Tribuna do Norte – 29/03/08 :: ALERTA SOBRE INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS

Otimismo da construção civíl vai até 2010

Foto: Emanuel Amaral

INDÚSTRIA – Safady faz um alerta sobre os investimentos estrangeiros

O aquecimento do mercado imobiliário, o início das obras do Programa de Aceleração de Crescimento e o bom momento da economia do país deverão garantir pelo menos mais seis anos de prosperidade para a indústria da construção civil.

A avaliação é do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady, que esteve ontem em Natal. Ele proferiu a palestra “Construção Civil: situação Atual e Cenários Futuros” para empresários locais, durante um almoço ontem, na Federação das Indústrias do RN (Fiern).

Além do mercado de imóveis em ritmo acelerado, Safady ressalta que as obras públicas serão importantes impulsionadores. Em 2007, foi hora dos projetos e análises e, este ano, as obras do PAC começarão a ser executadas. A Copa do Mundo, cuja sede em 2014 será o Brasil, também vai gerar obras, já a partir de 2010, de acordo com suas previsões.

“Teremos pelo menos seis anos de prosperidade”, declarou. Dentro deste contexto, o presidente da CBIC prevê que o setor cresça no mínimo 6% este ano, acima dos 5% registrados em 2007. Ele não se mostra pessimista nem em relação à escassez de mão-de-obra, tão destacada por empresários locais como desafio para o setor. Segundo Safady, programas feitos em parceria com governo, sindicato e empresas vão permitir que haja pessoal suficiente para atender às obras.

Quando questionado sobre o aquecimento imobiliário em estados com vocação turística, como o RN, Safady demonstrou, contudo, preocupação em relação aos investimentos estrangeiros. “É preciso ter cuidado com o mau investidor e estar atento à preservação do meio ambiente. Aqui, como em outros pontos do Nordeste, temos algumas das maiores riquezas da natureza do país”, alertou.

Tribuna do Norte – 29/03/08 :: ALERTA SOBRE INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS

Otimismo da construção civíl vai até 2010

Foto: Emanuel Amaral

INDÚSTRIA – Safady faz um alerta sobre os investimentos estrangeiros

O aquecimento do mercado imobiliário, o início das obras do Programa de Aceleração de Crescimento e o bom momento da economia do país deverão garantir pelo menos mais seis anos de prosperidade para a indústria da construção civil.

A avaliação é do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady, que esteve ontem em Natal. Ele proferiu a palestra “Construção Civil: situação Atual e Cenários Futuros” para empresários locais, durante um almoço ontem, na Federação das Indústrias do RN (Fiern).

Além do mercado de imóveis em ritmo acelerado, Safady ressalta que as obras públicas serão importantes impulsionadores. Em 2007, foi hora dos projetos e análises e, este ano, as obras do PAC começarão a ser executadas. A Copa do Mundo, cuja sede em 2014 será o Brasil, também vai gerar obras, já a partir de 2010, de acordo com suas previsões.

“Teremos pelo menos seis anos de prosperidade”, declarou. Dentro deste contexto, o presidente da CBIC prevê que o setor cresça no mínimo 6% este ano, acima dos 5% registrados em 2007. Ele não se mostra pessimista nem em relação à escassez de mão-de-obra, tão destacada por empresários locais como desafio para o setor. Segundo Safady, programas feitos em parceria com governo, sindicato e empresas vão permitir que haja pessoal suficiente para atender às obras.

Quando questionado sobre o aquecimento imobiliário em estados com vocação turística, como o RN, Safady demonstrou, contudo, preocupação em relação aos investimentos estrangeiros. “É preciso ter cuidado com o mau investidor e estar atento à preservação do meio ambiente. Aqui, como em outros pontos do Nordeste, temos algumas das maiores riquezas da natureza do país”, alertou.

Tribuna do Norte – 28/03/08 :: ZONA NORTE É A REGIÃO CAMPEÃ EM CASOS DE DENGUE

Foto: Emanuel Amaral

SAÚDE – Caixa d’água na Ladeira do Sol é um criadouro do mosquito

O alarmante aumento dos casos de dengue em Natal vem chamando atenção para o combate aos focos do mosquito. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) junto com o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) tentam mobilizar a população para a gravidade do problema.

Até o dia 25 de Março 2.098 casos de dengue clássicas e 205 suspeitas do caso hemorrágico (33 confirmados) foram detectados. A Zona Norte da cidade é a região que mais apresenta casos da doença, seguida da Zona Oeste. A chefe do Departamento de Vigilância de Saúde, Cristiane Solto informou que é necessário muita atenção por parte da população.

“O problema é que a população só lembra que tem que ter cuidados com a prevenção da doença quando o assunto está na mídia”, afirmou Cristiane. O avanço dos casos de dengue do tipo clássica e do tipo hemorrágica em Natal, fez com que a SMS desenvolvesse um plano emergencial. “ Há essa mobilização porque normalmente, esperamos os casos de dengue entre os meses de abril e junho. Estar com todo esse índice agora é fora do comum”.

>>> SE A POPULAÇÃO [NÓS] NÃO AJUDAR NÃO HÁ CARRO-FUMACÊ QUE DÊ JEITO!!! Tão fácil ajudar: se vc tem uma coleção de garrafas velhas no seu quintal não tem problema, cada um com sua mania. Apenas emborque todas e qualquer outro objeto/recipiente que possa acumular água da chuva. SIMPLES ASSIM! Multiplique essa idéia e deixe os agentes de saúde entrar na sua casa para acabar com a raça do Aedes [Aedes aegypti ou mosquito da dengue/febre amarela] .

Uma greve dos agentes de saúde em dezembro atrasou o começo das visitas às casas. De 02 de janeiro até 15 de março, 85% dos imóveis já tinham sido vistoriados. Sobre a entrada nas residências fechadas a SMS informou que se os imóveis estiverem para locação ou venda, um pedido é feito para as corretoras de imóveis. “Tudo para que o trabalho não seja parado”, justificou a chefe do Departamento de Vigilância de Saúde.

Em Igapó, Zona Norte da cidade há uma ação que mobiliza 20 agentes comunitários e 20 agentes de saúde da Zoonoses. Eles visitam todas as casas na tentativa de descobrir possíveis criadouros do mosquito e orientar os moradores na prevenção da doença. Na rua Santo Inácio de Loyola, a dona-de-casa Suelen Maria da Conceição de 25 anos, enfrentou as dificuldades de lidar com o caso mais grave da dengue. Sua filha Maria Beatriz da Conceição de 5 anos se recupera ainda da dengue hemorrágica que a pegou de surpresa. “O pior é o sofrimento até a confirmação do caso, pois levei minha filha para dois hospitais diferentes. O gasto foi grande, pois no Hospital Santa Catarina não tinha Dipirona para minha filha. Gastei com passagens e remédios R$ 80,00”, desabafou a dona-de-casa.

A mãe da pequena Maria Beatriz afirmou que no terreno onde ela mora os outros moradores fizeram uma busca e localizaram focos dentro de uma pequena tampa de garrafa e destruíram.

A campanha da SMS visa alertar a população para identificar os focos. A fiscalização é fundamental para o controle da doença. Um telefone gratuito foi disponibilizado para a campanha e visa receber denúncias e ao mesmo tempo esclarecer possíveis dúvidas dos moradores de Natal.

Juntamente com a luta pelo combate da dengue na cidade, a população é obrigada a se deparar com descuidos a respeito da água parada. Na encosta da Ladeira do Sol, na praia dos Artistas um reservatório de água da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (CAERN) acumula água. Os canos que cercam o reservatório não escoam toda a água que ficam na cobertura, ocasionando poças, agravando as chances de se proliferarem os focos da dengue.

A assessoria da CAERN informou que este tanque recebeu um reparo recentemente e que o acúmulo de água é devido às chuvas e que o volume logo evapora. “ Mesmo assim vamos enviar um técnico no local para ver se é necessário outro reparo”, declarou a assessoria. A piscina do complexo aquático da UFRN não está em uso e também acumula água parada. A assessoria da instituição alega que a água está clorada e que a piscina não pode ficar vazia, para evitar rachaduras. O telefone da SMS para a denúncia da Dengue é 08002814031.

Programa da dengue não faz prestação de contas dos gastos

O governo do Estado não sabe quanto foi gasto no Programa de Combate à Dengue do ano passado porque a Secretaria Estadual de Saúde não faz uma prestação de conta específica para cada programa. A Sesap tem apenas o controle de quanto o Ministério da Saúde mandou para ser investido nas diversas endemias. No ano passado, esse recurso foi de um milhão de reais.

“O programa da dengue não faz prestação de contas de quanto foi gasto com as ações realizadas durante o ano. O Ministério da Saúde manda recursos para as diversas endemias e de acordo com a necessidade, esses recursos são gastos”, explicou a coordenadora de Promoção à Saúde, Celeste Rocha.

Diferente do que acontece no Rio de Janeiro, onde a população tem que saber quanto de recurso é repassado e se houve redução dessa verba de um ano para outro. Na última terça-feira, o próprio secretário de saúde do Rio de Janeiro, Sérgio Côrtes explicou que houve redução no orçamento em 2007, mas que, este ano, serão gastos R$ 20 bilhões, um aumento de 10% sobre o ano passado.

Enquanto no Rio Grande do Norte, nem os formulários de prestação de contas da Sesap são separados por endemias. “Eu não sei dizer o quanto foi gasto, mas em que a verba do MS foi gasta. O maior investimento foi na capacitação dos profissionais, os carros fumacês e venenos, campanha publicitária educativa”.

Segundo a Sesap, o Estado coordena as ações e capacitação de agentes e ações curativas. Já o município é responsável pela atenção básica, o combate ao foco dos mosquitos e a prevenção.

O orçamento deste ano ainda não foi repassado para o Estado porque, de acordo com a assessoria de imprensa da Sesap, o Ministério da Saúde ainda não fechou o orçamento de 2008. O que se sabe é que o Rio Grande do Norte vai receber mais oito carros fumacês para ajudar no combate à dengue.

Ainda de acordo com a assessoria de imprensa, o secretário Adelmaro Cavalcanti está em Brasília participando de reuniões relacionadas ao combate à dengue e informou que o secretário nacional de Vigilância Sanitária, Gerson Penna, está planejando, para a próxima semana, uma vinda a Natal para verificar como estão as ações de combate à doença no Estado.

Com relação aos gastos do município de Natal, a TRIBUNA DO NORTE procurou a chefe do Departamento de Vigilância de Saúde da SMS, Cristiane Souto, mas a mesma informou que ainda não tinha conhecimentos dos valores. “Acabei de assumir a função e ainda estou me inteirando dos assuntos, com relação aos recursos, ainda não foi me passado nada sobre os recursos”.

Hospital tem 14 crianças com dengue

O crescimento acelerado dos casos de dengue em Natal sobrecarrega os hospitais, que precisam disponibilizar mais leitos e uma equipe médica mais presente no acompanhamento dos pacientes. É o caso do hospital Filantrópico Varela Santiago, que disponibiliza 10% ( de um total de 110)dos leitos para o atendimento de crianças com dengue.

No último domingo o hospital acomodava 14 crianças com dengue. O otorrinolaringologista Paulo Xavier, afirmou que o que agrava a situação é o fato de o hospital receber pacientes de outros municípios como Mossoró e Currais Novos. O hospital ainda recebe os pacientes que precisam de internação vindos do Hospital Giselda Trigueiro, que não interna crianças com dengue.

Apenas presta atendimento de urgência, informou a diretora do Varela Santiago que chama atenção para um movimento de emergência: “Os hospitais de Natal precisam se mobilizar, pois estamos enfrentando uma epidemia de dengue. O hospital Varela Santiago ainda vai ter à partir de 1º de abril o fechamento dos setores de odontologia e vacinação, por falta de recursos.”

Tribuna do Norte – 28/03/08 :: ZONA NORTE É A REGIÃO CAMPEÃ EM CASOS DE DENGUE

Foto: Emanuel Amaral

SAÚDE – Caixa d’água na Ladeira do Sol é um criadouro do mosquito

O alarmante aumento dos casos de dengue em Natal vem chamando atenção para o combate aos focos do mosquito. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) junto com o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) tentam mobilizar a população para a gravidade do problema.

Até o dia 25 de Março 2.098 casos de dengue clássicas e 205 suspeitas do caso hemorrágico (33 confirmados) foram detectados. A Zona Norte da cidade é a região que mais apresenta casos da doença, seguida da Zona Oeste. A chefe do Departamento de Vigilância de Saúde, Cristiane Solto informou que é necessário muita atenção por parte da população.

“O problema é que a população só lembra que tem que ter cuidados com a prevenção da doença quando o assunto está na mídia”, afirmou Cristiane. O avanço dos casos de dengue do tipo clássica e do tipo hemorrágica em Natal, fez com que a SMS desenvolvesse um plano emergencial. “ Há essa mobilização porque normalmente, esperamos os casos de dengue entre os meses de abril e junho. Estar com todo esse índice agora é fora do comum”.

>>> SE A POPULAÇÃO [NÓS] NÃO AJUDAR NÃO HÁ CARRO-FUMACÊ QUE DÊ JEITO!!! Tão fácil ajudar: se vc tem uma coleção de garrafas velhas no seu quintal não tem problema, cada um com sua mania. Apenas emborque todas e qualquer outro objeto/recipiente que possa acumular água da chuva. SIMPLES ASSIM! Multiplique essa idéia e deixe os agentes de saúde entrar na sua casa para acabar com a raça do Aedes [Aedes aegypti ou mosquito da dengue/febre amarela] .

Uma greve dos agentes de saúde em dezembro atrasou o começo das visitas às casas. De 02 de janeiro até 15 de março, 85% dos imóveis já tinham sido vistoriados. Sobre a entrada nas residências fechadas a SMS informou que se os imóveis estiverem para locação ou venda, um pedido é feito para as corretoras de imóveis. “Tudo para que o trabalho não seja parado”, justificou a chefe do Departamento de Vigilância de Saúde.

Em Igapó, Zona Norte da cidade há uma ação que mobiliza 20 agentes comunitários e 20 agentes de saúde da Zoonoses. Eles visitam todas as casas na tentativa de descobrir possíveis criadouros do mosquito e orientar os moradores na prevenção da doença. Na rua Santo Inácio de Loyola, a dona-de-casa Suelen Maria da Conceição de 25 anos, enfrentou as dificuldades de lidar com o caso mais grave da dengue. Sua filha Maria Beatriz da Conceição de 5 anos se recupera ainda da dengue hemorrágica que a pegou de surpresa. “O pior é o sofrimento até a confirmação do caso, pois levei minha filha para dois hospitais diferentes. O gasto foi grande, pois no Hospital Santa Catarina não tinha Dipirona para minha filha. Gastei com passagens e remédios R$ 80,00”, desabafou a dona-de-casa.

A mãe da pequena Maria Beatriz afirmou que no terreno onde ela mora os outros moradores fizeram uma busca e localizaram focos dentro de uma pequena tampa de garrafa e destruíram.

A campanha da SMS visa alertar a população para identificar os focos. A fiscalização é fundamental para o controle da doença. Um telefone gratuito foi disponibilizado para a campanha e visa receber denúncias e ao mesmo tempo esclarecer possíveis dúvidas dos moradores de Natal.

Juntamente com a luta pelo combate da dengue na cidade, a população é obrigada a se deparar com descuidos a respeito da água parada. Na encosta da Ladeira do Sol, na praia dos Artistas um reservatório de água da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (CAERN) acumula água. Os canos que cercam o reservatório não escoam toda a água que ficam na cobertura, ocasionando poças, agravando as chances de se proliferarem os focos da dengue.

A assessoria da CAERN informou que este tanque recebeu um reparo recentemente e que o acúmulo de água é devido às chuvas e que o volume logo evapora. “ Mesmo assim vamos enviar um técnico no local para ver se é necessário outro reparo”, declarou a assessoria. A piscina do complexo aquático da UFRN não está em uso e também acumula água parada. A assessoria da instituição alega que a água está clorada e que a piscina não pode ficar vazia, para evitar rachaduras. O telefone da SMS para a denúncia da Dengue é 08002814031.

Programa da dengue não faz prestação de contas dos gastos

O governo do Estado não sabe quanto foi gasto no Programa de Combate à Dengue do ano passado porque a Secretaria Estadual de Saúde não faz uma prestação de conta específica para cada programa. A Sesap tem apenas o controle de quanto o Ministério da Saúde mandou para ser investido nas diversas endemias. No ano passado, esse recurso foi de um milhão de reais.

“O programa da dengue não faz prestação de contas de quanto foi gasto com as ações realizadas durante o ano. O Ministério da Saúde manda recursos para as diversas endemias e de acordo com a necessidade, esses recursos são gastos”, explicou a coordenadora de Promoção à Saúde, Celeste Rocha.

Diferente do que acontece no Rio de Janeiro, onde a população tem que saber quanto de recurso é repassado e se houve redução dessa verba de um ano para outro. Na última terça-feira, o próprio secretário de saúde do Rio de Janeiro, Sérgio Côrtes explicou que houve redução no orçamento em 2007, mas que, este ano, serão gastos R$ 20 bilhões, um aumento de 10% sobre o ano passado.

Enquanto no Rio Grande do Norte, nem os formulários de prestação de contas da Sesap são separados por endemias. “Eu não sei dizer o quanto foi gasto, mas em que a verba do MS foi gasta. O maior investimento foi na capacitação dos profissionais, os carros fumacês e venenos, campanha publicitária educativa”.

Segundo a Sesap, o Estado coordena as ações e capacitação de agentes e ações curativas. Já o município é responsável pela atenção básica, o combate ao foco dos mosquitos e a prevenção.

O orçamento deste ano ainda não foi repassado para o Estado porque, de acordo com a assessoria de imprensa da Sesap, o Ministério da Saúde ainda não fechou o orçamento de 2008. O que se sabe é que o Rio Grande do Norte vai receber mais oito carros fumacês para ajudar no combate à dengue.

Ainda de acordo com a assessoria de imprensa, o secretário Adelmaro Cavalcanti está em Brasília participando de reuniões relacionadas ao combate à dengue e informou que o secretário nacional de Vigilância Sanitária, Gerson Penna, está planejando, para a próxima semana, uma vinda a Natal para verificar como estão as ações de combate à doença no Estado.

Com relação aos gastos do município de Natal, a TRIBUNA DO NORTE procurou a chefe do Departamento de Vigilância de Saúde da SMS, Cristiane Souto, mas a mesma informou que ainda não tinha conhecimentos dos valores. “Acabei de assumir a função e ainda estou me inteirando dos assuntos, com relação aos recursos, ainda não foi me passado nada sobre os recursos”.

Hospital tem 14 crianças com dengue

O crescimento acelerado dos casos de dengue em Natal sobrecarrega os hospitais, que precisam disponibilizar mais leitos e uma equipe médica mais presente no acompanhamento dos pacientes. É o caso do hospital Filantrópico Varela Santiago, que disponibiliza 10% ( de um total de 110)dos leitos para o atendimento de crianças com dengue.

No último domingo o hospital acomodava 14 crianças com dengue. O otorrinolaringologista Paulo Xavier, afirmou que o que agrava a situação é o fato de o hospital receber pacientes de outros municípios como Mossoró e Currais Novos. O hospital ainda recebe os pacientes que precisam de internação vindos do Hospital Giselda Trigueiro, que não interna crianças com dengue.

Apenas presta atendimento de urgência, informou a diretora do Varela Santiago que chama atenção para um movimento de emergência: “Os hospitais de Natal precisam se mobilizar, pois estamos enfrentando uma epidemia de dengue. O hospital Varela Santiago ainda vai ter à partir de 1º de abril o fechamento dos setores de odontologia e vacinação, por falta de recursos.”

Matéria TN 26/4 :: Via Costeira gera novas polêmicas

Via Costeira gera novas polêmicas

Repórter: Wagner Lopes
Foto: Emanuel Amaral

PDN – Altura de novos prédios na Via Costeira volta a ser debatida na CMN

Uma estreita faixa de areia com 9 quilômetros de comprimento deve causar uma das maiores polêmicas na audiência pública de hoje na Câmara Municipal de Natal, a respeito do novo Plano Diretor. Trata-se da Via Costeira. Para a Prefeitura, impedir que os novos empreendimentos ultrapassem a altura da pista da avenida Dinarte Mariz é fundamental no sentido de preservar as “últimas janelas” com vista para o oceano Atlântico, Ponta Negra e o morro do Careca. Os empresários de turismo, contudo, garantem que essa limitação vai inviabilizar os investimentos.

“Tudo na vida tem de ter bom senso. Restam apenas seis lotes. Por que não manter o gabarito atual (15 m de altura) e se preocupar com coisas mais importantes. Ribeira, saneamento, entre outras?” questiona o empresário Sami Elali. Sua empresa, a G5, possui terrenos na área e, assim como nos demais espaços, os projetos já vinham sendo elaborados, porém terão de ser mudados se a emenda proposta pelo Executivo for aprovada. “Caso o limite valesse desde o início, tudo bem, mas muito já se construiu e não pode se mudar a regra no meio do jogo”, critica Elali.

A opinião é semelhante à do presidente estadual da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Enrico Fermi. Segundo ele, os proprietários dos seis lotes restantes, todos investidores nacionais, vinham buscando parceiros para construir em seus espaços. “Acho essa proposta um retrocesso, pois vai inviabilizar totalmente os empreendimentos novos da Via Costeira”, analisa. O principal argumento é que, para respeitar a altura da pista, só poderão ser construídos hotéis de até 200 apartamentos. “Vai ser difícil competir com os atuais, de 300 e 400 apartamentos, até porque o custo fixo de um hotel é basicamente o mesmo, independente do tamanho”, explica.

A Semurb, porém, faz previsões bem diferentes. “Mesmo com essas limitações, será possível erguer hotéis de 400 a 1 mil apartamentos, com o mesmo padrão dos que já funcionam. Não haverá prejuízos”, defende o chefe do setor de Planejamento Urbanístico, Márcio Henrique Yacyszyn. Segundo ele, alguns empreendimentos poderão ter até seis pavimentos.

Bate Papo

Florésia Pessoa – chefe de departamento

Por que impedir as construções acima do nível da pista?

Logo quando surgiu aquela polêmica dos espigões em Ponta Negra, observamos que o problema quanto à vista da paisagem também se repetia na Via Costeira. Daí a necessidade de definirmos uma regra para preservar as últimas janelas que tínhamos com relação a essa vista.

Os críticos da idéia chegam a dizer que isso criaria uma espécie de reserva de mercado para quem já construiu, impedindo novos empreendimentos. Como a senhora vê isso?

Ninguém ali saiu perdendo. Todos já se beneficiaram desde a construção da Via Costeira. Está na hora da cidade, Natal, também ter sua parcela. E é possível, sim, construir com o novo gabarito.

E por que não promover a mudança quando houver a revisão da lei específica que trata da (Área de Especial Interesse Turístico) Via Costeira?

Estamos trabalhando na revisão dessas áreas, mas é muita coisa ainda a ser feita e a equipe que temos não permite uma agilidade maior. No mínimo, no mínimo, vamos levar uns seis meses para isso. Até lá pode não haver mais o que preservar.

Matéria TN 26/4 :: Via Costeira gera novas polêmicas

Via Costeira gera novas polêmicas

Repórter: Wagner Lopes
Foto: Emanuel Amaral

PDN – Altura de novos prédios na Via Costeira volta a ser debatida na CMN

Uma estreita faixa de areia com 9 quilômetros de comprimento deve causar uma das maiores polêmicas na audiência pública de hoje na Câmara Municipal de Natal, a respeito do novo Plano Diretor. Trata-se da Via Costeira. Para a Prefeitura, impedir que os novos empreendimentos ultrapassem a altura da pista da avenida Dinarte Mariz é fundamental no sentido de preservar as “últimas janelas” com vista para o oceano Atlântico, Ponta Negra e o morro do Careca. Os empresários de turismo, contudo, garantem que essa limitação vai inviabilizar os investimentos.

“Tudo na vida tem de ter bom senso. Restam apenas seis lotes. Por que não manter o gabarito atual (15 m de altura) e se preocupar com coisas mais importantes. Ribeira, saneamento, entre outras?” questiona o empresário Sami Elali. Sua empresa, a G5, possui terrenos na área e, assim como nos demais espaços, os projetos já vinham sendo elaborados, porém terão de ser mudados se a emenda proposta pelo Executivo for aprovada. “Caso o limite valesse desde o início, tudo bem, mas muito já se construiu e não pode se mudar a regra no meio do jogo”, critica Elali.

A opinião é semelhante à do presidente estadual da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Enrico Fermi. Segundo ele, os proprietários dos seis lotes restantes, todos investidores nacionais, vinham buscando parceiros para construir em seus espaços. “Acho essa proposta um retrocesso, pois vai inviabilizar totalmente os empreendimentos novos da Via Costeira”, analisa. O principal argumento é que, para respeitar a altura da pista, só poderão ser construídos hotéis de até 200 apartamentos. “Vai ser difícil competir com os atuais, de 300 e 400 apartamentos, até porque o custo fixo de um hotel é basicamente o mesmo, independente do tamanho”, explica.

A Semurb, porém, faz previsões bem diferentes. “Mesmo com essas limitações, será possível erguer hotéis de 400 a 1 mil apartamentos, com o mesmo padrão dos que já funcionam. Não haverá prejuízos”, defende o chefe do setor de Planejamento Urbanístico, Márcio Henrique Yacyszyn. Segundo ele, alguns empreendimentos poderão ter até seis pavimentos.

Bate Papo

Florésia Pessoa – chefe de departamento

Por que impedir as construções acima do nível da pista?

Logo quando surgiu aquela polêmica dos espigões em Ponta Negra, observamos que o problema quanto à vista da paisagem também se repetia na Via Costeira. Daí a necessidade de definirmos uma regra para preservar as últimas janelas que tínhamos com relação a essa vista.

Os críticos da idéia chegam a dizer que isso criaria uma espécie de reserva de mercado para quem já construiu, impedindo novos empreendimentos. Como a senhora vê isso?

Ninguém ali saiu perdendo. Todos já se beneficiaram desde a construção da Via Costeira. Está na hora da cidade, Natal, também ter sua parcela. E é possível, sim, construir com o novo gabarito.

E por que não promover a mudança quando houver a revisão da lei específica que trata da (Área de Especial Interesse Turístico) Via Costeira?

Estamos trabalhando na revisão dessas áreas, mas é muita coisa ainda a ser feita e a equipe que temos não permite uma agilidade maior. No mínimo, no mínimo, vamos levar uns seis meses para isso. Até lá pode não haver mais o que preservar.

Matéria TN 29/10 – Transformações da Vila

A transformação de um vilarejo

Jaqueline Santos – Repórter
Foto: Emanuel Amaral

AMEAÇA – Poucos são os pescadores que ainda resistem na atividade em Ponta Negra

A Vila de Ponta Negra, localizada na Zona Sul de Natal, teve início no começo do século XVIII. Na época, sua população era constituída apenas de pescadores que construíram as suas casas de palha de coqueiro à beira-mar e depois se deslocaram para o cima da colina, onde se originou o núcleo da vila.

Além da pesca, os homens começaram a cultivar roçados e fazer carvão. As mulheres faziam a renda de bilro, atividade realizada até os dias de hoje. Durante muito tempo, esse povoado manteve um grande isolamento em relação ao centro da cidade, devido à distância e ao fato de as pessoas terem seus meios de subsistência no próprio lugar.

A paisagem foi sendo modificada nos anos 80, com o crescimento do turismo e com o desenvolvimento urbano de todo o bairro, que se transformou num dos pontos turísticos mais importantes da cidade, passando a ser considerada uma área privilegiada para moradia, entretenimento e obtenção de renda.

Como resultado, a vila recebeu novos tipos de habitação, novas atividades econômicas, moradores com condições sociais e costumes diferentes. Já nessa época, o crescente fluxo de turistas alterou a natureza da ‘Vila’.

Foi na década de 90, que a Vila de Ponta Negra começou a receber um grande número de edificações, com o objetivo de dar suporte para as atividades turísticas. A partir dessa época, a vila recebeu a construção de hotéis, pousadas, restaurantes, e alguns mega-empreendimentos, construídos de forma diversificada, porém aglomerada.

É na vila que está localizado o mais famoso cartão postal da cidade, o Morro do Careca. Até o fim dos anos 90, era possível subir a duna e admirar a bela paisagem lá de cima. Contudo, a área começou a ser atingida pela erosão e seu acesso foi proibido.

De qualquer maneira, a vila é hoje alvo de intensa especulação imobiliária e cresce de forma assustadora. Por esses motivos, a vila está deixando de ser tão ventilada e está cada vez mais quente. O banho de mar já não é tão convidativo, devido à intensa poluição e o turismo sexual tomou conta da orla.

Tradição é passada de pai para filho

A Vila de Ponta Negra tem muitos encantos e sobretudo tem história, que deve ser preservada. É o caso dos Congos de Calçola, uma tradição folclórica que ressalta os saberes advindos dos mestres e brincantes e contribui com o acervo cultural da comunidade. Os Congos de Calçola encenam uma dança dramática de origem africana que narra a peleja por conflito de terra. Vassalos, reis, rainha, embaixadores e príncipes são os personagens do folguedo.

Hoje os Congos de Calçola são liderados pelo mestre Correia e contam com 18 participantes. Os vassalos lutam com espadas e maracás ao ritmo do tarol.

Pedro dos Santos Correia (51), morador da Vila de Ponta Negra, é irmão do Mestre Correia e conta que a tradição é familiar. O pai aprendeu o folguedo com o seu avô. “A tradição começou na época dos meus avós quando a vila ainda era aldeia de pescador. A família vai se renovando e não deixa a tradição morrer. As danças e as músicas não mudaram”.

Segundo ele, logo cedo os meninos são iniciados na brincadeira, a maioria começa a freqüentar os ensaios com 7 anos. “Na família todo mundo começa a dançar com no máximo 8 anos. Tenho um sobrinho com 5 anos que já vai ser iniciado”.

O senhor Pedro contou que os Congos da Vila de Ponta Negra foram os pioneiros no folguedo em todo o Estado e eram conhecidos primeiramente apenas por ‘Congos’, mas com a criação do grupo de São Gonçalo do Amarante, que foi chamado de ‘Congos de Saiote’, o Grupo da Vila passou a ser conhecido como os ‘Congos de Calçola’.

Pedro Correia disse que tradicionalmente os Congos de Calçola se apresentam em três festas: no São João, no Natal e no Carnaval. “Nessas festas adaptamos os ritmos da música de acordo com o estilo da festa”.

Ele relata que a maior dificuldade do Grupo é a falta de incentivo à cultura, fazendo com que as pessoas desconheçam a existência dessa tradição folclórica, que surgiu na Vila de Ponta Negra. “Não há nenhum incentivo do Poder Público para a divulgação da cultura popular no Estado. Nossa cultura foi reconhecida na época em que Djalma Maranhão era prefeito de Natal e quando Cortez Pereira foi Governador começamos a receber apoio da Fundação José Augusto. Hoje a Fundação não nos dá nenhum apoio. Desde fevereiro do ano passado estamos tentando receber pagamento pelas apresentações do carnaval”.

Limites do Vilarejo estão em expansão

Dentre as ruas estreitas da Vila é possível encontrar casas de todos os níveis sociais, das mais luxuosas às mais simples. A paisagem do antigo vilarejo está se modificando. Algumas ruas já não têm nenhuma característica do que foi um dia uma aldeia de pescadores.

E os limites da Vila se expandiram e já chegaram até o muro da barreira do inferno. Quem não conhece o lugar, facilmente se perde entre as ruas estreitas tomadas por prédios, pousadas e antigas casas. As placas de venda estão por toda a parte. É o resultado da especulação imobiliária.

Foi o que aconteceu com o Julho Nonato de Oliveira (39), que tinha um terreno na vila com 600 metros quadrados e hoje já comercializou grande parte. Só lhe resta uma área de 6 metros por 11 metros. “Vendi meu terreno para um empresário de Fortaleza, que desejava investir na área”.

O mesmo pensamento tem o morador José Xavier de Souza (57), que mora há 22 anos na Vila. Ele conta que quando chegou não tinham quase casas. E hoje já pensa em sair de lá pelo custo de vida que está muito alto. “Os preços aqui são para os turistas. Nós moradores estamos perdendo a vez”.

Ele comenta que os maiores problemas decorrentes do aumento do turismo foram a prostituição na beira da praia e as drogas que estão cada vez mais presentes no dia-a-dia dos moradores da Vila. “Temos que pedir a Deus que os nossos filhos não sejam influenciados por viver nesse meio”.

O morador Leôncio José das Chagas (54), mora na Vila a sua vida inteira e diz que não tem vontade de sair do lugar. “Tem muita gente vendendo as casas aqui e indo morar em Pium, em Nova Parnamirim, na Zona Norte e no Lago Azul. Não vou sair daqui, minha família nasceu e se criou nesse lugar”.

Uma atividade vive a ameaça de extinção

A pesca na Praia de Ponta Negra é uma atividade quase em extinção. É o que conta o pescador Samuel Rodrigues (63), nativo da Vila, que pesca desde os 15 anos na praia de Ponta Negra.

Ele relata que na sua família todos eram pescadores. O seu avô, o seu pai, ele e seu irmão. Mas os seus filhos não querem saber da pesca. “Meus filhos trabalham com turismo. Não querem nem ouvir falar em pesca”.

Apaixonado pela profissão, diariamente seu Samuel sai para pescar. Mas diz que tem uma atividade muito praticada na praia que prejudica a pescaria, é o surf. “Eu pesco com arrastão e os surfistas espantam os cardumes de peixes”.

Segundo ele, nos últimos dez anos a pescaria está se tornando cada vez mais rara, que só é praticada pelos mais velhos, pois os jovens não querem sair para pescar. “A pesca está se acabando por causa do turismo. Aonde o turismo chega a pesca acaba”. O pescador conta que há 30 anos mais de 100 barcos de pesca saiam para o mar, hoje esse número não chega a 15. “Em toda a vila devem existir no máximo 50 pescadores”.

Ele informou que antes o pescado era dividido de forma igual entre o pescador e o dono do barco. Hoje o pescador fica com 70% do pescado e mesmo assim não há interessados pela profissão. “Eu tenho um barco e três arrastões. Só estou usando um arrastão, o restante está parado”.

Apesar de ter criado os seis filhos com a pesca, seu Samuel diz que só dá para sobreviver com muito amor à atividade. “Estou com duas redes encostadas, cada uma vale R$ 6 mil, minha jangada está nova e para comprar tudo isso precisei de fiador”.

Ele reclama que nunca contou com nenhum incentivo do governo. O governo era para financiar o material para a gente e ao invés de pagarmos R$ 40,00 pelo metro da rede era para o governo nos vender por R$ 20,00, mas a atividade não é incentivada e o único que ganha com a pesca é o atravessador. Por isso ninguém quer mais pescar”, finaliza seu Samuel.

Já o senhor Manuel Felinto de Carvalho (65), mais conhecido como Manuca, conta que ainda dá para sobreviver da pesca e que o melhor período para a prática da atividade está começando agora em outubro e vai até janeiro.

Ele diz que há muitos anos sonhava em ter uma jangada, mas há pouco tempo o seu sonho pode se concretizar. Morador da Vila, durante muitos anos eles sobreviveu do lucro com uma barraca que tinha na beira da praia, e com a atividade de marceneiro.

Com sua nova jangada, Manuca emprega quatro homens e o peixe trazido por eles é dividido igualmente. “Todo o peixe trazido por eles levo para minha casa e é consumido pela minha família”. Cássio Pereira da Costa (35) trabalha no barco do seu Manoel, ele conta que apesar de ter a carteira assinada como pescador, a sua situação está difícil. “Antes a gente pescava 30 quilos de peixe, hoje não chega a 10 quilos, pra dividir entre três pessoas. O lucro é muito pequeno. Os atravessadores que compram o peixe da gente só pagam R$ 5,00 por quilo”.

Matéria TN 29/10 – Transformações da Vila

A transformação de um vilarejo

Jaqueline Santos – Repórter
Foto: Emanuel Amaral

AMEAÇA – Poucos são os pescadores que ainda resistem na atividade em Ponta Negra

A Vila de Ponta Negra, localizada na Zona Sul de Natal, teve início no começo do século XVIII. Na época, sua população era constituída apenas de pescadores que construíram as suas casas de palha de coqueiro à beira-mar e depois se deslocaram para o cima da colina, onde se originou o núcleo da vila.

Além da pesca, os homens começaram a cultivar roçados e fazer carvão. As mulheres faziam a renda de bilro, atividade realizada até os dias de hoje. Durante muito tempo, esse povoado manteve um grande isolamento em relação ao centro da cidade, devido à distância e ao fato de as pessoas terem seus meios de subsistência no próprio lugar.

A paisagem foi sendo modificada nos anos 80, com o crescimento do turismo e com o desenvolvimento urbano de todo o bairro, que se transformou num dos pontos turísticos mais importantes da cidade, passando a ser considerada uma área privilegiada para moradia, entretenimento e obtenção de renda.

Como resultado, a vila recebeu novos tipos de habitação, novas atividades econômicas, moradores com condições sociais e costumes diferentes. Já nessa época, o crescente fluxo de turistas alterou a natureza da ‘Vila’.

Foi na década de 90, que a Vila de Ponta Negra começou a receber um grande número de edificações, com o objetivo de dar suporte para as atividades turísticas. A partir dessa época, a vila recebeu a construção de hotéis, pousadas, restaurantes, e alguns mega-empreendimentos, construídos de forma diversificada, porém aglomerada.

É na vila que está localizado o mais famoso cartão postal da cidade, o Morro do Careca. Até o fim dos anos 90, era possível subir a duna e admirar a bela paisagem lá de cima. Contudo, a área começou a ser atingida pela erosão e seu acesso foi proibido.

De qualquer maneira, a vila é hoje alvo de intensa especulação imobiliária e cresce de forma assustadora. Por esses motivos, a vila está deixando de ser tão ventilada e está cada vez mais quente. O banho de mar já não é tão convidativo, devido à intensa poluição e o turismo sexual tomou conta da orla.

Tradição é passada de pai para filho

A Vila de Ponta Negra tem muitos encantos e sobretudo tem história, que deve ser preservada. É o caso dos Congos de Calçola, uma tradição folclórica que ressalta os saberes advindos dos mestres e brincantes e contribui com o acervo cultural da comunidade. Os Congos de Calçola encenam uma dança dramática de origem africana que narra a peleja por conflito de terra. Vassalos, reis, rainha, embaixadores e príncipes são os personagens do folguedo.

Hoje os Congos de Calçola são liderados pelo mestre Correia e contam com 18 participantes. Os vassalos lutam com espadas e maracás ao ritmo do tarol.

Pedro dos Santos Correia (51), morador da Vila de Ponta Negra, é irmão do Mestre Correia e conta que a tradição é familiar. O pai aprendeu o folguedo com o seu avô. “A tradição começou na época dos meus avós quando a vila ainda era aldeia de pescador. A família vai se renovando e não deixa a tradição morrer. As danças e as músicas não mudaram”.

Segundo ele, logo cedo os meninos são iniciados na brincadeira, a maioria começa a freqüentar os ensaios com 7 anos. “Na família todo mundo começa a dançar com no máximo 8 anos. Tenho um sobrinho com 5 anos que já vai ser iniciado”.

O senhor Pedro contou que os Congos da Vila de Ponta Negra foram os pioneiros no folguedo em todo o Estado e eram conhecidos primeiramente apenas por ‘Congos’, mas com a criação do grupo de São Gonçalo do Amarante, que foi chamado de ‘Congos de Saiote’, o Grupo da Vila passou a ser conhecido como os ‘Congos de Calçola’.

Pedro Correia disse que tradicionalmente os Congos de Calçola se apresentam em três festas: no São João, no Natal e no Carnaval. “Nessas festas adaptamos os ritmos da música de acordo com o estilo da festa”.

Ele relata que a maior dificuldade do Grupo é a falta de incentivo à cultura, fazendo com que as pessoas desconheçam a existência dessa tradição folclórica, que surgiu na Vila de Ponta Negra. “Não há nenhum incentivo do Poder Público para a divulgação da cultura popular no Estado. Nossa cultura foi reconhecida na época em que Djalma Maranhão era prefeito de Natal e quando Cortez Pereira foi Governador começamos a receber apoio da Fundação José Augusto. Hoje a Fundação não nos dá nenhum apoio. Desde fevereiro do ano passado estamos tentando receber pagamento pelas apresentações do carnaval”.

Limites do Vilarejo estão em expansão

Dentre as ruas estreitas da Vila é possível encontrar casas de todos os níveis sociais, das mais luxuosas às mais simples. A paisagem do antigo vilarejo está se modificando. Algumas ruas já não têm nenhuma característica do que foi um dia uma aldeia de pescadores.

E os limites da Vila se expandiram e já chegaram até o muro da barreira do inferno. Quem não conhece o lugar, facilmente se perde entre as ruas estreitas tomadas por prédios, pousadas e antigas casas. As placas de venda estão por toda a parte. É o resultado da especulação imobiliária.

Foi o que aconteceu com o Julho Nonato de Oliveira (39), que tinha um terreno na vila com 600 metros quadrados e hoje já comercializou grande parte. Só lhe resta uma área de 6 metros por 11 metros. “Vendi meu terreno para um empresário de Fortaleza, que desejava investir na área”.

O mesmo pensamento tem o morador José Xavier de Souza (57), que mora há 22 anos na Vila. Ele conta que quando chegou não tinham quase casas. E hoje já pensa em sair de lá pelo custo de vida que está muito alto. “Os preços aqui são para os turistas. Nós moradores estamos perdendo a vez”.

Ele comenta que os maiores problemas decorrentes do aumento do turismo foram a prostituição na beira da praia e as drogas que estão cada vez mais presentes no dia-a-dia dos moradores da Vila. “Temos que pedir a Deus que os nossos filhos não sejam influenciados por viver nesse meio”.

O morador Leôncio José das Chagas (54), mora na Vila a sua vida inteira e diz que não tem vontade de sair do lugar. “Tem muita gente vendendo as casas aqui e indo morar em Pium, em Nova Parnamirim, na Zona Norte e no Lago Azul. Não vou sair daqui, minha família nasceu e se criou nesse lugar”.

Uma atividade vive a ameaça de extinção

A pesca na Praia de Ponta Negra é uma atividade quase em extinção. É o que conta o pescador Samuel Rodrigues (63), nativo da Vila, que pesca desde os 15 anos na praia de Ponta Negra.

Ele relata que na sua família todos eram pescadores. O seu avô, o seu pai, ele e seu irmão. Mas os seus filhos não querem saber da pesca. “Meus filhos trabalham com turismo. Não querem nem ouvir falar em pesca”.

Apaixonado pela profissão, diariamente seu Samuel sai para pescar. Mas diz que tem uma atividade muito praticada na praia que prejudica a pescaria, é o surf. “Eu pesco com arrastão e os surfistas espantam os cardumes de peixes”.

Segundo ele, nos últimos dez anos a pescaria está se tornando cada vez mais rara, que só é praticada pelos mais velhos, pois os jovens não querem sair para pescar. “A pesca está se acabando por causa do turismo. Aonde o turismo chega a pesca acaba”. O pescador conta que há 30 anos mais de 100 barcos de pesca saiam para o mar, hoje esse número não chega a 15. “Em toda a vila devem existir no máximo 50 pescadores”.

Ele informou que antes o pescado era dividido de forma igual entre o pescador e o dono do barco. Hoje o pescador fica com 70% do pescado e mesmo assim não há interessados pela profissão. “Eu tenho um barco e três arrastões. Só estou usando um arrastão, o restante está parado”.

Apesar de ter criado os seis filhos com a pesca, seu Samuel diz que só dá para sobreviver com muito amor à atividade. “Estou com duas redes encostadas, cada uma vale R$ 6 mil, minha jangada está nova e para comprar tudo isso precisei de fiador”.

Ele reclama que nunca contou com nenhum incentivo do governo. O governo era para financiar o material para a gente e ao invés de pagarmos R$ 40,00 pelo metro da rede era para o governo nos vender por R$ 20,00, mas a atividade não é incentivada e o único que ganha com a pesca é o atravessador. Por isso ninguém quer mais pescar”, finaliza seu Samuel.

Já o senhor Manuel Felinto de Carvalho (65), mais conhecido como Manuca, conta que ainda dá para sobreviver da pesca e que o melhor período para a prática da atividade está começando agora em outubro e vai até janeiro.

Ele diz que há muitos anos sonhava em ter uma jangada, mas há pouco tempo o seu sonho pode se concretizar. Morador da Vila, durante muitos anos eles sobreviveu do lucro com uma barraca que tinha na beira da praia, e com a atividade de marceneiro.

Com sua nova jangada, Manuca emprega quatro homens e o peixe trazido por eles é dividido igualmente. “Todo o peixe trazido por eles levo para minha casa e é consumido pela minha família”. Cássio Pereira da Costa (35) trabalha no barco do seu Manoel, ele conta que apesar de ter a carteira assinada como pescador, a sua situação está difícil. “Antes a gente pescava 30 quilos de peixe, hoje não chega a 10 quilos, pra dividir entre três pessoas. O lucro é muito pequeno. Os atravessadores que compram o peixe da gente só pagam R$ 5,00 por quilo”.