Matéria TN 26/4 :: Via Costeira gera novas polêmicas

Via Costeira gera novas polêmicas

Repórter: Wagner Lopes
Foto: Emanuel Amaral

PDN - Altura de novos prédios na Via Costeira volta a ser debatida na CMN

Uma estreita faixa de areia com 9 quilômetros de comprimento deve causar uma das maiores polêmicas na audiência pública de hoje na Câmara Municipal de Natal, a respeito do novo Plano Diretor. Trata-se da Via Costeira. Para a Prefeitura, impedir que os novos empreendimentos ultrapassem a altura da pista da avenida Dinarte Mariz é fundamental no sentido de preservar as “últimas janelas” com vista para o oceano Atlântico, Ponta Negra e o morro do Careca. Os empresários de turismo, contudo, garantem que essa limitação vai inviabilizar os investimentos.

“Tudo na vida tem de ter bom senso. Restam apenas seis lotes. Por que não manter o gabarito atual (15 m de altura) e se preocupar com coisas mais importantes. Ribeira, saneamento, entre outras?” questiona o empresário Sami Elali. Sua empresa, a G5, possui terrenos na área e, assim como nos demais espaços, os projetos já vinham sendo elaborados, porém terão de ser mudados se a emenda proposta pelo Executivo for aprovada. “Caso o limite valesse desde o início, tudo bem, mas muito já se construiu e não pode se mudar a regra no meio do jogo”, critica Elali.

A opinião é semelhante à do presidente estadual da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Enrico Fermi. Segundo ele, os proprietários dos seis lotes restantes, todos investidores nacionais, vinham buscando parceiros para construir em seus espaços. “Acho essa proposta um retrocesso, pois vai inviabilizar totalmente os empreendimentos novos da Via Costeira”, analisa. O principal argumento é que, para respeitar a altura da pista, só poderão ser construídos hotéis de até 200 apartamentos. “Vai ser difícil competir com os atuais, de 300 e 400 apartamentos, até porque o custo fixo de um hotel é basicamente o mesmo, independente do tamanho”, explica.

A Semurb, porém, faz previsões bem diferentes. “Mesmo com essas limitações, será possível erguer hotéis de 400 a 1 mil apartamentos, com o mesmo padrão dos que já funcionam. Não haverá prejuízos”, defende o chefe do setor de Planejamento Urbanístico, Márcio Henrique Yacyszyn. Segundo ele, alguns empreendimentos poderão ter até seis pavimentos.

Bate Papo

Florésia Pessoa - chefe de departamento

Por que impedir as construções acima do nível da pista?

Logo quando surgiu aquela polêmica dos espigões em Ponta Negra, observamos que o problema quanto à vista da paisagem também se repetia na Via Costeira. Daí a necessidade de definirmos uma regra para preservar as últimas janelas que tínhamos com relação a essa vista.

Os críticos da idéia chegam a dizer que isso criaria uma espécie de reserva de mercado para quem já construiu, impedindo novos empreendimentos. Como a senhora vê isso?

Ninguém ali saiu perdendo. Todos já se beneficiaram desde a construção da Via Costeira. Está na hora da cidade, Natal, também ter sua parcela. E é possível, sim, construir com o novo gabarito.

E por que não promover a mudança quando houver a revisão da lei específica que trata da (Área de Especial Interesse Turístico) Via Costeira?

Estamos trabalhando na revisão dessas áreas, mas é muita coisa ainda a ser feita e a equipe que temos não permite uma agilidade maior. No mínimo, no mínimo, vamos levar uns seis meses para isso. Até lá pode não haver mais o que preservar.

Matéria TN 3/4 - Novo Plano Diretor faz de Ponta Negra área de proteção

Novo Plano Diretor faz de Ponta Negra área de proteção

Repórter: Jacson Damasceno
Foto: Divulgação

VILA DE PONTA NEGRA - Deverá passar pelo mesmo processo que passou Mãe Luíza, tudo para preservar a área e evitar a expulsão dos moradores

Ponta Negra, no planejamento urbano da capital, é quase toda considerada como Zona de Adensamento Básico. Essa classificação significa que a área possui critérios para os tipos de construções que serão erguidas. Um deles é o coeficiente de aproveitamento de 1,8 (número pelo qual se multiplica a área do terreno), definindo a área do que se pode construir em cada espaço.

Em uma Zona Adensável, os critérios são bem mais abertos. O coeficiente de aproveitamento, por exemplo, é de 3,0. É exatamente a característica do polígono criado em 2000, entre o conjunto Ponta Negra e parte de Alagamar. Com isso, grandes prédios puderam ser erguidos na região. Mas os moradores da área não gostaram nada da situação e uma mudança está sendo planejada com o novo Plano Diretor.

Segundo a chefe do Departamento Urbanístico e Ambiental da Secretaria de Meio-Ambiente e Urbanismo (Semurb), Florésia Pessoa, o novo PDN deseja corrigir o que ela classifica de falhas. Pela nova proposta, toda a área de Ponta Negra se tornará de Adensamento Básico. Com exceção da Zona Especial de Interesse Turístico (ZET), que vai da avenida Engenheiro Roberto Freire até a beira-mar (e onde se encontra a área non aedificandi), das Zonas de Proteção Ambiental (ZPA-5 e ZPA-6) e da Vila de Ponta Negra, que deverá ser transformada em Área Especial de Interesse Social (AEIS).

“O plano diretor deseja rever algumas questões, no intuito de melhorar a urbanização de todo o bairro”, disse Florésia. Segundo ela, a ZET deverá ser ampliada até a Vila de Ponta Negra, corrigindo uma falha de planos anteriores que deixaram a área desprotegida. A ZET tem critérios rigorosos para edificações. A Vila de Ponta Negra deverá passar pelo mesmo processo por que passou Mãe Luíza e, com isso, espera-se conter a especulação imobiliária, mantendo os moradores originais na área. “É preciso se preservar as mesmas características. Queremos evitar que os moradores da Vila sejam expulsos”.

De acordo com a chefe de planejamento, é preciso rever também a situação de Lagoinha, cujos padrões foram alterados recentemente. “Temos seis meses para refazer tudo aquilo”.

Morador relata que o sossego na Vila já não existe mais

Dimirson Holanda, 65, militar reformado, mora no conjunto Ponta Negra desde 1978, quando chegaram os primeiros moradores. Na época, ele fez um esforço, juntou um dinheirinho e comprou uma casa na área que na época prometia ser um paraíso dentro da capital. E de fato, por muito tempo foi. Mas Dimirson conta que de uns anos para cá, o sossego foi embora. Pois o que era um conjunto habitacional está se tornando um centro empresarial.

“Antigamente nossos filhos iam à praia à vontade. Hoje nós não temos mais isso”, conta o militar reformado. Segundo ele, a construção de grandes prédios está tirando do conjunto suas características originais. Ele cita ainda os estudos que apontam que, os espigões que ainda podem ser construídos, servirão como um paredão, na região que funciona como um corredor de vento para toda a cidade. “Se isso acontecer, vai prejudicar não só o conjunto”.

Dimirson hoje é secretário da Associação dos Moradores de Ponta Negra e Alagamar (Ampa) e hoje está unido ao professor de capoeira Caio dos Anjos, 39, secretário do Conselho Comunitário do bairro. Caio mora na Vila de Ponta Negra há 16 anos e faz um trabalho social com os jovens carentes da comunidade. Hoje, o mestre também é contra a especulação imobiliária.

“São vários problemas que temos aqui. Já acontece, por exemplo, de moradores venderem suas casas por altos preços e saírem da vila. Só que, sem saber administrar o dinheiro, muitos voltam para cá e vão morar nas favelas”, explicou. Segundo Caio, a comunidade perde também porque nem mesmo a Prefeitura pode comprar um terreno na Vila para aumentar uma escola pública, por exemplo. “Tem um terreno aqui, que já aprovamos para a compra, para a ampliação de uma escola. Mas o lote vale no máximo, R$ 15 mil, e o dono está pedindo R$ 180 mil”, conta.

Construtores criticam a falta de infra estrutura

Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinducon-RN), Sílvio Bezerra, um ponto deveria ser visto antes de toda e qualquer discussão sobre construções em Ponta Negra: a falta de um adeqüado saneamento da área. Para os empresários, é um absurdo que uma região valorizada e viável como aquela ainda padeça com os problemas vistos com a incapacidade da rede de esgotos.

“O que limita o crescimento de Ponta Negra é a falta de saneamento básico. Isso limita a entrada de novos empreendimentos. Silvio se refere à capacidade da rede de esgotos, que seguiu as projeções da Companhia de Abastecimento de Água e Esgoto (Caern), mas que não previu o crescimento acelerado do bairro. “Essa é uma responsabilidade do poder público. Mas se o governo não tiver recurso, a iniciativa topa fazer uma Parceria Público-Privada para resolver o problema”.

Além da discussão sobre a adeqüação do saneamento da área, os construtores estão cobrando uma regulamentação clara e definitiva sobre as construções no bairro. Ele cita como exemplo a legislação na área da Ladeira do Sol, no Centro, onde deve-se respeitar a visualização de um observador, levando-se em conta a Fortaleza dos Reis Magos ao lado esquerdo, e o início da Via Costeira ao lado direito.

Claro que, em se tratando da criação de uma regulamentação, os construtores preferem que isso se dê no sentido das permissões. Para Silvio Bezerra, não há sentido em se proibir construções à esquerda da avenida Engenheiro Roberto Freire. “É importante se preservar a visão do Morro do Careca. Ele é um patrimônio nosso e importante até mesmo para o turismo. Mas não há sentido em se proibir que se construa ao lado direito e ali por trás (na região do conjunto)”, argumenta o empresário.

Bezerra criticou ainda a proposta existente para o novo Plano Diretor, que diz que, para que se construa na área, seja necessário obter autorizações do Idema e da Caern, além de se promover uma audiência pública com os moradores do bairro. “São três coisas descabidas. Quem tem que dar a licença é a Semurb e não o Idema. E quanto à Caern, ela tem que fazer o saneamento e pronto. Já sobre as audiências, é pior. Você compra um terreno, aí pra construir um prédio, tem que comunicar a todo mundo”.

Silvio Bezerra diz que as construções que poderiam ser instaladas ali, trariam um desenvolvimento da região, o que melhoraria a qualidade de vida dos moradores. Tudo isso com a vinda de grande empresas e mais empregos. Além disso, ele condena o que chama de retirada dos direitos do cidadão, em relação aos critérios para a venda de lotes. “A pessoa deve ter o direito de decidir sobre sua vida, se quer vender seu terreno ou não”.

Silvio Bezerra informou que pretende presenciar as discussões na Câmara Municipal, a fim de expor suas idéias. “Queremos encontrar um meio termo. Eu vou lá para argumentar. Não adianta discutir com a emoção”.

Entrevista: Maria Helena Correia, moradora

Dona Maria Helena Correia está na Vila de Ponta Negra desde que nasceu. Se criou entre os pescadores e agricultores daquela que era uma região praieira distante de tudo. Quando era menina, cansou de ir à pé para o Centro, nos tempos em que a condução era algo inimaginável. Hoje, aos 64 anos, está no mesmo lugar, na rua Manoel Coringa de Lemos, a principal da Vila.

Dona Helena atualmente é referência cultural da localidade. Faz renda de bilro, dança no pastoril, canta, representa e é admirada na comunidade. Para ela, não há dinheiro no mundo que valha à pena sair da Vila. E ela resiste, na mesma casa, apesar de já ter perdido a vista para o Morro do Careca. Hoje, restou-lhe alguns metros da vista do mar, que já é ameaçada pelo anúncio da construção de mais um prédio. Mas ainda assim, ela não sai.

Quando a senhora começou a perceber que a Vila já não seria a mesma?

Maria Helena: Ah, isso já faz é muito tempo. Já faz mais de quarenta anos. Na verdade, desde que chegou o conjunto, já começou mudar. Já foi chegando mais gente. Porque a gente nunca imaginou que a Vila fosse ficar desse jeito. É tanto que as casas eram tudo na beira da pista. As pessoas daquele tempo eram muito inocentes. Era um pouco quieto. Tendo o dinheiro pro pão de cada dia, tudo tava bom…

E qual o temor do pessoal, sobre o que pode acontecer daqui pra frente?

MH: Eu acho assim, que o maior temor da gente é eles tirarem mesmo. É eles tomarem conta de tudo. A “gringaiada” tá tomando conta de tudo. Aqui na rua a gente conta os nativos que tem. Muitos deles foram lá pro final das ruas ou pra outros bairros. O desenvolvimento até tem sido bom, mas aquela tranqüilidade acabou. Mas nem por isso eu deixo de gostar do meu ninho, não.

E desses nativos que vão embora, a senhora será mais uma?

MH: Não, senhor. Pelos meus planos eu vou ficar aqui. Meu esposo às vezes diz: “se eu arranjar um bom dinheiro, eu vou embora”, Eu digo, vou nada. Deixa fazer os prédios. Dinheiro pra mim é apenas um complemento da minha vida.

O Conjunto de Ponta Negra foi regulamentado pela lei 4.328/93

. 707, 16ha é a área do bairro de Ponta Negra
. 6.227 é o total de domicílios particulares
. 23.600 era o total da população, no ano de 2000
. 30.212 era a estimativa da população para 2005
. 42,72 hab/ha era a estimativa da densidade demográfica (2005).
. 3,76 é a média de moradores por domicílio
. 123 casas têm rede de esgoto
. 5.527 casas tem fossas séptica
. 794 residências tem fossas rudimentares
. 5.440 ligações de esgotos registradas
. 37.770 ligações de água pela Caern
. 9.574 são consumidores de energia elétrica (dados da Cosern)

Matéria TN 4/4 - Plano Diretor: Emendas serão votadas em 10 dias

Plano Diretor: Emendas serão votadas em 10 dias

Repórteres: Anna Ruth Dantas e Jacson Damasceno
Foto: Divulgação

PLANO DIRETOR - Emilson Medeiros, presidente da Comissão de Justiça destaca que integrantes do Complan serão convidados para o debate

Antes da segunda e decisiva votação do Plano Diretor de Natal a Câmara Municipal ainda promoverá três audiências públicas. Na próxima semana, o legislativo da capital potiguar promoverá discussões sobre o projeto com o Conselho Municipal de Saneamento Básico. O debate está marcado para quarta-feira.

Depois, outra audiência contará com a representantes do Conselho Municipal de Planejamento (Complan) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo. “Como disseram que não houve uma discussão de Semurb e Complan juntos e, inclusive, o projeto que chegou não foi o aprovado pelo Complan, nós vamos fazer essa audiência com os dois órgãos”, explicou o vereador Emilson Medeiros, presidente da Comissão de Justiça da Câmara.

A terceira audiência pública acontecerá com todos os órgãos e entidades envolvidas com o Plano Diretor. Esse debate ainda não tem data marcada. “Nós entendemos que o projeto do Plano Diretor é sério e muito importante para a cidade. Não temos pressa. Sabemos que o projeto será bom para Natal”, comentou o presidente da Câmara, vereador Dickson Nasser.

Ele destacou ainda que, embora as emendas ainda não tenham sido apresentadas, há alguns pontos pacíficos entre os vereadores: os bairros de Ponta Negra e Mãe Luíza terão atenção especial dos legisladores. “Esses nós não vamos permitir mexer”, destacou Dickson Nasser.

Com as três audiências públicas que serão promovidas pela Câmara, a segunda e decisiva votação do Plano Diretor deverá acontecer no início da segunda quinzena do mês de abril. Os trabalhos do Plano Diretor estão sendo organizados pelo presidente da Comissão de Justiça, vereador Emilson Medeiros. É ele que está fazendo as vezes de “relator”, embora pelo regimento não seja necessário relator nessa fase da votação.

Emilson Medeiros explicou que as emendas dos vereadores deverão ser entregues até a próxima quarta-feira. A partir daí elas farão a tramitação nas comissões de Justiça, Planejamento Urbano e Finanças. As emendas ao projeto original do Plano Diretor poderão ser apresentadas pelos vereadores ou por uma iniciativa popular. Nesse último caso é necessário um projeto com assinatura de 3% do eleitorado, o que indica um abaixo assinado com 12 mil pessoas.

Alguns vereadores já fecharam com o projeto original enviado pela Prefeitura de Natal. “Vamos votar favorável ao projeto enviado pela prefeitura. Esse foi um projeto muito discutido com a sociedade, na Conferência das Cidades”, comentou o vereador Fernando Lucena. Hoje pela manhã, o presidente da Câmara, Dickson Nasser, fará uma reunião com todos os vereadores. “Em se tratando do Plano Diretor há um consenso entre todos os vereadores. O que vamos conversar hoje é informar sobre essas audiências e as novas deliberações”, destacou Dickson Nasser.

Construções limitadas a 30 andares

O novo Plano Diretor de Natal deve reparar equívocos do passado. A revisão de 1994 foi um divisor de águas, à medida em que foi marcada por importantes restrições nas áreas de características especiais, como as Zonas de Proteção Ambiental, mas que por outro lado, foi permissiva no que diz respeito ao resto da cidade. Um dos principais critérios a serem corrigidos, trata do estabelecimento de um gabarito para toda a extensão de terra considerada “adensável”. Em 1984, foi estabelecido que um prédio na capital não poderia ultrapassar o gabarito de 65m, o equivalente a 22 andares. Mas dez anos depois, o PDN passou por uma modificação, acabando com essa restrição. Portanto, com exceção de “áreas de controle de gabarito”, não há limites para altura de construções na capital.

Segundo a chefe do Departamento Urbanístico e Ambiental da Secretaria de Meio-Ambiente e Urbanismo (Semurb), Florésia Pessoa, na época da última revisão, os prédios de Natal tinham um gabarito médio de vinte pavimentos. “Os estudos e estimativas foram feitos, mas ninguém imaginava que a cidade fosse crescer numa velocidade tão espantosa”, explicou.

Já na revisão iniciada em 2005, e que deve finalmente se desfechar ainda este mês, um dos pontos observados em primeiro lugar foi o estabelecimento de um gabarito de 90m - aproximadamente trinta pavimentos - para as áreas que não tinham regulamentação. “Agora vemos que está na hora de recuar. Apesar de ainda achar que é uma regra branda”, informou Florésia Pessoa.

Outra modificação é a anulação da área adensável em Ponta Negra, que também não tinha limites. A regra se refere à margem da avenida Eng. Roberto Freire, oposta à área non aedificandi. Pelo que propõe o novo PDN, os espigões ali erguidos à margem da pista e que têm mais de 90m de gabarito, deverão ser os últimos. Em contrapartida, prédios com até 65m - 22 pavimentos - serão permitidos. Segundo Florésia, não houve proibição para isso também porque a comunidade não se manifestou. “Na época das discussões só houve uma proposta, que foi derrubada, por ter sido considerada muito radical”.

Outras medidas tomadas acabarão alterando os gabaritos de áreas específicas. A criação da Área Especial de Interesse Social na Vila de Ponta Negra é um exemplo, onde regras duras deverão ser criadas. A Zona de Interesse Turístico da praia, onde também há limitações, vai aumentar, chegando até a Vila. Será criada ainda outra área especial, na avenida João Medeiros Filho, em frente ao Carrefour.

“População demonstra que está preocupada”

Muita gente está incomodada. Boa parte da população não está nada, nada satisfeita com os gigantes de concreto que estão sendo erguidos na capital. Segundo o professor de Arquitetura da UFRN, Paulo Nóbrega, - que participou de toda a discussão como delegado da universidade - o que há de modificação no PDN sobre os gabaritos, é por causa da população.

“A população começou a se assustar com os prédios que estão aparecendo com 30, 40 andares”, disse o professor. Segundo Paulo, em uma das discussões entre os delegados, chegou a haver um comunicado informal de que os grandes prédios estavam atrapalhando a cobertura do tráfico aéreo na região. A informação teria sido dada por um técnico da Aeronáutica.

“É muito sintomático essa questão da população se manifestar. Realmente assusta a magnitude desses edifícios, muitas vezes em ruas estreitas. A gente não entende a necessidade desses edifícios numa cidade como Natal”, argumentou o professor. Para o professor, a cidade cresceu uma forma muito rápida, o que fez com que a população reclamasse nas reuinões do Plano Diretor de Natal.

Algumas propostas surgidas da população foram consideradas radicais e não foram parovadas na Conferência da Cidade. Um mililtar reformado pleiteou, por exemplo, que toda a área de Ponta Negra e Capim Macio fosse controlada e o gabarito não passasse de dois pavimentos. O objetivo do cidadão era proteger o corredor de ventilação. Porém, o militar foi voto vencido nas reuniões.

Corretor questiona critérios para definição dos limites

O corretor de imóveis Ricardo Abreu não vê a mudança nos padrões de gabaritos para Natal com grandes preocupações. Segundo ele, o que for decidido é lei e, portanto, deve ser cumprido. O que ele questiona são os meios pelos quais os novos parâmetros foram definidos: “Gostaria muito de saber como chegaram àqueles denominadores. Só isso. Não sei de onde saíram tais critérios”.

Ricardo se refere principalmente ao índice de aproveitamento dos terrenos na capital - em áreas tidas como comuns -, que deve mudar de 1,8% para 1,2%. O índice é o número que se multiplica pela área do terreno, chegando ao total do que se pode construir ali. O corretor não entende como se pode limitar a fração a 1,2%, objetivando fatores de infra-estrutura, em uma cidade que, em tese, estaria em franco desenvolvimento.

“A governadora acaba de anunciar o maior investimento na área de saneamento, no Estado e na capital, vemos o prefeito mostrar tantas obras nas propagandas - e acompanhamos a gestão dele, e exatamente por isso não entendemos porque esses limites para as construções”, explicou Ricardo Abreu.

Para ele, o estabelecimento do gabarito em 90m para quase toda a cidade, com exceção das zonas especiais não é problema. Ricardo explica que outros instrumentos acabam sendo mais importantes para uma rigorosidade, ficando o gabarito em função deles.

Bate-papo

Fernando José de Medeiros Costa - Chefe do Departamento de Arquitetura da UFRN

Fernando José de Medeiros Costa, chefe do departamento de Arquitetura da UFRN, é autor de uma tese de mestrado sobre a relação do recuo das construções e a ventilação do meio urbano. Neste entrevista, ele explica a importância do controle do gabarito.

Quais os critérios seguidos para se definir o gabarito?

Na verdade, cada área de um município vai ter um gabarito de acordo com suas necessidades. Os principais aspectos observados são o valor cênico paisagístico, como no caso de Ponta Negra, alguma fragilidade do subsolo ou do meio ambiente da região, além de fatores relativos a questões de infra-estrutura, como o sistema viário e saneamento. Nesse último caso, o gabarito é definido em função de outros parâmetros como a densidade demográfica da área.

Alguns profissionais falam da importância de restrições em Ponta Negra, por ali ser um corredor de vento para a cidade. Isso procede?

De fato, o vento, a grosso modo vem naquela direção, que é a direção sudeste. Realmente na hora que você constrói uma parede de edifícios, você vai ter um rebatimento para o conjunto, com influência muito grande. Por isso, a importância de se ter recuos grandes e alturas variantes nos edifícios.

Qual a importância de se ter alturas variantes?

Mesma altura é ruim para prédios altos ou baixos, porque o piso da ventilação passa a ser o teto dos edifícios e não teremos vento no nível da rua.

E qual é a situação de Ponta Negra hoje em dia?

Se você olhar agora, nesse momento, com aqueles grandes edifícios que tem lá, a coisa ainda não é tão drástica. Por que uma edificação ou outra, aumento a velocidade do ar no nível do solo. Mas se você tiver um número excessivo de prédios, isso pára de existir.

Saiba mais

1) Gabarito é o termo técnico utilizado para definir a altura de qualquer edificação. A medida é dada em metros ou em pavimentos.

2) Em 1984, o Plano Diretor de Natal definiu que o gabarito máximo para o município em geral seria de 65 metros, o equivalente a um edifício de 22 andares.

3) O principal ponto levado em conta para o limite estabelecido em 1984 foi a segurança das construções na cidade, no que diz respeito a aspectos como prevenção de incêndios, por exemplo.

4) Na revisão de 1994, foi extinto o gabarito máximo para toda a cidade. A exceção ficou para zonas especiais, como de interesse turístico, histórico, social ou ambiental.

5) Nesta revisão que está em debate na Câmara Municipal, o novo Plano Diretor volta atrás e passa a prever um gabarito máximo de 90 metros, o equivalente a um prédio de 30 andares, para as áreas que não tinham limites.

6) As medidas de recuo - espaço entre a edificação e os limites do terreno - também deverão ficar mais rigorosas. Com isso, a distância entre os prédios de Natal deve aumentar.

Semurb e Conplam discordam da altura máxima dos prédios

A chefe do Departamento de Planejamento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (SEMURB), Florésia Pessoa, admitiu que algumas das sugestões feitas pelo COMPLAM (Conselho Municipal de Planejamento) não foram acatadas pela Prefeitura.

“Oitenta por cento das propostas foram consensuais. Mas tiveram alguns pontos do COMPLAN que não concordamos”, disse.

Um dos pontos de discordância era que o Conselho defendia um gabarito (altura do prédios) de 90 metros, o equivalente à 30 andares, em todas as áreas. No entanto, no projeto enviado pela Prefeitura essa permissão é restrita apenas para as áreas centrais, como Tirol e Petrópolis. As demais áreas terão o gabarito de 65 metros, o equivalente à 23 andares.

O presidente da entidade, o empresário da construção civil Sílvio Bezerra, também defende a permanência do coeficiente de aproveitamento de Ponta Negra.Para ele, a possibilidade de exigir um sistema de esgotamento sanitário privado e fixar um observador fictício para preservar a questão cênico-paisagístico justifica a liberação da área.

* colaborou Dimirson Holanda

Matéria Correio da Tarde 01/11 - Proprietários discordam de indenizações

Proprietários querem indenização maior

O problema da área edificante de Ponta Negra, que vem se prolongando há quase 30 anos, não parece estar perto de ter uma solução. Isso porque as propostas feitas pela Prefeitura não estão agradando aos proprietários do lotes, que acreditam que a análise deveria ser por lote e não pelas quadras como tem sido feito. Outro fator de discordância é quanto às indenizações, que estariam abaixo do valor pretendido pelos donos dos terrenos.

Em reunião, ontem, com representantes das quadras 5, 6, 7 e 8, no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), poucos proprietários compareceram.

Segundo ressalta a chefe de planejamento e meio ambiente da Secretaria Municipal de Urbanismo (Semurb), Florésia Pessoa, foi feito um levantamento ontem dos terrenos para serem feitas análises que determinarão a regulamentação. “Os terrenos são diferentes uns dos outros, mas não podemos ficar sem definições padrões”, disse.

Segundo Florésia, as conversas estão sendo feitas com o objetivo de negociar, para que só, então, sejam estabelecidas as normas. “O clima está de consenso, mas é claro que cada proprietário quer ganhar”. De acordo com a arquiteta, na sub-zona 3, estas quadras não vão poder ter construções, e as edificações que tiverem, vão ter que sair. O cálculo da Prefeitura para as indenizações é de R$163 por metro quadrado.

O proprietário do lote 99, Iaperi Araújo, que é proprietário desde 1979, diz que não tem a intenção de construir e que a área deve mesmo ser preservada, sendo construída uma área de lazer. “Mas a indenização que eles estão querendo oferecer não é a metade do preço estipulada pelos corretores imobiliários”, reclama. Para ele, o valor de R$ 130 mil para o terreno de 800 m² é pequeno.

Maurício Soares, representante do proprietário dos lotes 97 e 98, exige uma definição da Prefeitura. “A gente não pode construir, nem vender, mas eles cobram o IPTU”, critica. A escritura é de 1962 e o valor oferecido para o representante não é justo. “Eles só querem pagar 10% do que vale realmente”.

A intenção de proibir a construção, segundo Florésia, é de preservar a imagem do cartão postal da Praia de Ponta Negra e também de não prejudicar a infra-estrutura do bairro. Nos terrenos desapropriados devem ser construídas áreas de lazer, como um mirante e um centro comercial.

A Semurb ficou de avaliar regras individuais para cada uma das quadras da Sub-zona 3, idéia levantada por proprietários.

Este foi o segundo encontro que o Município promoveu com os proprietários de terrenos naquela região.

Matéria TN 06/10 - Proposta para área non aedificandi

Prefeito tem proposta para área

Luciano Oséas - Repórter
Foto: Alex Régis

DECISÃO - Carlos Eduardo anuncia limites para obras em Ponta Negra

No calor da polêmica envolvendo a construção de espigões na vizinhança do Morro do Careca, a Prefeitura do Natal apresentou, na manhã de ontem, a proposta de regulamentação da área non aedificandi de Ponta Negra que compreende nove quadras de terrenos localizados entre a avenida Engenheiro Roberto Freire e rua Pedro Fonseca Filho.

De acordo com a proposta da Prefeitura, a intenção é preservar a função cênico-paisagística da área através do controle de gabarito, limitando as construções a 4 metros de altura e implantação de áreas de recuo, sendo 15 metros a partir da Engenheiro Roberto Freire e 3 metros nas laterais e na rua Pedro Fonseca Filho, além de limitar em 20% da área a ocupação do terreno.

Entre os principais pontos da proposta estão: construção de espaços públicos como praças, mirante e área verde; retirada ou adequação das edificações irregulares atualmente instaladas no local obedecendo normatizações de gabarito, ocupação e recuo; possibilitar, em quadras específicas, edificações que não conflitem com o objetivo de preservação da paisagem de acordo com as prescrições estabelecidas na proposta.

Segundo o prefeito Carlos Eduardo, apesar da palavra final ser da Prefeitura, a atual administração não trabalha de forma ditatorial e não tem compromisso com o erro, “pois se erra, conserta” (alusão às licenças para construção de prédios próximo ao Morro do Careca).

Seguindo esse ideal de coesão e, dessa vez, precavendo-se quanto a possíveis erros, o projeto de regulamentação da área non aedificandi de Ponta Negra, foi elaborado por um colegiado composto pela secretária Ana Míriam (SEMURB), pelo secretário Júnior Souto (PLANEJAMENTO), Marise Costa (Procuradora do Meio Ambiente do Município), Florésia Pessoa, chefe do Departamento de Planejamento da Semurb e o professor Paulo Nobre (UFRN).

Além de formatarem o projeto de regulamentação da área, a equipe estabeleceu procedimentos de aperfeiçoamento da proposta como: realização de audiência pública para apresentação do projeto à sociedade; reunião com os proprietários dos lotes em questão; encaminhamento da proposta à Câmara Municipal, após audiência pública, para regulamentação da lei; realização de concurso público contemplando propostas da sociedade para construção dos equipamentos públicos propostos como praça, mirante, etc.

“Com a transformação dessa proposta em lei, teremos a regulamentação definitiva para essa área tão importante para a contemplação do nosso importante cenário paisagístico que é o mar e o Morro do Careca. E tudo será feito com a participação da população que debaterá o projeto e escolherá, através de concurso público, que tipo de aparelhos serão instalados na área”, disse o prefeito Carlos Eduardo.

Paisagem do Morro não será prejudicada

Com relação a construção dos prédios de 45 metros na encosta do Morro do Careca, o prefeito Carlos Eduardo voltou a dizer que a paisagem não será prejudicada. Segundo ele, o processo não foi perdido porque graças à mobilização da sociedade e a divulgação da imprensa, a Prefeitura chegou a tempo de corrigir o erro e coibir novas ações no local.

Segundo a procuradora do Meio Ambiente do Município, Marise Costa, as construtoras e imobiliárias estão inconformadas porque os investimentos de retorno garantido estão paralisados, por isso, estão dizendo que a Prefeitura está agindo de forma ilegal.

“Eles argumentam que a Prefeitura está passando por cima do licenciamento concedido anteriormente para atender à reivindicação de uma pequena parcela da população. Isso não é verdade. A Prefeitura está se valendo do próprio Código de Obras da Cidade que permite ao poder executivo cancelar a autorização dada para um projeto previamente licenciado, desde que suspenda liminarmente as obras enquanto acontece uma reavaliação do licenciamento,” explicou a procuradora.

O trâmite a ser seguido é, após a avaliação, expedir um parecer dizendo se a obra será ou não cancelada. “No caso das obras de Ponta Negra serão reavaliadas as licenças ambientais dos empreendimentos”, acrescentou ela.

Matéria DN 05/10 - Restrição de construções

Prefeitura restringe construções

Bruno Vasconcelos e Renato Lisboa - Repórteres
Fotos: D´Luca e Marco Polo

Florésia Pessoa: “tudo na legalidade”

O Plano Diretor de Natal, que nos últimos dois anos passou por uma ampla revisão, vai incluir agora a área próxima ao Morro do Careca na Zona Especial de Interesse Social (ZEIS) da Vila de Ponta Negra. Com isso, as edificações na região não poderão ultrapassar dois andares. Através dessa medida a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) espera acabar com a especulação imobiliária que nesta última semana gerou grande repercussão na cidade quando o prefeito Carlos Eduardo anulou as licenças ambientais para a construção de cinco edifícios ao lado do Morro do Careca.

Segundo a chefe do Departamento de Planejamento Urbanístico da Semurb e também coordenadora da revisão do Plano Diretor de Natal, Florésia Pessoa, a área próxima ao Morro do Careca que hoje é uma Zona de Adensamento Básico foi incluída no mapa da Vila de Ponta Negra como Zona Especial de Interesse Social após a polêmica dos ‘espigões’.

‘‘O Plano revisado está na Procuradoria Geral do Município só para análise de aspecto jurídico. Já incluí a área em questão no mapa da ZEIS da Vila e agora só resta incluir no texto do Plano Diretor. Depois disso, o plano estará pronto para ser encaminhado à Câmara Municipal de Natal onde será votado’’, explica.

Sobre as licenças ambientais concedidas pela Semurb, Florésia Pessoa afirma que tudo foi feito na legalidade seguindo as determinações do atual Plano Diretor criado em 1994 e que foi revisado no ano 2000. ‘‘Para se fazer qualquer edificação é necessário analisar os aspectos urbanísticos e os impactos ambientais. Em relação ao urbanístico a Semurb tomou todas as providências e tudo estava regular’’, ressalta.

Mas a limitação em dois andares para as novas edificações não será apenas para a área próxima ao Morro do Careca. Toda a Vila de Ponta Negra também entrará na nova Zona Especial de Interesse Social. A área que hoje é uma das mais cobiçadas da Zona Sul da cidade, principalmente pelos investidores estrangeiros, e que tem o metro quadrado negociado como um dos mais caros de Natal, deverá sofrer um ‘esfriamento’ com a limitação urbanística.

URGENTE

Paralelo a polêmica da área próxima ao Morro do Careca, o prefeito Carlos Eduardo reúne a imprensa hoje pela manhã para anunciar a proposta de regulamentação da área Non Aedificandi de Ponta Negra, que há dois anos estava em estudo por uma comissão criada pela prefeitura.

Após ser apresentada, a regulamentação será discutida numa audiência pública e transformada em Projeto de Lei a ser encaminhado à Câmara Municipal. Trate-se daquele trecho da Avenida Engenheiro Roberto Freire (do lado direito no sentido Ponta Negra-Centro) iniciando na rótula da Rota do Sol e terminando na Via Costeira.

Insegurança jurídica abala mercado

Waldemir Bezerra, presidente do Conselho dos Corretores de Imóveis

Integrantes do mercado imobiliário local queixam-se do que chamam de ‘‘ambiente de insegurança jurídica’’ após as anulações, pela Prefeitura, das licenças concedidas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) para a construção de prédios próximos ao Morro do Careca.

Argumentam que todas as discussões em torno da linha que delimita a Zona Especial de Interesse Turístico (ZET 1) foram feitas durante a reformulação do Plano Diretor em 1994. Queixam-se ainda do constrangimento para explicar aos investidores que uma obra liberada pela Prefeitura foi impedida por ela própria.

Raimundo Cantídio Neto é sócio-proprietário da construtora Metro Quadrado, uma das empresas com planos de construir prédios na localidade. É de sua responsabilidade a construção do Flat Service Philippe Varnier, localizado na esquina da Rua José Bragança, numa bifurcação a 200m do morro. Ele afirma que ‘‘recebeu com muita surpresa a notícia da cassação das licenças. Investimos em relatórios, gastamos com engenheiros, os processos passaram um ano na Semurb, o órgão aprovou, tivemos o trabalho de convencimento dos estrangeiros para vender o prédio, vendemos para um grupo que já começou a comercializar as unidades. Inusitadamente, recebemos ontem a notícia que nos deixou desorientados’’.

Cantídio considera que o ato do poder público vai gerar um desgaste sem precedentes com os investidores estrangeiros. ‘‘Quando oferecemos o prédio, ressaltamos a segurança e as belezas naturais da região. Não iríamos oferecer uma imagem desagradável. Portanto é de nosso total interesse preservar a visualização do Morro do Careca’’, salienta. ‘‘Não queremos forçar a barra, queremos apenas regras claras’’, acrescentou.

O empresário reclamou da imagem feita dos contrutores pela maioria das pessoas. ‘‘Pela imagem que pintam, somos degradadores, construímos irresponsavelmente’’, afirmou. Disse que, como norma da empresa, a Metro Quadrado optou por fazer uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) . Segundo ele, a água seria escoada com 95% de pureza. Também citou os projetos sociais que coloca em ação quando constrói em um determinado bairro.

‘‘Procuramos contratar o pessoal que reside na Vila de Ponta Negra. Temos um trabalho social de combate ao alcoolismo e às drogas’’. Concluindo, o construtor apontou que os prédios terão de 60 a 70 metros de distância de um para o outro. ‘‘Não vai atrapalhar visão nenhuma’’, afirmou.

CONTRADIÇÃO

Waldemir Bezerra, presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci) acha contraditório o comportamento do poder público. ‘‘Em dezembro a Secretaria Municipal de Turismo vai realizar a Bolsa de Negócios Turísticos e Imobiliários (Bonturn). O secretário de Turismo viaja o mundo para vender os estandes, mas esse ato afugente os potenciais compradores’’, citou Bezerra referindo-se a um evento planejado para acontecer em dezembro próximo.

Ele também classificou as anulações de Carlos Eduardo Alves como ‘‘quebra de contrato’’.‘‘O corretor só começa a comercializar depois de celebrado um contrato com as incorporadoras e estas só começam a trabalhar depois de receberem uma série de documentos do órgão público que autoriza a construção. Lei é para ser cumprida’’, argumenta Bezerra, que é corretor do edifício Solaris, o edifício de 15 andares com estande de vendas já instalado na Rua José Bragança.

O presidente do Creci finalizou comentando sobre a repercussão da anulação das licenças: ‘‘Um caos. Destroça a nossa credibilidade, desmoraliza e desestimula a iniciativa privada. É grave e muito preocupante. Não queremos pressionar, queremos apenas que seja cumprida uma decisão de um órgão competente. Essas anulações colocam em suspeição a competência da própria Semurb’’.