.: Queres conhecer o vilão… – por Franklin Jorge

NOVO JORNAL – 07/fev/2010

Durante anos ouvi o nome do engenheiro Kalazans Bezerra relacionado à defesa do meio ambiente. Kalazans sempre me pareceu um mero falastrão e, por isso, nunca fui com o seu ecologismo de plantão. Infelizmente não estava enganado. O cara é um arrivista que se deu bem sob as saias de Micarla, defendendo medidas que ferem princípios antes aguerridamente defendidos, ao tempo em que Kalazans Bezerra era – lembram-se? – coordenador do Movimento Pró-Pitimbu e merecia a atenção e a consideração dos natalenses.

Em verdade, estávamos completamente mal informados sobre a verdadeira natureza de seus interesses. Sua bandeira era apenas uma fachada que se apresenta, atualmente, aos olhos de todos, inteiramente puída e esmolambada. Não admira, pois, que o ex-prefeito Carlos Eduardo Alves o tenha chamado de “corretor”e não de ambientalista, como faria uma pessoa mais desinformada.

Secretário municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (SEMURB), Kalazans defende agora o indefensável, contrariando princípios que em nossa inadvertencia acreditávamos nascidos de uma sincera dedicação à defesa de Natal. Agora, em vez de defender o meio ambiente, ele o agride de maneira descarada, referendando a construção de um espigão de 19 andares em Ponta Negra, o que tem contrariado os moradores do bairro e as pessoas de bom senso. É só o começo, podem crer, de uma devastação urbana sem precedentes na história da cidade.

É interessante notar que ele tomou essa decisão sem discuti-la com a sociedade e, para isso, escolheu o momento certo: quando a Câmara Municipal e o Ministério Público Estadual estavam em recesso. Ora, nada mais conveniente e, ao mesmo tempo, suspeitoso.

Além do mais, Kalazans se aproveitou de um erro de Carlos Eduardo para justificar a construção de espigões em Ponta Negra, quando, se estivesse bem intencionado, lutaria para corrigi-lo e fechar essa brecha deixada pelo ex-prefeito de Natal.

Diz um velho ditado quinhentista que, se queres conhecer o vilão, dê-lhe o poder na mão… E, aí, teremos – no caso em questão – um feroz corretor devorando impiedosamente o direito que todos temos à paisagem e ao verde.

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