Emissário submarino: Caern admite que dados não foram suficientes

Nominuto.com – 19/mar/2010, por Melina França
De acordo com o especialista contratado pela empresa, Paulo Rosman, modelagem não considerou as particularidades de correntes marinhas e ventos.
“Realmente os dados coletados não foram suficientes”, foi o que declarou Paulo Rosman, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e engenheiro ambiental que avaliou a viabilidade do Emissário Submarino para a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern). Ele concordou com o parecer do professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Jayme Ortiz, de que estudos complementares eram necessários.
A declaração foi dada em audiência pública na Procuradoria Geral de Justiça, na manhã desta sexta-feira (19). A audiência acerca do emissário submarino foi proposta pela promotora de Defesa do Meio Ambiente Gilka da Mata.
“A própria empresa reconheceu que as informações não são suficientes para assegurar que o emissário é seguro. Estamos aqui no sentido de ajustar o projeto como deve e implanta-lo ou não, agindo da melhor forma para a cidade do Natal”, constatou a promotora.
De acordo com o engenheiro Paulo Rosman, um grande problema enfrentado na implantação de emissários submarinos são ainda as ligações clandestinas de esgoto, fossas e a macrodrenagem, que poderiam contaminar a água tratada a ser despejada no oceano.

“É preciso fazer o diagnóstico destes prejuízos cruzados, para que a biota nem a balneabilidade sejam afetadas com a implantação do emissário”, relata. Segundo ele, os estudos complementares não foram feitos apenas porque a Caern não os solicitou anteriormente.
Mesmo assim, o engenheiro afirma que o modelo é seguro. Apesar de terem utilizado um modelo genérico, que não avalia os dados específicos da região, ele assegura que as condições naturais foram “pioradas” para que não houvessem prejuízos.
“Utilizamos no modelo ventos persistentes de leste para oeste, o que não ocorre de fato. Estes ventos acontecem somente em períodos muito específicos e normalmente não acarretam prejuízos nesse sentido”, explica.
Sobre o processo de modelagem ter de demorar um ano inteiro, Rosman alega que, em uma cidade com o clima de Natal, o processo poderia ser feito na metade do tempo. “A espera de um ano seria para avaliar as condições naturais da região em cada estação climática. Como aqui temos apenas períodos mais secos e períodos de chuva, apenas as configurações destes dois períodos precisariam ser avaliadas”, relata.
O diretor-presidente da Caern, Walter Gasi, disse logo de antemão: “vamos realizar todos os estudos complementares que forem necessários”. Ele defende o emissário submarino como a melhor opção para o tratamento de esgotos da capital potiguar.
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