BOCA DO RIO [BA] REPROVA EMISSÁRIO SUBMARINO

O sistema de disposição oceânica de Salvador, mais conhecido como emissário submarino, vem gerando a insatisfação para os ambientalistas e os moradores da Boca do Rio. As diversas mobilizações realizadas por esta comunidade, fizeram com que o início da construção, prevista para 2008, fosse adiado e o projeto inicial revisado pelo atual governo.

Com base no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Salvador (PDDU), o emissário possuirá 3648 metros de extensão e deverá atingir a profundidade de 45 metros. . A tubulação irá percorrer , subterraneamente, a Avenida Jorge Amado, em direção a Praia dos Artistas (Corsário); a extensão terrestre é de 1,5 Km e 3,6 Km submarino.

O sociólogo Agnaldo Neiva, membro do Comitê de Luta e Defesa da Praia dos Artistas, afirma que são vários os argumentos que fazem à população reprovar a obra. “não se admite mais, que esgotos produzidos a centenas de quilômetros, tenham que ser bombeados e trazidos para grandes estações centrais, para serem parcialmente tratados e jogados a quilômetro de distância do mar”.

O comitê argumenta que os dejetos jogados no esgoto, fazem disseminar produtos químicos que não serão devidamente tratados pela Estação de Condicionamento Prévio, que está sendo pensada para ser construída no Parque Metroplitano de Pituaçú. - É muito para a nossa cabeça, construir emissários desconsiderando o meio ambiente, desqualificando o que está preservado, dizendo que não tem valor ambiental”.

Segundo o sociólogo, essa tecnologia de lançar esgoto ao mar é ultrapssada no mundo inteiro, um outro problema apontado é que a construção desse projeto é desnecessária, já que existe o emissário do Rio Vermelho, que tem a capacidad até 2014. Acrescenta: ” A EMBASA vem enganando à todos para construir um empreendimento gigantesco e endividar toda a população da cidade durante 18 anos, que é o tempo previsto para a concessão”.

Além de ser um espaço de lazer, a Praia dos Artistas, na década de 60 e 70, haviam muitos luais, festa e manifestações culturais. Era o período da Ditadura Militar. Foi palco do primeiro top lessdo país e dos artistas da Tropicália, como Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Baby Consuelo, Capinam, dentre outros. Atualmente a praia se tornou um espaço de sociabilidade para as comunidades da Boca do Rio e adjacências.

Com base no PDDU, a tubulação do emissário também irá passar pelas dunas da praia, ocupando o local das barracas, até chegar ao mar. Os donos há mais de trinta anos, se sentem ameaçados. O funcionamento dessas barracas garante emprego, preservação ambiental e cultural para a comunidade. Aloísio Sky, proprietário da rústica barraca Maria Sem Vergonha , atua firmemente na luta contra o emissário, intervindo junto à comunidade nas ações mobilizadoras. ” A nossa história precisa ser preservada e respeiatada como patrimônio” - disse ele.

O engenheiro Luiz Roberto Moraes, professor do Departamento de Engenharia Sanitária da Universidade Federal da Bahia, defende que a questão não é ser apenas contr à construção de um novo emissário, o maior problema é a falta de transparência do projeto. Questiona, “Será que vivemos em um país com tantos recursos assim, a ponto de gastarmos com obras desnecessárias, quando temos problemas mais urgentes de saneamento na periferia de Salvador?

Segundo Francisco de Oliveira, supervisor ambiental da sede da EMBASA, na Boca do Rio, a obra trará vários benefícios para a população de Salvador: a ampliação da vida útil do sistema de esgoto da cidade, a melhora expressiva da qualidade das àguas dos mananciais e a melhoria das condições de vida e habitação.

Segundo Francisco, será desmatada 1,2 hectare de vegetação, em relação aos questionamentos da comunidade, ele garante que os barraqueiros serão indenizados e sobre os impactos ambientais, afirma “Antes do esgoto ser devolvido ao meio ambiente, será devidamente tratado para que o corpo receptor não venha a ser afetado”.

Embora, menos constante no roteiro dos baianos, a para contínua sendo um lugar aprazível, os frequentadores não são mais os artistas da década de 60, mas o espírito de militância permanece através da presença de líderes comunitários, órgãos ambientais e moradores, que contra o projeto, lutam para manter viva a história desse lugar.

Diário de Natal - Ponto Contra Ponto :: TRATAMENTO DE RESÍDUOS

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TRATAMENTO DE RESÍDUOS

O EMISSÁRIO SUBMARINO É A MELHOR ALTERNATIVA PARA
O SANEAMENTO DA ZONA SUL DE NATAL?

NÃO
Gilka da Mata - Promotora de Justiça

“A CAERN precisa primar pelo detalhamento dos estudos relativos aos projetos de saneamento que defende”

Atualmente, não há dados seguros capazes de garantir que o lançamento de esgotos no mar de Ponta Negra não causará poluição nas praias e não afetará a saúde da população. O sistema proposto pela CAERN prevê o lançamento de esgotos in natura no mar, uma vez que está previsto apenas um processo de peneiração antes de serem canalizados para o oceano.

Há dúvidas básicas sobre o total da população a ser atendida pelo projeto.

O contrato celebrado com a Caixa Econômica para o financiamento do emissário prevê que a população atendida será de 140mil restrita ao município de Natal. O projeto já definido pela CAERN visa a atender, também, toda a população de Parnamirim (mesmo sem a anuência da Prefeitura local), que é de aproximadamente 170mil pessoas, além da população das praias de Pium, Cotovelo e Pirangi.

Afinal qual é a população estimada para o projeto? 140? 380?
E em 2018 e em 2028?

No EIA apresentado pela CAERN é possível verificar que outras alternativas de destino final de esgotos com previsão de tratamento prévio foram descartadas em poucas linhas. A falta de um engenheiro sanitarista na equipe que elaborou o estudo foi prejudicial para apreciação dessa questão.

Os estudos oceanográficos apresentados no estudo foram baseados em apenas duas campanhas: uma de 28/08 a 03/09/2007 e outra em 04/10/2007. Ora, as águas oceânicas são extremamente dinâmicas. Os movimentos, a direção dos ventos, as ondas e outros aspectos verificados em agosto e setembro podem ser diversos dos que ocorrem em outros meses e em estações climáticas diferentes.

A CAERN precisa primar pelo detalhamento dos estudos relativos aos projetos de saneamento que defende. A falta de rigor desses estudos já acarretou o subdimensionamento e o colapso do sistema de esgotamento implantado atualmente em Ponta Negra.

Em 2005, com a intenção de levar para o Rio Pirangi/Pium os esgotos de Ponta Negra e de Capim Macio, defendeu estudos sucintos que concluíram que o pequeno Rio tinha capacidade para recepcionar esgotos de 225 mil habitantes. Esse número, após análise de especialistas e do IDEMA foi reduzido para 66mil habitantes, condicionado a novos estudos.

Sem querer ser alarmista, é importante mencionar que erros no dimensionamento, na implantação e na manutenção de um emissário podem ocasionar desastres ambientais, tornando a praia imprópria para banho. E não são raros os exemplos que podem ser citados.

O acidente ambiental ocorrido no Emissário de Ipanema, RJ em 1991 foi de grave monta. Em 2004, uma tubulação do emissário de Fortaleza, CE rompeu, causando poluição. A praia de Sobral em Maceió esvaziou em razão do sistema. Um relatório da USP constatou que a vida animal na Bacia de Santos, SP foi eliminada em razão do emissário.

Natal precisa urgentemente de um sistema de esgotamento sanitário. A facilidade para a instalação do emissário é patente, em razão da localização litorânea da cidade, mas o custo ambiental e até mesmo econômico, em razão de sua atividade turística ser pautada na balneabilidade de suas praias, não pode ser desconsiderado.

Os Princípios da Prevenção e da Precaução, pilares do Direito Ambiental, precisam ser assimilados para que a CAERN realize o aprofundamento e a ampliação dos estudos para incluir a avaliação de outras alternativas locacionais e utilizar os 80milhões destinados ao sistema de esgotamento da zona sul de Natal da forma ambientalmente mais segura e eficiente para o benefício e a saúde da população.

SIM
Clóvis Veloso Freire - Diretor Técnico da Caern

“É preocupante.Os recursos do PAC estão assegurados. Espera-se que a população não seja a grande perdedora”

O Plano Diretor de Esgotamento Sanitário de Natal, aprovado pelo COMSAB - Conselho Municipal de Saneamento Básico, indica o Emissário Submarino como uma das alternativas para o destino final dos esgotos de bairros da zona sul da capital. Além do Emissário, a CAERN analisou mais duas alternativas: tratamento e infiltração nas dunas do Alagamar; tratamento e despejo no rio Jundiaí.

Após os estudos a CAERN optou pelo emissário por se constituir a solução técnica mais viável, considerando ser a de menor impacto para o meio ambiente. O local onde serão lançados os efluentes pré-condicionados, no mar da Barreira do Inferno, está a uma distância de 10 mil metros da estação de Pré-Condicionamento, proporciona ainda maior segurança.

Em 27 de janeiro de 2006 a CAERN encaminhou ao Ministério das Cidades, Proposta de Financiamento para obter recursos destinados ao tratamento de esgotos sanitários. No documento, Item V, ‘‘Informações Gerais sobre o Empreendimento’’ constava ‘‘Execução de Emissário Submarino com diâmetro de 1000mm para tratamento dos esgotos coletados em Ponta Negra, Município de Parnamirim, inclusive a sede municipal, entre outros, num volume total de 1.392 litros/segundos’’.

Ao receber a aprovação do Ministério das Cidades, a CAERN contratou profissionais de reconhecida competência como é o caso da Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura pertencente a Universidade Federal do Ceará, com larga experiência em estudos dessa natureza, para analisar o impacto do Emissário para o meio ambiente em Natal.

Paralelo a isso, a CAERN contratou a elaboração do projeto básico tendo como consultor o professor Fernando Botafogo, profissional responsável pela maioria dos projetos dos 22 emissários submarinos existentes na costa brasileira. Ele participou em janeiro da 64ªReunião Ordinária do COMSAB, no CEFET, unidade Salgado Filho, ocasião em que apresentou estudos preliminares sobre o Emissário, não apenas aos conselheiros mas representantes da Agência Reguladora de Saneamento Básico de Natal (ARSBAN), professores e estudantes da UFRN e do CEFET, entre outros, colocando-se à disposição para questionamentos.

Quem não lembra o processo de financiamento através do Banco Alemão KFW para esgotamento sanitário dos bairros Felipe Camarão, Cidade Nova, Guarapes, parte do Bom Pastor e Quintas?

Os recursos foram solicitados em 1991 e no atual Governo quando a CAERN conseguiu atender todas as exigências do banco inclusive aquisição do terreno para tratamento dos esgotos, houve polêmica sobre este assunto e tudo ficou parado mais uma vez. É importante lembrar também as obras de esgotamento sanitário de Pium, Cotovelo e Pirangi que desde dezembro de 2006 estariam concluídas se não fossem as paralisações decorrentes de questionamento sobre o método escolhido para tratamento dos esgotos.

O cenário que está montado em torno do Emissário é preocupante no momento em que os recursos do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) já estão assegurados, no valor de R$ 81 milhões. A CAERN espera que situações semelhantes já vivenciadas por esta empresa, não venham a se repetir, tendo a população como a grande perdedora.

A CAERN está aberta àqueles que desejem colaborar, apontando possíveis defeitos de forma direta e objetiva, numa discussão de nível técnico e científico para encontrar a solução dos problemas.

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BOCA DO POVO

De jeito nenhum. Lançar esgotos sem tratamento é muito perigoso. No que diz respeito à balneabilidade, eu mesmo tomo muito cuidado quando vou à praia. Só fico em lugares onde tenho a certeza de que o banho ali não irá me fazer mal. A Caern dever discutir outras maneiras de destinar o esgoto.

Francisco Sales Tarquino, 42 , vendedor

Eu acredito que não. Acho que deveriam optar pela mesma coisa feita no Baldo, criando uma Estação de Tratamento de Esgotos. Pode ser mais caro mas é menos arriscado para a saúde dos banhistas e para o ecossistema marinho.

Arlindo José da Silva, 43, vendedor

Lançar esgotos no mar? Sou contra. O emissário submarino pode deixar contaminado um dos poucos lugares do nosso meio ambiente considerado praticamente puro: o mar. Os nossos rios estão poluídos e a cidade enfrenta a expansão imobiliária. Pelo menos o mar deve ficar livre da poluição.

Aldanir Silva de Carvalho, 45, vendedor

O emissário não é a melhor alternativa para sanear a Zona Sul. Eu sei que Capim Macio e Ponta Negra têm problemas de esgotamento e estão com a rede saturada. Mas é muito agressivo lançar os dejetos puros no mar. Se temos a chance de não fazer isso agora, é melhor abandonar a idéia.

Manoel Paulino Silva, 65, motorista

Não acho que o emissário submarino seja a alternativa para o esgotamento sanitário da Zona Sul de Natal. É muito arriscado lançar o esgoto puro no oceano.Vai acabar com nossos peixes. E acho o emissário também vai custar muito dinheiro.

Ana Maria Tavares, 53, empresária


Eu sou favorável ao emissário submarino porque há a necessidade se oferecer urgentemente uma saída para os dejetos da Zona Sul. Há muito tempo que já se ouve falar nos problemas de saneamento daquela área e penso que devemos aproveitar a oportunidade para realizar o projeto.

José Alves Neto, 78, aposentado

O PROBLEMA É NOSSO!!!* :: FORA ESGOTÃO! QUEREMOS TRATAMENTO ADEQUADO E RESPEITO AO MEIO AMBIENTE

Conversando com as pessoas [gestores] que deveriam fazer alguma coisa, ouço sempre as mesmas frases: “não sei”, “é verdade mesmo?”, “tem certeza?!”, “mas a lei não permite, você que está inventando essa história”, “isso é com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo”, “não, isso é com o Ibama”, “nada a ver, isso é com o Idema”, “melhor procurar o Ministério Público”… [e é o que estamos tendo que fazer a todo momento diante de tanto absurdo e arbitrariedade!]

NÓS? Inventando? Perdendo NOSSO precioso tempo alimentando um BLOG e discutindo questões onde tudo não passa de loucura e exagero coletivo? Façam-me um favor caros e caras governantes/ secretários (as)/ especialistas/ técnicos, temos mais o que fazer!

Agora NOSSA missão é impedir a construção de um emissário submarino feito nas coxas e às pressas, antes de uma ampla discussão com a sociedade e estudos completos sobre a dimensão do impacto ambiental que essa ’solução mágica’ de jogar o lixo pra debaixo do tapete pode causar. Queremos tratamento adequado antes de lançar esgoto no mar. Nada de esgoto in natura!

Esse jogo de empurra-empurra só NOS envergonha com essa falta de proteção a que estamos submetidos: ninguém é responsável por nada, nem como cidadão essas pessoas que estão atrás das mesas se sensibilizam. Quero ver quando a coisa piorar de verdade (quando toda a porcaria estiver poluindo as praias) onde é que vamos encontrar a dignidade perdida e o banho de mar perdidos?

Para quem está chegando agora, o melhor a fazer é começar a participar do DEBATE. Se estiver tão indignado quanto eu e tantos outros entre na corrente: participe, comente, leia, antene-se .. pois o problema é todo e só NOSSO!!!

* [editado a partir de texto publicado anteriormente neste mesmo BLOG no dia 21 de setembro de 2006. Será um ciclo vicioso permanente?! Até quando teremos que remediar as incoerências dos gestores e ficar à mercê do 'mercado'? Até quando trocar qualidade de vida e futuro por dinheiro fácil e muitas vezes sujo?]

Diário de Natal :: USO DAS DUNAS É DESCARTADO PELA CAERN NA QUESTÃO DO SANEAMENTO DA ZONA SUL

Uma avaliação hidrogeológica na região da Barreira do Inferno mostrou ser inviável a alternativa de lançar efluentes nas dunas, uma das três opções discutidas para o esgotamento sanitário da zona sul de Natal e Parnamirim. O estudo foi apresentando ontem pelo geólogo Leandson Lucena, que trabalhou na pesquisa contratada pela Caern para comprovar a inviabilidade da proposta.

‘‘A gente verificou que a idéia é inviável porque a duna não tem espessura suficiente para comportar uma infiltração dessa natureza’’, explicou Lucena. Ele disse que o estudo mostrou uma espessura média de 7 metros nas dunas da Barreira do Inferno, enquanto que seriam necessários cerca de 50 metros para absorver os efluentes previstos no projeto, um volume anual de 40 milhões metros cúbicos.

Segundo ele, isso acontece porque abaixo da camada de duna existe um material semi-permeável, o que impede a infiltração no solo com a mesma rapidez que é absorvida pela duna. Na pesquisa, os técnicos fizeram uma simulação considerando a quadra chuvosa do ano. Lucena ressaltou que os resultados são parciais, pois o estudo continua em andamento. Está sendo feita uma avaliação da potencialidade hidrogeológica com vistas a incrementar o abastecimento da região.

Jornal de Hoje - 12/04/08 :: CANO ESTOURADO JORRA ÁGUA LIMPA NA RIBEIRA

Água acumulada preocupa população, que teme a transformação do local em um foco do aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue

Há quase uma semana, a Caern não toma providências em relação a um cano estourado na rua Silva Jardim, na Ribeira. A quantidade de água limpa que é jorrada já é suficiente para alagar parte da rua, causando sujeira e lama.

Moradores também alertam para o problema da dengue no local. Assustados, eles improvisaram uma espécie de barreira para evitar que carros caiam no buraco.

De acordo com o presidente da Associação de Práticos do RN, Sebastião Rodrigues, o problema teve início em fevereiro passado, depois que carretas e caminhões tocavam nos galhos de uma árvore (castanhola). Com isso, disse Sebastião, a raiz começou a afrouxar parte da calçada.

Moradores chamaram os funcionários da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur), que providenciaram, imediatamente, a retirada da planta. Mesmo assim, a tubulação da Caern foi comprometida.

Desde o dia 3 de março, denunciou a comerciante Jane de Souza, o cano jorra água limpa durante todo o dia, aumentado as chances de proliferação do mosquito Aedes Aegipty, por conta das várias poças que se formam na rua. “O povo reclama tanto da falta de água e a Caern nem está aí para evitar o desperdício. Faz pena ver tanta água tratada ser jogada no esgoto”, criticou.

Segundo Sebastião, a água jorrada do cano estourado vem acumulando lama na frente dos estabelecimentos. A proliferação de insetos, disse o presidente, já aumentou na rua, por conta do problema. Técnicos da Caern estiveram no local, mas até o momento não providenciaram os reparos.

ABSURDO EM CIMA DE ABSURDO || COMO DIRIA JACK PALANCE: ACREDITE SE QUISER!

John William Waterhouse - Pandora (1896)

O Plano Diretor de Natal é mesmo uma Caixa de Pandora, ou melhor, um baú!! A cada dia que passa me surpreendo com a quantidade de absurdos a que a cidade está sujeita. Falta credibilidade aos gestores e ação da comunidade [ainda SOMOS poucos, temos que multiplicar a idéia e sair de casa quando for preciso], a Mamãe Natureza segue seu rumo chova a quem chover…

* Como assim? É alguma piada?

1. que os hotéis podem construir muros de três metros na Via Costeira e não vemos um acesso descente para a população - que já ficou sem a ciclovia faz tempo!!?

2. que não há planos de construir ciclovia na Estrada de Ponta Negra?

3. que a área non-aedificandi [trecho entre Via Costeira e Rota do Sol] pode se transformar em estacionamento?

4. que chove 10 minutos na cidade e fica ‘tudo’ alagado? E que têm ‘piscinas’ que duram o inverno inteiro…

5. que estão querendo enfiar um emissário submarino goela abaixo na cidade? E ainda por cima sem estudos profundos sobre impacto ambiental com a desculpa esfarrapada que o dinheiro pode ser devolvido e que essa opção é a mais barata. Que papo é esse dona Caern?!!

Não sei porquê, mas precisamos considerar que há alguma ligação entre a pressa da Caern em aprovar e financiar um projeto questionável e perigoso de barata, fácil e rápida instalação, e a sanha imobiliária em aprovar mais e mais construções na cidade.
Não sei porquê???

AINDA SOBRE EMISSÁRIO SUBMARINO

O Projeto de Saneamento da Zona Sul [ou boa parte dela] de Natal, mais 100% da zona urbana de Parnamirim e algumas praias do Litoral Sul deveria ter sido planejado em conjunto: Caern, Prefeituras dos dois municípios e POPULAÇÃO. Difícil encontrar um denominador comum de interesses políticos, mas necessário o esforço para contemplar o interesse público.

Começou furado na origem: poucos estudos foram feitos; muitos detalhes não considerados; nenhuma consulta pública; pouca articulação política [pois cada cidade pensa em uma solução diferente para o mesmo problema]; os recursos para Natal vieram atrelados ao emissário submarino [enquanto Parnamirim prefere, sabiamente, tratar o esgoto]; todas as partes interessadas ficaram sabendo do projeto através da imprensa.

Emissário submarino para lançamento de esgoto no mar [efluentes] é, atualmente, a última opção de sanitaristas de todo o resto do Mundo. Natal é uma cidade-província cosmopolita e merece um tratamento à altura de todo esse interesse turístico-econômico.

A opção de se utilizar um emissário com esse sistema proposto pela Caern é cometer o mesmo erro que outras cidades já cometeram no passado e hoje estão gastando milhões de dólares para resolver o problema, um ótimo argumento para esquecer essa tal economia na implantação de estações de tratamento!

Para simplificar a história: em vez de tratar, a Caern quer construir um grande tanque para juntar todo o esgoto. O que passar pela peneira vai para o mar!

Acredite se quiser!!!

por Yuno Silva

PISCINA OLÍMPICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL VIRA ESGOTO A CÉU ABERTO

Foto: Alberto Leandro

Há cerca de dois anos uma reforma foi iniciada na piscina olímpica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), mas, por questões burocráticas, não foi levada adiante.

Hoje, a situação se agravou: a piscina se transformou em um esgoto a céu aberto e está servindo de criadouro para mosquitos e insetos, o que coloca em risco, de certa a forma, a saúde de alunos e moradores das proximidades. A Superintendência de Infra-Estrutura da instituição está elaborando um plano para a recuperação do Complexo Poliesportivo da Instituição, no Campus da capital.
[...]

[leia matéria completa no Correio da Tarde - 26/03/08]

Prefeitura de Natal - 18/03/08 :: URBANA LIMPA GALERIAS DE NATAL

A Companhia de Serviços Urbanos de Natal – Urbana – está realizando a desobstrução de galerias nas ruas das quatro zonas administrativas de Natal. Com o início do inverno, é imprescindível que as tubulações de toda a cidade estejam limpas para que não haja alagamentos. Por este motivo, cerca de 40 pessoas estão retirando o material sólido de galerias, tubulações e lagoas para permitir o fluxo das águas da chuva.

O gerente de engenharia da companhia, Francisco Antônio Costa, explicou que existem duas maneiras de efetuar a limpeza. A desobstrução manual é feita em ruas de menor tráfico de carros, pois às vezes é preciso cortar o calçamento para limpar as galerias. Já nas ruas movimentadas, pra evitar transtornos à população, é utilizado o carro de hidrojateamento, mais rápido e prático, que desobstrui as tubulações com um jato forte, sugando toda a sujeira.

Segundo Francisco Costa, a Urbana realiza o trabalho preventivo de limpeza de galerias, tubulações e lagoas não só antes do inverno, mas durante todo o ano. Ele citou como exemplo a permanência de funcionários em algumas lagoas de Natal, como na da Cidade da Esperança, onde há limpeza constante para que problemas futuros sejam evitados. Francisco afirmou que a Urbana está preparada para o período de chuvas que se aproxima, pois, com o trabalho de prevenção, é possível deixar as galerias limpas para o inverno.

>>> Não adianta nada limpar a rede de galerias se as pessoas continuarem jogando lixo na rua, pela janela do carro, no terreno do vizinho… Se não cuidarmos bem do lixo [1] teremos enchentes e [2] dengue. Multiplique essa idéia: não jogue nem deixe que joguem o lixo de qualquer jeito em qualquer lugar, o mosquito e a enxurrada não distingue ninguém.

Matéria DN 1/6 :: Esgoto causa mau cheiro na Praia

Esgoto causa mau cheiro na Praia

Foto: Fábio Cortez/DN

Lama, lixo e fedentina estão a céu aberto na Praia do Meio devido a esgoto

Quem decidiu passar o feriado da semana santa em Natal e aproveitar o sábado de sol na Praia do Meio se deparou com uma verdadeira língua preta na areia da praia. Uma galeria que deveria despejar apenas águas pluviais no mar sujava a areia com uma lama preta e pastosa, com dejetos e restos de lixo e um mau cheiro de espantar turistas e natalenses. O local fica em frente ao antigo Hotel dos Reis Magos.

O vendedor Márcio da Silva que trabalha há anos no local diz que as vendas do quiosque em que trabalha vem caindo vertiginosamente desde que o odor aumentou. Na manhã de ontem, a água suja adentrava cerca de três metros na faixa de areia mas não chegava a encontrar o mar, evitando que a poluição afetasse os banhistas, mas segundo o vendedor a situação piora quando a maré enche. A lama encontra-se com a água do mar e os banhistas chegam a entrar em contato com os dejetos que saem dali. No quiosque em que ele trabalha, nenhuma das mesas estava ocupada.

Ao lado do local em que o esgoto desaguava, a técnica de enfermagem, Suélia Rodrigues, aproveitava o feriado com a filha e duas primas menores. Para ela, aquilo era um desrespeito do poder público com o cidadão. ‘‘Para quem ficou em Natal nesse feriado a melhor opção é a praia e infelizmente a gente chega e dá de cara com isso. Eu deixei minha filha tomar banho nesse mar mas fico com medo, antes eles cuidavam pelo menos do corredor turístico, mas agora está assim, e não é só aqui, em Ponta Negra, na Redinha é do mesmo jeito’’, desabafou. Suélia disse que optou por ficar em Natal pelos altos custos que uma viagem traria.

Apesar da sinalização do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (Idema) dizer que a praia estava própria para banho a população não parece ter acreditado muito. O que se pode ver na manhã de ontem, foi uma praia vazia e o comércio com diversas mesas às moscas.

Matéria TN 1/4 - Idema aponta quais as praias poluídas

Idema aponta quais as praias poluídas

Repórter: Luciano Oséas
Foto: João Maria Alves

BALNEABILIDADE - Pirangi é uma das praias consideradas impróprias para banho

Conhecido pelo potencial turístico, principalmente por causa das belas praias, o Rio Grande do Norte ainda podera gozar desse prestígio por um bom tempo, ainda mais por ser beneficiado pelas correntes das ondas marinhas que chegam de sudeste e seguem para o norte contornando o litoral ajudando a dispersar toda e qualquer poluição produzida pela expansão imobiliaria.

Contudo, se você curte as praias do litoral potiguar, principalmente as localizadas em Natal e Parnamirim, deve ficar alerta às placas de identificação do IDEMA, que dão a indicação das condições da área para banho, pois a água contaminada por coliformes fecais pode causar doenças como gastroenterite, verminoses, doenças de pele e até doenças mais graves de veiculação hídrica como hepatite, cólera e febre tifóide, entre outras.

De acordo com o último relatório de avaliação das águas emitido no dia 23/3 e válidos por uma semana, com relação aos pontos de monitoração de Natal, as praias de Ponta Negra, próximo ao Morro do Careca; Mãe Luiza; Miami, onde fica o relógio solar e Areia Preta, próximo a jangada estão impróprias para banho por apresentarem uma alta concentração de coliformes fecais.

No Litoral Sul, as praias de Pirangi do Norte, em Parnamirim, e Pirangi do Sul, em Nísia Floresta, apresentaram condições impróprias para banho. No caso de Pirangi do Norte, onde fica o maior cajueiro do mundo, o problema se destaca, pois a praia recebe grande parte dos turistas que passam pelo Estado, além de contar com uma considerável população local, que acabam por ficar sem as informações necessárias, uma vez que a placa que dá o indicativo das condições de banho sofreu ações de vândalos e está toda pichada.

De acordo com a assessoria de comunicação do IDEMA, esse tipo de vandalismo era esperado, pois antes, as placas eram postas em um mastro de madeira que por sua vez eram extraviados.

Diante da situação, pratica atribuída aos comerciantes locais que temiam perder os fregueses, o órgão providenciou a implantagco de placas de metal com base de concreto. Como não conseguiram retirar o material do lugar, partiram para a pichação como forma de impedir que o banhista observe a indicação.

Para o coordenador dos estudos de balneabilidade do Programa Água Viva, o geólogo e professor Ronaldo Diniz, esse tipo de comportamento é um crime já que o cidadão esta sendo privado de um informação preventiva. “O IDEMA não é culpado pela poluição desses locais, mas como órgão de fiscalização ambiental tem a missão de informar a sociedade sobre as situações de risco. A solução desse problema é atribuição das Prefeituras que têm a obrigação de providenciar o esgotamento sanitário. Essa divulgação que fazemos dos locais impróprios para o banho deveria ser feita pelos órgãos de imprensa como forma de criar uma cultura no cidadão de observar se o local esta propício ao lazer”, explicou.

O Projeto Estudo de Balneabilidade das Praias do Estado do Rio Grande do Norte está inserido no Programa Estadual Água Viva, e desde 2001 vem acompanhando os pontos do litoral com maior freqüência de banhistas.

O estudo é desenvolvido em todo os 410 quilômetros de costa do Rio Grande do Norte. Ao todo, são 58 pontos de avaliação, sendo que 40 praias, situadas na Grande Natal, são monitoradas semanalmente. A análise das demais são feitas nos períodos de alta estação, no caso, janeiro, fevereiro, julho e dezembro. O projeto também faz o acompanhamento de açudes e do rio Pium/Pirangi, só que uma vez por ano.

A análise segue orientação da Resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), que estabelece a condição de água imprópria para banho quando for identificada uma concentração acima de 1000 coliformes fecais por cada 100 miligramas analisados, levando em consideração condições de vento, temperatura da água, velocidade e direção das ondas. As amostras são recolhidas em profundidades de até um metro, nas proximidade de rios, riachos, valas e tubulações, ou seja, aqueles locais que potencialmente oferecem os maiores riscos à saúde dos banhistas.

A classificação como área imprspria para banho é fixada em placas de metais com as sinalizações verde, que garantem o banho, ou vermelha, que recomenda a não entrada na água. Os resultados dessas análises valem por uma semana, com a exceção de alguns pontos que só são feitos nos períodos de alta estação.

Em Natal, existem 15 pontos de coleta, onde se destacam como locais impróprios para banho alguns pontos da praia de Ponta Negra, a praia de Mãe Luiza, a praia de Miami, onde fica o Relógio do Sol e a Redinha, na parte do rio Potengi, em frente ao mercado.

Segundo o professor Ronaldo Diniz, com a exceção de Mãe Luiza, as outras localidades não apresentam uma série constante de água imprópria, pois essa condição sofre interferência direta da poluição oriunda da emissão de esgotos, em sua maioria ligações clandestinas, que são jogadas nas galerias pluviais que deveriam desaguar água das chuvas na praia.

“Contudo, o caso de Mãe Luiza é grave por apresentar níveis de contaminação altíssimos. Para se ter uma idéia, a média de coliformes fecais constatada anualmente nessa praia gira em torno de 5.000 CFs por cada 100 miligramas. Isso é só uma média histórica, pois já aconteceu de identificarmos em uma das amostras um concentração com cerca de 100 mil coliformes fecais. É um prejuízo para a população, uma situação que só se resolve com uma grande obra de esgotamento sanitário da região, pois toda água servida do bairro é jogado diretamente na praia. No caso da Redinha, o problema é o esgoto jogado direto no rio Potengi, mas não é sempre que a água esta imprópria para banho, mesmo assim, aconselharia as pessoas a tomarem banho nos permodos de maré cheia. Já em Ponta Negra, os locais que apresentavam contaminação tiveram uma melhora, pois algumas obras feitas na rede de esgotos fizeram com que a vazão de dejetos diminuísse sensivelmente e como temos uma movimentação das ondas no sentido sudeste que leva as correntes para o norte esse pequeno nível de contaminação é diluído. Mas é fato que todas as regiões analisadas, nos períodos de chuvas, ficam sujeitas à contaminação”, observou.

Entre as praias da Grande Natal, o maior nível de contaminação fica no município de Parnamirim, especificamente, a praia de Pirangi do Sul, que recebe as águas do rio Pium/Pirangi, que funciona como uma espécie de esgoto a céu aberto.

Caern anuncia providências tomadas

Quanto aos problemas relacionados às praias de Natal, a Caern informou que serão solucionados em parte com as obras de esgotamento sanitário previstas, além da conclusão da Estação Central de Tratamento de Esgotos do Baldo, que lançará ao rio efluentes tratados. Essa estação receberá o excesso da rede de esgotos dos bairros da região Leste que estão próximos às praias. Com relação específica à Mãe Luiza, a Caern está com as obras de esgotamento sanitário em andamento. Os problemas de Ponta Negra serão amenizados com a ampliação das estações elevatórias de esgotos.

Segundo a promotora de Meio Ambiente e Urbanismo, Gilka da Mata, o MP tem várias ações tramitando na Justiça, onde o foco principal é a questão do esgotamento sanitário. “No último dia 27/3 tivemos uma reunião na Câmara, onde debatemos o problema do esgotamento sanitário da cidade com o legislativo, representantes da sociedade e conselhos.

Moradores cobram ação do poder público

Sobre a poluição da praia de Pirangi do Norte, a população local se mostra indignada e sem esperança, uma vez que o problema já foi denunciado às autoridades públicas e divulgado inúmeras vezes à imprensa, mas nenhuma solução foi apontada. Segundo Cristina do Espírito Santo, moradora de Pirangi há sete anos, é revoltante morar em uma das mais belas praias do Estado e não poder tomar banho, além da praia poluída. A moradora também reclama do rio Pirangi, que ela chama de “esgotão”, pois recebe dejetos sólidos e água servida de todos os condomínios e residências que ficam próximos ao leito.

“Aqui é um desânimo motivado por uma indignação total, pois a comunidade reclamou, denunciou e nada foi feito. A prefeitura sabe fazer uma mobilização para retirada de animais da praia, mas não investe na rede de esgotamento sanitário e nem multa quem joga água servida no rio. Com relação à sujeira e contaminação oriundas dos animais eu concordo que tem que ser feito alguma coisa, mas quanto ao rio que polui a praia em proporções assustadoras ninguém toma providência. Chega a ser hilária a campanha para retirar animais da beira da praia com a finalidade de evitar doenças quando a própria água da praia está contaminada”, reclamou Cristina.

De acordo com a secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento de Parnamirim, Josyanne Giesta, a prefeitura está viabilizando as obras de esgotamento sanitário de vários bairros do município, incluindo a região de Pirangi do Norte, além disso, estão desenvolvendo um trabalho de conscientização ambiental junto aos moradores explicando a importância de preservar o meio ambiente, além de desenvolver ações de fiscalização e autuação de infrações.

“Essa questão do esgotamento sanitário já foi discutida em janeiro com o IDEMA, que nos repassou as condições de balneabilidade e enfatizou a questão do saneamento. Com relação ao rio Pium, essa ação estamos desenvolvendo em conjunto com o município de Nísia Floresta. E enquanto as obras são concluídas o que podemos fazer é fiscalizar e orientar, pois muitas soluções surgem por meio da educação ambiental”, disse.