.: Crack :: No rastro da destruição

DIÁRIO DE NATAL – 30/nov/2009

Repórteres: Alana Rizzo, Edson Luiz e Samantha Sallum
Foto: Iano Andrade/CB/D.A Press

Dependência é tratada como questão de segurança nacional e Combate à disseminação é ponto primordial Dependência tem alimentado crimes e desafiado as autoridades

O Ministério da Justiça anunciou a criação de um grupo dentro do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci) para enfrentar a disseminação do crack no país. Além disso, a Polícia Federal promete instalar postos especiais nos estados próximos a fronteiras. Os primeiros serão no Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Acre. “Vamos fazer um colóquio nacional, juntando a Senad (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas), especialistas e universidades para debater a questão do crack”, afirmou o ministro da Justiça em exercício, Luiz Paulo Barreto.

Segundo Barreto, em todas discussões realizadas pelo ministério no país, o grande problema apresentado por prefeitos e a comunidade é o crack. “Temos que ir pelo lado da prevenção, juntando as outras áreas, como saúde e educação. Essa droga é mais perigosa do que a cocaína, vicia mais rápido e está no dia a dia. É preciso ter a repressão. Por isso, vamos instalar postos na fronteira e tentar conter o avanço internodo crack e das quadrilhas”, disse Barreto. A pedra da morte aumentou índices de criminalidade, pontos de prostituição e circulação de armas.

Especialistas apontam a droga como o maior desafio para a segurança pública.

Doença do mundo

Localizada no sertão do Ceará, a 380km de Fortaleza, Iguatu orgulha-se do selo que recebeu no ano passado do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) pelas melhorias na qualidade de vida de crianças e adolescentes. A placa “Município aprovado” na entrada da cidade dá boas vindas aos visitantes e esconde o lado obscuro da cidade de 98 mil habitantes.

Quem convive diariamente com o problema se assusta, como o delegado civil Agenor Freitas, que passou 11 anos longe do município, e há sete meses assumiu o cargo. “O avanço da droga é uma coisa sem precedentes”, diz. “É um mercado lucrativo”. No início do ano, a pedra pequena, segundo o delegado, custava R$ 3 e a grande, R$ 7. Hoje, a menor é R$ 5 e a maior, R$ 10. “O crack é a doença do mundo”, sentencia. O problema se repete em outras cidades do interior cearense, como Crato, Juazeiro e Sobral.

Medidas adotadas também pelo delegado federal no Pará, Geraldo José de Araújo, que já prepara uma estrutura na Secretaria de Segurança Pública para o pior. “A incidência do crack ainda é pequena, mas a qualquer momento pode se agravar”, afirma Araújo.

No Espírito Santo, o crack está sendo tratado como uma epidemia por ter se alastrado rapidamente nos últimos dois anos. “Como em todo o Brasil, a situação aqui está complicada”, afirma o secretário de Segurança Pública do estado, Rodney Rocha Miranda. Delegado federal, Miranda foi um dos integrantes de uma força-tarefa que combateu o crime organizado no Espírito Santo, mas está encontrando dificuldades continuar a luta. “Estamos aumentando as apreensões, mas o consumo de crack aumentada cada vez mais”, ressalta.

“Hoje, quando vou conversar com lideranças comunitárias, o crack está entre os assuntos pautados pelas associações”, diz o secretário, confirmando o que ocorre em quase todo o país: a droga chegou aliada à violência. “Cerca de 70% dos casos de morte têm o crack como pano de fundo”, observa Rodney.

No Mato Grosso, um dos estados identificados pela Polícia Federal como integrante da rota do tráfico de drogas, a pasta base da cocaína ainda é a droga de maior circulação. Mas no interior, em Vila Rica, o crack ganha espaço. Próximo ao Pará e a Tocantins, o município já registra grandes apreensões. “Estamos fazendo um trabalho de identificar só compradores e prisão dos traficantes”, afirma o delegado, que cobra monitoramento mais intenso da PF nas fronteiras.

# Leia mais – A falta de uma política adequada para tratar das mazelas causadas pelo crack é uma constante que permeia os gabinetes do Congresso Nacional…

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