USP diz que projeto de emissário submarino precisa ser revisado

Nominuto – 19/mar/2010, por Melina França

Mesmo assim, o professor Jayme Ortiz, autor do estudo, considera esta a melhor opção para tratamento de esgotos.
Melhor conhecimento de condições prévias de lançamento, caracterização qualitativa dos esgotos brutos e tratados, apresentação de novos cenários de modelagem. Estas são alguns dos pontos que, segundo o professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Jayme Ortiz, devem ser levados em consideração no projeto do Emissário Submarino de Ponta Negra.
O posicionamento foi colocado em audiência pública realizada na Procuradoria Geral de Justiça na manhã desta sexta-feira (19). A audiência foi proposta pela promotora de Defesa do Meio Ambiente Gilka da Mata. “Acho importante que a população tenha conhecimento do que está sendo feito na cidade e possa participar dessas decisões. Espero que, ao final, a determinação seja em prol de Natal”, comentou a promotora.
Apesar das revisões, a avaliação da USP aponta o emissário submarino como a melhor opção para o tratamento de esgotos de Natal. Segundo ele, o reuso, outra das possibilidades estudadas, seria impossível pelo grande volume de águas. “O que poderia acontecer seria a reserva de parte desta água para ser reutilizada”, afirmou o professor.
Ainda de acordo com ele, o emissário com tratamento terciário seria dispensável, uma vez que o secundário, se feito corretamente, poderia promover condições ideais à biota aquática e balneabilidade.
Jayme Ortiz levantou ainda dúvidas quanto ao comprimento dos tubos do emissário e afirmou que os dados da modelagem não são suficientes. Quanto a isso, seriam precisos estudos quanto à medição de séries temporais de ventos e correntes, sobretudo quanto às correntes perpendiculares à linha da costa, que poderiam apresentar risco.
De acordo com o professor da USP, o estudo climático também foi feito em tempo insuficiente. Para ele, a modelagem deve ser feita levando em consideração os aspectos climáticos de um ano inteiro, para medir as variações nas condições naturais.
“Os estudos devem prever situações dessa natureza, considerando fatores de segurança que minimizem falhas. Não é raro, contudo, ocorrerem problemas operacionais por falta de manutenção preventiva”, relata Jayme Ortiz.
Segundo ele, outro fator a ser considerado é a estratégia para resolver possíveis questões emergenciais, além de que o Governo viabilize manutenções periódicas na obra. Se tais medidas forem adotadas, os estudos da USP indicam o emissário submarino como a melhor solução para o esgotamento da cidade.
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