Mortes em decorrência do crack mobilizam Vila de Ponta Negra

Nominuto.com – 24 de maio de 2010
Texto e fotos: Fábio Bezerra

Entidades e moradores promoveram caminhada para alertar a sociedade.

Foi realizada no final da tarde desta segunda-feira (24 de maio), na Vila de Ponta Negra, uma passeata em protesto contra o crescente número de mortes de adolescentes em decorrência do uso de drogas, em especial o de crack. Moradores e representantes de algumas entidades caminharam pelas ruas e becos do bairro, vestidos de preto e branco, segurando velas acesas.

“Caminhada Silenciosa da Paz” foi o tema da passeata que contou com a participação de representantes da Secretaria Municipal de Saúde, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Departamento dos Direitos Humanos, Centro de Cultura da Vila de Ponta Negra e Movimentos como S.O.S Ponta Negra e Filhos de Ponta Negra.

Segundo a embaixadora do Movimento Universal da Paz e coordenadora do Movimento Filhos de Ponta, Deth Haack, a caminhada foi para chamar a atenção da sociedade para os casos crescentes de violência em todos os lugares do Brasil.

“Pretendemos mostrar que essa problemática é por causa do crescimento da violência decorrente do uso de drogas. Toda semana vemos casos aqui no bairro e em todo o país de pessoas mortas, principalmente de adolescentes envolvidos com o crack.”

A embaixadora também chama a atenção para crianças e adolescentes envolvidas com prostituição. “Nossa luta não é só contra as drogas. É contra a violência doméstica e prostituição infantil. Temos vários casos dentro do nosso Movimento de meninas que vendiam seus corpos em troca de dinheiro.”

A caminhada começou por volta das 17h e contou com a tímida presença de alguns moradores do bairro, pois a maioria não comparece com medo de represálias.

Graça Leal

De acordo com a coordenadora de Cultura da Vila de Ponta Negra, Graça Leal, sempre que há uma caminhada ou qualquer movimento contra as drogas é difícil encorajar a população a participar. Graça diz ainda que o problema não está só nas drogas, mas também na falta de uma política pública que desenvolva atividades para os adolescentes.

“Toda caminhada é assim mesmo. Mas não vamos desistir. Precisamos mostrar pra sociedade que o problema não é só resolver o envolvimento de adolescentes com as drogas. É preciso resolver o problema da educação, é preciso investir em clínicas de reabilitação. Cadê as políticas de emprego para o adolescente? É preciso ocupar a mente dessas crianças para que eles não caiam nessa vida. Não podemos cruzar os braços, pois depois que o crack toma conta deles, é difícil o longo caminho pra tirá-los dessa vida, mas é perfeitamente possível. A sociedade civil precisa se organizar”, declarou a coordenadora.

# Leia mais: Combate ao crack ganha força com programação na Vila de Ponta Negra

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