.: Cinema para gente pequena

TRIBUNA DO NORTE – 26/jan/2010
Repórter: Rosa Lúcia Andrade

Foto: Emanuel Amaral

Diretor Ruy Lopes grava cenas de “Minha Bolsa Mágica”, pelas ruas de Ponta Negra

As ruas da Vila de Ponta Negra estão sendo cenário do filme voltado para o público infantil “Minha bolsa mágica”, rodado em Natal até dia 30. É a adaptação da história de Monalisa Silvério – que a escreveu com apenas 10 anos de idade, hoje com 14 – , e que viu sua criatividade ser publicada em livro e agora ganhando corpo para o cinema em forma de película de 35 milímetros. Um curta de 20 minutos que o diretor Rui Lopes, afirma não se preocupar com sua exibição, devido à carência desse tipo de trabalho para um público gigante.

O tema central da história, que passou por algumas adaptações no roteiro do filme, trata de uma menina que se vê em meio a problemas familiares com a separação dos pais e suas consequências e resolve se prender às suas fantasias para fugir da triste realidade. “No roteiro, em concordância com Monalisa, coloquei um pouco mais de realidade, deixando decisões importantes para serem tomadas pela personagem e não deixando apenas que a magia tomasse conta de tudo”, afirma o diretor que também assina o roteiro.

Este é o primeiro trabalho de Rui Lopes voltado para o público infanto-juvenil e ele se diz surpreso com o resultado. As filmagens estão em ritmo acelerado, todos os dias, desde o último dia 18, e vai até dia 30, aproveitando as férias da maioria dos atores, as crianças. Um ou outro já tinha feito filme publicitário, mas a maioria apenas teatro na escola. Como os trabalhos são bem diferentes, foi feita uma preparação em setembro e o diretor está satisfeito com o desemprenho dos pequenos atores, sete, que vão de 8 a 12 anos. Os pais acompanham tudo bem de perto e até dando uma mãozinha aqui e ali na produção de uma cena.

Os três principais, os irmãos da história que gira em torno de uma família que enfrenta a separação dos pais, são realmente o destaque. Gabriel Cortez, 10, aluno de teatro há dois na escola, diz que não está sendo complicado, não. “É só eles dizerem como querem que faça e falaram para eu ser eu mesmo”, explica, assistindo à gravação de uma cena onde apenas aparecem as meninas Poema Mascena, 11, e Camila Frade, 15. Eles fazem as três crianças da família, “Roberto”, “Beta”, a personagem principal e “Dina”, a irmã mais velha.

Apesar da cena deste dia ter sido filmada nas ruas da Vila de Ponta Negra, não estava chamando tanto a atenção dos moradores, não. O problema, apesar da calmaria aparente do lugar, foi mais o trânsito, já que era necessário espaço e silêncio. O vai e vem, volta e repete levou uma cena a ser gravada em cerca de duas horas e meia. Mas isto está dentro da normalidade. E a expectativa é de que já em junho ele seja lançado e levado a festivais.

O diretor acredita no espaço para filmes voltados para o publico infanto-juvenil, lembrando que existem poucas opções, mesmo sendo um curta. A história sendo comum à realidade de várias famílias, pode ser um atrativo e também um meio de discussão sobre o assunto em escolas.

Orçamento enxuto e suficiente

Com um orçamento total de R$ 78 mil, patrocínio exclusivo do colégio Cei e seis apoiadores – Yázigi, Orangutan, Pousada Mirante, Oficina Livre de Música, Corpo de Baile e Avohai – Rui Lopes diz que dá, sim, para concluir o filme sem empecilhos. O projeto estava aprovado na lei de incentivo cultural Djalma Maranhão e não encontrava patrocinador, até que o colégio, já com grupo de teatro, topou o trabalho.

A dificuldade encontrada pelo diretor foi a falta de profissional no Rio Grande do Norte que trabalhe com cinema por trás das câmeras. Os fotógrafos paraibanos João Carlos Beltrão, Aderaldo Júnior e Lúcio César, foram importados por trabalhem com cinema. “É bom porque vai despertando o interesse de pessoas daqui a trabalharem nesta área”, afirma, Rui.

Como a história de Monalisa chegou às mãos de Rui? Bem, apesar dele ser amigo do pai da autora, o diretor garante que a qualidade do texto, a estrutura da história, o próprio tema, chamou sua atenção para virar um roteiro. E o pai dela, Marcos Cassiano, também está no projeto.

Monalisa Silvério, 14, é uma escritora com quatro livros publicados. Antes de “Minha Bolsa Mágica”, ela tinha lançado “Meu Cavalo Coragem” e depois “O Jardim Dourado e a Lenda Misteriosa” e o último publicado e segundo de uma trilogia “O Jardim Dourado e a Pedra dos Escudos”. Quanto à participação no filme de sua história, foi apenas figurante. “Não quero ser atriz, prefiro escrever, mesmo”, diz, com a segurança do que quer ser.

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