Archive for the ‘praia’ Category

Mortes de turistas abalam imagem de Natal no exterior

Repórter: Ciro Marques
Natal, mais uma vez, foi destaque nos jornais europeus há duas semanas. Novamente, também o assunto das notícias não eram as belezas naturais da cidade que é destino turístico de milhares de pessoas do Velho Continente todos os anos. A capital do Estado foi parar no noticiário internacional devido à morte de mais um estrangeiro, uma “publicidade” negativa que já preocupa os responsáveis pelo turismo no Estado.
A vítima da vez foi o empresário espanhol André Jaime Romero Conde, 63 anos, e natural da cidade de Granada. Ele e o amigo, o também espanhol Miguel Fernandes, chegavam ao flat Cristallo, onde estavam hospedados, em Ponta Negra, quando foram surpreendidos e rendidos por dois homens armados. Os turistas deram tudo que tinham – carteira, relógio, celular – à dupla. No entanto, quando, segundo o depoimento de Miguel Fernandes, André Jaime se preparava para entregar uma maleta com 8 mil euros (R$ 18,4 mil) dentro, um dos bandidos se assustou e atirou contra o empresário, que foi baleado e encaminhado para o Hospital Walfrego Gurgel, mas morreu ao dar entrada na unidade hospitalar.
No dia seguinte à morte, os principais jornais espanhóis já noticiavam o latrocínio (roubo seguido de morte) que teve o empresário como vítima. A situação foi semelhante a ocorrida no ano passado, após o também latrocínio que vitimou o bombeiro sueco Gert Björn Skytte Sandgren, morto em uma pousada na praia de Pipa. Ele e a companheira, Ann-Christin Olsson, passavam férias há nove anos na Tailândia, mas haviam decidido mudar, vindo para o Brasil para conhecer o litoral potiguar. No entanto, o casal não passou do 10º dia no país: o bombeiro foi assassinado após ter o chalé onde estava invadido por uma pessoa até hoje não identificada, que levou o laptop do turista e atirou contra ele, matando-o.
Logo após a morte do sueco, Natal não sofreu apenas com as notícias negativas divulgadas na mídia internacional, mais realmente prejudicado com o fim dos vôos charters que traziam escandinavos ao Estado. “Já existia expectativa de parar por reclamações de falta de parcerias com o Governo e agora ainda veio esse problema com a morte do turista”, justificou, na época, Cristina Grahn, proprietária de receptivo Scan Plus, empresa operadora dos voos.
Em Natal, há atualmente seis voos charters e não há perspectiva de perder o único vindo da Espanha depois da morte do empresário André Jaime – além do espanhol, Natal é destino de voos charters da Itália (2), de Portugal (2) e da Holanda. No entanto, não há como esconder a preocupação em situações como essa. “A insegurança preocupa sim. Claro. É um impacto negativo que tem reflexo direto no turismo”, afirma o secretário Estadual do Turismo, Múcio Sá, que vê a violência como um problema enfrentado em todo o Brasil. “É uma questão nacional. Fui, por exemplo, assaltado dentro da base aérea do Galião, no Rio de Janeiro, há cerca de 15 dias”, revela o secretário.
Apesar de ser um problema nacional, Múcio Sá reconhece que a situação requer uma atenção especial e muito trabalho, sobretudo, devido a condição de Natal de sede da Copa do Mundo de 2014. “Somos uma das sedes e temos que começar a trabalhar pensando nisso desde já. E precisamos garantir a Segurança Pública para melhorarmos nossa imagem. Mais policiais na rua, um melhor trabalho de inteligência e investigação, não só para os turistas, mas também para a sociedade potiguar”, afirmou o secretário.


Turistas não são bem informados

Toda informação para o turista, é válida. É com essa visão que o secretário da Setur, Múcio Sá, acredita que falta a alguns turistas que visitam a cidade um pouco mais de atenção e cuidado em relação ao problema da violência. “Acredito que é válido, sim, um hotel ou a pousada dar dicas para o turista de como não ser vítima da violência. Principalmente, às pessoas que vêm de locais que não enfrentam esse problema corriqueiramente”.
Para Múcio Sá, um possível exemplo dessa falta de informação foi o que aconteceu ao empresário espanhol André Jaime. “Ele rodou por vários cantos da cidade com uma grande quantia em dinheiro. Ele deveria saber que procurar bancos e agências de cambio menos movimentadas, à noite, e carregando uma maleta, é praticamente pedir para ser assaltado. Não posso afirmar que, nesse caso, o assalto poderia ser evitado, mas em muitos como esse, sim, se o turista tivesse um pouco mais de conhecimento sobre a cidade e em que situações ele corre risco de violência”, afirmou o secretário, enumerando também dicas de segurança básicas, como “não andar com grandes quantias em dinheiro ou muitas joias, não ir às agências bancárias à noite”.
Essa falta de informação é facilmente vista na praia de Ponta Negra, em uma rápida conversa com os turistas que visitam a cidade. “Só disseram que aqui era muito tranquilo, mas não deram nenhuma dica sobre quais lugares não deveríamos visitar e em que horários não era aconselhado andar na rua”, afirmou a turista mineira Patrícia de Carvalho, que passa férias em Natal ao lado do companheiro, Lenis de Carvalho.
O casal de turistas de Goiânia, Lucélia Jacinta da Silva e Valdivino Gomes, recebeu algumas dicas para escapar da violência na cidade, mas só do taxista que os acompanhou do aeroporto Augusto Severo até o hotel onde estavam hospedados. “Ele falou que não era bom caminhar na rua muito tarde da noite e só. Não falou nada sobre os lugares perigosos, assim como o pessoal do hotel também não disse nada”, esclareceu Lucélia Jacinta.
E sem essas informações sobre a segurança pública de Natal, os turistas brasileiros são tão vulneráveis quanto os estrangeiros. Foi o caso do baiano Antônio Bartolomeu Damásio, 62 anos, em junho deste ano. Ele, que era aposentado da Petrobras, havia alugado uma casa de praia em Camurupim, em Nísia Floresta, para reencontrar os filhos que moram nos Estados Unidos e que ele não via há 17 anos. No entanto, os turistas não sabiam o quão perigosa é alugar uma casa de praia em período de baixa estação: nove dias depois de começarem a reunião familiar, a residência à beira-mar foi invadida por dois homens armados. Antônio Bartolomeu reagiu à tentativa de assalto e foi vitimado por mais um latrocínio – ele entrou em luta corporal com um dos bandidos e foi baleado pelo outro.
“Nas férias, é comum se ver muitos veranistas nas praias. No entanto, nos períodos de baixa estação os bandidos aproveitam as casas isoladas e o pouco policiamento para agir. Por isso, não é aconselhado ir para casas de praias em épocas incomuns, a não ser que se tenha uma garantia de segurança”, contou o secretário Múcio Sá.
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Rede de esgoto estoura em Ponta Negra e dejetos escoam para praia

Foto: Adriano Abreu
Dejetos da rede de esgoto estão escoando para a praia
O vazamento numa rede de esgotos na rua Francisco Gurgel, em Ponta Negra, nas proximidades do Hotel Esmeralda, levou sujeira e dejetos até a areia da praia. O esgoto corria a céu aberto, desde as primeiras horas da manhã, afugentando turistas e prejudicando os comerciantes do local. O transbordamento ocorre dias depois da fiscalização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb)
A tampa de uma das saídas da tubulação da Caern quebrou, provocando o vazamento de esgoto. Para evitar a poluição das águas, alguns barraqueiros escavarm uma vala na areia, represando as águas servidas que desciam pela rua acima da escadaria até o local de banho. Uma espécie de mini-lagoa de podridão se formou a poucos metros das cadeiras e guarda-sóis. Uma língua negra se formou no local.
“Chamamos a Caern, mas até chegarem a gente precisa dar um jeito, é nosso local de trabalho que está sendo agredido”, disse Luiz Antonio Correia, proprietário do ponto 45, enquanto escavava a areia para conter os dejetos.
Segundo o barraqueiro Adelson Cavalcanti, o rompimento de galerias e bocas de lobo não é freqüente nesta área da praia, ao contrário do que acontece nas proximidades do Morro do Careca. Para atrair os freqüentadores de volta à barraca, Adécio gastou cerca de dez vasilhames de desinfetante para lavar o calçadão próximo ao quiosque e a areia da praia. “O mau cheiro espanta todo mundo e a gente sobrevive disso”, justifica.
No sábado (17), uma fiscalização da Semurb identificou dois outros pontos de poluição em Ponta Negra. Um deles próximo ao Morro do Careca e que há muito tempo vem sendo denunciado pela TRIBUNA DO NORTE. Segundo o técnico fiscal da Semurb, Ivan Lopes, a tubulação por onde vazava o esgoto no sábado, 17, era da Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern), que foi autuada e multada. O valor da multa varia entre R$ 300 e R$ 1.600.
O comerciante paulista Luis Bessa, de férias em Natal, lamentou a situação da praia. “É no mínimo desconfortante se deparar com dejetos. Natal é uma cidade turística e seu principal cartão postal nada em esgoto? Onde estão os governantes que deixam isso acontecer?”, questionou.
Segundo informações da assessoria de imprensa da Caern, o acumulo de lixo obstruiu a rede de esgoto. O vazamento foi contido por volta das 11h da manhã.

Audiência Pública sobre os acessos à praia de Ponta Negra

CONVITE À POPULAÇÃO DE PONTA NEGRA

A Promotora Rossana Mary Sudário convida a todos/as para:
AUDIÊNCIA PÚBLICA
DATA: 30.JULHO.2010
HORA: 10h
LOCAL: 28ª Promotoria Pública (Meio Ambiente) – Rua Floriano Peixoto, 550 Petrópolis (esquina com a Rua Mossoró)
PAUTA: ACESSOS À PRAIA DE PONTA NEGRA.

Essa é mais uma boa causa. Vamos juntos buscar uma solução para os acessos/escadarias que foram bloqueados. Aguardamos todos/as.

Movimento Filhos de Ponta

Praias impróprias prejudicam Turismo

Foto: Adriano Abreu
A maioria das praias urbanas de Natal está imprópria para banho, de acordo com o mais recente monitoramento da balneabilidade das praias da Grande Natal, dentro do Programa Água Azul, que é executado em parceria com instituições públicas do Estado que cuidam do meio ambiente e recursos hídricos. Pela capital potiguar ser um dos cinco principais destinos turísticos do país, a Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH) se preocupa com a possibilidade de o problema afetar negativamente o setor, fazendo com que o fluxo de visitantes diminua, uma vez que a cidade é mostrada como um local de sol e belas praias.
Das 30 praias monitoradas pelo Programa Água Azul, oito estão com água imprópria para banhoSegundo dados do mais recente monitoramento da balneabilidade das praias da Grande Natal, das 30 praias onde é feito o controle no estado, oito estão impróprias, sendo todas na capital. Os locais nos quais as pessoas não devem tomar banho são Ponta Negra (acesso principal), Mãe Luíza, Miami, Areia Preta, Praia do Meio, Artistas, Forte e Redinha. No relatório anterior, a praia de Ponta Negra encontrava-se própria para o banho.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH) no RN, Enrico Fermi, a poluição nas praias natalenses ainda não tem se refletido na captação de turistas, uma vez que as pessoas só ficam cientes da questão quando já estão em Natal. Entretanto, ele diz que as pessoas que visitam Natal reclamam bastante ao se deparar com praias impróprias para o banho e ao voltar para as cidades de origem, elas divulgam o fato, o que pode fazer com que possíveis turistas deixem de vir para o Estado.
Para Fermi, essa questão deve ser resolvida o mais rápido possível e o saneamento tem que ser encarado como prioridade, assim como a infraestrutura. Ele cita o projeto do emissário submarino, que deverá levar o esgoto da Zona Sul de Natal até alto-mar, como uma possível solução, mas lamenta que o processo de sua implantação seja demorado, por precisar cumprir diversos trâmites. “O processo da democracia é trabalhoso, mas é imprescindível que seja encontrada uma solução rapidamente”, conclui.
Caern
De acordo com a Caern é realizada uma fiscalização das áreas litorâneas de Natal e não foram constatados vazamentos de esgotos que tenham gerado poluição nas praias da capital identificadas como impróprias. Os técnicos da Caern atribuem o comprometimento da balneabilidade ao uso indevido das galerias de água pluvial pelos usuários, que fazem ligações clandestinas de esgotos, gerando poluição nas praias.
Embora conhecidas as causas do problema, a Companhia aponta dificuldades para solucioná-lo. “A Caern não tem poder de polícia nem autorização para entrar nas residências e punir quem liga esgoto clandestinamente ou lança as águas servidas nas vias públicas”, explica o gerente da Regional Natal Sul da Caern, Lamarcos Teixeira. Segundo ele, a justificativa de que as pessoas fazem ligação clandestina pela falta de saneamento não procede. Isso porque em todas as praias onde foi detectado alto índice de poluição, a Caern possui sistema de esgotamento funcionando normalmente.
Uma iniciativa para evitar o transbordamento de esgotos no trecho da orla que fica perto de Mãe Luiza é a readequação da Estação Elevatória de Esgotos do Relógio do Sol, que coleta os esgotos do bairro. Mãe Luíza já teve 100% da rede de esgotos assentada, faltando apenas o final dos testes e início das operações da Estação de Tratamento de Esgotos do Baldo para interligar essa rede. Até lá, a Companhia pede que a população denuncie os casos de ligações clandestinas de esgotos, evitando que a balneabilidade daquele trecho fique comprometida.
Em Ponta Negra, rotina é a mesma
Uma das praias consideradas impróprias para o banho é Ponta Negra, cartão postal de Natal. Na manhã de ontem, apesar da placa posicionada no calçadão, bem próximo ao principal acesso à praia, indicar a situação da água, muitas pessoas entravam no mar, aparente sem se importar com a poluição no local.
Comerciantes e prestadores de serviço que atuam no local afirmam que poucas pessoas notam a sinalização a respeito da qualidade da água e os visitantes não costumam se queixar do problema. “Tem turista que reclama da sujeira na areia, mas da qualidade da água, nunca ouvi queixa. Acredito que a maioria nem perceba a sinalização”, conta o taxista Ivan Ângelo, que trabalha há 10 anos na praia.
Foi o caso da artista plástica de São Paulo, Zenaide Herlein, que demonstrou surpresa ao ser questionada se não a preocupava a água do local estar classificada como imprópria. “Se eu tivesse percebido a placa com a indicação, certamente não teria ficado na praia. Estou com duas crianças e uma delas está apresentando alergia, que pode até ter sido causada pela água”, lamenta.
Já Maria Núbia Souza estava atenta e optou por nem ficar na areia por muito tempo. A natalense, que hoje mora em Brasília, diz ser um absurdo as autoridades deixarem Ponta Negra ficar nesse estado. “O jeito é procurar outra opção de lazer, que não ofereça risco à saúde da minha família. Vou tomar banho de ducha, agora”, brinca, ao mesmo tempo em que demonstra indignação com o fato.

Ofício Aspoan: Denúncia – Aterramento de Ponta Negra

Ofício nº 004/2010
Natal, 14 de março de 2010

EXMO.SR.
DR. FÁBIO NESI VENZON
DD. PROCURADOR DA REPÚBLICA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

SR. PROCURADOR,

No ano passado no dia 16 de agosto, encaminhanos a V. Exma. O e-mail* que segue abaixo com a denúncia sobre o Aterramento de Ponta Negra, novamente hoje, recebemos esta denúncia onde a pessoa que nos informou das negociações adiantadas para o aterramento de uma faixa de 86 m de largura na praia de Ponta Negra.

Na época não recebemos nenhum comunicado de V.Exma. Sobre esta questão, entretanto gostaríamos de marcar neste final de mềs uma Audiência para discutirmos esta questão específica.

Ficamos no aguardo de uma resposta e nos colocamos à inteira disposição.

Atenciosamente,

Francisco Iglesias
Presidente Aspoan

ASPOAN – Associação Potiguar Amigos da Natureza
. Membro do GI-GERCO – Grupo de Integração Gerenciamento Costeiro/Conama/MMA
. Membro da Coordenação do GT Clima do Fórum Brasileiro de Ongs e Movimentos Sociais
. Membro do GT de Desertificação da ASA – Articulação do Semi-Árido
. Membro da RMA – Rede Mata Atlântica
. Membro da CAN – Climate Action Network
. Membro do Conerh – Conselho Estadual de Recursos Hidrícos
. Membro da CIEA – Comissão Interinstitucional de Edicação Ambiental do RN

######## * e-mail/ofício * ########

Ofício nº 025/2009
Natal, 16 de agosto de 2009

EXMO.SR.
DR. FÁBIO NESI VENZON
DD. PROCURADOR DA REPÚBLICA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

ASSUNTO: DENÚNCIA – ATERRAMENTO DE PONTA NEGRA

SR. PROCURADOR,

A nossa vice-presidente, Dra. Regina Kotke, esteve no dia 13 de agosto, em um jantar ** convocado pela Secretaria Municipal de Turismo da Prefeitura de Natal, com todas as modalidades médicas da cidade, a fim de que capitaneassem os congressos de médicos para nossa cidade para fortalecer o turismo local.

** Médicos agora são embaixadores do turismo da cidade – 14/ago/2009
[www.natal.rn.gov.br/noticia/ntc-1094.html]

Acontece que ela ficou chocada assim como nós com a afirmação feita por um dos palestrantes de que a Prefeitura Municipal do Natal, estava contatando uma empresa portuguesa, que fez o aterro do Flamengo, para efetuar estudos para o aterramento da Praia de Ponta Negra,

É uma novidade absurda. A Prefeitura não consegue cuidar da praia de Ponta Negra com coisas simples como a limpeza da mesma, mas, já pensa em fazer uma obra absurda e polêmica, destruindo um dos mais belos patrimônios paisagísticos do nosso estado e do Brasil.

Gostaríamos que V.Exma confirmasse a veracidade das afirmações realizadas durante este jantar e quais seriam as reais pretensões da Prefeitura nesta questão.

Sem mais nos colocamos à inteira disposição.

ETE do Baldo e Emissário Submarino podem reduzir poluição nas praias

Falta de saneamento básico é um dos principais fatores para a poluição frequente na praia de Ponta Negra, próximo ao Morro do Careca

Fatores naturais contribuem para que as praias urbanas de Natal sejam consideradas “as mais limpas do Brasil”, segundo o geólogo Ronaldo Fernandes Diniz, mesmo considerando – “sem muita dificuldade” – que as praias “seriam 100% próprias para o banho” se a cidade fosse toda saneada e esse serviço funcionasse sem nenhum problema.

Como professor do Instituto Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte (IFRN), Ronaldo Diniz é um dos responsáveis pelo monitoramento da balneabilidade das praias da Grande Natal, dentro do Programa Água Azul, que é executado em parceria, desde 2001, com instituições públicas do Estado que cuidam do meio ambiente e recursos hídricos.

Diniz reconhece que a deficiência dos serviços de saneamento básico não ocorre só em Natal, é um problema do Brasil. Ele acha que a partir da entrada em funcionamento da estação de tratamento do Baldo e da construção do emissário submarino em Ponta Negra alguma coisa possa melhorar na questão da balneabilidade das praias da cidade.

Mesmo o governo tendo anunciado que até o fim do ano 60% da área de Natal estará saneada, ele ainda acha “muito pouco”. Apesar disso, Diniz afirma que as praias de Natal são tidas como mais limpas do que as praias de Fortaleza (CE) e Recife (PE), por exemplo, primeiro, porque as correntes costeiras de sudeste, comum no litoral do Rio Grande do Norte, contribuem “para diluir” os dejetos que são jogados nas praias urbanas da capital potiguar.

Segundo Diniz, existem outras variáveis que explicam o fato de uma semana uma praia estar imprópria para o banho e em outras não, como as chuvas. “Quando chove um dia, todos os dejetos são carreados para as praias”, disse ele, mas se chove mais de dois ou três dias, a cidade fica limpa e não polui mais as praias.

Outro exemplo, dado por ele, ocorreu na semana passada, quando sete praias da Grande Natal, estavam impróprias para o banho, porque apareceu uma corrente costeira, evitando a diluição dos dejetos, que terminaram “prensados” entre o mar e as praias. Outro fator que contribui para a poluição da orla, segundo ele, são as ligações clandestinas de esgotos, que ocorrem em praias, como Ponta Negra, sobretudo no Morro do Careca.

Agora, o fator que mais contribui para que haja a diluição dos dejetos, informou Diniz, porque predomina no litoral ao Sul e Norte de Natal são as correntes de sudeste. Já em Fortaleza, diz ele, ocorre justamente o contrário, as correntes que vêm do norte não deixam a sujeira sair da orla da capital cearense.

A TRIBUNA DO NORTE tentou falar com a direção da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), mas não conseguiu. A assessoria de imprensa informou que dentro de um mês, possivelmente, a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Baldo deve entrar em funcionamento. Só então, as ligações da rede de domiciliar de esgoto deve ser ligada à rede central de saneamento básico, em bairros como Candelária, Mãe Luiza e Nova Descoberta.

Banhistas não se importam com avisos

Mesmo com o aviso de que a praia estava imprópria para banho, algumas pessoas não se incomodaram com isso. No fim da tarde de ontem, pelo menos 11 surfistas aproveitavam as ondas da praia de Miami, onde existe uma placa do Projeto Água Viva, informando que a praia está contaminada.

Outras pessoas tomavam banho na praia de Miami até mesmo por desatenção, como a turista Glória Nelo Silva, que estava em companhia de uma irmã e os dois filhos delas. “Não prestei atenção, se tivesse visto não estaria tomando banho”, afirmou ela, que agora disse que vai para Ponta Negra.

Já a dona de um quiosque na praia de Miami, Francisca Soares Hilário, disse que “se houvesse cuidado com o esgoto, não havia isso aqui”. Assim mesmo, ela disse que os banhistas “não estão nem aí” com os avisos de que a praia “não presta pra tomar banho”.

Antônio Marcos da Silva é acreano e há três meses está fazendo um curso de aperfeiçoamento no Corpo de Bombeiros em Natal. Hospedado num hotel da Praia do Meio, ele disse que já tinha visto o aviso de praia “imprópria” para banho, por isso, só aproveita a praia para caminhar no calçadão. “Quando está assim, não tomo banho de jeito nenhum”.

Hélio Andrade é morador de um dos grandes edifícios de Areia Preta. “Aqui quem desce mais para tomar banho e jogar bola na praia é o pessoal de Mãe Luiza”, afirmou ele, acrescentando que a classe média que reside nesse complexo de apartamentos de alto luxo “têm suas casas de praia em Muriu, Pirangi” e outras praias fora do perímetro urbano de Natal, onde passam o verão ou os fins de semana.

Telão montado em Ponta Negra não funciona e Prefeitura emite nota pedindo desculpas

TRIBUNA DO NORTE – 20/jun/2010

As pessoas que prestigiaram o evento organizado pela Prefeitura do Natal em Ponta Negra para a partida entre Brasil e Costa do Marfim tiveram uma péssima surpresa: o telão de led montado teve problemas e apenas o áudio foi disponibilizado às pessoas que estiveram presentes. A Prefeitura divulgou nota pedindo desculpas pelo transtorno e disse que vai apurar o motivo da falha técnica.

Alex RégisO áudio da partida foi disponibilizado no local.

O áudio da partida foi disponibilizado no local.
Segue abaixo a nota da Prefeitura do Natal.

A Prefeitura do Natal esclarece que o telão de led montado na praia de Ponta Negra apresentou um problema técnico na configuração, o que possibilitou apenas a transmissão de áudio da partida do Brasil contra a Costa do Marfim, neste domingo (19). Lamentamos o transtorno, pedimos desculpas sinceras e agradecemos toda população que compareceu à praia de Ponta Negra.

A Prefeitura do Natal informa ainda que vai apurar o motivo da falha técnica. Ressaltamos que as equipes das secretarias municipais de Serviços Urbanos (Semsur) e de Mobilidade Urbana (Semob), a Guarda Municipal, a Polícia Militar, a Polícia Ambiental e o Corpo de Bombeiros, estiveram presentes antes do início e após a partida da seleção.

Apesar do problema técnico, a Prefeitura do Natal apresentou no palco antes do jogo, o DJ Leo Carioca e no fim da partida quem subiu ao palco foi o forrozeiro Fernando Farias. Além disso, os torcedores presentes ainda contaram com o apoio de 10 banheiros químicos e iluminação da área próxima ao Morro do Careca. Reiteramos que a ação da Prefeitura do Natal ainda beneficiou o comércio formal e informal da praia de Ponta Negra.