento com sustentabilidade

É bastante comum a associação do termo “poluição” com a palavra “indústria”. Natural que seja assim, já que para produzir em massa é preciso poluir, certo? Não necessariamente.

E é para defender esse posicionamento que a Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), em parceria com o Jornal EntreBairros e com o patrocínio da Petrobras, realiza no dia 19 de novembro o I Seminário Empresarial – Negócios e Sustentabilidade, no Auditório Senador Albano Franco.

O evento visa conscientizar o empresariado potiguar sobre a necessidade urgente de se adotar uma gestão de desenvolvimento comprometida com as responsabilidades social e ambiental. Na prática, a proposta é que as gerações de lucros, emprego e renda que as indústrias promovem continuem acontecendo, mas sem que haja degradação humana e do meio ambiente.

A expectativa dos organizadores é que compareçam 250 pessoas, entre empresários, representantes de entidades de classe e de governos, entre eles o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, a governadora do RN, Wilma de Faria, o presidente do IBAMA, Roberto Messias Franco, e a conselheira de assuntos científicos e intercâmbio acadêmico da Embaixada da Alemanha no Brasil, Julia Kunderman.

PROGRAMAÇÃO

Além das palestras ministradas por diversas autoridades e especialistas sobre assuntos relacionados à questão ambiental, o evento apresentará aos participantes formas de produção ecoeficientes – que ajudaram, inclusive, a reduzir custos operacionais e a agregar valor a produtos – já aplicadas com sucesso no RN, no Brasil e no exterior.

Ao término do evento os participantes terão direito a receber certificados de participação.

Temas das palestras

- Globalização
- Desenvolvimento e sustentabilidade
- Consumo e cultura
- Gestão de recursos hídricos
- Licenciamento e atividade empresarial
- Aplicabilidade da Legislação Ambiental
- Resultados da III Conferência Estadual de Meio Ambiente
- Créditos de carbono

Apresentação de experiências ecoeficientes

- Reuso da água na indústria, comércio e agricultura
- Consumo consciente: substituição embalagens plásticas
- Biocombustíveis e atividades petrolíferas
- Substituição do carvão por energia ‘limpa’ nas olarias
- Usinas de lixo e reciclagem
- Turismo e meio ambiente

INSCRIÇÕES

As inscrições custam R$ 50 e podem ser feitas através do site www.entrebairros.com.br até o dia 14 de novembro, ou Leal Produções & Publicações – na Av. Prudente de Morais, nº. 507, sala 106, edf. Djalma Marinho, Tirol, Natal-RN.

INFORMAÇÕES

Jornal EntreBairros
entrebairros@oi.com.br
www.entrebairros.com.br
(84) 3201-9498

Jornal de Hoje :: SUPERVALORIZAÇÃO AMEAÇA SETOR IMOBILIÁRIO NO RN

Preços no mercado está acima do real

Repórter: Riccelli Araújo
Foto: Wellington Rocha

Especialistas alertam: pode existir “bolha imobiliária” em Natal

É cada vez mais comum encontrar pessoas distribuindo, nos sinais de trânsito, panfletos anunciando lançamentos de prédios e condomínios residenciais, o que demonstra o constante crescimento no setor da construção civil. No entanto, uma questão desperta interesse quando se coloca em pauta o crescimento no valor dos imóveis comercializados no mercado local.

De acordo com a professora do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Márcia Bezerra, que realiza estudos e pesquisas no setor, “esse fenômeno de valorização não aconteceu somente em Natal, mas em lugares com economia em desenvolvimento”. No entanto, em função do crescimento do turismo, Natal passou a ser vista como um mercado promissor, tendo atraído a atenção de estrangeiros em investir no imóvel de segunda residência, fator esse que colabora para a valorização do setor imobiliário na capital do RN.

A professora Márcia Bezerra ressalta que o interesse das construtoras em oferecer aos clientes imóveis com alto padrão de qualidade e valores acrescidos, é em virtude do seu próprio interesse em alcançar resultados positivos e uma maior margem de lucro, respondendo então pela grande quantidade de oferta de imóveis de luxo. Esses, na sua maioria, são localizados em bairros de interesse das classes média e média alta, com condições de adquirir tais produtos.

Um dado interessante citado pela professora Márcia Bezerra, e que também contribui para a supervalorização do imóvel, é o fato de que embora seja grande a quantidade de oferta no mercado, o setor da construção civil ainda não consegue suprir a demanda.

Importante também destacar que a valorização ocorre em virtude de um ponto chave para a construção: o terreno. A área territorial da capital não tem grandes dimensões e os espaços disponíveis já não são tantos, gerando uma especulação financeira inicial no terreno. Márcia Bezerra ressalta a necessidade da vigilância do poder público em monitorar espaços considerados de proteção ambiental para que, futuramente, a população não venha a sofrer danos em decorrência de um “boom imobiliário”.

De acordo com a professora, a UFRN vem desenvolvendo um trabalho de pesquisa para identificar a possível existência de uma “bolha imobiliária” na capital, como ocorreu nos Estados Unidos, o que historicamente não é sustentável em nenhuma economia. Segundo ela, professores e pesquisadores de vários departamentos estão levantando informações e analisando dados estatísticos que possam comprovar esse fenômeno na capital do RN.

É importante destacar que o fenômeno “bolha imobiliária” representa a constatação de que os preços no mercado imobiliário estão bem acima de seu real valor. Entretanto, os compradores continuam dispostos a pagar ainda mais, o que contribui para a geração de um ciclo especulativo difícil de estabelecer um fim. Esse ciclo tem como ameaça uma queda rápida e geral, fazendo dessa forma uma analogia ao estouro de uma bolha de sabão.

Jornal de Hoje :: SUPERVALORIZAÇÃO AMEAÇA SETOR IMOBILIÁRIO NO RN

Preços no mercado está acima do real

Repórter: Riccelli Araújo
Foto: Wellington Rocha

Especialistas alertam: pode existir “bolha imobiliária” em Natal

É cada vez mais comum encontrar pessoas distribuindo, nos sinais de trânsito, panfletos anunciando lançamentos de prédios e condomínios residenciais, o que demonstra o constante crescimento no setor da construção civil. No entanto, uma questão desperta interesse quando se coloca em pauta o crescimento no valor dos imóveis comercializados no mercado local.

De acordo com a professora do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Márcia Bezerra, que realiza estudos e pesquisas no setor, “esse fenômeno de valorização não aconteceu somente em Natal, mas em lugares com economia em desenvolvimento”. No entanto, em função do crescimento do turismo, Natal passou a ser vista como um mercado promissor, tendo atraído a atenção de estrangeiros em investir no imóvel de segunda residência, fator esse que colabora para a valorização do setor imobiliário na capital do RN.

A professora Márcia Bezerra ressalta que o interesse das construtoras em oferecer aos clientes imóveis com alto padrão de qualidade e valores acrescidos, é em virtude do seu próprio interesse em alcançar resultados positivos e uma maior margem de lucro, respondendo então pela grande quantidade de oferta de imóveis de luxo. Esses, na sua maioria, são localizados em bairros de interesse das classes média e média alta, com condições de adquirir tais produtos.

Um dado interessante citado pela professora Márcia Bezerra, e que também contribui para a supervalorização do imóvel, é o fato de que embora seja grande a quantidade de oferta no mercado, o setor da construção civil ainda não consegue suprir a demanda.

Importante também destacar que a valorização ocorre em virtude de um ponto chave para a construção: o terreno. A área territorial da capital não tem grandes dimensões e os espaços disponíveis já não são tantos, gerando uma especulação financeira inicial no terreno. Márcia Bezerra ressalta a necessidade da vigilância do poder público em monitorar espaços considerados de proteção ambiental para que, futuramente, a população não venha a sofrer danos em decorrência de um “boom imobiliário”.

De acordo com a professora, a UFRN vem desenvolvendo um trabalho de pesquisa para identificar a possível existência de uma “bolha imobiliária” na capital, como ocorreu nos Estados Unidos, o que historicamente não é sustentável em nenhuma economia. Segundo ela, professores e pesquisadores de vários departamentos estão levantando informações e analisando dados estatísticos que possam comprovar esse fenômeno na capital do RN.

É importante destacar que o fenômeno “bolha imobiliária” representa a constatação de que os preços no mercado imobiliário estão bem acima de seu real valor. Entretanto, os compradores continuam dispostos a pagar ainda mais, o que contribui para a geração de um ciclo especulativo difícil de estabelecer um fim. Esse ciclo tem como ameaça uma queda rápida e geral, fazendo dessa forma uma analogia ao estouro de uma bolha de sabão.

Jornal de Hoje / Coluna Hoje na Economia :: ATRASOS NA SEMURB E AS IRONIAS DA VIDA || 01

Colunista: Marcos Aurélio de Sá / Sylvia Sá – Interina

Semurb atrasa licenças de construção apenas para garantir aos natalenses “a excepcional qualidade de vida que hoje ostentamos”

* Da Assessoria de Comunicação do prefeito Carlos Eduardo Alves, a coluna recebeu no início da tarde de ontem o seguinte texto em resposta aos comentários aqui publicados nos últimos dias sobre a extrema morosidade com que a Semurb (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo) analisa e libera licenças para construção de médios e grandes empreendimentos imobiliários em Natal:

* “NÃO HÁ NADA ENGAVETADO NA SEMURB. O QUE HÁ SÃO CRITÉRIOS SÉRIOS A FAVOR DE NATAL.

* “É verdade que há uma grande demanda na Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo pela análise e licenciamento de empreendimentos imobiliários.

* “Também é verdade que tal análise, hoje, exige mais rigor, pois é feita à luz do novo Plano Diretor, que prevê a preservação do meio ambiente, a qualidade de vida e o desenvolvimento sustentável da cidade.

* “É por isto que a Prefeitura tem ampliado os quadros da Secretaria. Ano passado, por exemplo, 57 técnicos aprovados por concurso foram admitidos nos quadros da Semurb. E este ano estamos incorporando novos técnicos especificamente para o setor de análise e licença, porque é meta da administração municipal fortalecer a Secretaria, visando dar respostas mais ágeis às crescentes necessidades advindas com a nova legislação ambiental, a partir do novo Código de Obras e do novo Plano Diretor.

* “É verdade ainda que Natal está passando por um processo conhecido como ‘boom’ imobiliário. A estrutura da Prefeitura não estava preparada para este aumento de demanda, mas estamos, na medida das possibilidades, estruturando melhor os quadros da administração. O que não podemos é ‘inchar’ a Semurb. Assim, com os devidos critérios, os processos serão liberados paulatinamente e dentro de um trâmite normal de licenciamento.

* “Dados confiáveis, do Ministério do Trabalho e do IBGE, dão conta que é crescente o número de empregos no mercado natalense, pois a cidade nunca assistiu a um volume tão expressivo de obras, seja por parte do poder público como de parte da iniciativa privada.

* “Na verdade, no caso específico da indústria da construção civil o que falta mesmo, de acordo com sindicatos e empresários do setor, é mão-de-obra especializada. É aquele operário qualificado. Nessa área, há vagas, muitas vagas. O próprio presidente do Sindicato das Empresas da Construção Civil, Silvio Bezerra, em reportagem da Tribuna do Norte de 20 de fevereiro deste ano, diz que o setor da construção civil ‘continua em franca expansão’ e reconhece a escassez de mão-de-obra. Portanto, não há desemprego no setor, ao contrário, a construção civil continua gerando muitos empregos em Natal.

* “Agora, o que é verdade absoluta é que a Prefeitura de Natal jamais será conivente com crimes ambientais, doa a quem doer. Temos agido assim em diversas oportunidades e temos tido a compreensão que o importante é trabalhar em defesa da cidade, conciliando o desenvolvimento com a preservação da qualidade de vida. Essa é a nossa obrigação e dela não vamos abrir mão, como não abrimos mão no caso da área non aedificandi de Ponta Negra, no embargo do hotel da BRA na Via Costeira e na defesa do entorno do Morro do Careca, um cartão postal da cidade.

* “Repudiamos a declaração infeliz de que existe procedimento criminoso na Semurb. Confiamos no trabalho dos funcionários da Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo no cumprimento do que prega nossa legislação. Profissionais que não se desviam de sua função maior de zelar pela qualidade de vida de nosso povo, avaliando em minúcias o impacto advindo de cada novo empreendimento que surge na cidade, exigindo, quando é o caso, a justa contrapartida social dos grandes negócios, que podem muito bem contribuir para o bem-estar da população.

* “De tudo isso, resta que nossa gestão é tão somente preocupada em promover o desenvolvimento sustentável de Natal, dentro do que realizamos em termos de atualização da legislação urbanístico-ambiental, fazendo valer sob a égide da lei o crescimento ordenado da cidade, garantindo a excepcional qualidade de vida que hoje ostentamos.

* “Finalmente, o que se percebe claramente hoje é a existência de um ‘lobby’ de um grupo que quer porque quer terceirizar o licenciamento de projetos imobiliários em Natal. Mas isso não vai acontecer por mais ácidas que sejam as críticas, por mais virulentos que sejam os artigos, por mais provocativas que sejam as declarações, por mais apelativos que sejam os engodos, esquecidos que Natal não se vende nem se rende.

* “Por fim, o Prefeito de Natal tem pleno conhecimento do que se passa na Semurb, como também na cidade. Por isso se mantém atento e vigilante.”

N. da R. – O titular da coluna, que se encontra em viagem, solicitou à interina que não desse resposta à nota acima, deixando-lhe a tarefa para que ele a cumpra na coluna da próxima segunda-feira.

Jornal de Hoje / Coluna Hoje na Economia :: ATRASOS NA SEMURB E AS IRONIAS DA VIDA || 01

Colunista: Marcos Aurélio de Sá / Sylvia Sá – Interina

Semurb atrasa licenças de construção apenas para garantir aos natalenses “a excepcional qualidade de vida que hoje ostentamos”

* Da Assessoria de Comunicação do prefeito Carlos Eduardo Alves, a coluna recebeu no início da tarde de ontem o seguinte texto em resposta aos comentários aqui publicados nos últimos dias sobre a extrema morosidade com que a Semurb (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo) analisa e libera licenças para construção de médios e grandes empreendimentos imobiliários em Natal:

* “NÃO HÁ NADA ENGAVETADO NA SEMURB. O QUE HÁ SÃO CRITÉRIOS SÉRIOS A FAVOR DE NATAL.

* “É verdade que há uma grande demanda na Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo pela análise e licenciamento de empreendimentos imobiliários.

* “Também é verdade que tal análise, hoje, exige mais rigor, pois é feita à luz do novo Plano Diretor, que prevê a preservação do meio ambiente, a qualidade de vida e o desenvolvimento sustentável da cidade.

* “É por isto que a Prefeitura tem ampliado os quadros da Secretaria. Ano passado, por exemplo, 57 técnicos aprovados por concurso foram admitidos nos quadros da Semurb. E este ano estamos incorporando novos técnicos especificamente para o setor de análise e licença, porque é meta da administração municipal fortalecer a Secretaria, visando dar respostas mais ágeis às crescentes necessidades advindas com a nova legislação ambiental, a partir do novo Código de Obras e do novo Plano Diretor.

* “É verdade ainda que Natal está passando por um processo conhecido como ‘boom’ imobiliário. A estrutura da Prefeitura não estava preparada para este aumento de demanda, mas estamos, na medida das possibilidades, estruturando melhor os quadros da administração. O que não podemos é ‘inchar’ a Semurb. Assim, com os devidos critérios, os processos serão liberados paulatinamente e dentro de um trâmite normal de licenciamento.

* “Dados confiáveis, do Ministério do Trabalho e do IBGE, dão conta que é crescente o número de empregos no mercado natalense, pois a cidade nunca assistiu a um volume tão expressivo de obras, seja por parte do poder público como de parte da iniciativa privada.

* “Na verdade, no caso específico da indústria da construção civil o que falta mesmo, de acordo com sindicatos e empresários do setor, é mão-de-obra especializada. É aquele operário qualificado. Nessa área, há vagas, muitas vagas. O próprio presidente do Sindicato das Empresas da Construção Civil, Silvio Bezerra, em reportagem da Tribuna do Norte de 20 de fevereiro deste ano, diz que o setor da construção civil ‘continua em franca expansão’ e reconhece a escassez de mão-de-obra. Portanto, não há desemprego no setor, ao contrário, a construção civil continua gerando muitos empregos em Natal.

* “Agora, o que é verdade absoluta é que a Prefeitura de Natal jamais será conivente com crimes ambientais, doa a quem doer. Temos agido assim em diversas oportunidades e temos tido a compreensão que o importante é trabalhar em defesa da cidade, conciliando o desenvolvimento com a preservação da qualidade de vida. Essa é a nossa obrigação e dela não vamos abrir mão, como não abrimos mão no caso da área non aedificandi de Ponta Negra, no embargo do hotel da BRA na Via Costeira e na defesa do entorno do Morro do Careca, um cartão postal da cidade.

* “Repudiamos a declaração infeliz de que existe procedimento criminoso na Semurb. Confiamos no trabalho dos funcionários da Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo no cumprimento do que prega nossa legislação. Profissionais que não se desviam de sua função maior de zelar pela qualidade de vida de nosso povo, avaliando em minúcias o impacto advindo de cada novo empreendimento que surge na cidade, exigindo, quando é o caso, a justa contrapartida social dos grandes negócios, que podem muito bem contribuir para o bem-estar da população.

* “De tudo isso, resta que nossa gestão é tão somente preocupada em promover o desenvolvimento sustentável de Natal, dentro do que realizamos em termos de atualização da legislação urbanístico-ambiental, fazendo valer sob a égide da lei o crescimento ordenado da cidade, garantindo a excepcional qualidade de vida que hoje ostentamos.

* “Finalmente, o que se percebe claramente hoje é a existência de um ‘lobby’ de um grupo que quer porque quer terceirizar o licenciamento de projetos imobiliários em Natal. Mas isso não vai acontecer por mais ácidas que sejam as críticas, por mais virulentos que sejam os artigos, por mais provocativas que sejam as declarações, por mais apelativos que sejam os engodos, esquecidos que Natal não se vende nem se rende.

* “Por fim, o Prefeito de Natal tem pleno conhecimento do que se passa na Semurb, como também na cidade. Por isso se mantém atento e vigilante.”

N. da R. – O titular da coluna, que se encontra em viagem, solicitou à interina que não desse resposta à nota acima, deixando-lhe a tarefa para que ele a cumpra na coluna da próxima segunda-feira.

Diário de Natal :: UNIVERSIDADE FEDERAL LANÇA PROGRAMA ECOSÁBADO

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte lança hoje (29/3) às 9h o Eco Sábado, no Campus Universitário. O programa visa estimular os padrões de consumo mais sustentáveis a partir da compreensão dos fatores que provocam a insustentabilidade ambiental. O evento é organizado pela Divisão do Meio Ambiente e pela Sala Verde da universidade.

Oficinas, palestras, atividades artísticas e culturais, mostra de vídeos ambientais e exposições fotográficas serão oferecidas durante a programação. A assessoria de imprensa da UFRN informou que o evento pretende oferecer à sociedade um espaço para reflexão e debate para o tema do consumo sustentável.

As atividades acontecerão sempre no último sábado de cada mês, próximo à praça cívica do Campus e nas dependências do Departamento de Artes e da Superintedência de Infra-estrutura.

O lançamento do Eco Sábado será às 9h no auditório da Superintendência de Infra-Estrutura da UFRN. Em seguida haverá palestra do prof. Wattson Saenz Perales (CDI-RN) sobre ‘‘Inclusão digital e cidadania’’. Às 10h30 será apresentada a palestra sobre ‘‘Lixo eletrônico: desafio do século XXI’’, proferida por Rodrigo César Santos de Paiva; das 10h20 às 13h, haverá oficinas sobre origamis, bonecos feitos com retalhos.

Jornal de Hoje/Coluna Hoje na Economia – 17/03 :: ARTIGO DE DULCE BENTES || DIREITO À RESPOSTA

Colunista: Marcos Aurélio de Sá

Lei retrógrada, Lei exitosa… para quem?

Da arquiteta e professora do Departamento de Arquitetura da UFRN, Dulce Bentes, a coluna recebeu o artigo abaixo transcrito, em resposta ao texto do engenheiro civil José Mário dos Santos Siqueira, aqui publicado no último dia 7, no qual ele tratava da lei de uso do solo urbano em Natal e do problema da insegurança no bairro de Petrópolis, vinculando a crise social em que vive a população do Morro de Mãe Luíza (de onde – segundo ele – surgem os marginais responsáveis pelas ondas de assaltos e outros crimes naquela área da cidade) à legislação urbanística.

Julgando-se atingida pelo artigo de José Mário, que criticou “o núcleo sectário e retrógrado de arquitetos e professores lotados na UFRN” defensor da “Lei de Mãe Luíza” (que proíbe o remembramento de lotes no morro desde 1992), Dulce Bentes recorre democraticamente ao direito de resposta e solicita igual espaço para contestar os pontos de vista do autor do texto acolhido anteriormente pela coluna.

Dulce Bentes
Arquiteta e urbanista
Professora do Departamento de Arquitetura da UFRN

Na mesma semana na qual a Lei que regulamenta o bairro Mãe Luiza no Plano Diretor de Natal foi citada nesta coluna como uma “Lei retrógrada” e responsável pela violência na cidade, essa Lei foi reconhecida e citada como “Lei exitosa” no Relatório da Missão de Investigação do Direito à Moradia na Cidade de Natal, divulgado oficialmente no dia 3 de março próximo passado, nesta cidade. A Missão foi realizada nos dias 4 e 5 de outubro de 2007, pelo projeto Relatores Nacionais/Plataforma Brasileira de Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais – DhESCA Brasil/Programa de Voluntários das Nações Unidas/Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão.

É questionável que, hoje, quando se torna unanimidade, inclusive entre setores da construção civil, o discurso pelo desenvolvimento sustentável, um profissional desqualifique um instrumento cuja finalidade é contribuir para tal garantia.

Observe-se que, a depender do Projeto de Cidade que se busca construir, os instrumentos de planejamento e gestão urbana assumem diferentes interpretações.

Do ponto de vista do mercado especulativo imobiliário, a citada Lei é de fato bastante retrógrada. Ela institui Mãe Luiza como Área Especial de Interesse Social e restringe o remembramento de lotes nos parâmetros necessários à incorporação imobiliária, buscando exatamente coibir as práticas de especulação de terras com expulsão da população de baixa renda.

Do ponto de vista dos moradores de Mãe Luiza e das redes nacionais e internacionais de proteção do direito à moradia, “O bairro Mãe Luiza pode ser considerado uma AEIS exitosa, no sentido de conter a especulação imobiliária e o desenvolvimento turístico predatório, protegendo e promovendo o direito à moradia e à cidade sustentável da população de baixa renda”. (Relatório da Missão de Investigação do Direito à Moradia na Cidade de Natal).

Mas como nenhuma Lei, por si só, tem o poder de transformação social e de efetivação de direitos, o que confere vida a esse instrumento são os movimentos que grupos e organizações sociais de Mãe Luiza historicamente realizam. A fala de seus moradores no Relatório da Missão é exemplar: “A associação de moradores, em documento à relatoria, reitera como principais reivindicações ‘a manutenção do bairro como Área Especial de Interesse Social e dos mecanismos de restrição ao remembramento; políticas públicas afirmativas e combate à violência, através de investimento em segurança, melhorias habitacionais e infra-estrutura’.

No entanto, existe um interesse explicito da especulação imobiliária em alterar o zoneamento da área para dar lugar a empreendimentos turísticos e habitacionais para a população de maior poder aquisitivo. Os moradores e entidades que apóiam as famílias do bairro solicitaram ampla divulgação do caso no sentido de que a área não perca a sua função social e as famílias possam ter o direito à cidade respeitado.”

Ressalte-se que essa Lei, não é uma invenção local. Ela está em sintonia com a Constituição Federal, cujo artigo 182 institui a função social da propriedade; com o Estatuto da Cidade, lei federal que torna obrigatória a aplicação de instrumentos que desestimulam práticas de especulação imobiliária nos municípios; com o Plano Diretor de Natal e com o Sistema Internacional do Direito à Moradia, que têm na Agenda Habitat a sua maior expressão.

Àqueles que tenham interesse em conhecer melhor os fundamentos legais da Lei de Mãe Luiza, sugerimos uma consulta à obra do jurista Nelson Saule Junior intitulada “A Proteção Jurídica da Moradia nos Assentamentos Irregulares”.

E o que essa Lei tem a ver com a violência que campeia em toda a cidade, mas que faz de Mãe Luiza o centro do problema para os vizinhos de Petrópolis, Tirol e Areia Preta?

Sinceramente, ainda não encontramos uma relação direta, visto que a Lei de Mãe Luiza não impede, de forma alguma, que o Estado realize obras de urbanização e melhorias habitacionais que contribuam para a segurança de todos. A Lei não proíbe a promoção de melhores oportunidades de educação e trabalho para a população, sobretudo para os jovens. A Lei não restringe a ação do Estado no sentido de implantar o Plano de Segurança Pública, que desde 2002 os grupos e as organizações locais formularam e tentaram implementar – sem muito sucesso – junto aos setores competentes.

A Lei não impede que os projetos de segurança pública previstos para os bairros vizinhos de Mãe Luiza coíbam igualmente a ação daqueles que sobem o morro para aliciar as crianças de Mãe Luiza, transformando-as em “aviõezinhos”, e daqueles que dão sustento a um comércio que cotidianamente aborta a juventude dos filhos de Mãe Luiza e de tantos outros bairros da cidade. A Lei não impede – ao contrário, até estimula – que se implantem áreas de esporte, cultura e lazer, como a que esperamos ver realizada desde 2003 na Via Costeira.

Entendemos que ações dessa natureza seriam muito importantes para minimizar os efeitos da violência que atinge a todos, quer seja no Plano Palumbo, quer seja no Morro.

A Lei de Mãe Luiza busca apenas assegurar direitos àqueles que desejam permanecer no bairro. Certamente que propostas de “expulsão gradativa de moradores” visando a “limpeza social” das áreas estratégicas para o turismo imobiliário na cidade não é solução para enfrentar a violência que desafia autoridades e aflige a todos nós.

Antes de alterar leis que são efetivas no campo dos direitos humanos, não seria melhor construir projetos de cidade que incluíssem as populações vulneráveis em seu tempo, sua história, suas construções sociais, em seus direitos? Não seria mais digno eliminar os estigmas da pobreza, que fazem de moradores simples de morros e periferias sinônimo de “bandidagem”?

Se a Lei de Mãe Luiza persiste e hoje é reconhecida por organizações nacionais e internacionais no campo do Direito à Moradia, é porque conta com assistência técnica de instituições comprometidas com a efetivação dos direitos humanos no Brasil, como é o caso da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, especialmente de pesquisadores do Departamento de Arquitetura, cujo trabalho se articula com as redes nacionais e internacionais de monitoramento para realização desses direitos no país.

Conta historicamente com a sensibilidade social e apoio de gestores, notadamente técnicos da Semurb, do ex-prefeito Aldo Tinoco Filho e do atual prefeito Carlos Eduardo que, além do compromisso social, conhecem bem as repercussões de atos do Executivo que impliquem na violação de direitos humanos e de pactos internacionais dos quais o Brasil é signatário.

Obviamente que nenhum gestor responsável iria expor o Estado do Rio Grande do Norte em tribunais internacionais de direitos humanos, por iniciativas de desmonte de instrumentos comprovadamente eficazes na efetivação do Direito à Moradia.

Reiteramos que, já tendo ultrapassado em muito os limites da própria comunidade de Mãe Luiza, da UFRN e do Plano Diretor de Natal, esse instrumento está inscrito e reconhecido hoje no Relatório do Brasil 2007 da Plataforma DhESCA, o que amplia de forma significativa a rede de proteção social para a sua implementação. Mas, para além dessas inserções, é no movimento das lutas de seus moradores que reside efetivamente o êxito da Lei de Mãe Luiza, em defesa de um patrimônio social, que muitas gerações – não exatamente de “favelados” – de famílias excluídas da cidade trabalharam para edificar.

Jornal de Hoje/Coluna Hoje na Economia – 17/03 :: ARTIGO DE DULCE BENTES || DIREITO À RESPOSTA

Colunista: Marcos Aurélio de Sá

Lei retrógrada, Lei exitosa… para quem?

Da arquiteta e professora do Departamento de Arquitetura da UFRN, Dulce Bentes, a coluna recebeu o artigo abaixo transcrito, em resposta ao texto do engenheiro civil José Mário dos Santos Siqueira, aqui publicado no último dia 7, no qual ele tratava da lei de uso do solo urbano em Natal e do problema da insegurança no bairro de Petrópolis, vinculando a crise social em que vive a população do Morro de Mãe Luíza (de onde – segundo ele – surgem os marginais responsáveis pelas ondas de assaltos e outros crimes naquela área da cidade) à legislação urbanística.

Julgando-se atingida pelo artigo de José Mário, que criticou “o núcleo sectário e retrógrado de arquitetos e professores lotados na UFRN” defensor da “Lei de Mãe Luíza” (que proíbe o remembramento de lotes no morro desde 1992), Dulce Bentes recorre democraticamente ao direito de resposta e solicita igual espaço para contestar os pontos de vista do autor do texto acolhido anteriormente pela coluna.

Dulce Bentes
Arquiteta e urbanista
Professora do Departamento de Arquitetura da UFRN

Na mesma semana na qual a Lei que regulamenta o bairro Mãe Luiza no Plano Diretor de Natal foi citada nesta coluna como uma “Lei retrógrada” e responsável pela violência na cidade, essa Lei foi reconhecida e citada como “Lei exitosa” no Relatório da Missão de Investigação do Direito à Moradia na Cidade de Natal, divulgado oficialmente no dia 3 de março próximo passado, nesta cidade. A Missão foi realizada nos dias 4 e 5 de outubro de 2007, pelo projeto Relatores Nacionais/Plataforma Brasileira de Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais – DhESCA Brasil/Programa de Voluntários das Nações Unidas/Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão.

É questionável que, hoje, quando se torna unanimidade, inclusive entre setores da construção civil, o discurso pelo desenvolvimento sustentável, um profissional desqualifique um instrumento cuja finalidade é contribuir para tal garantia.

Observe-se que, a depender do Projeto de Cidade que se busca construir, os instrumentos de planejamento e gestão urbana assumem diferentes interpretações.

Do ponto de vista do mercado especulativo imobiliário, a citada Lei é de fato bastante retrógrada. Ela institui Mãe Luiza como Área Especial de Interesse Social e restringe o remembramento de lotes nos parâmetros necessários à incorporação imobiliária, buscando exatamente coibir as práticas de especulação de terras com expulsão da população de baixa renda.

Do ponto de vista dos moradores de Mãe Luiza e das redes nacionais e internacionais de proteção do direito à moradia, “O bairro Mãe Luiza pode ser considerado uma AEIS exitosa, no sentido de conter a especulação imobiliária e o desenvolvimento turístico predatório, protegendo e promovendo o direito à moradia e à cidade sustentável da população de baixa renda”. (Relatório da Missão de Investigação do Direito à Moradia na Cidade de Natal).

Mas como nenhuma Lei, por si só, tem o poder de transformação social e de efetivação de direitos, o que confere vida a esse instrumento são os movimentos que grupos e organizações sociais de Mãe Luiza historicamente realizam. A fala de seus moradores no Relatório da Missão é exemplar: “A associação de moradores, em documento à relatoria, reitera como principais reivindicações ‘a manutenção do bairro como Área Especial de Interesse Social e dos mecanismos de restrição ao remembramento; políticas públicas afirmativas e combate à violência, através de investimento em segurança, melhorias habitacionais e infra-estrutura’.

No entanto, existe um interesse explicito da especulação imobiliária em alterar o zoneamento da área para dar lugar a empreendimentos turísticos e habitacionais para a população de maior poder aquisitivo. Os moradores e entidades que apóiam as famílias do bairro solicitaram ampla divulgação do caso no sentido de que a área não perca a sua função social e as famílias possam ter o direito à cidade respeitado.”

Ressalte-se que essa Lei, não é uma invenção local. Ela está em sintonia com a Constituição Federal, cujo artigo 182 institui a função social da propriedade; com o Estatuto da Cidade, lei federal que torna obrigatória a aplicação de instrumentos que desestimulam práticas de especulação imobiliária nos municípios; com o Plano Diretor de Natal e com o Sistema Internacional do Direito à Moradia, que têm na Agenda Habitat a sua maior expressão.

Àqueles que tenham interesse em conhecer melhor os fundamentos legais da Lei de Mãe Luiza, sugerimos uma consulta à obra do jurista Nelson Saule Junior intitulada “A Proteção Jurídica da Moradia nos Assentamentos Irregulares”.

E o que essa Lei tem a ver com a violência que campeia em toda a cidade, mas que faz de Mãe Luiza o centro do problema para os vizinhos de Petrópolis, Tirol e Areia Preta?

Sinceramente, ainda não encontramos uma relação direta, visto que a Lei de Mãe Luiza não impede, de forma alguma, que o Estado realize obras de urbanização e melhorias habitacionais que contribuam para a segurança de todos. A Lei não proíbe a promoção de melhores oportunidades de educação e trabalho para a população, sobretudo para os jovens. A Lei não restringe a ação do Estado no sentido de implantar o Plano de Segurança Pública, que desde 2002 os grupos e as organizações locais formularam e tentaram implementar – sem muito sucesso – junto aos setores competentes.

A Lei não impede que os projetos de segurança pública previstos para os bairros vizinhos de Mãe Luiza coíbam igualmente a ação daqueles que sobem o morro para aliciar as crianças de Mãe Luiza, transformando-as em “aviõezinhos”, e daqueles que dão sustento a um comércio que cotidianamente aborta a juventude dos filhos de Mãe Luiza e de tantos outros bairros da cidade. A Lei não impede – ao contrário, até estimula – que se implantem áreas de esporte, cultura e lazer, como a que esperamos ver realizada desde 2003 na Via Costeira.

Entendemos que ações dessa natureza seriam muito importantes para minimizar os efeitos da violência que atinge a todos, quer seja no Plano Palumbo, quer seja no Morro.

A Lei de Mãe Luiza busca apenas assegurar direitos àqueles que desejam permanecer no bairro. Certamente que propostas de “expulsão gradativa de moradores” visando a “limpeza social” das áreas estratégicas para o turismo imobiliário na cidade não é solução para enfrentar a violência que desafia autoridades e aflige a todos nós.

Antes de alterar leis que são efetivas no campo dos direitos humanos, não seria melhor construir projetos de cidade que incluíssem as populações vulneráveis em seu tempo, sua história, suas construções sociais, em seus direitos? Não seria mais digno eliminar os estigmas da pobreza, que fazem de moradores simples de morros e periferias sinônimo de “bandidagem”?

Se a Lei de Mãe Luiza persiste e hoje é reconhecida por organizações nacionais e internacionais no campo do Direito à Moradia, é porque conta com assistência técnica de instituições comprometidas com a efetivação dos direitos humanos no Brasil, como é o caso da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, especialmente de pesquisadores do Departamento de Arquitetura, cujo trabalho se articula com as redes nacionais e internacionais de monitoramento para realização desses direitos no país.

Conta historicamente com a sensibilidade social e apoio de gestores, notadamente técnicos da Semurb, do ex-prefeito Aldo Tinoco Filho e do atual prefeito Carlos Eduardo que, além do compromisso social, conhecem bem as repercussões de atos do Executivo que impliquem na violação de direitos humanos e de pactos internacionais dos quais o Brasil é signatário.

Obviamente que nenhum gestor responsável iria expor o Estado do Rio Grande do Norte em tribunais internacionais de direitos humanos, por iniciativas de desmonte de instrumentos comprovadamente eficazes na efetivação do Direito à Moradia.

Reiteramos que, já tendo ultrapassado em muito os limites da própria comunidade de Mãe Luiza, da UFRN e do Plano Diretor de Natal, esse instrumento está inscrito e reconhecido hoje no Relatório do Brasil 2007 da Plataforma DhESCA, o que amplia de forma significativa a rede de proteção social para a sua implementação. Mas, para além dessas inserções, é no movimento das lutas de seus moradores que reside efetivamente o êxito da Lei de Mãe Luiza, em defesa de um patrimônio social, que muitas gerações – não exatamente de “favelados” – de famílias excluídas da cidade trabalharam para edificar.

Diário de Natal – 23/03/08 :: ENTREVISTA URBANO MEDEIROS || PRESIDENTE DA ARSBAN

‘‘A Caern deixou o planejamento em 2º plano’’

Repórter: Gabriela Freire
Foto: DLuca/DN

Em meio a comemoração pelo Dia Internacional da Água – comemorado ontem (22/3) – diretor presidente da Agência Reguladora de Serviços de Saneamento Básico do Município de Natal (Arsban), Urbano Medeiros, chama a atenção da população potiguar para questão simples e eficazes, como a economia da água enquanto se toma banho e sugere uma reflexão sobre a instalação do emissário submarino como solução para o esgoto da cidade.

A Arsban é uma agência reguladora e portanto, fiscaliza, normatiza e controla os serviços de saneamento básico no âmbito do município de Natal – concedidos à Caern. Urbano Medeiros está a frente da Arsban pelo segundo mandato consecutivo.

Entre os principais programas desenvolvidos pela agência, destaca o ProGesa (Programa de Educação Sanitária e Ambientação), que trabalha diretamente com a população no sentido de buscar a sensibilização em relação ao saneamento básico; o ProAssussa (Associações de Usuários do Saneamento Ambiental), que incentiva a comunidade a se apropriar do saber sanitário e ambiental e das informações pertinentes à regulação dos serviços; o monitoramento da qualidade da água; e a contabilidade regulatória, que desenvolve um trabalho permanente junto a Caern, no sentido de aferir o equilíbrio econômico da empresa e avaliar anualmente o pleito da concessionária em relação a tarifa.

Diário de Natal: Como trabalhar em uma cidade que tem praticamente 70% de seu território que não é saneado? Como regular esse território?

Urbano Medeiros: É um grande desafio. Mas não sabemos precisamente qual é esse percentual. A cidade cresceu bastante, a demanda aumentou e a Caern não acompanhou o crescimento da cidade. Por isso não temos como precisar esse número. Mas eu acho que a população está muito preocupada com o saneamento. Em pesquisas nacionais, aparece como a terceira preocupação. E com essa preocupação da população, os políticos vão atentar para esse problema.

Na próxima campanha eleitoral esse será um foco de discussão importantíssimo e a população precisa se envolver para saber quais as propostas de saneamento para a capital. Quanto a preocupação sobre os 70%, é muito grande. Tanto com o avanço do nitrato mas também em relação a quantidade de água. Pois a escassez passa a imperar. E a Caern fala em remanejamento e não em racionamento.

Como o senhor avalia a situação noticiada no Diário de Natal, que anuncia uma possível falta de água na cidade?

UM: Eu atribuo à precariedade dos investimentos nessa área ao longo do tempo e também ao descuido em relação ao planejamento. Então, com a palavra, a Caern, que detém a concessão exclusiva. Que tem por obrigação planejar, mesmo que em determinados anos, ainda não havia uma política nacional de saneamento, os investimentos ficaram muito aquém para o volume de recursos necessários, mas mesmo assim, quais os projetos que a Caern elaborou ao longo dos anos?

A partir do momento que assinou o contrato com o município de Natal, assumiu esse compromisso. Porque com o PAC (Plano de Aceleração do Cresccimento), os estados, municípios e intituições que tinham projetos e os encaminharam para o governo, estão vendo eles serem executados. Mas as intituições que não dispunham de projetos, ficararm para trás. Portanto, me arrisco a emitir juízo de valor e dizer que o planejamento ficou em segundo plano, diante da situação que estamos vivendo hoje.

Qual o nível de necessidade para acelerar o processo de saneamento sa cidade? Tendo em vista o problema do excesso de nitrato em alguns poços de abastecimento da cidade e uma possível falta de água em um futuro próximo?

UM: Acho que a mobilização da sociedade é prepoderante, assim como a vontade política dos governantes. Quanto a vontade política, tem havido gestos e também decisões de governo nesse sentido. Por exemplo, o Governo Federal assinou em julho do ano passado, vários convênios e contratos via Caixa Econômica para municípios como Parnamirim, com a própria Caern e com o Governo do Estado. Mas é necessário que haja uma certa agilidade por parte do estado, dos respectivos municípios e dos órgãos que operam o sistema.

Temos a estação Central de Tratamento de Esgotos (no Baldo), que há pelo menos dois anos recebeu alternativa de tratamento sugerida pelo Conselho Municipal e a obra está extremanente atrasada.

Qual a sua opinião sobre a instalação do emissário submarino?

UM: Recebemos o projeto há aproximadamente 10 dias e ainda estamos avaliando. Não tenho elementos para avaliar precisamente mas tenho uma grande preocupação. É fato que o nosso lençol freático está contaminado. Mas ele precisa continuar sendo alimentado. A questão da escassez de água, a Caern tem tido, que é justamente pelo fato de 26 postos terem sido fechados e por estarmos em uma época do ano que as pessoas usam mais água. Daí o emissário é para realizar um pré-tratamento dos esgotos e em seguida jogar no mar. Água no mar. É um efluente claro, mas ali tem água.

Fazendo um paralelo com o problema da contaminação por nitrato, até quem não é técnico no assunto, pode imaginar o que pode acontecer. Estamos descartando o que poderíamos infiltrar no lençol freático de forma tratada ou fazer o reuso de água, que me parece uma alternativa a ser analisada. Nesse ponto de vista, é preciso uma reflexão.

É imperativo que a população passe a utilizar melhor a água que tem hoje?

UM: Sim.

De que forma?

UM: Pequenos atos, como evitar banhos longos, fechar a torneira quando se está escovando os dentes, é escutar os conselhos dos mais antigos. Essa educação precisa ser trabalhada na escola. A água é imprescindível e precisamos economizá-la independente se há água suficiente ou não. Em grandes países do mundo, já está faltando. Cabe a cada um de nós economizar e adotar medidas educativas e não só esperar pelo poder público.

O natalense gasta muita água?

UM: Ainda há muito desperdício por parte da população. Mas tem um detalhe: o sistema da Caern desperdiça em torno de 45% de água tratada. É um dado em nível nacional que se reflete aqui. Em função do sistema deficiente, vazamentos, tubulações antigas, estrapolamento de adutoras. Praticamente a metade da água tratada é desperdiçada. E isso tem um impacto muito grande. É preciso que o sistema, muito antigo, seja substituído. Há um desperdiço porque a nossa cultura não nos permite estar 100% sintonizado.

Como o senhor avalia o desempenho da Caern ao longo desses cinco anos após a assinatura do contrato de concessão com o município?

UM: Estamos reavaliando pois é papel da Agência. A concessão é válida por 25 anos mas, analisando os primeiros cinco anos, vemos que eles não cumpriram a meta de 60% da cobertura de esgoto, coleta e tratamento. Os cinco anos expiraram em abril do ano passado. Por isso, desde dezembro, estamos analisando todos os dados, reavaliando e vamos repactuar ou revisar o contrato de concessão.

Se a Caern perder essa concessão, quem vai fazer esse serviço? A solução seria a privatização?

UM: É uma boa pergunta. Nós estamos fazendo o papel de agência reguladora no sentido de analisar. É preciso mostrar que não há o cumprimento do contrato por uma das partes que assinou o contrato. Mas não estou defendendo a privatização do sistema. Devemos ter um sistema público e eficiente operado pela Caern. Para isso ela precisa ser moderna, planejar de forma consistente, de recursos e investir em Natal. Atender a população com o saneamento público. Essa é a nossa defesa. Mas se a Caern continuar com a morosidade que existe hoje, eu não sei qual seria a solução.

Qual a solução para resolver o problema da água e do saneamento em Natal?

UM: O problema da água se resolve com tratamento. Com coleta e tratamento adequado de esgotos para não contaminar os lençóis freáticos. Temos um lençol abundante mas que precisa ser recuperado e isso demanda muito tempo. Alguns estudiosos falam em até 50 anos para reverter a atual situação, isso se tivéssemos a cidade 100% saneada hoje. É apenas uma tese, mas é muito mais grave do que imaginamos.