Jornal de Hoje :: SUPERVALORIZAÇÃO AMEAÇA SETOR IMOBILIÁRIO NO RN

Preços no mercado está acima do real

Repórter: Riccelli Araújo
Foto: Wellington Rocha

Especialistas alertam: pode existir “bolha imobiliária” em Natal

É cada vez mais comum encontrar pessoas distribuindo, nos sinais de trânsito, panfletos anunciando lançamentos de prédios e condomínios residenciais, o que demonstra o constante crescimento no setor da construção civil. No entanto, uma questão desperta interesse quando se coloca em pauta o crescimento no valor dos imóveis comercializados no mercado local.

De acordo com a professora do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Márcia Bezerra, que realiza estudos e pesquisas no setor, “esse fenômeno de valorização não aconteceu somente em Natal, mas em lugares com economia em desenvolvimento”. No entanto, em função do crescimento do turismo, Natal passou a ser vista como um mercado promissor, tendo atraído a atenção de estrangeiros em investir no imóvel de segunda residência, fator esse que colabora para a valorização do setor imobiliário na capital do RN.

A professora Márcia Bezerra ressalta que o interesse das construtoras em oferecer aos clientes imóveis com alto padrão de qualidade e valores acrescidos, é em virtude do seu próprio interesse em alcançar resultados positivos e uma maior margem de lucro, respondendo então pela grande quantidade de oferta de imóveis de luxo. Esses, na sua maioria, são localizados em bairros de interesse das classes média e média alta, com condições de adquirir tais produtos.

Um dado interessante citado pela professora Márcia Bezerra, e que também contribui para a supervalorização do imóvel, é o fato de que embora seja grande a quantidade de oferta no mercado, o setor da construção civil ainda não consegue suprir a demanda.

Importante também destacar que a valorização ocorre em virtude de um ponto chave para a construção: o terreno. A área territorial da capital não tem grandes dimensões e os espaços disponíveis já não são tantos, gerando uma especulação financeira inicial no terreno. Márcia Bezerra ressalta a necessidade da vigilância do poder público em monitorar espaços considerados de proteção ambiental para que, futuramente, a população não venha a sofrer danos em decorrência de um “boom imobiliário”.

De acordo com a professora, a UFRN vem desenvolvendo um trabalho de pesquisa para identificar a possível existência de uma “bolha imobiliária” na capital, como ocorreu nos Estados Unidos, o que historicamente não é sustentável em nenhuma economia. Segundo ela, professores e pesquisadores de vários departamentos estão levantando informações e analisando dados estatísticos que possam comprovar esse fenômeno na capital do RN.

É importante destacar que o fenômeno “bolha imobiliária” representa a constatação de que os preços no mercado imobiliário estão bem acima de seu real valor. Entretanto, os compradores continuam dispostos a pagar ainda mais, o que contribui para a geração de um ciclo especulativo difícil de estabelecer um fim. Esse ciclo tem como ameaça uma queda rápida e geral, fazendo dessa forma uma analogia ao estouro de uma bolha de sabão.

Jornal de Hoje / Coluna Hoje na Economia :: ATRASOS NA SEMURB E AS IRONIAS DA VIDA || 01

Colunista: Marcos Aurélio de Sá / Sylvia Sá – Interina

Semurb atrasa licenças de construção apenas para garantir aos natalenses “a excepcional qualidade de vida que hoje ostentamos”

* Da Assessoria de Comunicação do prefeito Carlos Eduardo Alves, a coluna recebeu no início da tarde de ontem o seguinte texto em resposta aos comentários aqui publicados nos últimos dias sobre a extrema morosidade com que a Semurb (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo) analisa e libera licenças para construção de médios e grandes empreendimentos imobiliários em Natal:

* “NÃO HÁ NADA ENGAVETADO NA SEMURB. O QUE HÁ SÃO CRITÉRIOS SÉRIOS A FAVOR DE NATAL.

* “É verdade que há uma grande demanda na Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo pela análise e licenciamento de empreendimentos imobiliários.

* “Também é verdade que tal análise, hoje, exige mais rigor, pois é feita à luz do novo Plano Diretor, que prevê a preservação do meio ambiente, a qualidade de vida e o desenvolvimento sustentável da cidade.

* “É por isto que a Prefeitura tem ampliado os quadros da Secretaria. Ano passado, por exemplo, 57 técnicos aprovados por concurso foram admitidos nos quadros da Semurb. E este ano estamos incorporando novos técnicos especificamente para o setor de análise e licença, porque é meta da administração municipal fortalecer a Secretaria, visando dar respostas mais ágeis às crescentes necessidades advindas com a nova legislação ambiental, a partir do novo Código de Obras e do novo Plano Diretor.

* “É verdade ainda que Natal está passando por um processo conhecido como ‘boom’ imobiliário. A estrutura da Prefeitura não estava preparada para este aumento de demanda, mas estamos, na medida das possibilidades, estruturando melhor os quadros da administração. O que não podemos é ‘inchar’ a Semurb. Assim, com os devidos critérios, os processos serão liberados paulatinamente e dentro de um trâmite normal de licenciamento.

* “Dados confiáveis, do Ministério do Trabalho e do IBGE, dão conta que é crescente o número de empregos no mercado natalense, pois a cidade nunca assistiu a um volume tão expressivo de obras, seja por parte do poder público como de parte da iniciativa privada.

* “Na verdade, no caso específico da indústria da construção civil o que falta mesmo, de acordo com sindicatos e empresários do setor, é mão-de-obra especializada. É aquele operário qualificado. Nessa área, há vagas, muitas vagas. O próprio presidente do Sindicato das Empresas da Construção Civil, Silvio Bezerra, em reportagem da Tribuna do Norte de 20 de fevereiro deste ano, diz que o setor da construção civil ‘continua em franca expansão’ e reconhece a escassez de mão-de-obra. Portanto, não há desemprego no setor, ao contrário, a construção civil continua gerando muitos empregos em Natal.

* “Agora, o que é verdade absoluta é que a Prefeitura de Natal jamais será conivente com crimes ambientais, doa a quem doer. Temos agido assim em diversas oportunidades e temos tido a compreensão que o importante é trabalhar em defesa da cidade, conciliando o desenvolvimento com a preservação da qualidade de vida. Essa é a nossa obrigação e dela não vamos abrir mão, como não abrimos mão no caso da área non aedificandi de Ponta Negra, no embargo do hotel da BRA na Via Costeira e na defesa do entorno do Morro do Careca, um cartão postal da cidade.

* “Repudiamos a declaração infeliz de que existe procedimento criminoso na Semurb. Confiamos no trabalho dos funcionários da Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo no cumprimento do que prega nossa legislação. Profissionais que não se desviam de sua função maior de zelar pela qualidade de vida de nosso povo, avaliando em minúcias o impacto advindo de cada novo empreendimento que surge na cidade, exigindo, quando é o caso, a justa contrapartida social dos grandes negócios, que podem muito bem contribuir para o bem-estar da população.

* “De tudo isso, resta que nossa gestão é tão somente preocupada em promover o desenvolvimento sustentável de Natal, dentro do que realizamos em termos de atualização da legislação urbanístico-ambiental, fazendo valer sob a égide da lei o crescimento ordenado da cidade, garantindo a excepcional qualidade de vida que hoje ostentamos.

* “Finalmente, o que se percebe claramente hoje é a existência de um ‘lobby’ de um grupo que quer porque quer terceirizar o licenciamento de projetos imobiliários em Natal. Mas isso não vai acontecer por mais ácidas que sejam as críticas, por mais virulentos que sejam os artigos, por mais provocativas que sejam as declarações, por mais apelativos que sejam os engodos, esquecidos que Natal não se vende nem se rende.

* “Por fim, o Prefeito de Natal tem pleno conhecimento do que se passa na Semurb, como também na cidade. Por isso se mantém atento e vigilante.”

N. da R. - O titular da coluna, que se encontra em viagem, solicitou à interina que não desse resposta à nota acima, deixando-lhe a tarefa para que ele a cumpra na coluna da próxima segunda-feira.

Diário de Natal :: UNIVERSIDADE FEDERAL LANÇA PROGRAMA ECOSÁBADO

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte lança hoje (29/3) às 9h o Eco Sábado, no Campus Universitário. O programa visa estimular os padrões de consumo mais sustentáveis a partir da compreensão dos fatores que provocam a insustentabilidade ambiental. O evento é organizado pela Divisão do Meio Ambiente e pela Sala Verde da universidade.

Oficinas, palestras, atividades artísticas e culturais, mostra de vídeos ambientais e exposições fotográficas serão oferecidas durante a programação. A assessoria de imprensa da UFRN informou que o evento pretende oferecer à sociedade um espaço para reflexão e debate para o tema do consumo sustentável.

As atividades acontecerão sempre no último sábado de cada mês, próximo à praça cívica do Campus e nas dependências do Departamento de Artes e da Superintedência de Infra-estrutura.

O lançamento do Eco Sábado será às 9h no auditório da Superintendência de Infra-Estrutura da UFRN. Em seguida haverá palestra do prof. Wattson Saenz Perales (CDI-RN) sobre ‘‘Inclusão digital e cidadania’’. Às 10h30 será apresentada a palestra sobre ‘‘Lixo eletrônico: desafio do século XXI’’, proferida por Rodrigo César Santos de Paiva; das 10h20 às 13h, haverá oficinas sobre origamis, bonecos feitos com retalhos.

Jornal de Hoje/Coluna Hoje na Economia - 17/03 :: ARTIGO DE DULCE BENTES || DIREITO À RESPOSTA

Colunista: Marcos Aurélio de Sá

Lei retrógrada, Lei exitosa… para quem?

Da arquiteta e professora do Departamento de Arquitetura da UFRN, Dulce Bentes, a coluna recebeu o artigo abaixo transcrito, em resposta ao texto do engenheiro civil José Mário dos Santos Siqueira, aqui publicado no último dia 7, no qual ele tratava da lei de uso do solo urbano em Natal e do problema da insegurança no bairro de Petrópolis, vinculando a crise social em que vive a população do Morro de Mãe Luíza (de onde - segundo ele - surgem os marginais responsáveis pelas ondas de assaltos e outros crimes naquela área da cidade) à legislação urbanística.

Julgando-se atingida pelo artigo de José Mário, que criticou “o núcleo sectário e retrógrado de arquitetos e professores lotados na UFRN” defensor da “Lei de Mãe Luíza” (que proíbe o remembramento de lotes no morro desde 1992), Dulce Bentes recorre democraticamente ao direito de resposta e solicita igual espaço para contestar os pontos de vista do autor do texto acolhido anteriormente pela coluna.

Dulce Bentes
Arquiteta e urbanista
Professora do Departamento de Arquitetura da UFRN

Na mesma semana na qual a Lei que regulamenta o bairro Mãe Luiza no Plano Diretor de Natal foi citada nesta coluna como uma “Lei retrógrada” e responsável pela violência na cidade, essa Lei foi reconhecida e citada como “Lei exitosa” no Relatório da Missão de Investigação do Direito à Moradia na Cidade de Natal, divulgado oficialmente no dia 3 de março próximo passado, nesta cidade. A Missão foi realizada nos dias 4 e 5 de outubro de 2007, pelo projeto Relatores Nacionais/Plataforma Brasileira de Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais - DhESCA Brasil/Programa de Voluntários das Nações Unidas/Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão.

É questionável que, hoje, quando se torna unanimidade, inclusive entre setores da construção civil, o discurso pelo desenvolvimento sustentável, um profissional desqualifique um instrumento cuja finalidade é contribuir para tal garantia.

Observe-se que, a depender do Projeto de Cidade que se busca construir, os instrumentos de planejamento e gestão urbana assumem diferentes interpretações.

Do ponto de vista do mercado especulativo imobiliário, a citada Lei é de fato bastante retrógrada. Ela institui Mãe Luiza como Área Especial de Interesse Social e restringe o remembramento de lotes nos parâmetros necessários à incorporação imobiliária, buscando exatamente coibir as práticas de especulação de terras com expulsão da população de baixa renda.

Do ponto de vista dos moradores de Mãe Luiza e das redes nacionais e internacionais de proteção do direito à moradia, “O bairro Mãe Luiza pode ser considerado uma AEIS exitosa, no sentido de conter a especulação imobiliária e o desenvolvimento turístico predatório, protegendo e promovendo o direito à moradia e à cidade sustentável da população de baixa renda”. (Relatório da Missão de Investigação do Direito à Moradia na Cidade de Natal).

Mas como nenhuma Lei, por si só, tem o poder de transformação social e de efetivação de direitos, o que confere vida a esse instrumento são os movimentos que grupos e organizações sociais de Mãe Luiza historicamente realizam. A fala de seus moradores no Relatório da Missão é exemplar: “A associação de moradores, em documento à relatoria, reitera como principais reivindicações ‘a manutenção do bairro como Área Especial de Interesse Social e dos mecanismos de restrição ao remembramento; políticas públicas afirmativas e combate à violência, através de investimento em segurança, melhorias habitacionais e infra-estrutura’.

No entanto, existe um interesse explicito da especulação imobiliária em alterar o zoneamento da área para dar lugar a empreendimentos turísticos e habitacionais para a população de maior poder aquisitivo. Os moradores e entidades que apóiam as famílias do bairro solicitaram ampla divulgação do caso no sentido de que a área não perca a sua função social e as famílias possam ter o direito à cidade respeitado.”

Ressalte-se que essa Lei, não é uma invenção local. Ela está em sintonia com a Constituição Federal, cujo artigo 182 institui a função social da propriedade; com o Estatuto da Cidade, lei federal que torna obrigatória a aplicação de instrumentos que desestimulam práticas de especulação imobiliária nos municípios; com o Plano Diretor de Natal e com o Sistema Internacional do Direito à Moradia, que têm na Agenda Habitat a sua maior expressão.

Àqueles que tenham interesse em conhecer melhor os fundamentos legais da Lei de Mãe Luiza, sugerimos uma consulta à obra do jurista Nelson Saule Junior intitulada “A Proteção Jurídica da Moradia nos Assentamentos Irregulares”.

E o que essa Lei tem a ver com a violência que campeia em toda a cidade, mas que faz de Mãe Luiza o centro do problema para os vizinhos de Petrópolis, Tirol e Areia Preta?

Sinceramente, ainda não encontramos uma relação direta, visto que a Lei de Mãe Luiza não impede, de forma alguma, que o Estado realize obras de urbanização e melhorias habitacionais que contribuam para a segurança de todos. A Lei não proíbe a promoção de melhores oportunidades de educação e trabalho para a população, sobretudo para os jovens. A Lei não restringe a ação do Estado no sentido de implantar o Plano de Segurança Pública, que desde 2002 os grupos e as organizações locais formularam e tentaram implementar - sem muito sucesso - junto aos setores competentes.

A Lei não impede que os projetos de segurança pública previstos para os bairros vizinhos de Mãe Luiza coíbam igualmente a ação daqueles que sobem o morro para aliciar as crianças de Mãe Luiza, transformando-as em “aviõezinhos”, e daqueles que dão sustento a um comércio que cotidianamente aborta a juventude dos filhos de Mãe Luiza e de tantos outros bairros da cidade. A Lei não impede - ao contrário, até estimula - que se implantem áreas de esporte, cultura e lazer, como a que esperamos ver realizada desde 2003 na Via Costeira.

Entendemos que ações dessa natureza seriam muito importantes para minimizar os efeitos da violência que atinge a todos, quer seja no Plano Palumbo, quer seja no Morro.

A Lei de Mãe Luiza busca apenas assegurar direitos àqueles que desejam permanecer no bairro. Certamente que propostas de “expulsão gradativa de moradores” visando a “limpeza social” das áreas estratégicas para o turismo imobiliário na cidade não é solução para enfrentar a violência que desafia autoridades e aflige a todos nós.

Antes de alterar leis que são efetivas no campo dos direitos humanos, não seria melhor construir projetos de cidade que incluíssem as populações vulneráveis em seu tempo, sua história, suas construções sociais, em seus direitos? Não seria mais digno eliminar os estigmas da pobreza, que fazem de moradores simples de morros e periferias sinônimo de “bandidagem”?

Se a Lei de Mãe Luiza persiste e hoje é reconhecida por organizações nacionais e internacionais no campo do Direito à Moradia, é porque conta com assistência técnica de instituições comprometidas com a efetivação dos direitos humanos no Brasil, como é o caso da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, especialmente de pesquisadores do Departamento de Arquitetura, cujo trabalho se articula com as redes nacionais e internacionais de monitoramento para realização desses direitos no país.

Conta historicamente com a sensibilidade social e apoio de gestores, notadamente técnicos da Semurb, do ex-prefeito Aldo Tinoco Filho e do atual prefeito Carlos Eduardo que, além do compromisso social, conhecem bem as repercussões de atos do Executivo que impliquem na violação de direitos humanos e de pactos internacionais dos quais o Brasil é signatário.

Obviamente que nenhum gestor responsável iria expor o Estado do Rio Grande do Norte em tribunais internacionais de direitos humanos, por iniciativas de desmonte de instrumentos comprovadamente eficazes na efetivação do Direito à Moradia.

Reiteramos que, já tendo ultrapassado em muito os limites da própria comunidade de Mãe Luiza, da UFRN e do Plano Diretor de Natal, esse instrumento está inscrito e reconhecido hoje no Relatório do Brasil 2007 da Plataforma DhESCA, o que amplia de forma significativa a rede de proteção social para a sua implementação. Mas, para além dessas inserções, é no movimento das lutas de seus moradores que reside efetivamente o êxito da Lei de Mãe Luiza, em defesa de um patrimônio social, que muitas gerações - não exatamente de “favelados” - de famílias excluídas da cidade trabalharam para edificar.

Diário de Natal - 23/03/08 :: ENTREVISTA URBANO MEDEIROS || PRESIDENTE DA ARSBAN

‘‘A Caern deixou o planejamento em 2º plano’’

Repórter: Gabriela Freire
Foto: DLuca/DN

Em meio a comemoração pelo Dia Internacional da Água - comemorado ontem (22/3) - diretor presidente da Agência Reguladora de Serviços de Saneamento Básico do Município de Natal (Arsban), Urbano Medeiros, chama a atenção da população potiguar para questão simples e eficazes, como a economia da água enquanto se toma banho e sugere uma reflexão sobre a instalação do emissário submarino como solução para o esgoto da cidade.

A Arsban é uma agência reguladora e portanto, fiscaliza, normatiza e controla os serviços de saneamento básico no âmbito do município de Natal - concedidos à Caern. Urbano Medeiros está a frente da Arsban pelo segundo mandato consecutivo.

Entre os principais programas desenvolvidos pela agência, destaca o ProGesa (Programa de Educação Sanitária e Ambientação), que trabalha diretamente com a população no sentido de buscar a sensibilização em relação ao saneamento básico; o ProAssussa (Associações de Usuários do Saneamento Ambiental), que incentiva a comunidade a se apropriar do saber sanitário e ambiental e das informações pertinentes à regulação dos serviços; o monitoramento da qualidade da água; e a contabilidade regulatória, que desenvolve um trabalho permanente junto a Caern, no sentido de aferir o equilíbrio econômico da empresa e avaliar anualmente o pleito da concessionária em relação a tarifa.

Diário de Natal: Como trabalhar em uma cidade que tem praticamente 70% de seu território que não é saneado? Como regular esse território?

Urbano Medeiros: É um grande desafio. Mas não sabemos precisamente qual é esse percentual. A cidade cresceu bastante, a demanda aumentou e a Caern não acompanhou o crescimento da cidade. Por isso não temos como precisar esse número. Mas eu acho que a população está muito preocupada com o saneamento. Em pesquisas nacionais, aparece como a terceira preocupação. E com essa preocupação da população, os políticos vão atentar para esse problema.

Na próxima campanha eleitoral esse será um foco de discussão importantíssimo e a população precisa se envolver para saber quais as propostas de saneamento para a capital. Quanto a preocupação sobre os 70%, é muito grande. Tanto com o avanço do nitrato mas também em relação a quantidade de água. Pois a escassez passa a imperar. E a Caern fala em remanejamento e não em racionamento.

Como o senhor avalia a situação noticiada no Diário de Natal, que anuncia uma possível falta de água na cidade?

UM: Eu atribuo à precariedade dos investimentos nessa área ao longo do tempo e também ao descuido em relação ao planejamento. Então, com a palavra, a Caern, que detém a concessão exclusiva. Que tem por obrigação planejar, mesmo que em determinados anos, ainda não havia uma política nacional de saneamento, os investimentos ficaram muito aquém para o volume de recursos necessários, mas mesmo assim, quais os projetos que a Caern elaborou ao longo dos anos?

A partir do momento que assinou o contrato com o município de Natal, assumiu esse compromisso. Porque com o PAC (Plano de Aceleração do Cresccimento), os estados, municípios e intituições que tinham projetos e os encaminharam para o governo, estão vendo eles serem executados. Mas as intituições que não dispunham de projetos, ficararm para trás. Portanto, me arrisco a emitir juízo de valor e dizer que o planejamento ficou em segundo plano, diante da situação que estamos vivendo hoje.

Qual o nível de necessidade para acelerar o processo de saneamento sa cidade? Tendo em vista o problema do excesso de nitrato em alguns poços de abastecimento da cidade e uma possível falta de água em um futuro próximo?

UM: Acho que a mobilização da sociedade é prepoderante, assim como a vontade política dos governantes. Quanto a vontade política, tem havido gestos e também decisões de governo nesse sentido. Por exemplo, o Governo Federal assinou em julho do ano passado, vários convênios e contratos via Caixa Econômica para municípios como Parnamirim, com a própria Caern e com o Governo do Estado. Mas é necessário que haja uma certa agilidade por parte do estado, dos respectivos municípios e dos órgãos que operam o sistema.

Temos a estação Central de Tratamento de Esgotos (no Baldo), que há pelo menos dois anos recebeu alternativa de tratamento sugerida pelo Conselho Municipal e a obra está extremanente atrasada.

Qual a sua opinião sobre a instalação do emissário submarino?

UM: Recebemos o projeto há aproximadamente 10 dias e ainda estamos avaliando. Não tenho elementos para avaliar precisamente mas tenho uma grande preocupação. É fato que o nosso lençol freático está contaminado. Mas ele precisa continuar sendo alimentado. A questão da escassez de água, a Caern tem tido, que é justamente pelo fato de 26 postos terem sido fechados e por estarmos em uma época do ano que as pessoas usam mais água. Daí o emissário é para realizar um pré-tratamento dos esgotos e em seguida jogar no mar. Água no mar. É um efluente claro, mas ali tem água.

Fazendo um paralelo com o problema da contaminação por nitrato, até quem não é técnico no assunto, pode imaginar o que pode acontecer. Estamos descartando o que poderíamos infiltrar no lençol freático de forma tratada ou fazer o reuso de água, que me parece uma alternativa a ser analisada. Nesse ponto de vista, é preciso uma reflexão.

É imperativo que a população passe a utilizar melhor a água que tem hoje?

UM: Sim.

De que forma?

UM: Pequenos atos, como evitar banhos longos, fechar a torneira quando se está escovando os dentes, é escutar os conselhos dos mais antigos. Essa educação precisa ser trabalhada na escola. A água é imprescindível e precisamos economizá-la independente se há água suficiente ou não. Em grandes países do mundo, já está faltando. Cabe a cada um de nós economizar e adotar medidas educativas e não só esperar pelo poder público.

O natalense gasta muita água?

UM: Ainda há muito desperdício por parte da população. Mas tem um detalhe: o sistema da Caern desperdiça em torno de 45% de água tratada. É um dado em nível nacional que se reflete aqui. Em função do sistema deficiente, vazamentos, tubulações antigas, estrapolamento de adutoras. Praticamente a metade da água tratada é desperdiçada. E isso tem um impacto muito grande. É preciso que o sistema, muito antigo, seja substituído. Há um desperdiço porque a nossa cultura não nos permite estar 100% sintonizado.

Como o senhor avalia o desempenho da Caern ao longo desses cinco anos após a assinatura do contrato de concessão com o município?

UM: Estamos reavaliando pois é papel da Agência. A concessão é válida por 25 anos mas, analisando os primeiros cinco anos, vemos que eles não cumpriram a meta de 60% da cobertura de esgoto, coleta e tratamento. Os cinco anos expiraram em abril do ano passado. Por isso, desde dezembro, estamos analisando todos os dados, reavaliando e vamos repactuar ou revisar o contrato de concessão.

Se a Caern perder essa concessão, quem vai fazer esse serviço? A solução seria a privatização?

UM: É uma boa pergunta. Nós estamos fazendo o papel de agência reguladora no sentido de analisar. É preciso mostrar que não há o cumprimento do contrato por uma das partes que assinou o contrato. Mas não estou defendendo a privatização do sistema. Devemos ter um sistema público e eficiente operado pela Caern. Para isso ela precisa ser moderna, planejar de forma consistente, de recursos e investir em Natal. Atender a população com o saneamento público. Essa é a nossa defesa. Mas se a Caern continuar com a morosidade que existe hoje, eu não sei qual seria a solução.

Qual a solução para resolver o problema da água e do saneamento em Natal?

UM: O problema da água se resolve com tratamento. Com coleta e tratamento adequado de esgotos para não contaminar os lençóis freáticos. Temos um lençol abundante mas que precisa ser recuperado e isso demanda muito tempo. Alguns estudiosos falam em até 50 anos para reverter a atual situação, isso se tivéssemos a cidade 100% saneada hoje. É apenas uma tese, mas é muito mais grave do que imaginamos.

Tribuna do Norte - 23/03/08 :: FATURAMENTO COM TURISMO NO BRASIL SUPERA EXPECTATIVAS

Foto: Caio Khayam/Arquivo TN

TURISMO - Setor gera emprego e renda e empresários esperam maior crescimento para 2008

Rio de Janeiro - O faturamento das 92 maiores empresas do setor turístico cresceu 14,8% em 2007, gerando um montante de R$ 34,1 bilhões. Os principais segmentos que contribuíram para esse desempenho foram: locadoras de automóveis, companhias aéreas e operadoras de receptivo. O resultado é apontado na IV Pesquisa Anual de Conjuntura Econômica do Turismo (PACET). Em face do desempenho do setor em 2007, os dirigentes acreditam que o faturamento continuará subindo e, para 2008, pensam que o aumento médio será de 16,7%.

A PACET é feita pela FGV/Ebape e encomendada pelo Ministério do Turismo/Embratur. Os resultados do ano passado, apurados em janeiro e fevereiro últimos, foram anunciados esta semana pela ministra do Turismo, Marta Suplicy, em coletiva de imprensa na FGV-RJ.

“Estou muito feliz com o resultado da pesquisa e a melhor notícia é na geração de empregos, onde o aumento foi de 23,5% em relação a 2006. O setor está gerando emprego e isso significa que as pessoas estão se movimentando, aproveitando a estabilidade democrática e econômica. Isso gera um clima de confiança, que está sendo percebido também pelos hoteleiros que têm feito promoções, reduzindo os preços e permitindo que as famílias viajem ainda mais”, comemorou a ministra Marta Suplicy.

A ministra ressaltou ainda a importância da criação do Ministério do Turismo para o crescimento do setor. “O turismo passou a ser considerado uma área que merecia investimentos, diretrizes e políticas públicas em 2003, com a criação do Ministério do Turismo. O nosso desafio é criar essa cultura no brasileiro: de comprar uma viagem. Estamos trabalhando essa cultura, com campanhas e programas como o Viaja Mais Melhor Idade, e o turismo já colhe os frutos dos investimentos no setor.

A IV PACET é o instrumento que temos para mensurar as boas perspectivas do mercado. Os 92 empresários entrevistados se mostraram otimistas, principalmente porque registraram um faturamento de 14,8% em 2007. Isso resultou no aumento de 23,5% da contratação da mão-de-obra, provando que o turismo é fonte de geração de emprego e renda. Para 2008, os entrevistados continuam confiantes: 70% apostam na manutenção do crescimento da economia brasileira e 83% acreditam que o setor de turismo acompanhará esse ritmo favorável”, completou.

FGV - O coordenador do Núcleo de Estudos de Turismo da FGV, Luiz Gustavo Barbosa, considerou “significativo” o crescimento no faturamento em 14,8%, sobretudo porque esse crescimento foi registrado nos últimos cinco anos. “Isso significa que esse crescimento já é em cima de uma base elevada. Outro dado relevante é que os preços praticados pelas empresas no setor diminuíram. O faturamento crescendo e o preço sendo reduzido indicam um aumento de volume: o setor vendeu mais, ou seja, mais pessoas viajaram a um preço menor. Isso fez com que os setores do turismo apresentassem, individualmente, crescimento no faturamento”.

O diretor da Escola Brasileira de Administração Púbica e de Empresas da FGV, Bianor Cavalcanti, também presente à coletiva de lançamento da pesquisa, disse que “toda decisão requer, invariavelmente, muita informação. Com a IV PAET, o Ministério do Turismo pode conhecer as perspectivas do setor e direcionar suas ações”.

As empresas entrevistadas nesta pesquisa são dos seguintes segmentos: agências de viagens, companhias aéreas, locadoras de automóveis, meios de hospedagem, operadoras de receptivo, operadoras de turismo, rodoviário e promotores de feiras e eventos.

Nominuto - 16/03/08 :: MERCADO IMOBILIÁRIO POTIGUAR AINDA VAI CRESCER POR MAIS 30 ANOS

A previsão é baseada em análise dos aspectos econômicos, climáticos e geográficos. O crescimento do Salão Imobiliário do RN reflete bom momento do setor

Repórter: Itaércio Porpino
Foto: Vlademir Alexandre

Os inúmeros e variados lançamentos do Salão Imobiliário do RN fefletem bom momento do setor. O mercado imobiliário potiguar ainda deve crescer expressivamente pelos próximos 30 anos. A previsão é do presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Rio Grande do Norte (Creci-RN), Waldemir Bezerra.

A afirmação de Bezerra à revista Negócios Imobiliários, edição de março, se baseia numa análise dos aspectos econômicos, climáticos e geográficos, e também num relatório elaborado pelo próprio conselho que mostra o aumento de pelo menos 340% do número de profissionais da área nos últimos três anos.

>>> Pergunto: Se ainda restam três décadas de ‘farra’ imobiliária, então pra quê toda essa pressa [dos construtores] em faturar em cima da natureza, da degradação ambiental, dos menos favorecidos e da boa vontade alheia. O tal ‘crescimento’ que estão nos impondo, vem lapidando continuamente NOSSA dignidade, NOSSA cidade, NOSSO bairro e NOSSA praia.

O crescimento do VII Salão Imobiliário do Rio Grande do Norte, que está sendo realizado no Centro de Convenções de Natal, reflete o bom momento do setor. Esta edição teve um incremento em 50% no número de grupos internacionais e de 30% na quantidade de empresas nacionais, o que resultou no acréscimo de 82 empresas em relação à edição passada.

A feira imobiliária, que já é a segunda maior do Brasil, perdendo apenas para a de São Paulo, começou quarta-feira (12) e termina neste domingo (16), às 22h, com expectativas de que os negócios movimentem em torno de R$ 60 milhões.

A chegada de novas e grandes incorporadoras nacionais da construção civil em Natal e de grupos internacionais, como o Eurogreen, de Portugal, Promaga, Casa Azahar, Sanchez e Valero Brasil, todos da Espanha, também é um indicativo do potencial do mercado local.

O presidente do Creci, Waldemir Bezerra, estima que os investimentos neste ano de 2008 tenham um crescimento entre 20% e 25%. O turismo de segunda residência é, na avaliação dele, o principal responsável por esse incremento.

Para Bezerra, o momento econômico propicia o desenvolvimento no setor. “A moeda está estável, estamos tendo queda na taxa de juros e maior oferta de empregos. Também os bancos estão oferecendo mais facilidade e maior volume de crédito nas linhas de financiamento. Outro dado importante é o aumento no poder aquisitivo das classes sociais C, D e E”, diz.

Soma-se a isso os fatores climáticos e geográficos e uma divulgação eficiente do destino Natal no exterior.

Serviço:

O VII Salão Imobiliário do Rio Grande do Norte é aberto das 14h às 22h, no Centro de Convenções de Natal.

Correio da Tarde - 14/03/08 :: EMPREENDIMENTO ECOLOGICAMENTE CORRETO É BOM INVESTIMENTO

Repórter: Louise Aguiar

A arquiteta Viviane Teles acha que Natal deve começar a se preparar para projetos com esse conceito

Investir em empreendimentos ambientalmente corretos é uma tendência consolidada na Europa e Estados Unidos. No Brasil, os negócios do ramo se desenvolvem a passos mais lentos. Pelo menos no Rio Grande do Norte, são poucos os empreendimentos que se comprometem a reusar a água, diminuir o consumo de energia elétrica e preservar as paisagens naturais do local.

Lançado na última quarta-feira, durante a abertura do 7º Salão Imobiliário do Rio Grande do Norte, o Alto da Serra, localizado no município de Serra de São Bento, é uma dessas iniciativas pioneiras no Estado. O projeto da construtora Ramalho Moreira e EC Engenharia é composto de eco-vilas, batizadas de Villas da Serra, e terá um perfil auto-sustentável em uma área de 600 hectares, equivalente a seis campos de futebol.

>>> Será uma luz no fim do túnel??!! Está mais que comprovado que um planejamento urbano consciente - que considera aspectos culturais, sociais e ambientais - é a grande tendência mundial em países desenvolvidos. Se construtores e empresários querem continuar lucrando, precisam reconsiderar a forma como o solo está sendo tomado.

“A área era uma antiga fazenda de produção de algodão. O compromisso de fazer um projeto numa área natural tem que ser esse mesmo. Tem que ser pensado, projetado e concebido considerando a preservação do ambiente natural que já existe e a reconstituição do que foi modificado pelo uso agrícola”, defende a arquiteta responsável pelo projeto, Viviane Teles.

Questionada se isso é realmente uma tendência, ela é taxativa. “É uma necessidade, quase uma obrigatoriedade futura”. Segundo Viviane, os arquitetos e engenheiros não podem mais trabalhar de forma diferente, já que as grandes cidades hoje são um “desastre” porque foram projetadas e usadas sem considerar as questões ambientais.

Viviane diz que se a capital potiguar ainda não está preparada para esse novo conceito residencial, deve começar a pensar nisso. No condomínio em Serra de São Bento, os moradores serão conscientizados sobre a necessidade de preservar o ambiente natural. “Vamos reusar a água, fazer tratamento nos esgotos para que se lance um produto limpo no solo, usaremos corretamente o sistema de energia, inclusive diminuindo o consumo do chuveiro elétrico, entre outras medidas ambientalmente corretas”, enumera. A previsão para término da obra é em 2010.

Salão

O 7º Salão Imobiliário do RN segue até domingo no Pavilhão das Dunas, no Centro de Convenções. Funcionando das 14h às 22h, com entrada e estacionamento gratuitos, o evento conta com 180 estandes expositores, entre construtoras, incorporadoras, imobiliárias e a Caixa Econômica Federal. A estimativa é realizar R$ 30 milhões em negócios.

Nominuto - 19/03/08 :: SALÃO IMOBILIÁRIO DO RN GEROU CERCA DE R$ 50 MILHÕES EM NEGÓCIOS

Negócios ainda devem ser fechados nos próximos seis meses

Repórter: Karla Larissa
Foto: Vlademir Alexandre

A organização do Salão Imobiliário do Rio Grande do Norte, realizado entre quarta-feira (12) e domingo (16), divulgou o balanço da sétima edição do evento. Foram cerca de R$ 50 milhões em negócios. E nos próximos seis meses, as transações deverão continuar.

De acordo com o organizador do Salão, Ocimar Damásio, os resultados foram acima das expectativas e deverão ser muito maiores nos próximos meses. “Muita gente começa ‘um namoro’ com o imóvel durante o evento e só depois fecha negócio”, afirma.

Uma mostra dos negócios que ainda deverão ser fechados foram os contratos de financiamentos da Caixa Econômica Federal, firmados durante o evento, com dois empreendimentos, um da ordem de R$ 40 milhões e outro de R$ 50 milhões.

>>> Não será a cidade o principal atrativo desses investimentos?? Então qual a dificuldade em NOS unirmos em torno de um plano para assegurar NOSSA qualidade de vida junto a natureza? Se Natal é a pérola do Atlântico Sul, só está faltando maior respeito de quem extrai dividendos desse tesouro.

A participação de grupos internacionais tanto como expositores, cerca de dez, bem como visitantes, foi considerada muito expressiva. “O tema do Salão foi casa para todos, então tivemos desde casas de R$ 43 mil até R$ 2 milhões”, comenta Ocimar Damásio.

Ocimar Damásio conta que nos próximos 20 dias já estará se preparando para o Salão Imobiliário de 2009. Ele acredita que, apesar da franca expansão imobiliária, Natal ainda tem muitos quilômetros para crescer. “Dá para se trabalhar por muito tempo”, aposta.

O 7º Salão Imobiliário do RN teve a participação de 282 empresas, entre imobiliárias e construtoras, e 180 estandes. “O mais importante foi que os quase 30 mil visitantes foram com o intuito de comprar”, enfatiza.

Jornal de Hoje - 13/03/08 :: SÍLVIO BEZERRA [SINDUSCON-RN] TOMA POSSE COMO PRESIDENTE DA CÂMARA DE COMÉRCIO RN BRASIL-PORTUGAL

RN é o estado que mais capta recursos de Portugal para o Brasil

da Redação JH

Posse da diretoria acontece hoje às 19 horas, no hotel Pestana, com a presença do embaixador de Portugal no Brasil, Francisco Seixas

A proximidade geográfica entre o Rio Grande do Norte e Portugal torna também mais próximo o interesse dos lusitanos em investir em terras potiguares. Tanto é que toma posse hoje às 19 horas numa solenidade no hotel Pestana, na Via Costeira, a diretoria da primeira Câmara de Comércio do RN Brasil-Portugal.

De acordo com o cônsul português honorário do Estado, Francisco Lammy, a idéia da criação da Câmara de Comércio surgiu de conversas com o engenheiro e presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil no RN (Sinduscon-RN), Sílvio Bezerra que assume hoje como primeiro presidente da instituição recém-criada. A solenidade vai contar com a presença do embaixador português no Brasil, Francisco Seixas da Costa.

Francisco Lammy ressalta que todos os trâmites legais foram realizados durante o período de um ano para que a Câmara de Comércio do RN Brasil-Portugal fosse oficializada com o aval do Consulado de Portugal no Brasil, destacando que além dos investimentos de portugueses no país, é preciso também que se faça o levantamento dos investimentos de empresários potiguares em Portugal.

Segundo Lammy, hoje o RN é o estado que mais capta recursos de pessoas físicas de Portugal para o Brasil, até mais que São Paulo e Rio de Janeiro. Lammy lembra que só aqui no RN mais de 100 portugueses estão com negócios solidificados e que cerca de 20 grandes empreendimentos estão em estágio de desenvolvimento. “O potencial de crescimento é grande e, além da proximidade geográfica entre os dois países, a quantidade de vôos diretos de Portugal para o RN é grande, o que torna mais fácil a presença de portugueses aqui”. Lammy, que reside no Brasil desde 1979, destaca que nem todos os portugueses residentes no RN estão cadastrados no consulado.

De acordo com Sílvio Bezerra, a entidade vai funcionar dentro da sede do Sinduscon-RN, lembrando que está sendo feito um levantamento do que existe atualmente de negócios entre o Estado e Portugal e como esses recursos estão sendo aplicados. Sílvio explica que não existe no momento uma informação oficial da quantidade de investimentos e de recursos, mas esse levantamento deve ser apresentado em breve.

Sílvio Bezerra destaca ainda que a entidade atuará como uma central de negócios ligando os dois países, realizando análises de mercado e investimentos e intermediando negociações. O empresário ressalta a produção de sal, camarão, frutas e doces exportados para a Europa.

Além de Sílvio Bezerra, tomam posse hoje João Dinarte Patriota (vice-presidente), Eduardo de Oliveira Patrício (presidente comercial) e o conselho fiscal formado por Fernando Fernandes, Orismar de Almeida e Amauri Alves da Fonseca Filho.